All About Eve

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All About Eve 1950 1080p BluRay x265 HEVC AC3-SARTRE
A Commentary by Sartre

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Published on: 2018-08-11
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The first 200 lines.

A MALVADA

Talvez desconheçam o distinto prêmio Sarah Siddons.

Foi poupado o sensacionalismo

e honrarias duvidosas como os do Prêmio Pulitzer

e outros mais, concedidos anualmente por aquela... sociedade cinematográfica.

O distinto cavalheiro é um ator muito, muito idoso.

Por ser um ator, vai discursar por um bom tempo.

O importante não é ouvir o que ele diz,

mas saber onde está e porque está aqui.

Este e o salão de banquetes da Sociedade Sarah Siddons.

É o banquete anual para apresentar a maior honraria do teatro:

o Prêmio Sarah Siddons de Melhor Performance.

Estas paredes sagradas, e muitos destes rostos,

viram de perto Modjeska, Ada Rehan e Minnie Fiske.

A voz de Mansfield ressoou neste recinto.

As janelas, com certeza, não foram abertas desde sua morte.

Os prêmios menores, como vêem, já foram distribuídos.

Eles são para o roteirista e o diretor,

meros construtores da torre

onde repousa a luz que cintila para o deleite do mundo.

E nenhuma luz fascinou mais os olhos de Eve Harrington.

Eve... falaremos mais dela depois.

Tudo sobre Eve, na verdade.

Para aqueles que não lêem, vão ao teatro, ouvem programas de rádio independentes

ou nada sabem do mundo onde vivem,

talvez seja necessário que me apresente.

Meu nome é Addison DeWitt.

Meu habitat: o teatro. Nele, não labuto, nem construo.

Sou crítico e comentarista.

Sou vital para o teatro.

Esta é Karen Richards.

É mulher de um roteirista e portanto, parte desta família.

Suas origens fizeram com que só chegasse à fila E, central.

Porém, no último ano em Radcliffe, Lloyd Richards ensinou-lhe arte dramática.

No ano seguinte, Karen tornou-se Sra. Lloyd Richards.

Há, em geral, dois tipos de produtores de teatro:

Um tem amigos ricos que arriscariam um desconto nos impostos.

É do tipo que se interessa por arte.

O outro vê em cada produção ruína ou ganho potencial.

O dinheiro é o que lhe interessa.

Este é Max Fabian.

Ele é o produtor da peça que valeu a Eve Harrington o Prêmio Sarah Siddons.

Margo Channing é uma estrela do teatro.

Subiu ao palco pela primeira vez com quatro anos,

em Sonhos de Uma Noite de Verão.

Fazia o papel de fada e entrou nua, para o espanto de todos.

É estrela desde então.

Margo é uma grande estrela. Uma estrela de verdade.

Nunca foi ou será menos do que isso ou outra coisa.

Tendo tratado de cada detalhe, não só da história da Sociedade Sarah Siddons,

como também da história do teatro desde que Thespis se destacou do resto,

nosso distinto presidente finalmente falará da razão de estarmos aqui.

É, para mim, um orgulho e um privilégio ter passado minha vida no teatro,

como ator medíocre e cheio de si que abusou do seu tempo no palco.

É, também, uma honra ter sido, durante 40 anos,

Chefe de Cerimônias da Sociedade Sarah Siddons.

39 vezes entreguei em mãos merecedoras

a mais alta honra que o teatro já viu.

Certamente não há ator mais velho que eu.

Conquiste¡meu lugar à sombra.

Este prêmio nunca foi concedido a alguém mais jovem.

Nada mais apropriado que passe das minhas mãos às dela.

Mãos tão jovens, tão jovem mulher.

Jovem em anos, mas dona de um coração tão velho quanto o teatro.

Alguns aqui têm o privilégio de conhecê-Ia.

Vimos além da beleza e do senso artístico

que fez seu nome ecoar em toda a nação.

Conhecemos sua humildade, sua devoção,

sua lealdade para com a arte,

seu amor profundo e incondicional para conosco,

para com o que somos e fazemos: o teatro.

Ela tinha um único desejo,

um anseio, um sonho:

pertencer a nós.

Hoje, seu sonho tornou-se realidade,

e, de agora em diante, seu sonho será nosso sonho.

Senhoras e senhores, pela Melhor Performance,

o Prêmio Sarah Siddons... Srta. Eve Harrington!

Eve. Eve, a menina de ouro. Capa de revista.

A garota comum, a menina que foi à lua. O tempo a tratou bem.

A vida vai aonde ela vai. Foi dissecada, revelada, noticiada.

Tudo interessa: o que come, o que veste, quem conhece,

onde esteve, aonde vai e quando vai.

Eve.

Todos sabem tudo sobre Eve.

O que mais há para se saber a seu respeito?

Quando foi? Quanto tempo?

Parece que foi há muito tempo.

Lloyd sempre disse que, no teatro, a vida é uma temporada e esta, uma vida.

É junho. Foi no começo de outubro.

Há um ano.

Chuviscava. Lembro-me de ter pedido ao táxi que esperasse.

Onde estava ela?

Estranho. Tinha me acostumado a vê-la noite após noite,

Vi-me, então à procura de uma menina que nem conhecia.

Aonde estaria?

Sra. Richards?

Aí está você.

Teria estranhado se não estivesse aqui.

- E por que não estaria? - Por que estaria?

Seis noites por semana, semanas a fio, vendo Margo Channing entrar e sair...

- Importa-se que lhe fale? - De jeito algum.

Eu lhe vejo tantas vezes... Tive de criar coragem.

Para falar com a mulher de um roteirista?

Sou a forma mais ignóbil de celebridade.

É a melhor amiga de Margo Channing. Você e seu marido estão sempre com ela.

E o Sr. Sampson. Como é ele?

Bill Sampson? Ele é diretor.

- O melhor. - Ele concordaria com você.

Diga-me. O que faz entre a entrada e saída da Margo?

Espera-a encolhida naquela porta?

Não. Vejo a peça-

Vê a peça? Viu todos os espetáculos?

Sim.

Mas você não acha caro, dentre outras coisas?

De pé, não custa muito. E dou um jeito.

- Vou levá-Ia até a Margo. - Não.

- Ela tem de conhecê-Ia. - Não, seria uma intrusa.

Seria mais uma admiradora muda.

Não há ninguém como você. Não seria possível.

Se soubesse... Outra hora... Vestida assim...

Você está óptima. A propósito, qual é o seu nome?

Eve. Eve Harrington.

- Boa noite, Gus. - Boa noite, Sra. Richards.

- Boa noite. - Boa noite, Gus.

Consegue inalar isso, não?

Como se fosse um perfume mágico.

Espere aqui. Não fuja.

"Se o Sul tivesse ganhado, poderia escrever peças sobre o Norte."

- Oi. - Olá!

"Não creio que possa dizer com tanta certeza que perdemos a guerra."

"Pode-se dizer que éramos mais famintos."

"Não entendo essas peças sobre mulheres sulistas sedentas de amor."

"Amor é uma coisa que nunca faltou no sul."

A entrevista de Margo com um repórter do sul.

Quando sair no jornal, vão meter o pau no Gettysburg de novo.

- Foi no Fort Sumter que meteram o pau. - Eu nunca fiz Fort Sumter.

Honeychild tinha razão. Lloyd, seja um roteirista de coragem.

Escreva uma para mim sobre uma mulher normal que atira no marido.

- Precisa de cinta nova. - Compre uma.

- Do mesmo tamanho? - Claro.

Eu acho esses espertinhos cada vez menos engraçados.

- Envelhecido na Madeira é um sucesso. - Esta é uma mulher fiel.

É o que dizem os críticos. E as plateias.

Teatros lotados, bilhetes vendidos com meses de antecedência.

Não acho que as peças do Lloyd lhe prejudicaram.

- Calma. - Relaxe.

Às vezes, você me enerva. De todas as mulheres que não têm do que reclamar...

- E não é verdade? - E, sim.

Você tem talento, fama e dinheiro.

Gente que a espera noite após noite para vê-Ia. Até na chuva.

Caçadores de autógrafos. Não são gente. Animais que correm em matilhas. Coiotes.

- São seus admiradores. - Não são nada de ninguém.

São delinquentes juvenis. Não são platéia de ninguém.

Nunca assistem a peças ou filmes. Não têm paciência.

Bem, há uma aqui, agora.

- Eu a trouxe para vê-Ia. - Você o quê?

Está aí fora.

Ofegante.

Não vá dispensá-Ia. Eu prometi.

Margo, você tem de vê-Ia. Ela te adora. Como num livro.

Que saiu de circulação. Isso é coisa do passado.

Se pelo menos a visse... Você é tudo para ela.

Já deve tê-Ia visto antes. Está sempre aqui.

Uma maltrapilha com um casacão e chapéu estranhos.

Como não a veria? Toda noite, toda santa matinée.

Entre, Eve.

- Pensei que tivesse se esquecido. - Claro que não.

Margo, esta é Eve Harrington.

- Como vai, minha cara? - Ai, meu Deus.

- Olá, Srta. Channing. - Meu marido.

- Olá, Srta. Harrington. - Como vai?

E esta é minha amiga e companheira, Srta. Birdie Coonan.

- Ai, meu Deus. - Srta. Coonan.

- Ai, meu Deus, o quê? - Quando ela fica assim,

de repente, se torna mãe do Hamlet.

Tenho certeza que tem o que fazer no banheiro, Birdie, querida.

E se não tenho, arranjo, até você voltar ao normal.

Não quer se sentar, Srta. Worthington.

Harrington.

- Peço desculpas. Não quer se sentar? - Obrigada.

- Quer algo para beber? - Contei-lhes que viu todos os espetáculos.

Não, obngada.

É verdade. Eu vi todos.

Todos? Estaria correto se afirmasse que gosta dele...

- Gosto de tudo que a Srta. Channing faz. - Tudo? Que gentil.

Tenho certeza de que não teria gostado dela em O Macaco Peludo.

Não me entenda mal, Sr. Richards.

A grandeza da Srta. Channing repousa no talento em escolher as melhores peças.

- Sua nova peça é para ela, não é? - Claro que sim.

- Como soube? - Saiu no Times.

Gosto do título, Pegadas no Teto.

Sim, mas voltemos àquele assunto.

- Viu realmente todos os espetáculos? - Sim.

Por quê? Estou curioso.

Se não tivesse vindo, não teria para onde ir.

- Há outras peças. - Não com você. Não de sua autoria.

Mas você deve ter amigos, casa, família?

Conte-nos, Eve.

- Se soubesse como... - Tente.

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