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VIVEIRO
Hoje, vamos fingir que somos árvores.
Vamos ser lindas árvores verdes, altas e com galhos bem longos.
E folhas bem viçosas. Agora, todos de pé.
Que barulho é esse? Alguém está ouvindo?
Vento.
Vento.
E de repente, uma tempestade!
-Tchau! -Tchau!
-Ainda procurando casa? -Oi!
Pois é, só que nunca acaba.
Um conselho. Compre agora. Os preços estão disparando.
É, nós vamos à imobiliária hoje. Então...
-Não perca a oportunidade, Gemma. -Certo.
Tchau.
Quem fez isso com os pobres passarinhos?
Não sei.
Será que foi um cuco?
Por quê?
Porque ele precisava de um ninho.
Por que ele não fez o seu próprio ninho?
Porque na natureza é assim que as coisas são.
Eu não gosto de como as coisas são. É horrível.
Bem...
-Só é horrível às vezes. -Molly!
-Tchau, Srta. Pierce. -Tchau.
Ei, mocinha. Chegue mais perto.
Vamos lá! Dona Árvore quer conhecer você.
Isso, assim mesmo.
Minha casca!
-Oi. -Oi.
-O que achou de mim como árvore? -Bem medíocre.
Ótimo.
Coitadinhos.
É uma maldade.
Assim, pronto.
-Ei, mostre respeito, está bem? -Você os derrubou?
Não derrubei, não. Sou um profissional. Vamos.
-Como ousa? -Um maluco profissional.
-É, mas profissional. -Profissional.
Um dia, vou ter meu próprio carro.
Você vai ver. Vou ter uma van de jardineiro, grande e toda enlameada.
-Que maravilha! -É.
-Vai trocar de camiseta? -O quê?
Sua camiseta.
-Sério? -É.
-Droga. -Está fedendo.
Eles me julgam, sim. Sério. Sua mãe é a pior de todas.
-Ela quase nunca está lá. -Ela fica lá o tempo todo.
Ela veio com o apartamento.
É.
Olá.
Nós estamos...
-procurando uma coisa. -É.
Como é seu nome?
Gemma. Este é o meu namorado, Tom.
E aí?
Gemma e Tom. Prazer em conhecê-los.
É um prazer conhecê-lo...
Martin.
Yonder é um condomínio maravilhoso.
É tranquilo e prático. Tem tudo de que precisam e de que gostariam.
E quanto ao preço,
não é à toa que as casas estão vendendo rápido.
Eu sei o que vocês estão pensando.
Vida de subúrbio.
Mas Yonder é mais do que se vê nessas imagens.
Temos pessoas ótimas. Todo tipo de gente pronta para se mudar.
Será uma comunidade eclética. Algo diferente. Uma mistura agradável.
Onde fica?
Perto o suficiente.
E longe o suficiente.
A distância perfeita.
Podemos dar uma olhada, se quiserem.
Vocês têm carro?
-Droga. Infelizmente, nós... -Temos. Está lá fora.
Ótimo. Vou pegar a minha chave. Vocês podem me seguir.
Se preferirem, podemos marcar para outro dia.
Mas, como eu disse, as casas em Yonder não ficarão disponíveis muito mais tempo.
Não é bem o que estávamos procurando, mas...
-Eu acho que... -Vale a pena dar uma olhada.
Ótimo. Ficamos todos felizes.
Cruzes, Martin, você é um filho da mãe esquisito e persuasivo!
-Prontos? -Prontos.
Prontos.
Muito bem, lá vamos nós!
VOCÊ ESTÁ EM CASA AGORA
CASAS DE QUALIDADE PARA FAMÍLIAS. PARA SEMPRE.
Certo.
Vamos acabar logo com isso.
Certo.
Bem-vindos a Yonder.
Obrigado.
Número 9.
Muitas casas têm a pretensão de serem ideais.
Mas estas casas realmente são ideais.
Por favor, vão em frente.
Bem quente.
-É... -É.
A sala de estar. Uma sala para se estar.
Vocês criarão lembranças no amplo espaço entre estas paredes. Venham.
-Certo, é bom. -É.
Amei. É monocromático.
Um drinque de boas-vindas.
Eu vou dirigir.
Talvez um morango?
Não, vou dirigir.
Azul no quarto do menino.
Você já resolveu tudo.
A número 9 não será apenas a primeira casa.
Será uma casa para sempre.
É o ambiente perfeito para uma jovem família.
Vocês têm filhos?
Não, ainda não.
"Não, ainda não."
O quarto de casal.
É.
Por favor, venham comigo ao quintal.
Um paraíso da natureza.
Ótimo. Muito bom aqui.
Se alguém quiser...
morar aqui, tem muito espaço.
Quando as pessoas vão se mudar para cá?
Martin?
Martin.
Olá?
O caro dele sumiu.
-O carro dele sumiu. -Ótimo. Vamos dar o fora daqui.
Muito bem.
Tchau.
-Aquele cara era muito estranho. -É.
Espere, acho que este não é o caminho certo.
É. Viemos por este caminho.
Não. Será?
É.
Espere.
-Você acha que era lá atrás? -É, acho que já passou.
Vou ver o que tem por aqui.
A número 9 de novo.
Será que estamos dando voltas?
Que droga é essa?
Espere, nós... Deixamos a porta aberta?
Como é que nós...
Quer que eu dirija?
Não, pode deixar.
É? Posso deixar?
Porque acho que está dirigindo em círculos.
Tom.
Certo.
Me passa o volante.
O quê?
Que diferença vai fazer?
Vamos lá. Eu quero tentar.
-Você quer tentar? -Quero.
-Quer tentar dirigir? -Quero.
Que idade você tem, seis?
É, seis. Vamos, chegue para lá.
Está bem.
Vou deixar você tentar.
Tentar dirigir o carro.
Está bem, vamos.
SEM SINAL
-Está com seu telefone? -Estou.
Tem sinal?
Não. Nenhum dos dois tem sinal.
Maravilha.
-Tom. -O quê?
A droga da número 9 de novo.
Que droga!
Você não vai fazer isso no meu carro.
Vou abrir a janela.
Seu idiota.
Só um segundo, estou estressado.
Está bem.
Vamos. Obrigado.
Número 9.
Por que ficamos vendo o número nove?
Não vi um carro sequer. Não tem ninguém aqui.
Se eu vir outra fila de casas verdes,
-vou enlouquecer. -Quem mora neste lugar?
Essa merda não é possível. Está bem? Não é possível.
Nós entramos e ele obviamente saiu,
logo é óbvio que tem um jeito de sair daqui.
...sem parar.
Nós não somos os únicos...
...já passamos por essas casas. Já passamos por aqui.
Eu já peguei este caminho...
É só uma esquina. Escolha uma esquina.
-Certo, não vou virar à esquerda de novo. -Escolha qual você quiser.
-Acho que devemos virar à esquerda. -Eu sei o que estou fazendo.
Já passamos por aqui umas cinco ou seis vezes.
Eu sei o que estou fazendo.
Eu sei o que estou fazendo.
Isso não acaba nunca.
Está vazio.
Meu Deus!
Olá!
Olá!
Olá!
Olá!
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