Gonzaga: From Father to Son

Gonzaga: From Father to Son (Gonzaga – De Pai Pra Filho)

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Gonzaga: De Pai pra Filho
A Commentary by koldkriger

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Published on: 2014-08-02
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The first 200 lines.

Se um milagre acontecesse De eu voltar

E o meu vulto Aparecesse no sertão

E o povo me pedisse pra cantar

E na hora me faltasse O vozerão

Se um milagre acontecesse De eu voltar

Sem poder sair cantando por aí

Juro que eu pedi à Deus Pra me poupar

De um milagre assim tão besta, Tão chinfrinho

Neste céu Não sinto inveja dos morenos

A dançar seus cocos E maracatus

Um consolo neste mundo Onde sou "não"

É saber que aí na Terra Ainda sou "sim"

Que o baião tá vivo No seu coração

Que a canção do povo alegre Não tem fim

Afinal de contas Se ainda sou Rei

É porque na Terra Tudo é tão real

E o povo canta O canto que eu cantei

Não importa o certo e o errado O bem e o mal

Que vocês Ainda possam me escutar

Através das minhas velhas gravações

É sinal Que o mundo vai continuar

A viver de mitos, sonhos e paixões

Eu queria saber como foi tua infância?

Minha infância?

Olha Luizinho, é danado você me perguntar isto.

Mas, minha infância foi de menino pobre.

E o moleque quando acompanha o seu pai, tem esse privilégio.

Ele se torna mais seguro.

E se o velho for bom, ele também será bom.

Quer saber mais alguma coisa, sujeito?

-Sujeito travesso. -Mas eu vou chatear muito mais ainda.

Gonzaguinha?

Pô, Gonzaguinha você ainda não respondeu a minha pergunta.

Já pensou em gravar um sucesso do seu pai?

Qual a influência de Luiz Gonzaga na sua carreira?

O show foi longo eu tô precisando descansar.

Olha aí Gonzaga, o menino já leva jeito pra música.

Filho de peixe...

Fique longe dessa sanfona!

Esse menino vai ter estudo!

Quero ver um anel de doutor, no dedo do neto de Januário!

Gonzaguinha, dá licença?

Tem uma pessoa aqui querendo falar com você.

Helena.

A última pessoa que eu imaginava encontrar era você.

Eu só vim, porque eu não sabia mais o que fazer.

Seu pai.

Ele tá precisando muito de você.

Não vai dar.

Modestia à parte Mas que eu não desafino

Desde o tempo de menino, em Exu, do meu sertão...

Cantava solto que nem cigarra vadia

E é por isso, que hoje em dia, ainda sou Rei do Baião!

Eu agradeço ao povo brasileiro.

Norte, Centro, Sul inteiro, aonde reina o Baião!

Se eu mereci minha coroa de rei

Eu sempre honrei, foi a minha obrigação.

Faz muitos anos que eu não vejo o meu pai.

A verdade é que a gente nunca se entendeu.

Minha sanfona, minha voz, o meu Baião.

Este meu chapéu de couro, e também o meu gibão

vou juntar tudo e dar de presente ao museu.

É a hora do adeus de Luiz, Rei do Baião

Quem era o meu pai?

Quem era Luiz Gonzaga?

Luizinho?

Cadê meu pai, Priscila?

Se ele sabia que tu vinha, não avisou nada não.

Deve ter esquecido

como sempre.

Juazeiro, não se alembra quando nosso amor nasceu...

Toda tarde à sua sombra conversava ela e eu.

-Ai, Juazeiro -Como dói a minha dor...

Oh, meu irmão! Já não pedi pra desliga a porra desse rádio?

Te deram educação não, rapaz?

Só porque veio de cidade grande...

acha que pode tratar os outros assim?

Oh, seu Camilo, ligue não.

O rapaz aí é meu menino.

Se eu não soubesse, eu não acreditava!

Então, olha aqui ó!

Luiz Gonzaga do Nascimento Jr.

Filho de Luiz Gonzaga do Nascimento...

E Odaléia Guedes dos Santos.

Tá escrito aqui ó!

Tá escrito aqui ó!

Dá uma olhada nesse contrato aqui ó, um show que eu arrumei pra você.

Chega de ficar tocando em qualquer forrobodó.

Senta aí.

Anda, senta.

Vou te dizer um negócio, eu posso estar sumido lá do sul...

Mas aqui no nordeste, o povo me ama.

Eu faço show a hora que eu quiser.

Mentira!

O senhor sabe que Helena foi me procurar, não sabe?

Você tá duro, né?

Ela foi me pedir socorro.

Tá faltando alguma coisa aqui em casa?

Lhe parece que está faltando alguma coisa?

Aqui, Priscila!

Olhando assim, ninguém diz que é doutor!

É cabelo e barba que não acaba mais!

Mas é doutor!

-Doutor dos negócio! -Assina logo isso aqui, vai!

Eu não sei aonde Helena tava com a cabeça...

quando foi te procurar.

Você não me conhece.

E por acaso o senhor me deu a honra?

Me respeite hein, moleque!

Me respeite!

Será que tu nunca vai crescer?

Moleque!

Eu não sei o que eu vim fazer aqui.

Pra onde é que o senhor pensa que vai?

Eu vou me embora.

Me leve ali no canto.

Para alí, naquele juazeiro.

Essa casa é de quem?

Coronel Raimundo.

Me dá tua mão aí!

Me dá tua mão, menino!

-Tá sentindo? -Tô. E daí?

Posso ir embora agora?

Não era tu que queria me conhecer?

O L é você. E o N é quem?

Nazinha...

Olha aqui!

Vixe, tá lindo demais.

Não Luiz, aqui não! Luiz, aqui não.

Luiz, eu já disse, aqui não!

-Oxi, mas tu tá com medo de quê? -Tu sabe muito bem.

Depois que tu casar mais eu...

Não vai ter mais que se esconder.

E vou falar pro teu pai.

Acho melhor não.

Por quê?

Depois do que ele andou falando de tu...

E o que foi que ele disse de mim?

Que tu é um sem eira nem beira.

Só isso?

Diga.

Que tu é um mulato pobre.

Não tem nem aonde cair morto.

Lula!

Mande seu pai parar com esse fólio!

Oxi, tá atrapalhando a novena!

-Bença, meu pai. -Deus lhe faça homem, meu filho.

Mainha tá reclamando que sua sanfona

tá atravessando a novena dela.

Deixe de besteira, rapaz. Chega aqui e me ajude.

Amanhã, tenho dois instrumentos para entregar.

Bora!

Aí, eu arrumo meu jantar.

Vam bóra.

E eu toco o quê?

Toque aquele coco que sua mãe gosta.

-Mais toque baixo. -Tá certo.

Vamo, comigo, bora, vem!

Arroche, Luiz!

O forró tava apalavrado, tava tudo certo.

O sanfoneiro que falhou no trato.

Rapaz, não vou poder ir não.

Tô cheio de serviço aqui, Miguelzinho.

-Não vai dar certo isso não. -Mas, é festa pra muita gente.

lnclusive, o homem mandou lhe oferecer dinheiro.

Coisa que ele nunca fez de modo positivo.

Xi! Danou-se. Foi mesmo, é?

Mas tu não sabe muito bem que na casa do Coroné Raimundo

eu não gosto de tocar.

É uma emergência homem, é uma emergência.

Vou não.

E Luiz?

Toca tão bonzinho, né?

Bonzinho é pouco.

Pra animar forró grande é pouco.

-Poxa painho, deixa eu ir. -Deixa homem, deixa.

Vou falar com Santana.

Santana é que resolve essas coisas aqui em casa.

Luiz?

E isso é gente pra tocar em dança?

É que a senhora não sabe, eu vi o Luiz tocando tango argentino.

É ou não é, Luiz?

Esse menino tem que me ajudar é na enxada, viu.

Eu não quero filho tocador.

Não tem jeito não Santana, filho de gato é gatinho.

Vão dar dinheiro a ele?

Oxe! Pense num dinheiro bom.

Bom. Bonzinho mesmo, bom.

Luiz, o que é que deu aí, rapaz? Tá nervoso, é?

Quem foi que trouxe esse moleque aqui?

Vamo, homem! Vai!

A nossa saúde!

Saúde.

O povo dançou até o amanhecer.

A festa do coronel ficou falada.

Bora, Lula! O sol tá subindo!

Fiquei todo prosa...

Mas pia pra isso!

Tá mais cheiroso que fio de barbeiro.

Oxi, me deixe mãe.

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