The first 200 lines.
O meu filho Jorah fugiu de Westeros.
Trouxe a desonra à nossa casa.
Preciso de tornar este monte de ladrões e fugitivos
em homens da Patrulha da Noite.
E como está isso a correr, Comandante Mormont?
Vou cortar-te a cabeça por isto!
Estás a levar-nos por Valíria.
A Perdição ainda ronda Valíria.
Homens de Pedra!
Não os deixes tocarem-te!
Tu?
O Olho da Águia é meu.
A última vez que os senhores da Águia
formaram uma aliança com os senhores do Norte,
derrubaram a maior dinastia que este mundo já conheceu.
Cersei mandou-me chamar.
Espero já ser uma mulher casada quando regressardes.
Espero conseguir fazê-la feliz.
Ela já sofreu o suficiente.
Nunca a magoarei.
Todos os pecadores são iguais perante os deuses.
Que diríeis se vos revelasse um grande pecador que vive entre nós?
Que o Pai o julgue com justiça.
Quem pensas tu que és?
Justiça.
O vosso irmão foi assassinado
e vós aqui sentado sem fazer nada.
As Serpentes de Areia estão comigo.
Sem Doran, não temos um exército para marchar contra os Lannister.
A Rainha Cersei ama as suas crianças.
E nós temos uma delas.
Vamos salvar a minha sobrinha, levá-la de volta à sua família.
Alguma estiveste em Dorne?
Os Dorneses são malucos.
Se ele a apanha antes de nós,
perdemos a nossa única oportunidade de vingança.
Aqui servimos o Deus de Muitas Caras.
Para servir bem,
uma rapariga deve tornar-se ninguém.
Que fazemos com eles depois de os lavarmos?
Insubmissos, Não Curvados, Não Quebrados
- O que fazem eles com os corpos? - Volta ao trabalho.
Não. Estou aqui há semanas.
Não lavo nem mais um cadáver até me dizeres porque o faço.
Saberás porquê.
- Quando? - Quando for altura, não antes.
- Volta ao trabalho. - Quando posso jogar o jogo?
- O jogo? - O Jogo. O Jogo das Caras.
Já tentaste. Falhaste.
- Nem sabia que estava a jogar. - Quem és tu?
Ninguém.
- Volta ao trabalho. - Quem és tu?
O que fazes aqui? Como vieste cá parar?
Sou de Westeros, tal como tu.
Sou filha de um senhor, tal como tu.
Mas eu era filha única. A herdeira da fortuna dele.
A minha mãe morreu.
O meu pai voltou a casar e a nova mulher dele deu à luz uma menina.
A minha madrasta não queria que a preciosa filha dela tivesse rivais,
então tentou matar-me com veneno. Eu descobri.
Pedi ajuda aos Homens sem Rosto.
E o meu pai voltou a ficar viúvo.
Sirvo-os desde essa altura.
Era verdade ou mentira?
- O quê? - Acreditaste em tudo o que disse?
Volta ao trabalho.
Quem és tu?
Quem és tu?
Sou a Arya.
- E de onde vieste? - De Westeros.
A casa da minha família é Winterfell.
Sou a filha mais nova de um grande senhor, Eddard Stark.
Ele morreu em combate.
- Uma mentira. - Depois de ele ser executado,
eu fugi da capital.
Tive de matar um moço de cavalariça.
Espetei-lhe a minha espada nas costas.
- Uma mentira. - Espetei-lha na barriga.
Tentei encontrar a minha mãe e o meu irmão,
mas não consegui. Foram assassinados pelo Walder Frey.
Fui raptada por um fora da lei, um homem chamado Polliver.
Um homem chamado Cão de Caça, o Sandor Clegane.
Ele tentou vender-me, mas ficou ferido numa luta.
Pediu-me que o matasse, mas não o fiz.
Deixei-o a morrer nas montanhas. Queria que ele sofresse. Odiava-o.
Odiava-o.
Isso não é mentira!
Uma rapariga mente-me,
mente ao Deus das Muitas Caras, a ela própria.
Ela quer mesmo ser ninguém?
Sim.
Não jogo mais este jogo estúpido!
Nunca paramos de jogar.
E as aldeias que devíamos encontrar?
Não podemos viver de bagas e de raízes.
Eu posso.
Não tendes fome?
Claro que tenho fome.
Sois um péssimo companheiro de viagem, sabíeis?
Deveis ser o homem menos encantador que já conheci.
Não sou vosso companheiro de viagem.
Estamos a viajar juntos na companhia um do outro, portanto...
Alguma vez vos calais?
Viajei de Porto Real até Pentos numa caixa sem dizer uma palavra.
Porquê?
Só agora é que vos ocorreu perguntar porquê?
Nunca vos perguntastes porque é que o Tyrion Lannister
decidiu visitar um bordel em Volantis?
De certeza que visitastes muitos bordéis em muitas cidades.
Matei o meu pai.
Ele queria executar-me por um crime que eu não cometi.
E fodia a mulher que eu amava.
Por muito infeliz que sejais, pelo menos o vosso pai era um bom homem.
- O que sabeis sobre o meu pai? - Conheci-o. Visitei a Muralha.
Quando lhe perguntei acerca dos homens dele,
sabia as histórias de cada um deles.
Preocupava-se com as pessoas que comandava.
Como dizem na Patrulha?
Não voltaremos a vê-lo.
Não sabíeis.
Lamento. De verdade.
Como?
- Só sei aquilo que ouvi. - Como?
Liderava uma expedição para além da Muralha.
Houve um motim.
Foi assassinado pelos homens dele.
É melhor continuarmos.
- "Valar morghulis." - "Valar dohaeris."
Não tenho mais para onde ir.
Levei-a a todos os curandeiros de Bravos.
Gastei todo o dinheiro que tinha.
Sofre todos os dias da vida dela.
Só quero que acabe.
- Dói. - Eu sei.
Não tenhas medo.
Eu era como tu.
Estava doente.
Estava a morrer.
Mas o meu pai nunca desistiu de mim.
Ele amava-me mais do que tudo no mundo,
tal como o teu pai te ama.
Então ele trouxe-me cá.
O meu pai rezou ao Deus das Muitas Caras.
E eu bebi a água da fonte dele.
Curou-me.
Agora dediquei a minha vida a ele.
Não queres sofrer mais?
Bebe.
Uma rapariga está preparada?
Para abdicar das orelhas, do nariz e da língua dela?
Das esperanças e sonhos, dos amores e ódios?
De tudo o que faz de uma rapariga o que ela é?
Para sempre?
Não.
Uma rapariga não está preparada para ser ninguém.
Mas está preparada para ser outra pessoa.
Porquê a Daenerys? Porque vale ela isto tudo?
Segundo me lembro, os Mormont lutaram contra os Targaryen
durante a Rebelião do Robert.
Acreditais em alguma coisa?
- Acredito em muitas coisas. - Em algo maior do que nós.
Nos deuses, no destino.
Acreditais que há um plano para este mundo?
- Não. - Eu também não acreditava.
Era um cínico como vós.
Depois vi uma rapariga meter-se no meio de um fogo enorme
com três ovos de pedra. Quando o fogo se extinguiu,
julguei que ia encontrar os ossos carbonizados dela.
Em vez disso, vi-a, a Daenerys,
viva e incólume, a segurar os dragões bebé dela.
Já ouvistes dragões bebé a cantar?
- Não. - É difícil ser cínico depois disso.
Não quer dizer que vá ser uma grande rainha.
Pois não.
Os Targaryen são famosos por serem loucos.
E se ela conquistar o mundo? E depois?
Mil anos de paz e de prosperidade?
Primeiro, temos de conquistar o mundo.
Temos?
Está bem, vamos supor que os vossos sonhos se concretizam.
Ela fica maravilhada quando lhe entregais o anão inimigo.
Corta-me a cabeça e devolve-vos o vosso cargo.
Comandais o exército dela, navegais rumo a Westeros,
derrotais todos os vossos inimigos e vê-la-eis a subir as escadas
e a sentar-se no Trono de Ferro. Viva! Longa vida à Rainha.
- E depois? - Depois, ela governa.
Então, uma mulher que não passou um dia da vida adulta dela em Westeros,
torna-se a governante de Westeros? Isso é justo?
- É a herdeira legítima. - Porquê?
Porque o pai dela, que queimava homens vivos por diversão era o Rei?
- É um navio de escravos. - Porque estão ancorados?
- Devem ter vindo a terra para... - Procurar água.
Dás muita luta.
Para as minas de sal?
Sim, ou como escravo numa galé.
- Parece forte o suficiente. - E o anão?
É inútil.
- Corta-lhe a garganta. - Esperem. Esperem. Esperem.
- Vamos discutir isto. - E depois corta-lhe a pila.
Vendemo-la por uma fortuna.
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