The first 200 lines.
Toda pessoa que tenta enxergar além do seu próprio tempo,
tem que enfrentar perguntas para as quais talvez ainda não hajam
respostas comprovadas.
Ei, muito obrigado. Se cuide.
Ei, menino.
Oi.
Que está fazendo? Passando café?
É.
Isso é bom! Isso é bom mesmo!
Você é um andarilho?
É, algo assim. Estou tentando chegar à Califórnia.
Caminhando, pegando carona, Estou chegando lá meio que devagar.
O que tem na Califórnia?
Minha irmã mais velha e meu cunhado em Fresno.
Uvas?
Eu disse, "uvas"?
Meu cunhado trabalha para a Sears e Roebuck.
Ele vai me colocar lá.
Eu preciso de um emprego.
É um bom emprego, também.
- De onde você vem? - De Horseheads, New York.
- É, sei onde é. - Você já esteve em Horseheads?
Não, nunca estive em Horseheads,
mas em Finger Lakes, mas isso foi...
há muito, muito tempo.
Há muito tempo.
Ouça,
você está indo longe para encontrar trabalho, não?
Bem, sim, eu...
Não tinha nada para me segurar em Horseheads.
Exceto talvez os escoteiros.
Bem, minha mãe morreu em 24 de julho, de peritonite.
- Você foi escoteiro? - Chefe de escoteiros, tropa 170, Horseheads.
Que foi isso?
Não foi nada.
- Meu cachorro. - O que?
Eu disse que é meu cão, meu amigo
Ele deve estar assando aí dentro.
Não está assando. Ele gosta do calor, como eu.
Desculpe. Nunca vi um cão num saco.
- Talvez ele queira urinar. - Talvez.
Puxa, ele é bonitinho.
É, bem, ele tem 14 anos.
- Puxa, não parece. - Eu sei que não.
- Qual é o nome dele? - O nome é Peke, como em pequinês.
Mas ele é um lulu da pomerânia, não?
Não, é um vagabundo como eu. Somos dois vagabundos.
Quanto...
Há quanto tempo você anda nesse lado do estado?
Oh, quase duas semanas.
Consegui trabalho numa granja aqui perto.
Você sabe, para ganhar uma grana extra.
Eu ordenho muito bem.
Como é o seu nome?
- Willie. - Venha cá.
Venha cá.
Agora, sente.
Ouça bem. Na estrada,
e vir outro vagabundo, nunca diga que tem dinheiro.
porque, garoto, podem te matar para roubar.
Mas são só $10,00.
Não importa! Não conte nada!
Sim senhor!
Você já viu uma casa assim?
Não olhe a mão. Olhe a casa.
Bem, parece uma casa comum de fazenda, para mim.
Sabe, essa é uma foto que recortei de uma revista.
Não é a casa exata, mas parece
com aquela que procuro.
Sim, não acho que tenha visto.
Muito bem, você sente-se! Sente-se para Carl.
Filho-da-mãe!
Essa casa que você vê, essa casa tem um poste na frente.
Nesse poste tinha um cartaz.
E o cartaz dizia: Ilustrações de pele.
Ilustrações de pele.
- Ah, bemo... - Me ouça!
- Me diga, garoto, e me conte a verdade.
- Já viu um cartaz assim? - Não senhor.
- Tem certeza? - Tenho.
Não lembro ter visto algo assim. Honestamente.
- Tem certeza? - Sim, tenho. Absoluta, sério.
Bem, eu a encontrarei.
A encontrarei.
Bem, deve ter centenas de casa dessas por aqui.
Só estou procurando uma.
E procurando a mulher que vive nela.
E quando a encontrar...
Vou matá-la.
Ah, sim. Ah, sim.
Eu vou matá-la.
Eu não sei, sabe,
às vezes sei onde é essa casa.
Exatamente.
Digo, aparece em minha...
Aparece em minha mente, claro como um sino.
Então vou até lá,
e sei que estou perto porque o sinto em mim.
Sei que estou perto. E depois...
Quando penso que cheguei,
A maldita coisa some da minha mente.
Talvez ela se mudou.
É. Puxa, ela se mudou.
Se mudou e levou a bendita casa com ela.
Claro, se mudou.
Isso foi há muito tempo.
Há muito tempo, foi...
Foi no Dia do Trabalho.
Amanhã é Dia do Trabalho.
É como qualquer outro dia para mim.
Bem, para mim, não.
- É uma cobra de jardim. - Sim, bem, vou matá-la.
Mas é só uma cobra de jardim.
Sai da frente, eu disse que é uma cobra. Vou matá-la
- Elas são boas. Não fazem nada. - Não são boas!
Vamos, morra!
Morra!
Morra!
Morra!
Tome ela dele.
Não, não, deixe que ele a coma.
Vai fazer bem. Talves se sente direito.
São boas de ter por perto. Não iam machucar ninguém.
Não lhe faria mal.
Não servem para nada em canto algum do mundo.
É uma cobra, não é?
Sabe o que gostaria de fazer agora?
Beber um bom uísque barato.
- Você tem algum? - Não.
Eu adoro.
Peke não gosta,mas eu adoro.
Por que quer matar alguém?
Quer saber por que? Muito bem.
Eu lhe mostro por que.
Oh, meu Deus!
Vamos, dê uma olhada.
Puxa!
Bonitas, não?
Eu nunca vi nada assim.
Isso... É a coisa mais fantástica que já vi.
Era a isso que você chamava de ilustrações de pele? Tatuagens?
Não são tatuagens! São ilustrações de pele.
Nunca as chame de tatuagens.
Deixe eu lhe dizer,
não olhe muito as ilustrações,
porque ganharão vida e lhe contarão histórias.
Lembra da mulher que falei? Lembra dela?
Bem, lhe direi o que ela me fez. Ela me criou meu inferno pessoal.
Vê esse espaço em branco em minhas costas? Vê?
As pessoas olham para ele e vêm o futuro.
Mas isso está bem.
Mas se você quer ver o futuro, tem que pagar um preço.
Porque poderá olhar e ver como vai morrrer.
Poderá olhar e ver como parecerá quando for velho.
e podre, enrugado, malvado e acabado.
Bem, as pessoas não gostam de ver isso, gostam? Não! Claro que não!
Logo-logo não gostam mais de mim.
E depois de um tempo, passam a me odiar!
Você não ficou em dúvida de fazer todas essas tatuagens?
Não pensei em me tatuar.
Pensei em ir para a cama com ela.
E já lhe disse antes e é a última vez que direi.
Por favor, jamais as chame de tatuagens.
Tenho certeza que nunca vi uma casa assim
com um cartaz desses por aqui.
Bem...
Talvez ela tenha ido de volta para o futuro.
"De volta" para o futuro?
Foi o que disse. De volta para o futuro.
Talvez 1.000 anos.
Eu trabalhava num circo.
Eu armava as tendas.
De qualquer modo, era um dia quente.
O leão não parava de rugir.
E o elefante respondia.
E não sei. Eu estava com tesão e tinha que sair dali,
então fui dar uma volta.
Saí andando
e cheguei a esse lugar.
A essa casa.
E havia um poste na frente.
E no poste, um cartaz.
E o cartaz dizia:
Ilustrações de pele.
Ilustrações de pele.
Oi!
Oi!
Bem... está meio quente, não?
Um bocado.
Sempre faz esse calor no Dia do Trabalho?
Às vezes.
Posso lhe oferecer algo gelado?
Bem, água seria ótimo.
Tenho limonada já pronta. Entre.
Está certo.
Venha.
Venha.
Nada satisfaz mais que uma limonada, nesse calor.
Você tem toda a razão.
Que mão forte.
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