Personal Velocity

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Personal Velocity (HD)-iTunes
A Commentary by superpchan10
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HD
Published on: 2020-03-15
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Hearing Impaired: No

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The first 200 lines.

A Delia Shunt tinha 34 anos.

Tinha um belo cabelo louro sujo e um rabo forte e pesado,

que as jeans favoreciam.

Ela era dura. Uma vez, num bar, deu uma sova num tipo por lhe ter apalpado o rabo.

Partiu-lhe uma cadeira nas costas.

Vamos jantar. Já.

Ele vai bem. Johny, dá-me essa luva.

- Sente-se aqui, Miss May. - Lavaram as mãos?

- Sim. Lá fora, na mangueira. - Está bem.

Desculpa.

Quero que comam cenouras também, OK?

Decoração.

- Peito? Queres um peito, querido? - Sim, se fazes favor. Obrigado.

- Asa? - Sim, se faz favor.

- Está com bom aspeto, chef. - Passas-me o ketchup?

- Não temos ketchup. - Eu já o vi.

Está bem, vou-te buscar o ketchup.

- Precisas de ajuda com a galinha? - Eu pratiquei hoje.

- Como é que correu? - Muito bem.

- Arranjaste a bicicleta hoje? - Ainda não.

Pai, mudaram o meu jogo para quinta-feira. Podes vir?

O quê?

Mudaram o meu jogo para quinta. Podes vir?

- A que horas? - Às três.

Irei, mas vou chegar tarde.

Vou guardar um lugar para ti.

Esperem. Deixem-me explicar.

O pai da Delia, o Pete Shunt, foi o primeiro hippy em Catskill, Nova Iorque.

Criava cabras e fumava erva cultivada por ele.

Deixou os Adventistas do 7º Dia entrar no seu terreno para conversar com eles.

Ouviu a boa nova? O evangelho do Senhor?

Pode dispensar uns minutos para ouvir a boa nova?

Claro. Tenho todo o tempo do mundo.

O senhor vai à igreja regularmente?

Há muito tempo que não vou.

Estamos com os Adventistas do Sétimo Dia.

Acreditamos na Segunda Vinda.

Outras igrejas celebram o Sabat ao domingo.

Consideramos que o domingo é o 1º dia da semana, por isso o Sabat é no sábado.

Se viesse à nossa igreja, viria ao sábado, não ao domingo.

Se calhar, foi por isso que perdi a missa.

Ele foi tão simpático que, um dia, eles trouxeram as mulheres e os filhos.

A Bíblia diz-nos...

Eles tinham visto o Pete Shunt como um pecador a converter.

... mantemos os corpos puros...

A Delia tinha vergonha, porque os seus seios tinham começado a crescer.

Mais ninguém da turma tinha seios, e eram enormes.

Ela sentia-se separada dos seus seios e atemorizada por eles.

Eram objetos mágicos, definitivamente não era material Adventista.

... esta ideia de nações isoladas é um disparate pegado.

É tudo controlado por grandes companhias.

Concordo contigo, Pete. Mas o que interessa é Cristo.

Se continuas a fumar erva e a viver uma vida impura, vais para o inferno.

É tão simples como isso.

Quem é que pensas que és? Fora da minha casa.

- Já vamos. - Cabrões.

A dizerem-me que vou para o inferno.

O Pete ficou triste durante dias,

porque tinha prometido a si mesmo que não voltaria a zangar-se tanto.

Eles antes batia na mulher, mas há muito tempo que não o fazia.

A mãe da Delia foi-se embora pouco tempo depois.

Estava farta de ser pobre e de usar lenços na cabeça.

Comprou umas roupas bege e arranjou emprego numa seguradora.

A Delia ficou com o pai, porque sentiu que ele precisava mais dela.

Shunt rima com "cunt".

Mas não foi por isso que a Delia se tornou a puta da escola, mas tudo bem.

Ainda por cima, ela adorava beijar.

Perdeu a virgindade aos doze anos.

Aprendeu a agir como se não se importasse com o que outros pensavam.

Era uma sensação ótima, depois de se ultrapassar a vergonha.

Ela aprendeu a amar o seu poder.

Era a vocação dela.

Depois da escola, ela refletia sobre as suas conquistas e isso animava-a.

A Delia casou-se com o Kurt aos 17, porque ele lhe pediu.

Ele pediu-a em casamento, porque não suportava a ideia de outros lhe tocarem.

Especialmente, no rabo dela. Aquele rabo bonito e maduro.

A Delia parava o trânsito com aquele rabo. Por isso, ele casou-se com ele.

O casamento deu um novo significado ao sexo.

Já não era só uma questão de poder. Eles faziam mesmo amor, no começo.

Quando ele sentiu o amor dela, uma violência entrou na sua sexualidade,

uma raiva que, ao princípio, a Delia achou excitante, até sentir a frieza dele

e perceber que ele a desprezava.

Mas era tarde demais. Ela amava-o.

Oh, meu Deus. Desculpa.

Fica aí.

Larguem-me! Vocês as duas, para a casa de banho!

Clara, May, entrem ali e calem-se.

Calem-se.

Querido...

Abre a porta, por favor.

Querido, amo-te.

Por favor, não...

Não faz mal. Eu sei que não tiveste intenção.

Foi a dor do filho dela que rompeu finalmente a sua inércia.

Ouvir as suas bebés a chorar e rogar,

e não poder confortá-las, era como ser assassinada aos poucos.

Passadas duas horas, já não importava que ela amasse o marido.

Não importava que não tivesse para onde ir.

Ela ia levar dali os seus filhos.

Imaginou-se a voltar para ele, como tinha feito tantas vezes.

Mas, desta vez, o corpo dela não o fez.

Quero que acordes. Anda cá.

Vá lá.

Vens ou não?

Entrem.

Alguém a examinará, amanhã de manhã.

A Delia não falava dos seus problemas.

Intimidava as outras mulheres com o seu silêncio.

Ela estava só a ser cautelosa.

Não queria ficar piegas, nem cometer erros.

Estava de partida.

Ela sentiu a dor e a incerteza da mulher como um vórtex

a sugá-la para a sua própria mente confusa.

- O que é que aconteceu? - Ela caiu da prateleira.

Agora parece estar bem.

Comeste alguma coisa?

Vai brincar. Queres brincar mais?

Então, vamos falar de questões práticas.

Deve ser bom praticar o bem 24 horas por dia.

Não sei. Há dias em que acho que não faz diferença nenhuma.

Isso desanima-te, Pam?

Todos temos problemas, Delia.

Já estiveste apaixonada por um homem que te batia?

Tens filhos?

Não, não tenho.

Então, deixa-me em paz.

Porra, estou farta de te ver todos os dias

a sorrir como se tivesses fumado a melhor ganza da tua vida.

Já pensaste noutro sítio para viveres quando te fores embora?

Pensei nisso.

O teu marido esteve cá outra vez para ver os miúdos.

Se ele os vir, leva-os.

Podes ficar aqui o tempo que quiseres. Sabes disso, não sabes?

Porreiro. Gosto à brava de estar aqui.

A Delia ficou acordada toda a noite

a tentar lembrar-se de gente conhecida que saíra de Catskill.

Por fim, nos confins da memória,

lembrou-se da Fay Gorda McDougherty, que fora para o Norte.

Eh, pessoal, aí vem a Fay Gorda.

A Fay fora uma proscrita como a Delia, mas numa categoria diferente.

A Delia sempre protegera a Fay,

embora não gostasse muito dela.

Ela tinha de encontrar a Fay.

Estou?

É a Delia Shunt.

Sei que deve ser estranho ouvires-me.

A minha mãe deu-me o teu telefone. A tua mãe vendeu-lhe um seguro.

Ela falou-me nisso.

Pensei que talvez... Estou num pequeno sarilho.

Não sou procurada pela polícia nem nada disso, mas preciso de sair de Catskill.

Tenho três filhos.

Talvez pudéssemos ficar na tua cave algumas semanas,

só até eu arranjar emprego e resolver a minha vida.

Esquece. Desculpa ter-te incomodado.

Não. Talvez possas ficar na garagem.

- A sério? - Teria de perguntar ao meu marido.

- Não é nada de especial. - Se tem um telhado, está ótimo.

Também há um chuveiro perto da garagem. Foi o Greg que o instalou.

Ótimo.

É bom ouvir a tua voz.

Vamos pôr isso lá atrás.

Obrigada.

- O pai também vem? - Não, querido.

Olá.

Como estás?

- Que bom ver-te. - A ti também.

- Obrigada. - Claro.

Olá. Eles são lindos. São a tua cara.

Há biscoitos, se quiserem. Deixa-me ajudar-te com as malas e...

Olá, fofinha. Entra, que eu mostro-te a casa, está bem?

Este é o Greg, o meu marido.

- Olá. - Entrem.

Gostas de futebol?

Anda cá, vamos aprender.

- Este é o meu marido Greg. - Olá.

Esta é a Delia e os seus filhos adoráveis.

Sabes o que é isto? Não é tão querido? Olha só.

Um gato.

É a Tandy. Queres ir vê-la?

Anda cá, gato de merda.

Porque é que não entram?

O pai do Greg é dono do banco de Why e o Greg é um dos administradores.

- Greg, queres iced tea? - Não, estou bem, obrigado.

Miudagem, há biscoitos.

Vou pô-los aqui, para não caírem migalhas no sofá.

- Iced tea? - Claro.

Só quero que saibas que lamento muito estares a passar um mau bocado.

Obrigada.

Como está o teu pai?

Está bem. Está na mesma.

Ele ainda tem cabras?

Reformou-se.

Onde achas que posso procurar emprego?

Que tipo de trabalho queres?

Qualquer tipo.

... porque eu tenho um primo em Nova Jersey, e ele vai...

- Se faz favor? - Já vou atendê-la.

Olá, mãe.

Lembra-te de que eu vou trabalhar até às oito no hospital.

Por isso devo ir buscar-te por volta das 10, 10:30, não é?

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