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UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX
O verde profundo.
O canto dos animais.
A corrente do rio cheia de vida.
Selva Mãe, és a minha casa.
Por muito que eu fuja, não querem ver.
És a casa do mundo.
Selva Mãe, és a origem de tudo.
A espiral, a semente e a caveira.
A eternidade é tua.
Selva Mãe, um demónio entrou no teu seio.
Um demónio que não é daqui,
da tua natureza.
Já estive com a Lua, o Sol, os jaguares e os caminhantes.
A sabedoria deles acompanhou-me durante duzentos anos.
E, apesar de eu te ter abandonado,
deixa-me libertar-te do demónio que apodrece o teu interior.
Agente Poveda?
Muito prazer.
Desculpe, não estamos habituados a mulheres da Procuradoria.
Não se preocupe. Já estou habituada.
Muito prazer, sou o Agente Reynaldo Bueno.
Não lavou a farda?
Não a uso nas comunidades.
A lancha já saiu.
Com este calor, já devem estar a apodrecer.
Contratei um particular.
São 80 000 pesos.
A sério?
O que o major me deu não dá para nada.
Porque acha que eram de uma tribo isolada?
Mataram com flechas. Não é costume.
São tribos que estão escondidas na selva há anos.
Conhecem-na como ninguém.
Nunca saíram de lá.
Até os traficantes os temem.
Obrigada.
Agente,
muito prazer. - Como vai?
- Como foi o voo? - Foi bom.
Mexeram nos corpos?
Não durariam muito, com a humidade.
Vá lá não terem sido comidos por um animal.
E as crianças que os encontraram?
Estavam assustados.
- Não viram nada? - Não, mas pelo menos avisaram.
Senão, teriam ficado sem sepultura.
As flechas que as mataram estão nos sacos.
Mas digo-lhe já que eram de uma tribo isolada.
E encontrá-los é muito complicado.
Por isso lhes chamamos isolados.
O que fazemos?
Mandam o exército passar a selva a pente fino?
Major, cumpro ordens e vai ter de cumprir as minhas.
Está bem?
Certo, agente.
Abrimos os sacos, tiramos as flechas
e despachamo-nos a chegar ao local do crime.
Quero ver tudo.
São todas brancas?
Brancas e louras.
Essas três,
porque a última é parecida consigo.
São missionárias da Igreja do Éden.
Uma seita só de mulheres.
A congregação de Yurumí.
Estão lá há anos e evangelizam nesta zona.
Onde estão as fotos?
Deixámos a câmara na esquadra.
Não faz mal, tenho memória fotográfica.
Agente, já fizemos isso tudo.
Se quiser, fazemos um relatório.
Revistaram a zona?
Não, a prioridade foi arrefecer os corpos.
Está a ficar tarde.
O rio é muito perigoso à noite.
Tem razão. Leve os corpos.
Fico com o Reynaldo. O barco já está pago.
Cuida dela, que a selva não a engula.
Agente, o meu telefone?
Faz parte da investigação.
Não se rale, não vou ver a pornografia.
Era bom ter dados para isso.
Vamos, Ramírez.
Tinham pressa.
Pareciam fugir.
A ponta ficou presa algures.
Ou em alguém.
Sabe de que tribo é?
Não.
Há alguma coisa ali?
A reserva. É protegida pela Guarda Indígena.
Sim, mas há alguma coisa?
As ruínas da fábrica de borracha de Puerto Manigua.
Certo.
Não podemos, expulsar-nos-ão. Não temos jurisdição.
Espere no barco. Não quero que tenha problemas por minha causa.
Era a fábrica de borracha?
Escravizaram e assassinaram milhares dos meus antepassados.
É um cemitério indígena.
Está vestida como as outras.
Não entrou em decomposição.
Está aqui há pouco tempo.
Talvez os assassinos estejam perto.
Como lhe tiraram o coração sem deixar rasto de sangue?
Está bem?
Era assim que amarravam os escravos para os castigar.
E deixavam-nos morrer na frente da tribo, como aviso.
Temos de ir.
Não podemos deixar o corpo.
A Guarda Indígena?
Temos de continuar.
Se nos apanham, morreremos como escravos.
Eu levo-te. A tua irmã consegue correr.
Faz o que te digo.
Ela está cansada.
Eu consigo acompanhar.
Leva-a.
Porque esperamos?
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