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BOMBAIM
Sempre houve crime em Bombaim.
Está sempre presente.
Na década de 1990,
o submundo do crime lutava para controlar Bombaim
e havia muita violência.
Um casal veio à esquadra.
Disseram: "Amarraram-nos em casa durante a noite,
dois gângsteres apontaram-nos as armas, esvaziaram-nos a casa e foram-se embora."
Havia muitas queixas na polícia contra estes dois gângsteres,
desde homicídio a violação, assaltos, tudo.
RELATÓRIO INICIAL
Eram assassinos contratados.
Um dia, do nada, recebemos um telefonema.
Eles estavam numa casa a expulsar pessoas…
… à força.
Assim que lá chegámos,
um deles disparou contra nós.
O outro sacou da arma…
… e atacou um agente.
Eu alvejei ambos, três tiros para cada um.
Foram dados como mortos.
Foi o meu primeiro encontro.
A polícia abateu a tiro três gângsteres na área central de Bombaim.
A Polícia de Bombaim abateu a tiro mais de 40 gângsteres nestes dois meses.
Polícias, heróis e salvadores.
POLÍCIA DE BOMBAIM 052
A imprensa chamava-me "o pistoleiro mais rápido do Oeste".
Quem vai à frente? Está atrás dele?
EX-POLÍCIA DE BOMBAIM 104
- Não! - Levanta-te!
Temos de limpar a nossa sociedade.
Especialistas em encontros, heróis com filmes de Bollywood centrados neles.
Diz-se que são estrelas maiores do que os atores que vos interpretam.
- Os implacáveis de Bombaim… - São criminosos fardados.
Pradeep Sharma, polícia de Bombaim, foi acusado de rapto e homicídio.
Depois de matar 112 pessoas, é a minha recompensa.
MÁFIA DE BOMBAIM: POLÍCIA VS. SUBMUNDO DO CRIME
Eu não era de Bombaim.
Olhava à volta e achava tudo estranho.
A vida em Bombaim é rápida.
A maior dificuldade para um forasteiro
é transpirar muito aqui.
Há muita humidade
e, claro, crime.
Quando entrei para a polícia,
o meu pai não ficou satisfeito.
Ele dizia: "Tem uma vida boa. Torna-te professor ou cientista."
EX-POLÍCIA DE BOMBAIM
Mas, então,
não teria tido uma vida tão aventureira.
Eu não conhecia ninguém em Bombaim.
Não tinha amigos ou familiares na cidade.
Por isso, ficava na esquadra 24 horas.
Vivia nas instalações dos solteiros.
Um polícia como eu tem muita violência na vida.
É um trabalho penoso.
Mas, se o aceitámos, temos de o fazer.
TEATRO EDWARD
ESCRITOR E JORNALISTA
Os filmes baseados em Bombaim sempre tiveram gângsteres e vilões,
pois somos a capital do crime organizado no país.
Para os criminosos, esta cidade é perfeita.
Ninguém faz perguntas.
Ninguém quer saber de onde vêm
ou para onde vão.
Ninguém aponta o dedo. Deixam-nos estar.
O crime organizado aumentou muito na década de 1980 e, sobretudo, de 1990.
As regras mudaram,
pois pessoas comuns eram mortas por toda a cidade.
É um caso de crime organizado. É um incidente grave.
MORGUE
Ele foi morto a tiro. Soube pelo filho.
O governo foi criticado
por não fazer o suficiente para controlar ataques criminosos.
Os gângsteres faziam o que queriam.
Ficavam impunes.
Havia medo.
Medo a sério.
Tinham-se tornado tão fortes que tinham mais poder que a polícia.
POLÍCIA INCAPAZ DE CONTROLAR CRIMINALIDADE
ESQUADRA DE POLÍCIA
Havia muitos criminosos.
EX-POLÍCIA DE BOMBAIM
Havia homicídios às claras.
Ninguém estava a salvo.
Não podíamos fazer nada, éramos impotentes.
Mesmo que alguém matasse e fosse preso,
poderia pagar a fiança e sair em três meses.
Não me agradava, mas o que podia fazer?
Um polícia matar alguém a tiro
estava fora de questão.
O submundo do crime estava descontrolado.
EX-COMISSÁRIO DA POLÍCIA
Os polícias andavam desorientados.
Então, eu decidi que ia apanhá-los.
Quando comecei a estudar as atividades dos gangues,
foquei-me principalmente no Dawood Ibrahim.
Ele era um grande mandachuva.
O Dawood tinha um gangue chamado D Company.
Tínhamos poucas fontes sobre o que o Dawood fazia.
Então, começámos a arranjar informadores.
Um dos meus informadores ligou-me
e disse que dois gângsteres do Dawood tinham feito um empresário refém
e estavam armados.
Fomos lá, prendemo-los e iniciámos o interrogatório.
Durante o interrogatório, deram-nos muita informação
sobre as atividades do gangue do Dawood.
Esta organização funcionava a uma escala enorme.
O D Company é como um grande conglomerado.
Diria que, em qualquer altura,
o D Company acrescentava mais de 25 mil pessoas às fileiras.
É uma grande indústria.
Está envolvido em quase tudo, desde contrabando de ouro…
EX-MEMBRO DO D COMPANY
… prata e eletrónica a droga, bebidas ilegais e jogo.
O Dawood era muito poderoso.
Ele era como um rei e eu queria ser bem-sucedido em Bombaim.
Por isso, entrei no gangue.
O Dawood considerava-se um empresário.
Mas chegou ao topo sobretudo porque eliminou toda a oposição.
RIVAIS DE DAWOOD ABATIDOS A TIRO
Ele encomendava mortes.
Queria que fossem disparadas dez ou 20 balas
para as pessoas terem medo dele.
Prosperava devido ao medo que incutia.
O cano de uma arma determina quem tem poder.
Eram peritos em extorsão.
Todas as semanas, o D Company cobrava dinheiro aos lojistas da região.
Todos tinham de pagar um valor semanal
para o negócio correr bem e ninguém destruir a loja.
Quem ganhasse dinheiro,
fosse médico, estrela de cinema ou empreiteiro,
tinha de lhes pagar para sobreviver e manter-se vivo.
Era uma espécie de máfia e tinham de lhes pagar.
Se não pagassem, na semana seguinte… Morriam.
MÁFIA REINA
O Dawood e os homens dele eram impiedosos.
Eram extremamente perigosos.
Muito do tráfico de droga era feito pelo D Company.
Contrabando de ouro e prostituição…
DAWOOD ASSOCIADO A ESQUEMA DE CONSTRUÇÕES ILEGAIS
… crime organizado, corrupção e até Bollywood.
Na década de 1990, calcula-se que 500 crores do submundo do crime
iam para a produção de filmes.
LIGAÇÕES COM O CINEMA A MÁFIA DITA TERMOS
Isto é uma loucura e verdade.
BOMBAIM NA CORDA BAMBA
O D Company não só tinha a mão em vários bolos,
como mandava na pastelaria toda.
BAIRRO DE DAWOOD
ANTIGO VIZINHO DE DAWOOD
Agora há esta algazarra por causa do Dawood.
Conheço-o desde 1974, quando ele fez o primeiro assalto.
Encontrava-me com ele todos os dias.
Era muito amigo do irmão mais novo dele, o Anees.
Eles não nasceram em berço de ouro.
Passaram por dificuldades.
No início, não tinham carros, viajavam de táxi.
RESTAURANTE E BAR
Um dia, recebeu uma dica sobre um rival no bar National.
Tinha ido lá beber cerveja.
Cortaram-lhe os dedos e nervos.
Na região, chamavam "Terror" ao Dawood.
Era conhecido como "Terror".
Se alguém é assassinado em Bombaim, olham para o cadáver e afastam-se.
Se se aproximarem, ficam encurralados.
Os gângsteres do Dawood aterrorizavam todos.
Ninguém se queixava à polícia e ficavam impunes.
Decidi que tinha de apanhar esses tipos,
fosse como fosse.
Na época, tinha cerca de 32 esquadras comigo.
Escolhi polícias com base na reputação.
Queria polícias em forma,
que pareciam ter coragem para combater fogo com fogo.
Se alvejarmos um criminoso,
estamos a expor-nos a acusações.
Estamos a expor-nos a retaliações dos membros do gangue.
Por isso, ninguém queria correr o risco.
Mas eu achava que perseguir os gângsteres do Dawood
podia provar que a polícia é capaz de agir
e incutir algum medo no submundo do crime.
Um dos gângsteres que eu procurava era o Dilip Buwa.
Ele era, de longe, o mais audaz dos membros do gangue do Dawood.
Em Bombaim,
o Dilip Buwa matou um polícia a tiro.
E pontapeou o cadáver.
Então, começámos a procurá-lo.
Um dos meus informadores contactou-nos com muito secretismo.
Só queria falar comigo.
Na época, existia o Hotel Sea Rock.
Estacionámos e ele apareceu e sentou-se no banco traseiro.
Disse-me que o Dilip Buwa se tinha aliado ao Maya Dolas,
um gângster que tinha fugido à polícia
e iniciaram extorsão em grande escala.
O Maya Dolas e o Dilip Buwa, gângsteres famosos,
devem ter cometido, entre eles, mais de 40 a 45 homicídios.
O meu informador disse: "Sei onde eles estão."
NOVEMBRO DE 1991
"Neste momento, estão a comer e a beber em Lokhandwala
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