The first 200 lines.
BAIXA DE OAKLAND
Compreendo.
Bem, sim. Mas, por favor, se a vires, diz-nos. Está bem?
Sim. Obrigada.
Tiveram sorte?
Esquadrinhámos o centro comercial, mas ninguém viu a Trini.
Sim, está bem. Assim farei.
Era a mãe do Aubrey. Ele ainda não chegou a casa.
- Também não o viram o dia todo. - Céus.
Nada de pânico. Está com o Aubrey. Em breve, virá para casa.
Ficará de castigo toda a vida, mas virá para casa.
Ela alguma vez fez algo assim?
- Não! - Amor.
Está bem.
Há alguns meses, ela entrou num carro com o Aubrey.
Disse que foram ao centro comercial.
Só aconteceu uma vez. Ela sabe que não pode repetir.
Vou tentar outra colega de equipa dela. Volto já.
Olha. Não me atires nada à cabeça,
mas preocupa-me que possa ser algo mais.
Mais? Como por exemplo?
Sabemos que o Aubrey e o Trey já se conhecem há anos, certo?
E o Trey é um traficante conhecido que também acreditamos ter matado a Drea.
E tinha uma sex tape com a Trini.
E se o Aubrey estiver a levar-lhe a Trini a ele?
Espera lá.
Que estão a dizer?
- O Aubrey pode estar a aliciar a Trini. - Nem pensar.
O aliciamento leva tempo,
e muitos pedidos antes de chegar a algo como sexo com clientes.
A pesquisa que fiz para o podcast…
Paras de arrastar a nossa filha para o teu programa?
- Tu concordas? - Se a Trini confia no Aubrey,
não faz a mínima ideia do perigo em que se encontra.
Temos de a encontrar.
Só não quero que o que aconteceu à Drea…
A Trini não é a Drea.
- Desculpem. - Ela é inteligente.
- Eduquei-a… Educámo-la melhor. - Sim.
Estou confiante, se ela se vir em sarilhos, vira costas.
E se eu continuasse a investigar?
Vocês vasculhem este quarto. Eu vou à escola.
Talvez a Eva possa ajudar. Eu ligo se encontrar algo, seja o que for.
Estarei a pressionar demasiado?
Se é mesmo aliciamento, só quero dar os passos certos ao intervir.
Se o Aubrey a tiver levado ao Trey,
há o risco de ser algo muito pior que aliciamento.
Podes não estar a pressionar o suficiente.
Esperemos que haja algo no cacifo do Aubrey.
Encontraste algo?
Não, ainda não.
Tem bolhinhas.
Sabes, a minha mãe nunca me deixou pôr extensões.
Adoro-as. Obrigada, amor.
Olha.
Comprei-te uma coisa.
Sim!
Quê?
Mas que porra…
É a tua vez.
Sim, está bem.
Não faz qualquer sentido. Para que é que o Aubrey compraria isto?
A Trini nem iria gostar destas coisas.
Como é que isto foi acontecer?
O aliciamento é assim.
Ela deve estar a tentar ser quem o Aubrey quer que ela seja.
Muito bem, obrigada a todos por terem vindo.
Lembrem-se, nós achamos que a Trini está com a pessoa que matou a Drea,
portanto, tenham cuidado.
Vamos dividir-nos em grupos.
Desiree, ficas com a baixa e o Lago Merritt?
Sim. Vou a Temescal, também.
Ótimo. Obrigada.
Pai, os Capstones podem cobrir Fruitvale, West Oakland e Chinatown?
Vamos também à casa onde encontrámos a Drea.
Incendeio aquilo, se for preciso.
Nada ilegal, papá. É só procurar.
Sim, e temos a angariação de fundos do Hackman, amanhã.
- Cancelamos? - Não! Não, vão.
E se ela não tiver voltado amanhã, tentem levá-lo a oferecer uma recompensa.
O teu fardo é pesado. Estou preocupado contigo.
Não consigo parar de pensar nela.
Na Trini ou na tua mãe?
- Pai, não é a altura certa. - Já contaste às tuas irmãs?
Que há para contar?
Não podes ocupar-te com os problemas de outros
e ignorar os teus.
Não o faço.
Além disso, também tens muita coisa em cima.
Os Capstones. A tua saúde. E agora isto.
- Olha, querida, eu… - Não preciso de saber mais nada.
Desculpa.
Podemos concentrar-nos em encontrar a Trini? Por favor.
Procurámos por todo o lado, incluindo no motel.
Nada.
Consegui que dois carros procurassem entre a Woodland e a 104th.
Também liguei para a SFPD
para ver se os suspeitos habituais das ruas Turk e Taylor sabem algo.
Tudo isso é ótimo, mas eu acho que temos de pensar em grande.
A Trini precisa do tratamento Emily Mills.
- Cobertura mediática? - Tanta quanto possível.
Pôr toda a gente à procura deles.
E eu posso falar com outros meios de comunicação,
mas acho que devíamos começar pelo podcast.
Talvez eu consiga apelar a ambos.
É possível que o Aubrey se sinta assoberbado
e procure uma saída. - Não.
Não.
Desculpa, mas seja qual for o papel dele, não quero que isto se saiba.
Todos farão suposições sobre a Trini.
Vai afetar as admissões em faculdades, a procura de emprego,
a busca do amor da vida dela.
Se fizeres isto, mudas a vida dela para sempre.
A nossa família. Para sempre.
Bem, eu posso tornar o apelo parte da minha investigação,
mas mudar a localização, as idades, os nomes…
Qualquer detalhe que possa identificar a Trini e o Aubrey.
Mesmo que não digas o nome, podem descobrir que estás a falar dela.
Se ligarmos o nome da Trini ao tráfico, não há volta a dar.
Amor, ouve. Eu…
Compreendo perfeitamente o que dizes, mas, se não a recuperarmos,
que é que isso interessa?
Eu detesto dizer isto, mas que outra escolha temos agora?
Como é que o Aubrey vai saber que estás a falar para ele?
Falo nas correntes.
Ninguém sabe que as encontrámos no cacifo dele.
Está bem.
Há décadas que vemos as imagens.
Mulheres seminuas ao lado de carros, cervejas e hambúrgueres.
E aceitámos estes emparelhamentos como verdades.
Mas o condicionamento subliminar destas imagens
é que as mulheres são mercadoria.
Bens que podem ser ganhos,
comercializados e consumidos.
É esta a lição. A mentira que dissemos aos nossos filhos.
Que ser homem significa dominar, controlar.
Explorar.
E quando crescem para ser aquilo para que foram condicionados,
não serão eles vítimas, também?
Eu conheço pessoalmente um filho assim.
Um filho que foi enganado.
O Austin conheceu um homem, num campo de férias, vejam lá, que lhe mentiu.
Deu-lhe uma corrente de ouro com uma coroa
em troca da exploração de uma jovem.
Encontrámos a corrente no cacifo escolar dele.
Os pais dele ficaram devastados.
Não imaginavam que o seu filho alguma vez fizesse algo assim.
É provável que ele esteja assoberbado.
E, infelizmente, ele está agora desaparecido.
Se algum ouvinte conhecer o Austin e puder partilhar isto com ele, faça-o.
A linha de apoio do Reconsiderado está à sua disposição.
E, Austin, se estás a ouvir,
podes voltar para casa.
Isto não é quem tu és.
Por favor, venham para casa.
O coração do bebé bate mais depressa que o desejável
e tem a tensão alta.
Vão ficar bem?
Este nível de stress é perigoso, mas, dadas as circunstâncias, faz sentido.
Para já, tanto a mamã como o bebé estão bem.
Mas tem de descansar, relaxar.
- Fique em casa, deitada. - Dra. Harmony, eu…
Zarina, se quiser ter o seu bebé nos braços dentro de um mês,
tem de me ouvir.
Muito bem.
É mesmo surreal pensar que a Trini se envolveu nisto.
É muito rápido, sabes?
Demorei muito tempo a perceber
como o meu abusador me tinha na palma da mão.
Posso perguntar o que lhe aconteceu? Ao teu traficante?
Não sei.
Quando o feitiço foi quebrado, parti. Nunca quis olhar para trás.
Tentei bloquear tudo o que aconteceu durante muito tempo.
Mas… os detalhes…
… voltam sempre.
Sabes, tipo… fragmentos que surgem.
Por exemplo?
O cheiro do quarto.
Quarto 409. E velas baratas.
Ele usava sempre um lenço azul com pintas laranja.
Na altura, eu achava aquilo o epítome da classe.
Depois de sair daquela vida, eu…
… sonhava em aparecer-lhe por trás e estrangulá-lo com aquilo.
Considerarias tentar a via judicial contra ele?
O Aames poderia ajudar. Poderíamos construir um caso.
Não. Eu tento não pensar mais nisso.
Olha, este rapaz com o Aubrey tem a mesma corrente.
Eu conheço este miúdo. Eu…
Cooper. Cooper qualquer coisa.
Ele formou-se há uns dois anos.
Vou procurar nos registos da escola, a ver o que consigo descobrir.
Está bem. Vou ligar ao Aames. Avisa-me se encontrares o Cooper.
- Certo. - Certo.
Então? Tens algo para mim?
Sim, encontrámos outro miúdo a usar a mesma corrente de ouro que encontrámos
no cacifo do Aubrey.
Consegues descobrir quem as vende?
Achas que pode levar ao Trey?
Exatamente.
- Vou ver o que posso fazer. - Ótimo.
No comments yet. Be the first to leave one.