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Published on: 2021-09-30
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The first 200 lines.

Há três coisas que são absolutas e não podem ser destruídas:

Consciência, essência e amor.

Rumi escreveu: "Aposte tudo no amor se for um ser humano de verdade."

A dúvida não alcança a majestade.

Minha mãe dizia: "A grama só verdeja se você regá-la".

No início, tudo faz sentido. Seu amor, meu amor, nosso amor.

Passaram-se 10 anos desde nossa última visita.

A primeira foi para celebrar nosso casamento.

Esta era uma tentativa de curar a parte de nós que perdemos.

A beleza do interior da Itália não havia mudado.

Mas nós sim.

Alcançamos o ponto em que a verdade é mais importante do que os sentimentos,

e vencer uma discussão tornou-se mais importante do que a verdade.

Mas, na verdade, sempre houve amor.

E lá estávamos. Pensei que poderia ser terapêutico.

Então, esses somos nós.

Existe a palavra "terapêutico"?

É uma substância terapêutica.

Isso é o que nós somos. Substância.

Como em uma matéria do pensamento. Você entendeu o que eu estava dizendo.

Tentando dizer.

Sim, sempre com palavras quixotescas.

Deveria ter pegado o caminho mais curto.

Bom, vai deixá-los alerta.

É, você vai.

Preciso fazer xixi.

Quanto tempo nós temos?

Quanto tempo temos até quando? Até eu fazer xixi? É agora.

Ou até que eu me mije toda, não sei.

A última vez que aconteceu eu tinha doze.

Você se mijou quando tinha doze anos?

Sim. Eu estava bebendo.

Faz só uma hora que estamos na estrada. Não dava para ter ido no aeroporto?

Eu fui.

Então agora temos que parar a cada hora?

Desculpe, estamos atrasados? Não sabia.

Não, não estamos.

Isso me intriga. Na verdade, intriga todo homem na terra.

Nós mijamos antes de pegar a estrada, e por quatro horas não precisamos parar.

Pelo menos.

Adianta a viagem.

A sua pele parece que tem dez anos a mais porque você nunca está hidratado.

Você acabou de descrever os fundamentos das diferenças evolutivas.

Quando foi a última vez que você bebeu mais de 240 ml de água num dia?

O café conta?

Não.

Consegue segurar?

Sabia que o silêncio é a opção mais revigorante e tranquila?

Também é agradável.

Não é legal ouvir a música perfeita?

As vozes estrangeiras soam como um filme de Felini.

Você nunca assistiu a um filme inteiro de Felini.

Seja honesto.

Você conhece qualquer outro diretor italiano do cinema clássico?

Seja honesta.

Bertolucci, Zeffireli, Chabrol…

O último era francês, mas você acertou os outros dois.

Cara, você me conhece bem.

Melhor do que ninguém.

Por favor, é estática.

Só me dê um segundo, está bem? Se eu não encontrar nada que destaque…

esta vista, vai ouvir só o vento, prometo,

mas eu não sei, estou ouvindo algo…

FM, achei o perfeito…

E aí?

Obrigado.

É claro que você vai comer minhas batatas fritas.

Já pensou que eles podem estar certos?

Ou que eles estão absolutamente certos?

Sobre nós?

Sobre isso, sobre todas essas coisas que estamos fazendo.

Acho que se houvesse tempo para um casal que já terminou…

pode-se inferir que estatisticamente até mesmo esta mesa não existe.

Eles podem estar certos.

Mas nunca fomos o melhor casal no tocante ao normal.

-Graças a Deus! -Graças a Deus!

Nós éramos incríveis.

Éramos bom. Não sei se éramos incríveis.

O que eu mais gostava era quando íamos a um evento bem ruim

e o levavam para longe de mim por um motivo qualquer.

Porém, sempre conseguia encontrá-lo em uma sala cheia de gente.

E não importava com quem estivesse falando você olhava para mim. E piscava.

A piscadela é tão subestimada. As pessoas fogem das piscadas facilmente.

A sua podia mudar meu mundo.

Sentia que éramos as pessoas mais importantes para nós dois.

Naquele momento, ninguém mais importava.

Reafirmo... éramos incríveis.

As pessoas invejavam nosso casamento.

-Você acha? -Sim, invejavam.

Porque você era "a" garota.

Você era copiada por todas as esposas e namoradas dos meus amigos.

Mas era tarefa impossível, dizia a elas.

Claro que quando surgiam conversas sobre queixas das mulheres,

eu me sentava e sorria com desdém. Não sentia necessidade de dizer nada.

Todas sabiam que eu tinha a perfeição em você.

Por isso me deprimi tanto quando nos inviabilizamos.

Talvez fosse difícil estar à altura daquela perfeição.

É, talvez.

Eu tentei, Ryan.

Ambos demos tudo o que podíamos.

Eu tentei.

-Não é justo. -O quê? Eu tentei.

O fato fundamental que estamos perdendo é que…

quando um homem se apaixona, é de verdade para ele.

Sem exceções.

Se alguma vez tivesse traído ou saído de casa, não estaria apaixonado.

Ponto final.

Quando me apaixono, eu luto. Por tudo.

Pode não ser agradável, até um pouco obscuro...

A verdade é que se eu a chamo de "amor" diante dos outros

e não me importar sobre o quanto isso pode ser tolo...

não há o que não fizesse para aquela pessoa,

aquele sentimento vivo.

Você não acha que lutei.

Eu acho que você cedeu.

Eu nunca o substituí, Ryan.

Eu sei.

Você só se apoiou em outra pessoa, eu entendo.

Estava ausente, distraído e neguei meus sentimentos de certa maneira.

É difícil não sentir uma dor tão grande por isso.

Parece que você encontrou uma escolha melhor.

É mais fácil amar um estranho do que a alguém que você conhece.

Talvez.

Eu sei onde estão os erros aqui.

Espero que sim.

Não é questão de eu convencê-lo das minhas opiniões,

mas eu tenho motivos e eles são válidos. São justos.

Com um estranho pode-se por todos esses ideais e ideias em uma tela em branco…

sem qualquer daquelas nuances dolorosas que criou para desprezar seu parceiro.

Mas, quando se senta e respira e olha para tudo de um ponto de vista racional,

percebe uma expectativa inacreditável que é, talvez, impossível de atender.

-Porque todos nós temos bagagem. -Sim.

Está certo.

Todos fomos educados de formas diferentes e nos ensinaram verdades radicais.

Como deveria amar, casar, transar com alguém

de um mundo completamente diferente

e pensar que vai ser uma jornada fácil. Você só pode estar chapado.

Mas se você ainda está apegado àquele sentimento doloroso, àquela raiva gigante,

querido, você tem que se desapegar.

Não fiz para feri-lo. A culpa é minha.

Minhas coisas, meus demônios, meus sentimentos de inadequação.

Eu sei que soa banal dizer que eu não fiz de propósito,

mas o que aconteceu, não significou nada.

Perdão.

Sinto muito por fazê-lo sentir-se assim, eu realmente sinto.

Você acha que um dia voltaremos a este lugar?

-Acho que nós perdemos isso. -É, eu também.

Ainda bem que não.

Que se dane que só podíamos pagar por uma lua de mel decadente aos vinte anos.

-Decadente? -Você não achou?

-Foi uma boa lua de mel. -Foi uma lua de mel ótima!

Bem, uma lua de mel ótima deveria consistir em coisa decadentes de verdade.

Nossa! Essa foi infame!

Fizemos o que podíamos.

-Eu queria mais. -É? Tipo o quê?

Amassar uvas com os pés e ir de bicicleta à pâtisserie para comer doces frescos e…

Ou dormir sob as estrelas.

-Isso foi no capô do carro. -Pelo menos estava quentinho.

Bom, dormimos dentro do carro meia semana.

Foi uma noite.

Estávamos envelhecendo mais do que queríamos mesmo nos primeiros anos.

Achei as cartas.

No entanto, você nunca as enviou. Por quê?

Eu não sei.

Sabia como se sentiria. Como me sentiria.

Isso é tudo o que posso responder.

Acha que ele estava apaixonado? Não?

Ele sabia que nunca passaria de uma paixão.

Foi quase platônico, para dizer a verdade.

Ele era só alguém em quem eu podia projetar as coisas,

alguém que iria me incentivar,

apoiar, elogiar, pedir tudo o que eu quisesse do menu.

Ele era não-fumante, amava yoga, eu não sei, não sei mais o que dizer.

Foi só um impulso.

Uma fantasia.

Uma fuga.

E essa é a verdade. É a minha verdade.

É tudo o que tenho a dizer.

A última vez que estivemos aqui, você tinha vinte e dois anos.

Cara, eu me lembro dela. Aquela bunda.

-Ela nunca perdeu aquela bunda. -Sério?

Venha.

Quarto 117. O café da manhã é às 6h.

Está bem. Obrigado.

Olha, eles têm bocha.

-Ele têm o quê agora? -Bocha. Nunca jogamos. Estava escondido?

Onde é o bar? Parece que me lembro onde era o bar.

-Está fechado. -O quê?

O hotel poderia ter me levado uma grana esta noite.

É, Ryan, uma bebida. Ficariam arrasados por perder tanta grana.

Deveria agradecer porque não bebo muito. É um rito de passagem de onde venho.

Onde? Connecticut?

Não me prive das minhas raízes irlandesas.

Está certo, Oscar Wilde.

Oscar. Ele era irlandês?

Sim, era.

Você não podia ter citado Bono? Ou Liam Neeson, talvez?

É mais engraçado compará-lo ao Wilde.

Já notei.

Esse é o nosso quarto.

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