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ANTERIORMENTE EM O PERIFÉRICO
É neoprimitivo. Crê que arruinámos o mundo ao tentar salvá-lo.
A tua família foi morta. Brutalmente.
Isto é tudo muito angustiante.
Queres matá-lo, não queres?
Muito mesmo.
Podes ser meu aliado ou meu inimigo.
Mas garanto-te que não é fácil ser meu inimigo.
Passa-se algo na tua vida?
Novo ou fora do comum?
LONDRES - UM ANO ANTES DO DESAPARECIMENTO DA AELITA WEST
Céus!
Tive saudades.
-O que fazes aqui? -Vim ver-te.
Queres que te recorde?
Prefiro encarar o futuro e esquecer o passado.
O que lá vai, lá vai e tudo o mais.
Tentei falar-te no primeiro dia cá, mas ignoraste.
Sim.
E, na manhã seguinte, a carta na minha mesa.
Ainda a tenho, se quiseres que a cite com exatidão.
Mas de repente, sem recorrer ao texto:
"Se voltares a falar comigo,
"arranco-te os olhos, sua cabra pútrida e egoísta!"
Foi "puta", creio eu.
"Cabra." Tenho a certeza.
Parece mais ao meu estilo usar a aliteração "puta pútrida".
Outra oportunidade perdida.
Como esta, se te fores embora.
Bebemos um copo, pelos velhos tempos?
Casei.
Parabéns atrasados. Como é ela?
Ele.
Grace. Diz-me que é mentira.
Tenho dois filhos.
Foda-se!
Coitadinha. Foste obrigada?
Partiste-me o coração, porra!
Uma bebida e piro-me.
Por isso, sugiro que vás direta ao assunto.
Achei que era bom uma revisão pós-ação.
Isso até soa a luta armada.
E não foi?
Fiz terapia durante algum tempo. Depois de as coisas desabarem.
E foi isso que disseste? Que as coisas desabaram?
Disse que a atração e a falha fatal na nossa relação
era tu seres uma má menina boa e eu ser uma boa menina má.
À superfície, és má,
mas, no fundo, és assustadoramente boa.
E eu sou o oposto.
E pagaste por essa treta?
Sim, ajudou-me.
Ainda brincas com casas de bonecas?
Há anos que não.
O terapeuta tinha uma teoria.
Disse que se tratava de ordem e controlo.
Que vinhas de um sítio sem isso
e compensavas com as casas de bonecas.
Mundos em miniatura onde te sentias segura.
Soa-me a um monte de tretas.
Tens uma explicação melhor?
É um passatempo excêntrico.
Tens dificuldade em entender as pessoas?
Tipo, o que pensam? O que sentem?
Referes-te a empatia?
Há algo de especial em mexer numa figurinha e mudá-la de sítio.
Em mudar a forma como se senta.
Para onde olha.
E fazia-me sentir que tinha acesso
à vida interior de outro ser.
E isso pode ser impagável.
Vais beijar-me?
É o que queres?
Foda-se, senti a tua falta, Aelita. Nem imaginas quanto.
Devias ter-me tratado melhor.
Queres um pedido de desculpas? É isso?
Não. Isso são águas passadas. Já desaguaram no mar há muito tempo.
Então?
Fala-me do teu trabalho.
-Do meu trabalho? -Sim.
Que mistérios supervisionas
na tua toca secreta com a grande porta de aço?
-Não queres ouvir falar disso. -Quero.
É uma placa de Petri gigante.
Podemos fazer o que quisermos. Estamos a fazê-lo.
E é real? Tens a certeza?
É confuso, certo?
Dizem que é como uma simulação, uma elaborada...
É assim que explicamos os dados que enviamos
ao escalão inferior.
Escalão inferior? Certo.
Quantas pessoas têm acesso?
Só a minha equipa. E a Dra. Nuland, claro.
E o pessoal de segurança de topo. Talvez duas dúzias de pessoas.
Preparada?
Chamamos-lhe a fonte de Deus.
Consigo aceder a tudo aqui.
E nem é só no toco, mas em todo o II.
Mas os nossos dados
são só um grão de areia numa praia maior.
Estamos a alterar as condições no toco.
Temos mais de oito mil estudos em curso.
A estudar o quê?
É difícil encontrar uma área que não estudemos.
Botânica, meteorologia, zoologia, genética,
oceanografia, robótica, florestação...
Mas as coisas mesmo empolgantes?
As merdas secretas de salvar o mundo?
Vêm do Departamento de Modificação Comportamental.
Têm uma empresa-fantasma no toco
com um contrato com o Exército
para instalar implantes hápticos no pessoal.
A nossa tecnologia, mais ou menos, mas a um nível primitivo.
Com que fim?
Vê. Isto é divertido.
Digamos que temos um grupo de fuzileiros num local remoto.
Foi-lhes dito que o inimigo tenciona usar
animais feridos para os levar a expôr-se.
Então, o que fariam estes homens treinados
se tivessem um cão ferido à frente deles?
Matavam-no a tiro.
Mas se os implantes alterassem subtilmente a química neural dos sujeitos
e aumentassem a atividade elétrica do córtex insular anterior?
O centro da compaixão.
Certo.
Qual deles?
Todos.
Agora, isto torna-se interessante.
Todos reagem de forma diferente
com base nas suas histórias e experiências pessoais,
o mistério da personalidade.
-Ele... -Espera.
Trava-o.
-Trava-o. -Já aconteceu, querida.
Há muito tempo.
Agora, imagina as implicações
de implantar algo semelhante ao nível da sociedade.
É o fim das revoltas, o fim de...
Não podem fazer isso.
São pessoas. Pessoas reais.
Vês? Assustadoramente boa.
Ela tenciona implementar algo assim aqui?
Acreditarias se dissesse que não?
Já implementou?
Mais uma vez, acreditarias se dissesse que não?
Boa noite.
Esperem!
É dos Cereais e Legumes?
Exato.
Pode explicar a sua presença aqui,
onde certamente não tem o direito de estar?
-Desculpe? -Não tem autorização de estar neste piso.
-Vim com... -Sabe quem sou?
Claro, Dra. Hogart.
Então, talvez possa explicar
porque está a ser tão indelicada com a minha amiga.
Estou a fazer o meu trabalho.
-A presença dela aqui requer... -Encontrámo-nos lá em cima,
mas esqueci-me do casaco e trouxe-a comigo.
Sob minha supervisão, como minha convidada.
Se quiser, apresente um relatório,
mas tenha o cuidado de assinar o seu nome
para eu saber de quem me queixar.
Não creio que seja necessário, doutora.
Mas peço-lhe que não volte a fazer isto.
Desculpe.
Só quero dizer que tem uns olhos extraordinários.
A sério.
Mataria por uns olhos assim.
O PERIFÉRICO
Robert O'Connell.
Muito prazer em conhecê-lo.
Dez milhões de dólares, Bob.
Já foram depositados 25% na sua conta.
Isso é quanto eu acredito em si.
Não me chamo Bob. Chamo-me Pete.
Porque é tão difícil fazer-vos aceitar o meu dinheiro?
Não sei do que está a falar.
Estou a falar do Bob "O Carniceiro" O'Connell.
-Não sei quem é. -Um tipo de Dublin.
Ganhou fama ao matar três membros da UDA na véspera de fazer 18 anos.
A lista de mortes dele é impressionante, antes de fugir do país.
Costuma contá-las à noite, Bob?
Todas aquelas pobres almas que libertou da prisão da carne.
Quem fala, caralho?
O seu novo patrão. Tentei usar um martelo. Não resultou.
Por isso quero uma ferramenta melhor. Um bisturi, se preferir.
Já foi ambos, certo?
A sério, amigo. Enganou-se no número.
Então o do Tommy Giorno também deve estar errado.
É uma pena. Ia ligar-lhe a seguir.
Talvez falar-lhe da sua filha.
Naquele bangalô dela.
Em Baton Rouge, certo?
Já tenho a sua atenção, Bob?
Quem quer morto?
Muito bem, Flynne. Pronta?
Sim.
-Sim! -Boa!
O Frank está de volta!
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