Raymond & Ray

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Raymond and Ray 2022 WEBRip x264-ION10
A Commentary by LegendasPTPT
🟩 𝑶𝒇𝒇𝒊𝒄𝒊𝒂𝒍 𝑺𝒖𝒃𝒕𝒊𝒕𝒍𝒆𝒔 🟩

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Published on: 2022-10-21
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The first 200 lines.

Quem é?

- O Raymond. - Qual Raymond?

Quantos Raymonds conheces, Ray?

O nosso pai faleceu.

Pelas próprias mãos?

Não, não foi... Ele estava doente, por amor de Deus.

Posso entrar?

Guarda a arma, Ray. Sabes que não gosto de armas.

Então, não devias bater à porta das pessoas a meio da noite.

Bem, tentei ligar, mas não dava sinal.

Não paguei a conta.

Queres algo para beber?

Café.

Café.

Quando estive aqui a última vez? Há três anos?

Após a cirurgia da Athena.

Então, foi há cinco.

A sério? Merda.

Então, quem te ligou por causa do velhote?

Tipo, quem é que ainda fala com ele?

O Reverendo West, o pastor dele.

O Harris tem um pastor? Estás a gozar?

Sim. O seu último desejo foi que os filhos fossem ao funeral.

É amanhã, Ray. Perto de Richmond.

Não tens de ir.

Ele está morto. Nunca vai saber.

És um homem muito terno, sabes?

E qual é o teu plano?

Parto cedo, antes de amanhecer, mas não posso ir sozinho.

Eu não tenho carta, Ray.

Fui apanhado com álcool.

Tinha bebido duas cervejas.

Pararam-me pela primeira vez em 20 anos.

Tive de conduzir agora porque não atendias,

mas se me apanharem, posso lixar-me a sério.

Porque é que a tua mulher não te leva?

Não andamos bem.

Ela deixou-me em dezembro.

Porque disseste "pelas próprias mãos", há pouco?

Porque se suicidaria?

Acho que sempre pensei que o faria.

Era um cabrão tão amargurado. Frustrado.

Tudo em que tocava transformava-se em merda.

Só achei que, um dia, se poria a dormir.

Fantasiei com isso toda a minha infância.

Ele a meter uma arma na boca e a rebentar com o topo da cabeça.

Credo.

Tu vais mesmo?

Depois do que ele te fez?

Ainda trabalhas na fábrica?

Não. Fui despedido.

Porquê?

Sei lá. Alguma altercação.

"Altercação"? Que chique!

Se perguntasse ao outro tipo, ele usaria essa palavra?

Bem, terá dificuldade em falar, sem os dentes.

Foi por causa de quê?

Nada.

Foi por causa de quê, Ray?

Ele usou a palavra N. Disse-lhe para não o fazer. Escalou.

E em que trabalhas agora?

Na construção. Aqui e ali.

Tenho dois dias, esta semana,

que é outra ótima razão para faltar a um funeral.

Vi uma mulher sair, há pouco. É para durar?

Tens dado concertos?

Não, já não toco há séculos.

Porque não? Estás a tocar bem.

Já não toco.

Eu ouvi-te quando bati à porta.

- Não. - Eu ouvi.

Já não tenho trompetes. Vendi-as.

Vendeste as trompetes?

Não faz mal.

Nem trabalho nem trompetes? Parece-me terreno pouco firme.

Estou bem. Ainda sóbrio, há sete anos.

Isso é ótimo. Estou orgulhoso de ti.

E quê, agora abraçamo-nos?

- Abraça isto. - Foda-se!

Sabes, ele tem outras mulheres.

Podias convencê-las a ir.

Não.

Lembras-te daquela sérvia? A Branka.

Branka... Boa memória. Porra, ela era uma brasa.

Devo ter batido umas 100 punhetas à pala dela, e tu também.

- Não, eu estava ocupado a pinar. - Só dizes treta.

- Como é que ele conseguia mulheres assim? - Conseguia ser engraçado, quando queria.

Chicotear-nos com o cinto conta como engraçado?

Se contar, ele era hilariante.

Ray.

Eu quero estar lá.

Não porque ele pediu, mas porque eu quero.

Quero saber como é metê-lo debaixo da terra,

a sensação que dá.

Mas receio que isso dê cabo de mim.

Vem comigo.

Espera um segundo.

A sério? Isso é mesmo necessário?

Nunca se sabe.

Chaves... Já as tens.

Onde estamos?

A cerca de uma hora e meia.

Estava a sonhar que estava num museu de história natural.

Havia uma daquelas montras com uma cena.

Lembras-te disso?

Homens das cavernas nus a matar um homem... A tua mãe costumava levar-nos lá.

Não. Isso era a tua mãe.

A minha mãe odiava aquele lugar. Dava-lhe arrepios.

Não. A tua mãe... não...

Talvez tenhas razão. Enfim...

Estava no museu e o pai... O Harris é um dos homens pré-históricos.

Sim.

E eu tento partir o vidro, tirá-lo de lá, libertá-lo.

Mas olho para baixo, e... também estou nu, como os outros.

Que achas que significa?

Que vai ser preciso muito mais que um buraco no chão

para te tirar o velhote da cabeça.

É difícil imaginá-lo como um rapazinho.

O pai dele era um monstro para ele. E nós repetimos. Repetimos.

- Não temos de o fazer. - Mas fazemo-lo.

É a lei da terra.

Tu eras um monstro para o teu filho?

Olha... desculpa.

Estou sim? Reverendo West?

Como está?

Sim, estamos a caminho. Vamos ter consigo, ou...

Está bem.

Pode dar-lhe este número.

- É tudo? - Sim.

- Esta loja é fixe. - Obrigada.

É tua?

Está bem, está. Tenho cara de patroa?

Sim, sem dúvida.

Como muitas raparigas do Sul.

- Por isso, decidi rebelar-me um pouco. - A sério?

É incrível!

Que foi aquilo ali dentro?

Nada.

Tu atrai-las, não é?

Como a merda atrai moscas.

O Reverendo West ligou.

Há quanto tempo é que se conhecem?

Tipo, aposto que o pai morreu sozinho.

O tipo só interveio para tornar a coisa um pouco menos desesperada e deprimente.

E este é o aspeto do final quando se aliena toda a gente.

E agora chamaram-nos para dizermos bem dele.

Não tens qualquer boa recordação dele?

Tenho algumas. Queria não ter.

Porquê?

Estou sim? É o Raymond.

Fala o Sr. Canfield, da funerária Remembrance.

Sim. Olá.

Antes de mais, deixe-me dizer-lhe que lamento imenso a sua perda.

Bem, obrigado.

Conheci o seu pai brevemente, há um par de anos,

quando ele fez os preparativos.

Muito carismático. Uma alma sensível.

As minhas condolências.

Quais preparativos?

Ele queria um caixão aberto.

Isso requer embalsamamento, é claro, e temos de começar já,

se quisermos começar o velório ao início da tarde,

que foi o que ele pediu.

Está bem.

A questão é que o seu pai já pagou o caixão e a lápide

e o depósito para o embalsamamento, mas não chegou a pagar o saldo.

- Sei que, neste momento difícil, é... - Quanto é?

- Desculpe? - É o meu irmão, Ray.

Toma.

Prazer em conhecê-lo, senhor. Lamento muito a sua perda.

Quanto é?

Tudo, com impostos, são 475 dólares, e isso inclui o trabalho cosmético.

Está a falar de maquilhagem?

Sim. Gostaríamos de o preparar, para uma experiência tão gratificante...

Pois, isso é uma treta. Não precisamos disso.

Não precisamos de o ver.

Desculpe, não ouvi.

Por favor, avance. Nós pagamos quando chegarmos.

Além disso, um tal Sr. Mendez, o advogado do seu pai,

ligou a ver como estava a correr tudo.

- Eu já lhe envio o número dele por SMS. - Está bem, muito obrigado.

Até breve.

Advogado do Harris?

Tipo, 500 dólares? Tens dinheiro para isso?

Não, mas só fazemos o funeral uma vez.

- Façamo-lo bem. - Não tenho dinheiro.

- Eu não pago. - Eu pago, Ray.

Não te importas?

Jesus Cristo.

Põe em alta-voz.

Max Mendez.

Sim. Sr. Mendez, o meu nome é Raymond.

O meu pai era o Ben Harris.

- Sim. Lamento muito a sua perda. - Obrigado.

O seu pai era um homem exemplar. E muito encantador, também.

Sim, deixará saudades. Tenho a certeza.

Queria falar connosco?

Sim. Infelizmente, tenho outro cliente à minha espera.

Podem cá passar mais tarde? Há algumas questões para rever.

O seu irmão Ray está consigo?

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