The first 200 lines.
Terei um bode expiatório fácil quando esta merda rebentar.
Referes-te a mim, não é?
ANTERIORMENTE
O Mitch está aqui.
É assustador, eu sei.
Dizer coisas impopulares sobre pessoas que são impopulares atualmente.
Mas é a porra da minha vida!
Quem mais sabia disto?
Quem acha que sabia?
Quero o divórcio.
Bom, não.
Jason, lamento ter feito isso. Lamento ter-te deixado sozinho na...
Respira.
A vida é complicada. A vida de todos é complicada.
E quero que saibas que podes confiar em mim.
Tenho informação que lhe poderá interessar.
Podes contar-me coisas. Podes ser vulnerável.
Não faz mal.
Está bem.
Decerto que já te ocorreu.
Se o Fred estiver em apuros e tu a dar cartas,
poderias ficar rapidamente com o lugar do Fred.
Não vejo o Fred a ser afastado a menos que seja revelado algo sobre ele.
- Como o quê? - Não sei, Chip. O quê?
Não és imparcial nisto. Sabias o que o Mitch fazia.
Não me lembro de me teres falado do Mitch.
- De me pedires ajuda. - De me pedires ajuda.
Lembro-me de seres perfeitamente capaz de cuidar de ti mesma.
Não te disse? O melhor falafel dos cinco distritos.
Li no Eater. Conheces o Eater, certo?
- Sim. É um belo site. - Adoro.
Porra, eu também adoro.
Podemos voltar ao que estávamos a falar?
Sim, continua. Era excitante.
Disseste que tens uns e-mails.
Sim. Provas de transferências. Subornos. Queixas abafadas.
E conheço pessoas que podem confirmar tudo.
- Um ex-vice-presidente dos RH. - Sim.
Um produtor do noticiário da noite.
Infelizmente, ninguém consegue ligar isto diretamente ao Fred.
Porque ele é muito inteligente.
Mas claro que ele está no centro disto.
Ninguém faz esta merda sozinho.
Estão todos ocupados a tentarem salvar o couro.
Tal como tu.
Espera. Ouve-me.
Digamos que forneço estas provas a um repórter.
Conheço alguém no Times, ou outra pessoa,
alguém jovem e ávido, não sei.
Mas posso referir uma história maior sobre a cumplicidade da estação.
Não daria pormenores, mas orientava-os nessa direção
e depois deixava-os à solta.
Deixava-os ganhar velocidade até se tornar num comboio descontrolado.
- Recostamo-nos e... - Deixamos o comboio embater no Fred.
Sim.
- Vais... - Viste o Planet Earth?
O documentário sobre natureza?
Série documental, mas sim. É muito comovente e pedagógico.
Devias ver. É o David Attenborough.
Há uma categoria de animais chamados predadores de emboscada.
E vão desde estrelas-do-mar,
cefalópodes, crustáceos, aranhas, cobras, até mesmo gatos.
Os predadores de emboscada esperam que a presa
esteja à distância de uma emboscada antes de atacar.
É deliberado. Geralmente escondem-se,
camuflados, até ao momento do ataque.
Mas quando atacam, acaba num piscar de olhos.
E também há a predação de perseguição. É uma estratégia diferente.
Direta. Agressiva.
Mas só resulta se o predador é mais rápido do que a presa.
Não sou um amador. Sou mais rápido do que julgas.
Não és tão rápido quanto o Fred.
Esta é a selva dele e já a governa há muito tempo.
É rápido como a porra.
Não se persegue o Fred Micklen em campo aberto
a menos que saibas que o podes apanhar.
Senão, ele vai virar-se, atacar-te,
esventrar-te e devorar-te no meio da porra da savana.
E vai doer. Bastante.
E que merda devo fazer?
Esperas. Não ouviste o que eu disse?
Até ser o momento certo e tivermos provas suficientes.
Provas sólidas que ligam o Fred a um encobrimento.
Para ti é fácil falar.
O Fred tem-me na mira, está bem?
Quero salientar que pareces muito desesperado
e o desespero não favorece uma grande jogada.
Também aprendeste isso no documentário sobre a natureza?
Não. É Sun Tzu. A Arte da Guerra.
Credo. Alguém que me mate, porra...
Chippy. Vá lá, estás cansado.
Acabas de voltar de LA.
Concentra-te no programa.
E sê paciente.
Espera.
Boa noite, Chip.
Vai-te foder. Boa noite.
E surgiram finalmente novos pormenores
que revelam o comportamento de Weinstein horas antes de ser despedido.
Num e-mail divulgado à imprensa, ele escreveu isto a amigos e colegas:
"Desespero pela vossa ajuda.
Deem-me tempo para fazer terapia.
Não deixem que me despeçam.
Se a indústria me apoiar, não precisarei de mais nada.
Muito interessante.
WEINSTEIN DESPEDIDO
É uma janela real da forma como agia
e manipulava as pessoas à sua volta.
Eu sei. Foi como a cultura do silêncio conseguiu sobreviver.
Que porra estou eu a fazer?
NOVA IORQUE
Há uma semana,
entrou num elevador
para me perguntar quem mais sabia do que se passava.
Sim, é verdade.
Se quer mesmo saber, posso contar-lhe tudo.
E posso garantir que é shakespeariano.
O que aconteceu.
Quem sabia. Quem encobriu.
Isso é um pouco vago. Vou precisar de pormenores.
Na verdade, quero algo de si.
Ainda não lhe vou dar tudo.
O que pode querer de mim?
Quero a minha antiga plataforma.
Para contar a história.
Quero que me entreviste no programa.
A entrevista não vai acontecer.
Posso garantir-lhe já isso.
Não? Porquê?
As audiências explodiriam.
E os críticos também.
E as redes sociais.
E a opinião pública não seria favorável ao programa.
Não me parece ser alguém que se rale com a opinião pública.
Falou comigo 30 segundos num elevador e já acha que me conhece?
Não.
Mas estou enganado?
Você é jornalista. Estou a dar-lhe uma história.
Predador caído em desgraça volta a casa,
para falar do seu comportamento censurável.
E também levanta o véu
que protege os titereiros corporativos.
Que, muito sinceramente, controlam o país inteiro.
Quero dizer...
Vá lá.
Sabe que a Alex nunca aceitaria.
Nem pouco mais ou menos. Nem o Chip, já agora.
Não, tem razão. A Alex não aceitaria,
por inúmeros motivos.
Principalmente porque não está inocente.
O que está a dizer?
Ela...
Ela sabia.
E o Chip, está feito.
É impossível que sobreviva a isto.
Está nas folhas de chá.
E com elas não se brinca.
Sei o que está a fazer.
A sério? Por favor, diga-me qual é o meu objetivo nisto.
Porque todos os outros estão a sair-se muito bem nisso.
Não está a fazer isto para ser altruísta,
para derrubar os executivos mauzões da UBA.
Está a fazer isto porque espera ser ilibado.
E não quero fazer parte disso.
Ouça, Bradley.
Tenho provas.
E posso encontrar testemunhas.
Que tipo de testemunhas?
Assim de repente, estou-me a lembrar de uma.
Uma mulher com quem dormi.
Ela usou-me para avançar na carreira.
Ela não me odeia.
E acho que consigo convencê-la a apoiar-me.
Estou a oferecer-lhe uma notícia.
É uma história importante.
É relevante.
Pode mudar as coisas. Sabe disso.
E se essa história importante afundar a estação,
mas também o programa e todos os que trabalham nele?
Isso pode acontecer. É um risco.
Mas pergunte-se a si mesma: é um risco que vale a pena correr?
Seja como for, avise-me.
Em breve.
Porque eu vou revelar isto, com ou sem você.
Meu Deus. Contem-me o que se passa.
Sei que é algo horrível.
Alguém está doente?
- Não. Ninguém está doente. - Não.
Ninguém está doente.
Muito bem, Lizzy.
Adoramos-te muito.
E nada vai mudar.
Somos uma família e sempre seremos...
O que estás a dizer? Diz logo.
Eu e o teu pai vamos divorciar-nos.
O quê?
Não.
Disseram que iam separar-se para resolver as coisas.
Como foi tão rápido?
Foi por essa razão.
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