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SEIS DIAS ANTES
Tudo bem, George?
Normalmente, estaciono no parque em Richmond Street.
Aqui ainda é na máquina. A aplicação não funciona.
Eu pago, vais ficar cá o dia todo?
Depende, não é?
Foda-se.
Vais ver mais logo?
Essa pergunta é sobre futebol?
Sim.
Não.
- Então, compraste este sítio e a casa? - Sim. Estou endividado até ao pescoço.
Tenta lucrar com a restauração. A casa foi graças aos meus pais.
- Vendi a deles e comprei aquela. - Então, eram ricos?
Pareço-te o Lorde Struthers de Morningside?
Tinham uma moradia jeitosa em Dundee,
portanto, assassinei-os e fiquei-lhes com o dinheiro.
E depois compraste o bar com o Curtis?
Sim. É o meu castigo.
Vou comprar a parte dele, mas é uma fortuna.
E ainda recebe 20% dos lucros,
que é 20% de quase nada, mas ainda assim...
Aquele sacana.
Por acaso, vou estar com ele logo à noite.
Com a sua nova cara-metade.
O problema é que, às vezes, quando lhe tocas, dá choque.
Claro, agora não dá. Típico.
Mas quando dá choque, aquele disjuntor dispara.
Este dispara. É a palavra certa? Disparar?
Vou ter de desligar a luz.
Mas tenho trabalho a fazer.
Bem, posso isolar só este. Quando foi a última inspeção?
Novembro de 2025, está tudo em dia.
Quem vos fez a inspeção?
A Ashbury. Mas cobram 500 libras só pela deslocação.
Pois, não confio neles.
Sabes arranjam funcionários? Em Aruba. Sabes onde fica?
- Nas Caraíbas? - Exatamente.
- Isto não é ser racista. - Bem, é um pouco.
Pensa lá. Aruba.
Aquilo é de quem? Dos Países Baixos.
E, nos Países Baixos, a rede elétrica é de 230 volts
e, em Aruba, é de 127 volts, são dois sistemas diferentes.
É um desastre à espera de acontecer.
E porque é que acontece?
Porque há duas voltagens diferentes? Por causa do Tesla.
- O Elon Musk? - Não, o Nikola Tesla.
O homem que inventou o sistema AC/DC.
Quando morreu, o FBI levou os papéis todos dele
e queimou-os para que ninguém os visse.
Depois o Elon Musk deu o nome dele à empresa.
- Não é coincidência, pois não? - Ou seja?
Exato, é um mistério.
Quando eu era novo, "AC/DC" queria dizer bissexual.
Aqui está tudo bem,
mas tenho de retirar tudo aqui atrás, está bem?
- Vai ficar caro? - Nada é de graça, não é?
Sem querer ser mal-educado, mas sabes como é.
Chamamos o eletricista e diz: "Tem tudo de ser refeito."
Um serviço de 100 libras acaba por custar 10 mil.
- Estás a chamar-me mentiroso? - Não.
A forma como falam dos técnicos. Mais ninguém o toleraria.
Imagina que entrava aqui, pedia um fino e dizia:
"Batizaste isto?"
Ficavas logo ofendido, não ficavas?
- Batizas as bebidas? - Não.
Aí está o primeiro erro.
Se pagasse 20% a uma ex, começava a diluir tudo.
- Chegaste cedo. - Este é o Clive, eletricista.
Olá, Clive. Sou a Judy. Não nos leve couro e cabelo, sim?
É o Clive, o meu vizinho, de quem te falei.
Encontrei o filho online, mesmo online.
Tem 16 anos, mas dizia ter 18. Versátil, passivo.
- O que fizeste? - Comi-o.
- Leo! - Para, foi uma vergonha enorme.
Dizia que estava a zero metros de distância. Zero.
Mas ele deve ter-me visto.
Sua cabra atrevida.
Quem o bloqueia sou eu, olha-me esta.
Esta é a minha rua, e eu era gay
antes de ele ser sequer um espermatozoide.
Agora pensei no pai a ejacular.
Que dia horrível.
Ainda por cima, vou estar com o Curtis logo à noite.
Falando em ficar por cima.
- Porquê? - Queremos ser civilizados.
Mas não podias falar com ele? Como se chama?
George. Íamos falar de quê? Bom dia, Zee.
Zee, o vizinho dele, 16 anos, à procura de sexo online e a mentir sobre a idade.
O Leo não devia falar com ele? O pai é o eletricista.
O pai não sabe que é gay, não digam nada!
- Como sabes que não sabe? - Porque o George está vivo.
Isso é um bocado à anos 80. Os tempos estão a mudar.
Nesta família, não.
Com um pai daqueles, nunca sairás do armário.
Então porque é que o contrataste?
Podes desandar e ir trabalhar?
És amigo dele? Do rapaz?
Seria amigo de um puto de 16 anos? Íamos falar de quê? Da Bluey?
Não, mal falei com ele. Ele só diz: "Olá."
- É melhor não dizeres nada. - Não fiques do lado dele.
Percebo a posição dele, ia ser bizarro.
Se o miúdo engata alguém online e é assassinado, não tem mal?
Pelo menos, não morreria virgem.
Já há luz. Viva!
É estranho, não é? Sabermos mais sobre o filho do que o próprio pai.
- A mulher disse que teve um caso. - A sério?
Num parque de caravanas.
Como a Jenny e o Lee do Gogglebox.
- Se calhar, foi com a Jenny. - Para!
Ele não nos ouve.
- Ele não nos ouve, pois não? - Não, claro que não.
Clive!
Sim?
Nada!
- Vou começar a arrumar isto. - Obrigado.
- Clive. - Prazer em conhecer. Sou a Zee.
Isso é diminutivo de quê?
De nada. É só Zee. Eu escolhi o nome.
- Porquê? - Escolhi e pronto.
É provisório, até encontrar o nome certo.
Sou a Hanna. Foi a minha namorada que escolheu. Diz que é delicado.
Quantas é que vocês são?
- Bom dia, pessoal. - Muito bem, o que se passa?
Não, é simples.
Era só um cabo de terra danificado. Troquei-o e já está.
- Mas? - Não, só tiveram mesmo azar.
Pus um cabo novo, está feito.
Está bem. Ótimo. Ainda bem.
- Mas... - Eu sabia! Quanto é que é o tombo?
Não, é isto aqui. Ora anda ver.
Tens isto tudo ligado a uma única tomada.
O sistema de som, as luzes, o microfone...
- Que mais está ligado aqui? - A máquina de fumo.
- As bolas de sabão. - O projetor.
O inquérito vai ser fixe, quando morrerem queimados.
Mas posso abrir esta parede, refazer a instalação e instalar cinco tomadas.
Oitocentas libras, tudo.
- Quanto tempo fechamos? - Uma noite chega.
Posso isolar esta parede para não fecharem o bar.
- Seiscentas. - Oitocentas. E ponto final.
Não é só a instalação elétrica. Tenho de arranjar tudo e pintar.
Por 800, meto cá o meu rapaz, o meu filho.
Tem curso de carpintaria.
Ele trata disto tudo e deixa tudo impecável.
- Que idade tem o seu filho? - 25.
Ele tem dois filhos.
Porquê? Que conversa é essa?
Nada, tens dois filhos.
- E? - Nada.
Porque é que disseste isso?
Disse porque tens, não tens?
Interessa?
Não.
Muito bem, ótimo.
- Setecentas. - Oitocentas, sim?
E depois, temos... festa.
Dá-lhe, Clive!
Já chega.
Vou começar.
- Quantas horas pagaste de parque? Duas? - Sim.
É melhor ser o dia todo, não? Pagas tu.
Até já.
A PENSAR EM TI VAI-TE FODER
Estou atrasado.
Chama um táxi e apanha-me às 19h30.
- Vamos jantar com o teu ex porquê? - Não faço ideia, porra.
Curtis e Maggie, em casa, às 22 horas vimos embora. Até já.
Não sabe do que está a falar!
Era um jogador de merda e é um comentador de merda.
Não sabe do que fala, é um...
Sempre na tanga.
Não à frente do meu pai! É um homem casado! Sobe as calças!
Tinha onde estacionar a bicicleta.
O cabrão do Curtis e a estúpida da Maggie, burra como tudo.
Respira fundo.
- Olá! - Olá!
- Maggie, Maggie, Maggie, sai, sai, sai. - És mesmo velho.
- Desculpa o atraso. - Que linda!
Prazer em ver-te.
- Vi o Sanjay. - Eu sei, ele disse-me.
- Há quanto tempo. Como estás? - Nada mal.
Estás mais velho, mais gordo e mais grisalho.
E tu começas a cheirar mal.
Deixa-me levar o casaco.
Então, quem mais vem?
Bem, somos só nós.
Para pormos a conversa em dia. Conversar um bocado, sabes?
- Conversar sobre o quê? - Sei lá, tudo. Entrem.
Chega?
Agarra no meu portátil e desata a correr.
Tinha quê? 1,90 m, só músculos.
Tinha 25 anos, corre com um ginasta, sai porta fora, a toda a velocidade.
E eu corro atrás dele para a rua, e de repente ouço um clique.
Era a porta a fechar. Trancada.
- Ali estava eu, completamente nu. - Meu Deus, não pode ser.
Sim. Estava no meio da rua, completamente nu.
- Tive de o ir salvar. - Sim.
Isso aconteceu mesmo?
Tudo à mostra, para toda a gente ver. Apreciem a vista.
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