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NETFLIX APRESENTA
Vou matar-te.
Vou matar-te, seu diabrete.
Diabrete.
Vai buscar.
- Pai! - Diz!
Vou com o Totó à cidade.
A que horas voltas?
- Não sei. Ligo-te logo. - A Estrella e o Róber vêm na quarta.
- Vamos soprar as velas sozinhos. - Sim.
Até logo então.
Vamos!
Diz.
Dora, não consigo ir buscar o bolo.
- Porra, pai! - Vai lá tu. Está no meu nome.
- Está bem. - Não o deixes cair.
Adeus.
Rainbow!
MERCEARIA
Vim buscar um bolo. Está no nome de Diego Galán.
És filha do Diego? Caramba! Estás grande.
Onde está o bolo?
- Está ali. - Está bem.
Meu Deus! Ela está mesmo grande.
É muito parecida com a mãe.
- Não é nada parecida com o pai. - Cala-te. Ainda te ouve.
Aqui tens o bolo.
- Parabéns. Já está pago. - Obrigada.
Adeus.
Mas que…
O que te fez ela, Totó?
Bruxa de merda.
Vamos.
BEIJO DE PRATA
E agora…
Não.
Não.
Não, desta vez, não!
Fazes isso todos os anos.
Não!
- Sim! - Não!
- Um, dois… - Larga-me!
- … três, quatro, cinco… - Que chato!
Não nasceste no dia previsto.
Começaste a fazer das tuas desde o início.
Nasceste de pés.
Dizem que os bebés que nascem de pés têm muita sorte.
É por isso que tens tanta sorte.
Eras tão…
… pequenina
e indefesa.
A minha vida mudou no dia em que nasceste.
O que foi?
Nós não somos parecidos.
Dizem que sou parecida com a mãe.
És mais parecida com ela.
Certo.
Lembras-te do dia
em que uma mulher veio cá a casa?
Disseste que era uma amiga. Eu tinha 11 ou 12 anos.
Vocês falaram à porta durante algum tempo.
Lembras-te?
Claro que sim.
Essa mulher…
… era a minha mãe, certo?
Porque disseste que era uma amiga?
Porque achei que era melhor do que dizer-te
que era a tua mãe e que queria dinheiro.
Certo.
Claro.
Pai, mentiste-me.
Disseste-me que não a tinhas voltado a ver.
Senta-te, por favor.
Por favor.
Eu disse a verdade. Só a vi daquela vez.
Não acredito em ti.
Quero conhecê-la e saber porque se foi embora.
Ela achou que era o melhor para ti, porque ela não estava bem.
Quero ouvir isso da boca dela.
Se te quisesse ajudar a encontrá-la, não saberia como fazê-lo.
Sabes, sim.
Vou procurá-la.
Isso não vai acontecer.
Dora!
Dora!
Dora, volta aqui!
Vou dormir, tia.
Isto é para não deixares impressões digitais.
É só puxares. É fácil.
Vá lá.
Pensei que conseguia fazê-lo, mas não consigo, Coco.
Quantas vezes já falámos disto? Eu já não aguento mais.
Não sejas tonta e ouve-me.
Isto é, praticamente, uma eutanásia assistida.
Podes fazê-lo tu.
Por amor de Deus, Maribel. É o meu marido.
Agora, tens sentimentos.
Eu aturei muita merda deste filho da puta.
E tu também.
É a nossa vez,
agora que ainda temos metade da vida pela frente.
Vá lá.
Vá lá.
Não vou desligar as máquinas, Coco.
Pões-me louca, sabias?
Olá.
- Quem está aí? - O que fazes aqui?
A porta estava aberta e…
Ando à procura da minha mãe.
Acho que ela trabalhou aqui.
Quem é esta rapariga?
Uma de vocês deve ser a minha avó.
Como assim?
Sim, sou eu.
És avó dela?
Espera lá.
Ligaste-lhe?
Maribel,
diz-me quem é esta rapariga.
Arturo.
Rosita!
Liga ao Félix.
Não toques em nada.
Não faças um drama. Não gosto disso.
- Vamos. - O sofrimento é meu.
Prepara um fato escuro de três peças para ele.
Camisa branca, sapatos pretos e gravata preta.
Vá lá, por favor.
Sim.
Então, tu és a Dora?
A filha da Pilar.
Conheceste-a?
Claro.
Quando era pequena, vínhamos para aqui, para casa da tia Coco.
A tua mãe cuidava de mim e da minha prima.
Uma vez, ela deixou-nos fumar. Tínhamos nove ou dez anos.
- Mandaram-na embora quando engravidou. - Quando engravidou de mim?
Supostamente, o bebé morreu à nascença.
Mas, nesta casa de bruxas, é difícil saber o que é verdade.
Sabes o que é de loucos?
O quê?
Tudo…
… é verdade.
Tudo.
Tu decides que verdade queres viver.
Espera aqui.
Olha. A última coisa que soubemos dela foi que trabalhava aqui.
Fica na Cidade Capital.
És uma filha da puta. Não acredito em ti.
- Mentirosa. - Não vamos falar disto agora.
Estás muito nervosa. É normal. Toma um Lorazepam.
Isso mesmo. Pronto.
Tu não sabes quem é a Coco Cabrera.
Filha da puta. Com essa cara de mosca morta.
Pareces um monge com esse cabelo.
Não me chames isso, por favor.
- Gostas? - Sim.
Adoro-os.
Fica com eles.
Porquê?
Porque eu quero que os uses.
E porque vais precisar deles.
Pões-me maluca!
Limpa aquilo.
Acalma-te, por favor. Vamos avaliar a situação.
É isso que tu queres, livrares-te de mim.
- Como assim? - Não te preocupes.
- Eu mesma fá-lo-ei. - O que estás a fazer?
A livrar-te de mim.
- Larga a arma. - Não é isso que queres?
Coco, por favor! Para.
Não, mentirosa de merda.
- Não está carregada. - Não?
- Vamos verificar? - Coco, por favor!
Tia, não, por favor!
- Não! - Coco, por favor.
O que é isto?
Foi um acidente.
O Arturo já estava morto. Foi por isso que te ligámos.
Estávamos a discutir, a pistola disparou…
… e…
Quero ver como vais explicar que o segundo homem mais rico do país
morreu minutos antes de levar um tiro na cabeça.
Seja como for…
… foi a rapariga que disparou.
O quê?
Elas é que queriam desligar as máquinas.
Eu ouvi-as.
O quê?
Ela só está a dizer disparates.
Afinal, quem é ela?
Não sabemos. Ela invadiu a casa.
É a minha neta.
Afinal, talvez isto não tenha sido um acidente.
Coco.
Quer dizer, esta rapariga entrou numa propriedade privada.
Invadiu a casa e, com esta pistola, alvejou o meu marido.
Estes são os factos.
Se calhar,
esta rapariga é uma assassina.
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