Je t'aime, je t'aime
The first 200 lines.
- Ele recuperou a consciência? - Não.
Quer vê-lo?
Ele irá viver?
Tudo o que posso dizer é que sobreviveu à operação.
Não se incomode. Eu chamei por você.
Está morto?
Não, mas ainda está inconsciente.
Já se vão três dias.
Eu me pergunto se vale a pena intervir.
Se pudessem transportá-lo,
poderiam começar a experiência imediatamente.
Nós pensaremos nisso.
Você pode manter em boas condições qualquer moribundo.
- Quem sabe? - Nós.
O experimento irá matá-lo.
Precisamos de um homem saudável.
Ali está ele.
Você vai falar com ele agora?
Prefiro esperar.
- Alguém veio vê-lo? - Ele não quer ver ninguém.
Por que não fazer essa experiência com um de seus homens?
- Vocês tem voluntários, não? - Vários, mas descartamos.
Mas por que ele?
Ele não tem nada a perder. É isso o que buscamos.
Por que não pegar um presidiário? Ofereça-lhe um perdão.
Essa não é uma opção.
Ele tem chances de regressar?
É impossível prever.
Essa é a primeira vez que fazemos com um homem.
Eu gostaria de conhecê-lo.
Vou chamá-lo. Espere um pouco.
Esqueceu suas coisas no seu quarto.
Obrigado. Não vou precisar delas.
Claude Ridder?
Sim, sou eu.
Tem um momento? Ou, melhor dizendo, um dia?
Não, não somos da polícia. Trabalho para o Centro de Pesquisas Crespel.
Crespel? Nunca ouvi falar.
Ninguém ouviu.
Se não tem outros planos para hoje, gostaria de levá-lo lá.
É muito longe?
Uns 50 km. Nós temos um carro.
- Como estará o clima? - Ensolarado.
Então por que não?
- Um táxi. - Eu me encarrego.
- Quer passar na sua casa? - Não, obrigado.
Sou o homem que você busca?
Sem dúvida.
Isso não é um sequestro, queremos que fique bem claro.
Não conseguiriam resgate, não tenho família.
Como é Crespel?
É um lugar que ainda não existe.
- É bonita? - Não muito.
Está muito cansado?
Me perguntam a mesma coisa cada hora há 3 semanas.
Está se recuperando bem?
Por que tanto interesse em mim?
Pode fumar?
Sim, já estou curado.
Fora o câncer, não tenho com o que me preocupar.
Está feliz por ter se salvado?
Não sei se me salvei.
Estamos chegando.
- Não parece preocupado. - Para mim dá no mesmo.
O que mais querem que me aconteça?
E se for algo extraordinário?
Mesmo? Como nos contos de fada?
Tinham razão, não é lá muito bonita.
Mas é interessante.
- Aqui é Crespel? - Sim, é aqui.
Pensei que fosse uma cidade.
Não, há uma a 5 km daqui, mas não é Crespel.
O chefe o verá imediatamente.
- Surpreso? - Francamente, sim.
O Centro existe há 15 anos.
Pela região pensam que estudamos agricultura,
mas o assunto agricultura nos é desconhecido.
Nosso objeto de estudo é o tempo.
- E o decifraram? - Parcialmente.
E onde eu entro nisso tudo?
Tenho uma pergunta a lhe fazer, Sr. Ridder, responda-a se lhe aprouver.
Por favor.
Suponha que você tinha um motivo para ter tentado o suicídio.
Você mudou de ideia?
Talvez tenha que fazer essa pergunta de novo.
- Para quem? - Para você.
No momento, não.
Você faria isso de novo?
Sou a cobaia perfeita, não?
O voluntário que não se apega à vida.
Se aceito, que probabilidades teria de sobreviver?
Cem por cento, se você fosse um rato.
Venha, quero lhe mostrar algo.
A passagem do tempo, sem dúvida.
Terei de pensar.
Me pareceu interessante a sua ideia de uma agência municipal...
que difundirá a sua concepção do tempo pela cidade.
- Creio que não funcionaria. - Com o tempo se arruinaria.
Sempre acreditei que deveríamos analizar uma equipe de romancistas...
pagos para porem suas ideias delirantes no papel.
Nessa jarra está o rato A; na outra, o rato B.
Olhe-os bem. Vê alguma diferença?
Não sei. Um é fêmea e o outro macho?
Não, ambos são machos. Mas o rato "B" é um pioneiro.
"A" nunca saiu de sua jarra.
"B" viajou no tempo e voltou a viver um minuto de seu passado.
Um herói. Quando isso se deu?
Ontem. E já se vê que está bem.
E como podem estar certos de que viajou no tempo?
Isso é o que nos preocupa.
Estamos seguros de termos feito, mas é difícil falar com um rato.
Os técnicos pensam em tudo.
Deveriam tê-lo ensinado a falar antes de submetê-lo à experiência.
Retornará exatamente um ano em seu passado.
E isso não durará mais que um minuto, nada mais.
E se isso me matar?
Isso não acontecerá, com o nosso tratamento.
Onde você estava há um ano atrás?
De férias.
Excepcionalmente no ano passado tive 3 meses de férias.
Estive na França, na Riviera.
Você tem certeza?
Minhas férias são o que define minhas memórias.
Você ficará em uma espécie de esfera.
Ao seu retorno, você deverá esperar 4 minutos para se recuperar.
Por que quatro minutos?
Vou lhe explicar.
De uma maneira, podemos compará-lo...
com a câmara de descompressão que os motoristas utilizam.
- Interessa a você? - Não muito.
Por que o passado e não o futuro? Não é mais interessante?
Concordo com você.
Isso pode não ter um resultado muito espetacular,
mas no momento não podemos ir mais longe.
Por isso começamos com passos curtos.
Uma experiência que pode parecer pouco interessante.
Não tenho problemas cardíacos? Nada, nem uma pequena úlcera?
Nada. Está verdadeiramente saudável.
Você vê, o suicídio é excelente para a saúde.
Com certeza lhe disseram que deverá permanecer aqui por alguns dias.
Vão me por de regime?
Algo assim. Apenas por 4 dias.
Terei que assinar um certificado antes do experimento?
Imagino que sim.
Se o experimento sair mal, podem dizer que morri no hospital.
Com certeza.
Bem pensado.
- Foi seu primeiro suicídio? - Sim.
- Com um revólver? - Sim.
- Não consigo vê-lo usando uma arma de fogo. - Tampouco eu.
Por isso que falhou.
- Não tem medo? - Não.
Tive medo por toda a minha vida,
mas agora eu não tenho.
- Você dorme bem? - Muito bem.
- Sente dores de cabeça? - Não.
Veremos amanhã. Tenho que observar os efeitos do T. 5.
Não parecem fazer mal.
- Agora temos apenas de esperar. - Mais três dias.
O que vai acontecer comigo se eu voltar vários anos no passado?
Não, só irá durar 60 segundos. Sabemos por causa dos ratos.
Posso entrar? Não acordarei entre piratas?
Encoste-se. Fecharemos a porta.
Retornará um ano, para voltar daqui a um minuto.
Está decepcionado?
Um pouco.
Esperava uma espécie de... laboratório.
Algo elétrico.
Mas e se, por exemplo... falhar?
Impossível.
Retornará precisamente às 16hs. do dia 5 de Setembro de 1966.
Por que às 16?
É a hora que escolhemos. Sempre enviamos o rato a essa hora.
- E ele sempre voltou. - Tornou-se um hábito.
Nunca pensei que os cientistas fossem supersticiosos.
Queria saber como foi que me escolheram para isso.
Digamos que um computador o escolheu.
- Entre milhões, é claro. - Claro.
- Bom dia. - Bom dia.
Não tem por que se preocupar.
À medida em que aumentarmos a dose de T.5., dormirá cada vez mais.
Falo de sonhos.
Isso também é um efeito do T.5. E quando acorda?
Me sinto bem.
Amanhã, uma hora antes de entrar na esfera...
lhe injetarei uma boa quantidade de T.5.
Estará drogado, mas ao mesmo tempo perfeitamente lúcido.
Não se preocupe.
O tratamento foi elaborado para essa etapa.
Posso me mexer?
A experiência exige que o sujeito fique completamente passivo.
Mas capaz de se lembrar.
Semi-consciente.
- Vem? - Depois.
Duas serpentes do mar e alguns tubarões.
Isso é tudo.
- Está bem? - Muito bem.
Você viu muitos peixes?
Duas serpentes do mar e alguns tubarões.
Isso é tudo.
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