The first 200 lines.
Vegas, a joia do deserto.
Aqui há pessoas de todas as formas e tamanhos.
Embora hoje em dia os hotéis sejam mais altos e brilhantes,
a clientela perdeu algum do seu brilho.
A minha Vegas preferida é a de outrora, quando o dinheiro vivo era rei.
Quando todos fumavam, bebiam martínis e vestiam-se a rigor.
Durante o reinado do Rat Pack.
É essa a Vegas com que eu sonho.
É a Vegas que eu quero ressuscitar.
Senhoras e senhores,
Sebastian Maniscalco!
Ena! Um aplauso para Las Vegas, Nevada!
Portanto, eu queria fazer um regresso
ao tempo em que as pessoas se aperaltavam…
… em Las Vegas.
Por isso, tenho de agradecer às pessoas que se deram ao trabalho…
… de vestir um fato ou um vestido.
Sim. Boa.
Agradeço.
Mas, pelo que vejo, muita gente não fez isso.
Isso é bom. É bom ver casais saírem no fim de semana.
Eu e a minha mulher não podemos porque eu trabalho.
Então, saímos à terça-feira.
É a nossa noite de sair.
Todos dizem que tem de haver uma noite de sair, quando temos filhos.
"Têm de marcar uma noite para sair!
Para se reconectarem."
Então, agora, saímos e discutimos sem os miúdos.
É agradável.
Conseguimos realizar muito mais,
sem os miúdos por perto. É bom.
Eu amo a minha mulher, Lana, mas ela não tem sentido de urgência. Não tem…
Quando estacionamos o carro, nunca abrimos as portas ao mesmo…
… tempo.
Eu saio sempre do carro, fecho a porta
e vejo que ela ainda lá está.
E fico à espera, a pensar: "Ela tem de reparar que já saí…
… do carro, tem de lhe cair a ficha."
Mas nada.
Tenho de ir para o lado dela, bater à janela e perguntar:
"Que porra estás a fazer?"
Está sempre à procura de algo.
Há toda uma loja da Sephora…
… na consola. Mas que…
Procura no banco de trás.
"Que procuras no… Não viemos no banco de trás.
Que haverá no banco de trás?
Está sem os sapatos.
É uma viagem de dez minutos e ela perde os sapatos.
Ela usa saltos, doem-lhe os pés. Eu percebo, está bem?
Mas se fosse eu, teria olhado para o GPS e pensado:
"Estamos a três minutos, talvez devesse começar…
… a voltar a montar os pés."
E quando sai do carro, nem consegue andar com os saltos.
Parece o videoclip do "Thriller" a atravessar o estacionamento.
Diz-me ela: "Não estou sexy, amor?
Não estou sexy?"
E eu: "Sim, já estou cheio de tesão.
Entra mas é no restaurante, estão a olhar para ti.
"A coisa está feia.
A coisa está feia, amor."
E entramos no restaurante.
Façam sempre reserva. acho que convém fazer isso.
Sentimo-nos orgulhosos, quando temos uma reserva.
Logo que entramos, vemos pessoas a cirandar no átrio.
Damos um toque à mulher… "Não devem ter reserva."
E damos o nome… E, por vezes, ficamos nervosos.
Há ali um momento em que ficamos, tipo: "Será que marcaram?"
E eles: "Maniscalco para dois." Já procuraram também?
Sim, está mesmo ali! Graças a Deus!
Ao caminhar para a mesa, a minha mulher acha que é a melhor altura
para conversar comigo enquanto atravessamos um restaurante apinhado.
A minha mulher vira-se, a dizer: "A minha mãe vem em maio.
Por isso, se quiseres, devíamos dizer à tua mãe para vir em julho."
E eu digo: "Amor, perdemos o tipo. Não sei onde é a nossa mesa.
Vamos ter muito tempo para discutir isto à mesa.
Vamos procurar o chefe de sala."
Sentamo-nos.
A minha mulher não faz um uso adequado do tempo da ementa.
Põe-se a olhar à volta do restaurante… "Céus, já viste aquelas…
… sancas?"
E eu: "Começa a ler, vê se atinas com a ementa.
Vão fazer-nos perguntas."
Temos de ter respostas preparadas.
Escolhe uma proteína e para de olhar para as sancas."
Não sabe como funciona um restaurante. Nunca trabalhou num.
Eu fi-lo toda a vida.
Conheço as traseiras, a frente…
A minha mulher não faz ideia. Faz sinal aos ajudantes.
Quê? Não se faz sinal ao ajudante, está bem?
Ele tem duas funções. Limpar mesas e pôr mesas.
Ele não sabe da conta, não sabe os pratos do dia
e, às vezes, não sabe a língua.
De um modo geral, o ajudante
é um estrangeiro entre os 18 e os 35 anos.
Certo?
De um modo geral.
A minha mulher não conhece estrangeiros. Não cresceu com eles, como eu.
O meu próprio pai era estrangeiro.
Avós, estrangeiros. Tias, tios…
Tenho montes de estrangeiros na família, certo?
Sei como se comportam.
Se o meu pai estivesse aqui e eu não o conhecesse,
eu apontaria para ele e diria: "Aquele tipo não nasceu aqui."
Só pela maneira como ele se mexe.
Isto não são movimentos americanos.
A minha mulher chamou o ajudante e eu vi logo que havia problema.
Diz ela: "Desculpe." E eu: "Amor, que estás a fazer?"
Ele vem à mesa…
Ela não adapta o discurso nem a escolha das palavras. É igual.
Fala com o ajudante como fala comigo.
Diz ela: "Desculpe incomodar, mas, de facto, não sabemos do nosso…"
E digo eu: "Amor! Já o perdeste.
Ele não sabe o que significa 'de facto'. Para que estás para aí
a juntar as frases?
Tens de meter aí umas palavras-chave. Sal… guardanapo… gelo…
Merdas que ele conheça, amor. Ele acabou de chegar.
Não sabe o que é 'de facto'."
Pediu-lhe uma Tito's com gasosa.
Digo eu: "Amor, o único Tito que ele conhece está a lavar pratos
nas traseiras do restaurante.
Vai chegar lá e gritar: 'Tito, estão a chamar-te!'
O tipo vai chegar e dizer: 'Olá, chamo-me Tito.
Eis a gasosa! Querem gasosa no sumo?'"
O empregado vem e ela fica em choque, certo?
Tem a ementa à dela frente há 25 minutos.
O empregado pergunta: "Que vai ser?" E ela: "Oh, céus! Oh, meu Deus!"
Vem com aquela do: "Tu primeiro." Já vos fizeram isso? "Tu primeiro, amor."
"Está bem. Quero o lombo com salteado de legumes.
Agora, tu!
Quanto tempo achavas que eu ia falar com este tipo?"
Achavas que ia levá-lo a dar uma volta pelo restaurante, de mão dada,
e perguntar-lhe sobre os sonhos e esperanças?
"Tu primeiro!
Não é paraquedismo!
Diz ao homem…"
Mas eu e a minha mulher estamos num novo capítulo.
Temos dois filhos, com cinco e três anos.
Uma com cinco anos e um com três. E eu tenho 49.
Há uma diferença de idade de 46 anos
entre o meu filho e eu. Está bem?
Adoro brincar com ele, não entendam mal, mas grande parte da brincadeira
é estar deitado. Certo?
Brincamos muito ao: "Vamos enterrar o papá, esta noite.
Doem-lhe os joelhos e tem algum problema no ombro."
Brinco muito deitado.
A de cinco anos anda no jardim de infância.
Há um miúdo na turma dela que se identifica como um leão.
Vai para a escola com uma cauda, orelhas e pelo…
… em volta dos pulsos.
Quer que lhe chamem Ruigido. Escutem…
Não estou a inventar, estou só a dar as notícias, pessoal.
Vinte e três miúdos e um leão na turma.
Eu vivo em Los Angeles. É preciso ver com quem se está a falar.
Estava eu e outro pai à espera que os miúdos saíssem.
Dei-lhe um toque e disse: "Já viu o leão…
… que têm na turma?"
E ele: "Eu sei, não é fabuloso?"
E eu flutuei para longe daquele tipo. Certo?
Não vou falar com aquele tipo o resto do semestre.
Não culpo o miúdo. Culpo os pais.
Certo?
Ouçam, o miúdo deve ter aparecido de manhã vestido de leão.
Certo?
Tipo: "Sou um leão, mamã! Sou um leão, papá!"
E os imbecis dos pais disseram: "É um leão!
Bem, então, vamos, leão. Vamos lá para a escola."
Se o meu filho me aparecer vestido de urso panda,
digo-lhe: "Volta lá para cima e veste umas calças de ganga, porra.
Não vou levar um panda para a escola. Está bem?
E pronto. Resolvido. Nunca mais voltamos a ver esse fato.
O papá disse que não.
Há aqui pessoas
a olhar para mim e a pensar: "Que diferença te faz?
Como é que isso te afeta?"
Está a afetar a minha filha, está bem?
Ela não aprende nada porque este leão
perturba a aula.
Anda pelo fundo da sala
a derrubar livros e secretárias, está bem?
A professora tem de parar o que está a fazer.
E agora, não se pode dizer nada.
Porque, se eu disser algo, de repente, sou insensível
aos sentimentos do leão.
Não posso ir ter com a professora e perguntar: "Que porra é esta do leão?
Se ele acha que é um leão, tragam uma jaula e deem-lhe carne crua.
A minha filha não sabe o alfabeto…
… porque o Ruigido anda lá atrás
à procura de zebras."
Acreditam que estamos sequer a discutir esta merda?
Agora, o meu filho também tem de ir para a escola.
Não faço outra coisa. Sempre nas entregas.
No meu tempo, ninguém nos levava. Não tínhamos boleia
para lado nenhum.
Muito menos para a escola.
Não sei como foi para vocês, mas na minha casa,
os meus pais apenas diziam: "Vai pelo passeio
e quando vires pessoas da tua altura chegaste à escola."
Vê se chamam o teu nome e entra. Com sorte, aprendes umas merdas."
Agora, tenho de levar o meu filho à escola.
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