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Órfã: A Origem
ESTÓNIA, 2007
INSTITUTO SAARNE
HOSPITAL PSIQUIÁTRICO
Chamo-me Anna Troyev, a instrutora de terapia da arte.
Levante os braços.
Espero não ter de fazer isto todos os dias.
Anna?
Bem-vinda.
Pronta para o seu primeiro dia?
Acho que sim.
Faça o favor.
Mora longe daqui?
De certa forma, mas vale a pena.
Sempre quis usar a arte para ajudar as pessoas.
Maravilhoso.
Faça o favor.
Por aqui.
Aqueles são os nossos procedimentos de segurança.
Aprenda-os de cor e salteado.
A maioria dos nossos pacientes são meigos, mas outros...
Doutor, é a Leena.
Não está no quarto, ninguém a consegue encontrar.
Tranca-o.
Vamos trancar tudo!
Quem é a Leena?
A nossa paciente mais perigosa.
Na verdade, ela é a razão por que foi contratada.
A sua antecessora subestimou-a e ignorou o protocolo.
Não acabou bem.
Oiça-me bem.
Não saia desta sala.
Não se preocupe, ficará segura,
e eu voltarei assim que a encontrarmos.
Por favor...
Olá.
A tua mãe ou o teu pai trabalham aqui?
Posso ver?
Essa sou eu?
Está muito bom.
Sou a Anna.
Como te chamas?
Leena.
Não me respondeste antes.
Os teus pais trabalham aqui?
Porque é que acha isso?
- Porque és... - Sou o quê?
Leena...
Pousa isso.
Leena, pousa isso agora.
Não me disse que era uma criança.
É porque não é.
A Leena sofre de um distúrbio glandular
que causa um nanismo proporcional.
Basicamente, interrompeu-lhe o crescimento por volta dos 10 anos.
Não se iluda, a Leena pode parecer uma criança,
mas é uma mulher adulta.
31 anos, para ser exacto.
Quando a Leena aqui chegou, lutou com tanta força
contra os imobilizadores, que sangrou abundantemente.
Foi uma lição para todos nós sobre até onde ia
a vontade dela em ser livre.
Grande parte da infância da Leena foi passada a fazer
aquilo que pôde para sobreviver.
Mas ela não chegou a crescer, pelo menos exteriormente.
Imagine, passar uma vida inteira a ser vista como uma criança.
É muito importante que não a veja dessa forma.
A Leena usa o seu distúrbio tanto quanto sofre com ele.
É uma manipuladora extraordinária.
Há dois anos, a Leena conseguiu iludir uma família,
fazendo-se passar por fugitiva.
A família acolheu-a, alimentou-a e vestiu-a.
Habitualmente, a Leena teria roubado o que pudesse
e teria desaparecido, mas desta vez ela...
Bem, deixe-me pôr isto desta forma, ela agora vive aqui.
Idti.
Idti!
Ela faz aquilo.
Quanto tempo nos resta, papá?
Tens poucos minutos, querida.
Conheces-me como ninguém, pequena Sara?
Não, papá, conheço-te do coração.
Estás dentro do meu coração.
Vamos ser corajosos, não vamos?
Sim, papá.
Mas esta será a nossa mais difícil batalha.
Olá, Dmitri.
Chegaste a tempo.
Perfeito.
Não consigo pô-las sozinha.
Quero fazer algo simpático por ti.
Podes entrar.
Sim.
Idti.
Queres doces?
Idti!
Ela desligou a corrente.
Sinto muito, Anna.
Espero que a polícia a encontre antes que mais alguém se magoe.
Não é bem o começo que esperávamos, estou certo.
Este trabalho não é para mim.
MENINAS DESAPARECIDAS 9-12 ANOS DE IDADE
PESSOAS DESAPARECIDAS - E.U.A. MENINAS 9-11 ANOS DE IDADE
ESTHER ALBRIGHT 10
PROGRESSÃO DA IDADE
Pobre Anna.
Normalmente basta uma.
Quem está aí?
Não tenhas medo, sou polícia.
Onde estão os teus pais?
Os meus pais estão na América.
Querida, como te chamas?
Chamo-me Esther.
- Arrasaste. - Obrigado, meu.
Estou orgulhosa, querido.
- Bom combate. - Obrigado.
Quanto tempo vais demorar?
Na verdade, há muita malta que se vai juntar esta noite.
Parabéns.
Vemo-nos em casa.
Esta era suposto ser a noite da família.
Mas não é suposto ele divertir-se com os amigos?
Céus, ele passa o tempo a divertir-se.
Não.
O Gunnar esforça-se muito.
Quando não está a estudar, está a esgrimir.
Está a viver a vida dele.
Não faças isso, não te isoles.
Preciso de ti presente.
O Gunnar precisa de ti.
Desculpa, eu não assisti ao combate?
A Esther não vai voltar, Allen.
Também sinto a falta dela.
Sinto.
Todos os dias.
O que faz ele aqui?
MOSCOVO, RÚSSIA
Do pouco que soubemos pela Esther,
acreditamos que foi raptada por uma mulher,
que a trouxe para a Rússia e fê-la passar por sua filha,
até a Esther ter conseguido escapar.
Ainda não temos muitos detalhes.
Talvez quando se sentir mais segura nos possa esclarecer
aquilo por que passou.
Temos um pedopsiquiatra com quem ela irá trabalhar.
Óptimo.
Mas o que ela precisa neste momento é da família.
Esteja preparada para mudanças.
Quatro anos é muito tempo no desenvolvimento de uma criança.
Esther?
Querida, sou eu. É a mamã.
Posso... posso ver-te?
Querida.
É a mamã.
Pensei que não te iria ver mais.
Está tudo bem agora.
Passou tanto tempo desde que nos viste.
Vou ver se consigo... este é o papá.
Este foi um dos nossos eventos de caridade.
Estava tão bonito nessa noite, não estava?
Deseja mais alguma coisa?
Não, obrigada.
Por falar no diabo, o teu irmão deve estar 30 cm mais alto
do que te lembras.
Aqui está a "Mup-Mup".
Foi tão boa para nós.
Mal posso esperar por vê-la.
Não, querida.
Ela faleceu.
Lembras-te?
Agora somos apenas os quatro.
Preciso de ir à casa de banho.
A casa de banho é ali?
Não, é daquele lado.
É lá ao fundo?
- Obrigada pela ajuda. - De nada.
"Mal posso esperar por vê-la."
Que estúpida.
O Papá e o Gunnar estão lá em baixo.
Achas que o pai me vai reconhecer?
Talvez não, se continuares a chamar-lhe pai.
Papá.
Sim. Está melhor.
Espera, deixa-me olhar para ti.
Meu Deus, pareces... uma pequena senhora.
Cresceste tanto.
Tira isto.
Está melhor. É menos formal.
Isto é...
Desculpa.
Não, desculpa eu, eu... Vamos.
Acho... estou nervosa.
Olha o degrau.
Papá.
Desculpa, nem acredito que és mesmo tu.
Eu sempre soube.
Sempre soube.
Olá, Gunnar.
Olá.
Acho que podes fazer melhor do que um "olá", não achas?
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