The first 200 lines.
Olá, fala a Grace. Podem deixar mensagem.
Olá, Grace. É o Jimmy. Outra vez. Mas já sabe isso, certo?
Por isso é que fui logo para o voice mail.
Ligue-me, está bem? Adeus.
Olá, Derek.
Bom dia, Jimmy.
O que estás a fazer?
A Liz acampa na casa de banho, de manhã, e, às vezes, venho aqui fazer chichi.
Não é uma má maneira de começar o dia, a mijar à chuva.
É uma ótima maneira.
Parece que o vento está de leste.
Soube que foste ao bar de cornhole.
- Foi incrível? - Foi bom.
Tinham bebida e comida razoável.
- Dois sítios de cornhole. - Dois? Fantástico.
Derek, estás outra vez a mijar na rua?
Não, estou só a falar com o Jimmy.
A piscadela foi estranha.
Não tens falta de vista, Jimmy.
Ele parecia zangado comigo?
Não, está tudo bem.
Certo. Para de fazer chichi nas flores.
- Foram só umas pinguinhas. - Para.
Só umas pinguinhas.
São desculpas em forma de bagels. Não te queria denunciar.
Quando encontrei o Paul, pensei que ele sabia que o Sean cá estava.
Sim. Lixaste-me à grande.
Está tudo bem, mas lixaste-me.
Tudo bem. Mas sim, lixaste-me.
Desculpa.
Odeio meter as pessoas em problemas quando não merecem.
- E quando merecem? - É o que mais gosto de fazer.
Não te preocupes. O Paul nunca fica zangado comigo. Vai correr bem.
- Ainda bem. Até logo. - Está bem. Mas lixaste-me!
Já percebi.
Sim. Estou ansioso por te ver.
Aparece no consultório e depois vamos ao apartamento.
Está bem. Até logo. Adeus, querida.
Quem é a tua querida? E é uma gaja sensual?
É a minha filha.
Erro meu.
Ela é solteira? É que, desde o divórcio,
tenho pensado em experimentar coisas novas.
Estou a brincar. Quero deixar-te pouco à vontade.
- És boa a fazer isso. - Obrigada. Agora, entra.
Podes pôr a canção que eu gosto?
Por onde começamos?
Porque vimos para aqui se podemos conversar em casa?
Sean,
o meu bloco está aqui.
TERAPIA SEM FILTROS
Já disse aos seus pais que vive comigo?
Não. Iam passar-se se soubessem que vivo com o psicoterapeuta.
Sim, reconheço que é esquisito.
Certo. Mas tenho de dizer que parece mais leve e mais animado.
- Vamos aprofundar? - Não.
Desculpe. A culpa foi minha por tê-lo feito soar como uma pergunta.
No final, queria dar outra entoação. Vamos aprofundar.
Sean, ainda não falámos sobre o tempo que passou no Afeganistão.
Não vou mentir, Jimmy, Tenho andado a sentir-me muito bem.
Certo? Porque vamos estragar isso?
É a minha função. Tenho uma licenciatura em Estragar Isso.
Da Universidade de Meter-me nos Problemas dos Outros.
É um politécnico, por acaso. Vou parar.
Não podemos fugir disto para sempre.
Ainda não.
Está bem.
- Obrigado. - Lá chegaremos. Sem pressão.
Vemo-nos em casa.
Olá, sou a Gaby. Sou psicoterapeuta aqui.
Eu ia ser a sua psicoterapeuta,
mas depois recomendei o Jimmy para si.
- Certo. - Certo.
Então, como está a correr?
Bem. No início, não gostava desta merda da psicoterapia,
mas agora, até gosto.
Fico muito contente.
Porque me despejou para cima dele?
Sinceramente, achei que vocês se iriam entender.
E talvez se pudessem ajudar um ao outro.
Fixe. Sempre quis ajudar um branco rico de meia-idade.
Bem, é sempre bom retribuir, portanto…
Olá. Bom dia. És miúda de batatas?
Não, Paul. Sou uma mulher de batatas negra e forte.
Estamos a falar do quê?
A minha caixa de legumes trazia demasiadas batatas.
Espera, mandas vir os legumes para o consultório?
Tenho tantas perguntas.
És um chef secreto? Cozinhas aqui? Podes ensinar-me?
Queres a merda das batatas ou não?
O que vou fazer com duas batatas?
Eu aceito as batatas, se estás a dá-las.
- Toma. Leva duas. - Boa.
Estive agora com o Sean,
e acho que está na hora de começar a falar do SPT dele.
Mas ele não quer falar disso.
Pois. É muito comum nos veteranos.
Pergunto-me quando se sentirá à vontade para se abrir.
Essa é fácil. Nunca.
Fizeste asneira. Criaste uma relação.
Ele vê-te como um amigo e colega de casa, não como psicoterapeuta.
Bem, achas que talvez ajudasse se lhe pedisse para rever a relação…
Desculpa… Buzinaste para mim?
Sim.
Disse-te para não seguires esse caminho com os pacientes e fizeste-o na mesma.
Muito bem. Não tenho de seguir o caminho contigo.
Não vou falar contigo sobre nada disso.
Mas falas comigo sobre batatas.
O dia todo. Aprecia os tubérculos, amigo.
Coze-as, assa-as, frita-as,
esfrega-as uma na outra para fazer fogo. Não quero saber.
Talvez as coma como uma maçã, Paul.
Para.
A trama…
Eletrólitos.
Não perguntei.
O que faz ele aqui?
Planta nova? É o quê? Um feto? É uma…
- Não faço ideia. - Está bem.
Ótimo.
Porque vieste?
Pois. Vim deixar as revisões que fiz ao teu plano de património,
pois há três anos que não ligas, não respondes aos e-mails ou às mensagens.
Não te devias orgulhar disso.
Falamos disto agora?
Não é boa altura. A minha filha vem aí.
A menina do papá! Adoro.
Nada? Nada a acrescentar? Está bem.
Ela vem dar uma palestra sobre energia alternativa.
Tem de voltar logo a seguir,
portanto, só pode passar umas horas comigo.
Bem, isto é inusitado. Uma das minhas palavras preferidas.
Espero aqui para ela assinar a tua procuração médica.
- Não me parece. - O quê? Não.
Com o teu diagnóstico, eu não… Não recomendo adiar mais isso.
O sigilo profissional é só para os advogados criminais
ou também para os advogados a fingir?
A lei do património é real. Sou um advogado a sério.
- Sim ou não? - Sim.
Sigilo absoluto.
A Meg não sabe que tenho Parkinson.
Então, vocês não se dão bem?
Sigilo absoluto.
- Para de dizer isso. - Está bem.
Ela era pequena quando me divorciei.
Elas foram para a costa leste. Afastámo-nos.
Era difícil manter o contacto.
Porquê? Foi antes de existirem telefones e aviões?
Desculpa. Desabafaste e estraguei tudo.
A autocrítica é a tua melhor característica.
Achas mesmo importante eu fazer isto agora?
Acho.
Está bem. Eu digo-lhe e peço-lhe que assine.
Ótimo. Envias-me os documentos por correio
ou podes deixá-los no meu escritório?
Não, preferia que alguém fosse a minha casa buscá-los
e me poupasse esse trabalho. - Certo.
Mas o meu assistente Kevin pode fazê-lo.
Kevin. Kevin!
Kevin.
Sou o Kevin, não sou?
Está bem. Até depois.
Obrigado por teres vindo.
- O prazer foi meu. - Sem avisares.
Bem, eu avisei. Liguei, mandei e-mail e mensagem.
Logo…
- Olá, giraça. - Olá.
- Ouvi-te a jogar. Também quero. - Está bem.
- Boa! - Três rapazes.
Por acaso, o Connor chega esta noite da faculdade.
- Diz-lhe que perguntei por ele. - Sim.
- Olá, Liz. Olá. - Olá, Gab.
Vim jogar com a Alice na tabela nova que lhe ofereci.
Certo.
Lembro-me de teres falado nisso.
- É verdade. - Ótimo.
- Bem, divirtam-se. - Obrigada.
Sim, fixe. Gostei muito de te ver.
Meu Deus! Igualmente.
- Sim. Belos ténis. - Obrigada. São uns Jordans.
- Ótimo. Boa. - Sim.
Até logo.
- Adorei. - E eu também.
Porra! Vocês odeiam-se.
Cala-te e lança a bola.
Está bem.
Cá estamos. Pode descalçar-se?
Não é POC, mas vivi no Japão, logo…
Disse-me que nunca tinha saído de Pasadena.
Está bem. É POC, mas os japoneses não são idiotas.
Certo.
Cá vou eu.
Vou sentar-me no seu sofá com as mesmas calças
com que me sentei no banco de jardim. Está bem?
- Agora é a sua vez. - Vou vestir a roupa de casa.
Esta é roupa de sair. Não consigo.
- É… - Sim, consegue.
- Venha sentar-se ao meu lado. Venha. - Está bem.
- Abra os olhos. - Tenho medo.
Eu sei, mas estou aqui ao seu lado.
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