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24 DE FEVEREIRO DE 2017 TRIBUNAL DO CONDADO DE DURHAM
Michael.
Jean.
É bom voltar a ver-te. Como estás?
Estou bem. É um pouco estranho voltar aqui.
- Mas por uma boa razão. - Sim.
Vou acabar de preparar tudo. Até já.
Já não era sem tempo.
Como está a Sonya?
Está bem.
Os miúdos também. Estão todos bem.
- E o seu pessoal? - A família está bem.
Bem, está pronto?
É o primeiro dia do resto da sua vida. Não há volta atrás.
Graças a Deus.
Quanto mais depressa terminarmos, mais depressa vai para Paris.
Só temos tempo de rever as perguntas antes de vermos o juiz.
É o seu.
Certo. Gostaria que repassássemos nisto mais uma vez.
Hoje, 24 de fevereiro de 2017, o senhor, Michael Peterson,
apresentará um acordo de Alford.
Este acordo foi cuidadosamente negociado com o estado da Carolina do Norte
nos últimos anos. Vamos começar por dizer o seguinte:
"O Michael Peterson é inocente."
A ESCADARIA
PRIMAVERA DE 2006 ONZE ANOS ANTES
Encontraste algo para alugar?
- Vou continuar à procura. - Sabes que gosto de vistas.
Teremos sorte se não estiver virado para uma parede de tijolos.
Tenho algo melhor para onde olhar.
- Mamã! - Minha pequenina!
MORADIAS E APARTAMENTOS PARA ARRENDAR
CHAMADA ACEITAR - OCUPADO
Sra. Sophie, olá. É o Sr. Pollard. Estou a ligar de novo.
Como disse, tenho algo que adoraria discutir consigo.
Acho que é do seu interesse pessoal.
Por favor, ligue-me de volta.
Obrigado por ter entrado em contacto comigo.
Onde estamos, Sr. Pollard?
OUTONO DE 2006
- Chame-me Larry. - Certo.
Aonde vamos, Larry?
Ouça.
O quê?
A natureza.
Parece caótica, não é?
Outro universo que opera no nosso, com o seu conjunto próprio de regras.
Por vezes, esses universos coincidem de formas que parecem erradas.
Mas a desordem, a entropia,
é natural.
Assustadora, mas natural.
Anda cá, rapaz!
Sr. Pollard...
Quero dizer, Larry, disse que queria falar sobre o Michael.
Sim, é verdade. Sabe, a coruja-barrada adora esta zona.
Tínhamos uma amiga de penas que andava entre a casa do Peterson e a minha.
Os cães ficavam loucos quando a ouviam.
Ladravam sem parar. Não o Flint, esse está bem treinado.
Uns buldogues loucos. Paz à alma deles.
Larry, nada disto faz sentido. Lamento.
Tenho um motivo. Aliás, muitos motivos
para acreditar que foi uma coruja a responsável pela morte da Kathleen.
O que...
Dê-me a oportunidade de lho mostrar.
Não sabe ao que poderá levar.
É a...
A casa dos Peterson.
Os meus filhos sabem?
Vim logo para aqui. Posso ligar-lhes, se quiser.
O que fazemos agora?
O que se segue? Fazemos um terceiro recurso?
Diga-me... O que fazemos?
Não há nada a fazer, Mike. Perdemos o segundo recurso.
Não há mais nada a fazer.
Sei que esperávamos que, com a divulgação do documentário
e a mudança de atitude do país,
a opinião pública poderia bastar para conseguirmos um novo julgamento,
mas não foi o que aconteceu, por enquanto.
Mike, por enquanto, acabou-se.
Então, está a dizer que vou ficar aqui...
...para o resto da vida.
Vai deixar isto acontecer-me?
E aos meus filhos... O que farão sem mim?
Credo...
Ouça... É uma trampa.
Tem de haver alguma coisa...
Uma moção que possamos apresentar ou...
Não, Mike, não há. E...
Vou ter de me afastar agora.
Para estar com a minha família.
Como? A sua família?
Os seus filhos estão na universidade!
Vou voltar a casar...
...com a Sonya Pfeiffer.
A jornalista?
Sim, acabámos por nos conhecer durante o julgamento.
O meu julgamento?
Mike...
- Então, o meu advogado andava a comer... - Não.
...uma jornalista de 25 anos... - Não foi assim.
...e eu vou apodrecer na cadeia?
- Estive 100 por cento focado! - Vá-se foder, Dave!
Espere.
- Olhe! Quero voltar para a cela! - Mike. Espere, Mike.
- Já! - Vá lá.
- Já! Quero voltar! - Não faça isso. Mike!
Ouça, vamos despedir-nos a bem...
Por favor.
Está bem.
Vou despedir-me a bem.
Pronto, David. Aproveite a sua família.
David, olá.
Estou bem. O que se passa?
Ouve, sei que não é o resultado que queríamos.
São notícias horríveis. Não podemos negar.
SÃO FRANCISCO, CALIFÓRNIA
Vamos ter de aprender a viver numa realidade nova.
Não será fácil.
Quero que saibam
que foi uma honra lutar pelo vosso pai...
Lutar por esta família.
E espero que um dia
possam pensar nisto como o fechar de um capítulo.
CABO SAN LUCAS, MÉXICO
E que estamos fora do limbo.
E que podemos seguir em frente, mesmo que não seja como esperávamos.
Vamos entregar os arquivos da defesa à família,
por isso, acho que isto é...
...um adeus.
Um, dois, três...
DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS DE 2001 17 DIAS ANTES DA MORTE DE KATHLEEN
- Quatro... - Mãe?
Estás bem?
Sim, querida. Estou ótima.
São os olhos outra vez?
É do stresse.
- Este Dia de Ação de Graças é estranho. - Anda cá.
Queria a Martha e a Margie aqui.
Eu também.
Tenho mais más notícias.
Os rapazes também não vêm.
Para.
- Pois. - Coisas do trabalho, algo assim.
- Pois, deve ser. - Sim.
O Michael também não quer ir à casa da Candace...
Surpreende-me que vamos. O Michael consegue sempre o que quer.
Cay...
Lamento imenso quanto ao fim de semana dos pais.
Por não ter ido.
Vou esforçar-me mais para estar presente.
- Não faz mal. - Desculpa.
Obrigada.
- Este é o Lucas. - Olá.
- Olá. - Prazer.
É um prazer conhecê-la.
- Vamos? - Vamos a isso.
Estás bem quanto a dinheiro? Os selos e tudo isso?
- Posso dar-te mais, se... - Não importa a quantia.
O vosso pai tem andado a escrever...
...uns contos.
Pai, isso é ótimo!
Não. Deixei-me disso.
Margaret, como é a vida de casada?
Parece-me que ainda vos devemos uma prenda.
Não, obrigado. É muito gentil.
A nossa casa é muito pequena. Não precisamos de muito.
Não querem nada meu?
Ele está a ser educado, Michael.
Falei com o Todd ontem.
Diz que o negócio no Cabo está a ter sucesso.
Tem umas belas acomodações na praia.
A Martha está a trabalhar num café.
E começou a fazer terapia.
Diz que vai voltar a estudar dança, o que é ótimo.
Sophie, o que faz em Durham?
Estou a trabalhar num novo filme com o Jean.
E vim ver o vosso pai.
- Outro documentário? - Não. Ficção.
Acabaram-se os documentários. Kaput.
E fui encontrar-me com o Larry.
O Larry Pollard?
Porquê?
Ele tem estado a investigar o caso. Tem uma teoria interessante.
Acredita que uma coruja terá algo a ver com o que aconteceu naquela noite.
Uma coruja?
Certo. Quem é o Larry?
- Era o vizinho do lado. - Certo.
Lembram-se de quando tinha o veado morto no descapotável?
Quem vai caçar num descapotável?
Isto tem de acabar.
Pai.
Estou destroçado por o Mike ter perdido o segundo recurso.
Ele era bom vizinho, bom homem.
É uma pena ver um inocente atrás das grades.
Uma verdadeira pena!
Mas nem a defesa nem a acusação
foram capazes de interpretar os factos,
o que torna o que vou dizer muito convincente.
Esta teoria explica o que não se conseguiu explicar.
Sou o primeiro a admitir que é de loucos, mas não a torna menos verdadeira.
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