Ema

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Ema 2019 1080p MUBI WEB-DL AAC2 0 x264-CMYK POR
Ema 2019 720p MUBI WEB-DL AAC2 0 x264-CMYK POR
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Published on: 2020-05-05
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The first 200 lines.

Exibição virtual exclusiva

Me chamo Mariana Di Girolamo,

estou aqui na minha casa, no Chile.

E sou a personagem Ema no novo filme de Pablo Larraín, chamado "Ema".

Continuem aqui depois do filme, eu responderei algumas perguntas.

Fiquem em segurança!

Aproveite

EMA contém imagens sexuais explícitas e é recomendado apenas para audiência adulta.

Entre.

Oi.

O que está fazendo aqui?

Está louca? Te disse para não vir ao meu escritório.

Te liguei 20 vezes.

Eu disse que não atenderia. Por que me ligou?

Como está meu filho?

Não é seu filho. Não tem mais filho.

Sabe o que você tem? Cabelo tingido e um marido de merda.

Ainda sou a mãe dele.

Não, sabe o que você ainda é? Uma pirralha mal-criada.

Você deveria ter sido devolvida.

Eu sou a mãe dele...

- Não legalmente! - O que vai acontecer com ele?

Sabe o que vai acontecer?

Daqui a alguns anos ele terá 12 anos.

E vai fugir da Assistência Social e vai te roubar à mão armada.

Do que está falando?

Vai roubar seu carro e você vai denunciá-lo...

- E irá para a cadeia. - Cadeia? Por favor!

O Polo não vai ser preso. O que é isso?

Ah, não?

- Diga a ele que o amo, por favor? - Não.

Não direi porque não sei mentir.

E vou te dar um conselho...

Dedique-se à merda da sua dança.

Compre uma boneca. Vista-a.

O que você quer não é um filho.

Quer um filho que não faça nada. Rígido como uma tábua.

Como ele está? Conte alguma coisa.

Não sei, pelo amor de Deus!

Com certeza ele tem outra mãe melhor que você.

- Outra família já o adotou? - Não faço ideia.

- Ele já pode ser adotado de novo? - Chega, tenho que ir.

- Diga, por favor, porra. - Não sei.

Marcela!

Olha, me escute.

Você é jovem, ok?

Tem toda a vida pela frente. Vai esquecer isso.

Mas não volte ao meu escritório.

Vamos acabar com isso. Fim, tchau.

Você gosta?

Não.

E essa?

Eu gosto do cabelo natural dela, como era antes.

Desculpe, Carlos.

- Sinto muito. - Está tudo bem. Chega de desculpas.

Lembra quando Pauli foi a um show em Playa Ancha e voltou careca?

- Ela estava linda. - Bonita.

Eu não tenho energia, caramba.

Não pode ficar triste a vida toda.

As coisas acontecem. Foi um acidente.

- Não, não foi. - Sim, foi.

- Sim, foi. - Não foi um acidente.

Não vai acontecer novamente.

Você tem que fazer igual as lagartixas.

O que as lagartixas fazem quando perdem a cauda?

Ficam desorientadas.

Elas estão ferradas.

Não posso, não sei como fazer...

- Aperte o botão. - Ela está sedada.

- Com o que ela está sedada? - Morfina.

Por que você acha que a deram morfina?

Então deram muito pouco.

- Deveriam dar ao menos 30ml. - O que você sabe?

- Acho que vão nos pedir para doar sangue. - Que nojo.

Eu posso doar... Um litro.

Não dá, Ema. Com sorte, te deixam doar meio litro.

É o meu sangue. Faço o que quiser com meu sangue, mãe.

Você vai ficar bem.

Você vai ficar bem.

Um dia você vai nos perdoar.

A mim, Ema e Polo.

Parece que é de noite e tem um incêndio.

É mesmo?

Pode ser um gigante que pisisa forte e faz um terremoto!

Não parem de pular.

3, 4, 5, 6...

7, parem.

Estiquem os braços, abracem-se.

Nesse momento o Polo está chorando de raiva.

Porque você o abandonou.

Nós o abandonamos. A culpa é nossa.

Sim, talvez seja.

Mas ele está nervoso.

Está nervoso porque dói muito mais...

Ser abandonado por sua mãe.

Sim, a traição de uma mulher é muito pior. Sim...

De uma mulher má.

De uma péssima mãe.

Não, eu acho que...

Justo quando o Polo começava a confiar em você, você o abandonou.

Nós dois o abandonamos.

Ambos...

Ele é uma criança.

Você adorava que ele dormisse conosco para não precisar transar comigo.

Eu teria adotado um garoto mais novo, mas...

Quem ia te dar um filho?

Você o ensinou a botar fogo nas coisas.

Queria que ele incendiasse a casa.

Então eu teria que... Não sei.

Devolvê-lo.

Ele queimou o rosto da sua irmã.

Eles pensavam que você era infértil por ter alguma doença e não tratá-la.

Então a culpa é sua, Gastón.

De termos feito toda essa merda e adotado um pré-adolescente.

É sua culpa que não conseguimos suportá-lo.

E é sua culpa que todo o meu corpo dói.

E que as pessoas nos olhem na rua

como se tivéssemos asfixiado um cachorro com uma sacola plástica.

Você sabe por que o Polo te amava?

- Porque ele te achava linda. - Não.

Sim.

Quando fomos buscá-lo, ele te chamou de "linda".

"Ei linda, venha cá".

E você chegou mais perto.

Você ficou aqui dele.

Você se aproximava e flertava o tempo todo. Os sorrisos, tudo.

Você colocava sua língua nos dentes dele.

Você se despia na frente dele.

Você até botou seu mamilo na boca dele.

Ele era meu filho.

Meu filho pode sugar todo o meu corpo se ele quiser.

Não...

Não, não se faz isso com uma criança.

- Você fodeu a minha vida. - E você a minha.

Eu era uma criança e você não cuidou de mim.

Porco infértil.

- Vamos fazer de novo. - O cervo.

E juntas, pernas juntas.

- Sim. - O cervo.

Desculpe por mudar de assunto. Mas não sei o que fazer.

Se devemos falar com a psicóloga do colégio ou com a diretora da UTP.

Mas precisamos de ferramentas para explicar para as crianças

o que houve com Polo Valderrama.

- Com quem? - Polo Valderrama, um aluno da quarta série.

Ah... O que aconteceu?

A Assistência Social ligou, vão tirar o Polo da escola.

Assistência Social? Por quê?

Ele está doente.

O que aconteceu?

Eles o devolveram.

Não.

- Ah, não? - Não.

Então eu me enganei.

Eu não gosto de me meter na vida pessoal dos outros.

Mas estou preocupada como iremos explicar para as crianças.

Porque eles estão perguntando.

E...

Eu não quero dizer a eles: "Sabe de uma coisa?"

"Os pais do Polo não o amam mais".

"Ele se comportou mal, então eles o devolveram".

O Polo não é mais uma criança adotada. Ele é um órfão novamente.

Entendem? Não sei como explicar.

Isso é verdade?

Sim.

Vocês o devolveram?

É por isso que ele não veio, porque ele não é mais seu filho.

Isso é o que eu quero explicar.

Que pesado.

Seria melhor dizer que o Polo foi morar com a família em Santiago.

Não, nós não podemos dizer isso.

A professora ainda estará aqui.

Vai continuar trabalhando aqui, Ema?

Claro, é o meu trabalho.

Eu também tenho que trabalhar.

Mas não sei se consigo continuar, vendo seu rosto todos os dias...

O seu rosto... O seu cabelo...

Você é estúpida? Não percebe o que estamos dizendo?

Acho que a Ema deveria tirar licença médica.

- O que tem aí? - Não sei.

Uma violência doméstica...

- Não sei. - Já está indo?

- Sim, tenho uma audição. - O quê?

- Com um homem ou uma mulher? - Não sei.

- Terei que pagar 300 pratas. - Ok, o último.

- Quer gelo? - Sim.

- Você tem que ligar? - Só um SMS.

Ema.

Mati.

Gastón.

Sinto muito, Sonia.

Deve ter sido na semana passada.

Diga a eles que fui eu. Uma performance...

Todos sabem que foi o Polo.

- O que isso importa? - Elas vão gritar.

- Quem? - Todas elas, as que dançam mal.

Vamos sair juntos. Eu vou distraí-los.

E você joga o gato na rua.

Nosso garotinho, Ema...

Puta merda. O que nós fizemos?

E se adotarmos outro?

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