The first 200 lines.
Valerio, vamos.
Garotão, não tenho tempo a perder.
Vamos. Anda! Vem.
Antes de morrer, pedi duas coisas importantes.
A primeira era que virassem uma família. E só está funcionando graças a você.
Com os outros eu não posso contar. Não.
A segunda é a mais importante:
os meus filhos têm que crescer juntos.
Quantas vezes eu te pedi isso? Mesmo assim…
o Libero está num abrigo.
Não pode ser, Valerio.
É a pior coisa que podia acontecer.
Eles são irmãos, Valerio. Irmãos.
Eles têm que crescer juntos, como nós crescemos.
E só você pode resolver isso.
Só depende de você. Traz esse garoto pra casa.
Você está se esforçando.
Não desiste. Está indo muito bem. Mas tem uma coisa que pode melhorar.
Você tem que dançar. Tem que se soltar.
- Quê? - Vai!
Tira a mão do bolso. Anda. Dança.
Dá uma voltinha.
Você tem que dançar. Dançar!
Acorda, Ercole.
Mira fora do vaso!
Três, hein.
Só um pouquinho.
Valeu.
Hoje faz um ano que o Fausto morreu.
Mãe…
Eu sei.
- Ercole, o que é isso? - Os mangás do Libero.
Pra ele ter o que ler.
Temos que convencer ele a voltar,
não levar revistinha.
- Mãe… - Oi?
Se vai chegar cheia de marra, é melhor voltar.
E a sua benevolência deu algum resultado?
- Ah! - Ei, Valerio!
Não quero repetir a mesma coisa cem vezes.
Não temos que forçar. Ele tem que voltar por vontade própria.
Claro. Vamos esperar a vontade dele.
Você concorda? Demetrio!
- Mais ou menos. - Como "mais ou menos"?
- Bom dia. - Bom dia, senhora.
Ele não quer descer.
O quê? Não quer nem dar um oi?
Eu tentei. Se ele não quer, não podemos forçá-lo.
- Tenha paciência. - A minha acabou.
- Posso falar com o meu neto? - Mãe, não!
- Já falamos sobre isso. - E este é o resultado. É normal?
Demetrio, diz alguma coisa.
O que eu vou dizer? Não sei!
Vamos esperar. Talvez ele mude de ideia.
- Que tal? - É melhor ficar calado.
Libero!
Eu trouxe os seus mangás!
Libero!
Libero!
Fica com eles. Eu te dou.
- Libero! - Desce um minutinho.
- Vai, Libero, desce um minutinho. - Libe…
Ele nem disse oi.
- Só um minutinho… - Deixa pra lá.
- Tchau. - Tchau.
Ercole, entra.
- Nada. - Isso tudo…
- É culpa sua! - Minha?
- Cala a boca! - Não é culpa de ninguém.
Pra que brigar? Não é culpa de ninguém.
- Não, Demetrio. - Não é culpa de ninguém.
A HISTÓRIA DA MINHA FAMÍLIA
O que está fazendo?
Uma limpeza geral.
E tem que fazer isso agora?
Não tem mais espaço aqui.
Acha que hoje é o dia certo? Por quê?
Pensar no Fausto deixa a gente triste.
Não, deixa você triste.
Mãe, para com isso! Tira tudo daqui, ou a gente não anda.
Não pode decidir tudo sozinho. Prefiro não andar, entendeu?
Não quero esquecer o meu filho.
ESTRITAMENTE PESSOAL NÃO ABRA
12 de março de 2022.
Este é o primeiro vídeo do meu diário.
Se quiser continuar assistindo,
são os pensamentos de um homem à beira da morte.
Então vou dizer coisas que nunca diria na sua cara se estivesse vivo.
Tentei ser um bom pai.
É fácil de entender, não precisa de analista.
Até porque meu pai foi um desastre.
Meu irmão e eu não tivemos sorte,
porque meu pai foi a nossa maldição.
Ercole, quer ir ao cinema mais tarde?
Por que o juiz decidiu que o Libero tem que ficar num abrigo?
Foi o Libero que quis ficar num abrigo, amor.
O juiz decidiu fazer a vontade dele, por enquanto.
Mas por que ele quis ficar lá sem nenhum de nós?
Ele não quer ficar com a gente, amor.
- Ele podia ficar com a mamãe. - Não dá.
O juiz decidiu que não.
É tudo tão complicado, né?
É, sim.
- Quem será agora? - Posso ver?
Vai.
Você fez permanente?
- Oi, Libero! - Sou o Ercole.
Ercole, Libero. Que nomes esquisitos!
Eu, hein…
Seu pai está em casa?
Hein?
Fausto, cadê vo… Oi!
O rei voltou!
Que recepção calorosa! O que houve?
Estão todos aqui.
- Gaetano! - Demetrio!
Como vai?
O que houve com você?
Você desabou geral, hein?
- Oi, Gaetano. - Oi.
- Não. - Mas…
- É o vovô Gaetano? - É.
Cadê o seu irmão?
Ei!
Cadê?
Droga.
Faustinho! Fausto!
Voltei. Vou pegar um cigarro. Preciso falar com você.
Tenho mil projetos. Mil!
Onde…
Cadê ele? Está trabalhando? Vou lá buscar ele. Onde ele está?
- Ele não está mais aqui. - Como assim?
Ele morreu.
- Quando? - Faz um ano.
Faz um ano?
E ninguém me disse nada.
Durante um ano.
Nada.
É melhor você ir embora.
Mãe, não quer vir aqui? Demetrio trouxe uns doces.
Que foi?
Nada.
Nós pegamos pesado com ele.
Não. Fizemos o que ele merecia.
É…
Mas por que ele não sabia que o papai tinha morrido?
Prestem atenção.
Vamos fingir que ele nunca veio aqui.
Estava tudo bem e vai continuar tudo bem.
Combinado?
Sei que ele fez a gente sofrer.
Ele nunca pagou pensão nem deu a mínima.
Mas podíamos ter oferecido um prato de macarrão.
Como ato de caridade cristã.
Vamos procurá-lo.
Faremos algo pra ele comer, sem ele precisar entrar em casa.
- Preparamos um pacote. - Ele é mendigo, por acaso?
Lucia, não quero ser inconveniente,
mas, se o Gaetano está em Roma, podia assinar o divórcio.
- Divórcio? - Já faz 20 anos.
Nosso casamento ia ser simbólico. Vamos casar logo pra valer.
- Eu disse alguma coisa errada? - Não!
Você acha que eu deveria dizer:
"Aproveitando que está aqui
e acabou de descobrir que seu filho morreu, assina o divórcio."
Não, Sergio. Eu te amo, mas tem horas que eu não te aguento.
Toma aqui.
Vai.
Olho na bola. Vai.
- Só faltava essa, né? - O quê?
Seu pai. Vocês não querem ver o cara nem pintado.
Demetrio, eu estou de boa.
Olha…
eu perdi meu pai com cinco anos.
Sinto mais falta dele agora do que quando era criança.
Demetrio, eu não tô nem aí pro meu pai ter voltado.
Vai, Ercole!
- Ruinzinho, né? - Ele está aprendendo.
- Eu sei, mas… - Ele precisa pegar o jeito.
Vamos dar força.
Você vai buscar a Maria no aeroporto amanhã?
- Quando? - Amanhã.
- A nossa Maria? - Ela não te disse nada?
Ela não me falou nada.
Ela volta amanhã e me pediu pra ir buscá-la.
Como estão as coisas entre vocês?
Que coisas?
Ela mandou duas fotos desde que viajou.
Vai lá e faz uma surpresa pra ela no aeroporto.
- Vai lá. - Não… Ela pediu pra você. Vai lá.
Você ficou chateado?
- Eu? - É.
- Imagina! - Ficou, sim.
Eu? Nem um pouco.
Não estou nem aí pra Maria.
Que foi?
Nem vem, Demetrio. Você está caidinho por ela.
Doido!
Chegamos.
Ei!
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