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ARGYLLE - ESPIÃO SECRETO
Espero mesmo que dance tão bem quanto se veste.
Só há uma forma de saber.
Sabe a dança do helicóptero?
É preciso perguntar?
Não sabe quem eu sou?
Não.
Mas gostaria de descobrir.
Gostava que aqui estivesse para me prender o coração
e não apenas para me prender, agente Argylle.
Parece que o helicóptero não vai levantar voo.
Últimas palavras?
Uma ajudinha, Keira?
Quem é a Keira?
A miúda que abdicou de ser o próximo Steve Jobs para salvar o coiro dele.
De nada.
GRÉCIA
Precisas de boleia?
A Legrange topou-me. Ela sabia quem eu era.
Então, vamos pôr-nos a milhas.
Keira!
Foi atingida. A Keira está ferida.
Envio ajuda.
Continua atrás do alvo, Argylle.
Não, consigo salvá-la.
A equipa médica trata disso. Faz o teu trabalho.
É uma ordem.
Wyatt, perdi-a.
Onde estás tu?
Prestes a beber um delicioso café grego.
Sugiro que te despaches.
Ela vai na tua direção.
Relaxa.
A má notícia para si
é que esta é a única saída da ilha.
A boa notícia?
Aqui fazem uma karydopita fenomenal.
Espero que goste.
Pode ser a sua última refeição,
se não nos disser quem a avisou que vínhamos.
Quem?
Se não responder,
ficará à temperatura que está agora o meu café.
Que, graças a si, está gelado.
Telemóvel.
LEITURA DA RETINA AUTENTICADO
Nós os dois não somos muito diferentes.
É uma terrorista.
E isso faz de si o quê, agente Argylle?
Argylle.
Fique atenta, Legrange.
Receberá novas ordens.
Fica avisada, Legrange,
que o agente Argylle está a caminho da sua localização.
Parece que servimos o mesmo amo.
Argylle, Wyatt, terminem a missão e regressem à base.
Argylle.
Desliga as comunicações.
Pensa com clareza.
Usa a cabeça.
Não podes acreditar em nada que ela...
Estamos por nossa conta.
A Diretoria virá atrás de nós.
- Temos de sair do sistema. - "'Temos de sair do sistema.'"
- De todo. - "'De todo.'"
- Confiamos um no outro... - "'Confiamos um no outro. Só um no outro.
Entendes-me?
Daqui em diante, tudo será diferente', avisou Argylle.
Ele sabia que não havia volta a dar.
Que nada voltaria a ser como era."
Elly Conway, senhoras e senhores. Muito bem.
LANÇAMENTO ARGYLLE LIVRO 4
Obrigada.
Certo, vamos agora ouvir algumas perguntas.
Então... Sim?
- Olá, Elly. - Olá.
Sou uma aspirante a escritora, mas parece que nunca tenho tempo.
Tem algum conselho?
Meu Deus! Sei quão difícil isso pode ser.
No meu caso, quando servia às mesas, tinha de fazer muitos turnos.
Nunca tinha tempo para escrever a sério até ao... bem...
... ao acidente de patinagem, do qual já falei, claro.
E penso que, quando uma coisa assim nos acontece,
percebemos que o amanhã não é garantido.
E que, se não temos tempo,
temos de arranjar tempo para as coisas que são importantes para nós.
E, quando fiz isso, todas as personagens, as histórias e as ideias
que estavam há tantos anos presas na minha cabeça
foram finalmente libertadas naquelas páginas.
Certo, mais uma pergunta.
Sim?
- Olá. - Olá.
Não é segredo que é a escritora de espionagem que os espiões leem.
Chegou até a prever eventos geopolíticos da vida real.
Fleming, Forsyth, le Carré,
todos tinham o mesmo dom e, afinal, eram mesmo espiões.
E então?
Também é espiã?
Como é que o faz?
Céus, quem me dera!
Tornaria tudo muito mais fácil, mas não sou espiã.
Por mais aborrecido que pareça, o segredo é pesquisa, pesquisa, pesquisa.
Se bem que seria isso que eu diria, se fosse mesmo espiã...
Próxima pergunta.
Sim? A jovem aqui à frente.
Quando teremos o livro cinco?
Bem...
Mais cedo do que pensam.
Emocionante.
O senhor da camisola cinzenta.
Desculpe se isto parecer atrevido,
mas não sei se terei outra oportunidade de perguntar,
portanto, tem planos para hoje?
Isso...
Sinto-me lisonjeada.
No entanto, esta noite, tenho um encontro escaldante.
Sim. Mais um encontro escaldante.
Pronto?
A dona tem de trabalhar.
O ficheiro-mestre roubado
tinha mais do que provas suficientes
para acabar com a Diretoria.
Embora o pirata informático pedisse muito dinheiro,
Argylle sabia que valeria o seu peso em ouro.
Metade agora, metade na entrega.
Como combinado.
Este telemóvel é a chave para o ficheiro-mestre.
Vá a Londres.
Quando chegar, receberá nesse telemóvel uma chamada do meu chefe,
o melhor pirata informático do mundo.
Ao seu alcance estava o tiro certeiro,
aquele que acabaria com a Diretoria,
de uma vez por todas.
Fim.
Livro cinco terminado.
Um brinde, Argylle.
Mãe, bom dia. Olá.
Viste o e-mail que te enviei ontem à noite?
Já o li.
De ontem para hoje? Tudo?
Querida, sou tua mãe. Claro que li.
Tomei dois estimulantes, comecei a ler e não consegui parar.
Fiquei deslumbrada.
Voltaste a conseguir, meu anjo.
Mãe, fico tão aliviada.
Estava a revê-lo na minha cabeça e a preocupar-me,
mas ainda bem que gostaste.
Podemos enviá-lo à editora e...
Pois. Bem...
Não.
O que foi?
Nada. O livro é fenomenal, querida, mas...
Achas que não está pronto.
Elly, é só... é o final.
- Céus! - Estava a lê-lo.
Estava muito empolgada.
O Argylle ia apanhar o ficheiro-mestre e derrotar aqueles canalhas,
e a grande reviravolta
é que está em Londres.
O quê? Não.
Ele apanha ou não o ficheiro-mestre?
- O que vai acontecer? - Chama-se suspense, mãe.
Elly, chama-se cobardia.
Não podes fazer isto aos teus leitores.
E se eu apanhar um avião para aí na sexta-feira?
Passo o fim de semana.
Juntamos ideias e fazemos alguma da nossa magia?
Arranjamos uma solução.
Pode ser na sexta-feira. Eu só...
Vou pensando nisso até lá.
Tens de dar um fim a esta história, Elly.
Sim, acho que ainda tens de escrever mais um capitulozinho.
Vai ser divertido.
Adeus.
Ouviste, amigo?
Mais um capítulo.
Mna. Li,
só tenho voo para Londres amanhã de manhã.
Como tenho tempo para matar,
- pensei que... - Pensou o quê?
Que eu ficaria aqui?
A ver o fogo de artifício consigo?
Já lhe mostro o fogo de artifício.
Não.
Foi mau.
Céus, foi mau.
Apagar.
És melhor do que isto, Elly.
Vá lá, Elly.
- Todo este estilo... - É muito...
Não tem nada que ver.
Certo.
"O que eu queria dizer, Mna. Li, era..."
O que eu queria dizer, Mna. Li, era...
"Era..."
- Não tenho... - Nada.
E tu, Alfie?
Alguma ideia?
Alguma coisa?
Olá, mãe.
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