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GABINETE DO PROMOTOR
EXIGIMOS JUSTIÇA O MÉXICO MATA MULHERES
MEXA COM UMA MULHER E TODAS DENUNCIARÃO
ESTUPRADORES
Venha. Vão nos deixar entrar por outra porta.
Arturo Bravo Díaz e Julia Velázquez Noriega?
Nome do parente?
Gertrudis Bravo Velázquez.
Certo.
Idade?
Perdão, não entendo.
Foram vocês que nos chamaram aqui.
Sim.
Se vocês se importassem com seu trabalho tanto quanto com seus telefones,
a história deste país seria outra.
Pode me dizer a idade da sua filha?
Não está no arquivo dela?
- Senhora, é só para que não haja erros. - Ela tem 24 anos.
Vinte e cinco.
Ontem foi aniversário dela.
Obrigado.
Alguma marca de identificação?
Uma tatuagem no antebraço esquerdo.
Uma tatuagem?
A senhora tem uma foto?
Certo.
Deem-me um segundo.
Idiotas.
O que houve?
- Não é a Ger. - Vocês sempre dizem o mesmo.
- É impossível. - Acha que isso é justo?
Eles têm o arquivo dela há meses.
As pessoas da universidade estão cuidando disso.
Não é ela.
- Podem sair todos, por favor? - O quê? Por quê?
- O promotor está vindo. - Agora tenho que sair?
- Por favor, espere lá fora, senhora. - Por aqui, por favor.
Mas…
Perdão, senhora. A gente já volta.
Sr. Bravo, Sra. Velázquez.
Sou o promotor, Zamudio Rodríguez.
Como expliquei no meu e-mail,
fui transferido para cá há semanas.
Conduzo a investigação do caso da filha de vocês.
O terceiro promotor no caso em nove meses.
Só obedeço ordens, senhora.
Parece que houve alguma confusão com o arquivo da Gertrudis.
Não temos registro de uma marca tão reconhecível.
Uma confusão?
Como pode haver confusão depois de nove meses?
Eu sinto muito.
O senhor sente.
Queremos vê-la mesmo assim.
- Como? - Queremos vê-la.
Se ela não é nossa filha, é de alguém.
Não, isso vai contra o protocolo.
Foi seu maldito protocolo que nos fez vir identificar um corpo.
Se isso não parece doloroso o bastante, então me responda uma coisa.
O que diabos vocês fazem aqui se não conseguem organizar seus arquivos?
Os corpos foram achados em uma cova clandestina
e ficaram muito tempo lá.
Estão em estado avançado de decomposição.
Não seria apropriado que vocês passassem…
- Olá. - Olá.
- Meu nome é Adriana. - Oi, Adriana.
Sou a mãe da Mitzy.
Minha filha desapareceu há dois meses.
ONDE ESTÃO?
Um dia, ela saiu da nossa casa,
e nunca mais a vimos.
- Onde a Mitzy desapareceu? Aqui? - Sim.
Mas nos disseram que, provavelmente,
ela foi levada para outro lugar.
ONDE ESTÃO?
Obrigada, Adriana.
Há algo mais que você queira compartilhar?
Sim.
A Mitzy tem uma irmã.
Adela.
São gêmeas.
Gêmeas idênticas.
A Adela está grávida de 16 semanas.
E, embora eu tenha comprado roupas e brinquedos para o bebê,
a verdade é que me sinto…
estranha.
Não consigo deixar de sentir que eu devia estar um pouco mais…
emocionada, sabe?
É meu primeiro neto.
E…
fico envergonhada
de que minha filha veja que estou triste o tempo todo.
Ela nunca diz nada.
Mas percebo que ela está sofrendo.
E…
eu gostaria de poder falar com ela.
Para explicar.
Mas também sinto que ela está se cansando de mim,
sempre falando sobre a mesma coisa.
E…
eu também queria que ela soubesse…
que é claro que estou feliz.
É meu primeiro neto.
Mas também quero que ela saiba…
que quando vejo a barriga dela,
é na irmã dela que eu penso.
É por isso que fico triste.
E então digo a mim mesma
que vou encontrá-la,
e que ela terá muitos filhos.
Bem, se ela quiser.
Se ela não quiser, não precisa ter nenhum.
A verdade é…
que às vezes me sinto feliz.
Mas…
sem ânimo.
Oi, Adriana.
- Oi. - Sou a Paula.
Estou procurando minha mãe, Agustina, há sete anos.
Acho que vai ficar feliz quando vir seu neto.
Feliz de verdade.
Esse bebê vai lhe dar outro motivo para seguir lutando conosco.
É isso que os bebês fazem.
Você não está sozinha.
- Você não está sozinha. - Você não está sozinha.
Bem-vinda, Adriana.
Só para lembrá-las, recebemos hoje a jornalista Abril Escobedo.
- Algumas de vocês a conhecem. - Oi, Abril.
Ela vai fazer anotações para a investigação dela.
- Bem-vinda, Abril. - Bem-vinda.
Agora vamos ouvir alguém
que já tinha vindo aqui, mas que faz tempo que não a vemos.
Hoje é um dia importante para ela.
- Bem-vinda. - Bem-vinda, Julia.
Obrigada.
Sou a Julia.
A mãe da Ger.
Gertrudis.
E, sim, hoje é um dia importante,
pois faz exatamente nove meses desde o desaparecimento dela.
Lembre-nos, Julia. Qual foi a última notícia que teve dela?
A Ger tinha concluído os estudos dela. Ela é psicóloga.
Ela quer trabalhar com crianças que têm dificuldades
para ler e escrever.
Para comemorar, ela fez uma viagem com amigas.
E…
passei por todo o processo legal.
Nós…
fizemos tudo que a polícia pediu.
Passamos semanas
na região onde ela desapareceu,
até que nos cansamos de não ter resultados.
Então, com o aniversário dela chegando,
parece que fui atropelada por um trem.
Tudo dói.
E tem o Arturo,
o pai da Ger.
Ele fica se oferecendo para cuidar de tudo.
Ele não entende que não é isso que eu quero.
Isso me irrita.
Me irrita que ele seja tão gentil.
Não quero que ele seja gentil.
O que eu quero é saber
onde está minha filha.
Entendo que seja o jeito dele de estar do meu lado.
Sou grata
por ele cuidar de mim,
mas preciso que ele entenda
que não é o que a Ger precisa.
Sinto muita falta dela.
Hoje, faz nove meses
que não tenho notícias dela.
A Ger estava feliz.
E agora não sei onde ela está.
Você não está sozinha.
Veja onde acabei de mergulhar,
enquanto você está presa na cidade com todo o trânsito e a poluição.
Aqui está uma.
- Ali está outra. - Oi.
É isso, mãe. Eu te amo. Até breve.
E relaxe.
Meu irmão disse que você está dando trabalho para a galeria.
O que é isso?
É um bordado.
Não se preocupe.
É a minha filha. Você gosta?
Espere um segundo. Deixe-me ver.
Perdão, a senhora é a Julia?
- Sou. - Emilia, a minha filha.
Muito prazer, Emilia.
Sim, ligo depois, está bem? Obrigada.
- Perdão, minha babá desmarcou. - Pegue.
Posso?
Sim, é claro.
Desculpe.
Eu as trouxe para isso.
Essa é a Ger.
Ontem, nos pediram para reconhecermos um corpo.
Amor, me faça um favor.
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