The first 200 lines.
NETFLIX E STUDIOCANAL APRESENTAM
Feliz Natal.
Vou fazer por isso.
Pois.
- Nem pensar. Ela é horrível. - Não é horrível.
- Ela é rude. - Um pouco insensível.
- E é velha. - É muito velha.
Ela é a única que pode vir.
- Vou deitar-me. - Também eu.
- Não. Ela vai deitar-vos. - Isso não vai acontecer.
Vamos ter pesadelos.
- Estás muito calado, Mop. - Já tenho pesadelos.
Ouçam, lamento muito ter de ir ao escritório,
mas volto assim que puder.
A vossa mãe adorava a vossa tia, então, vamos tentar…
Olá.
Estás com péssima cara.
Olá, tia Ruth. É bom ver-te também.
Não vejo uma árvore.
- Sem decorações. - Não, decidimos não as pôr este ano.
Isso é um erro.
Olá, crianças.
Como estamos?
Estão muito bem.
Deixem-me ver-vos.
É como eu pensava, ainda de coração partido.
- Eu não. - Eu também não.
Eu sim.
Mas ainda amo a mamã com todos os pedaços partidos.
Estão muito bem.
- És muito velha. - Sim.
Estou ciente disso.
Ainda não percebo porque temos de ouvir.
Porque o universo é feito de histórias, não de átomos.
- Isso não é verdade. - Bem, deve ser porque nunca minto.
Então, ouçam a história.
Depois, dormem e será Natal.
Mas não queremos que seja Natal.
Então, já sei que história vou contar esta noite.
Então, estão todos confortáveis?
É bom que estejam porque vou começar.
Podem achar isto difícil de acreditar,
mas há muito tempo ninguém sabia do Natal.
Nesta altura, no meio de uma floresta na Finlândia,
vivia um rapaz comum chamado Nikolas, juntamente com o pai,
um humilde lenhador que, naquele momento, estava bastante preocupado.
Sê a floresta.
Não sei o que isso significa.
Significa: não te mexas.
Quando eu disser para correres, corres.
- Ou seja, deixar de ser a floresta. - Sim, e corre muito depressa.
Não vou sem ti.
Então, corremos os dois!
Anda!
Corre!
Com uma crise evitada por pouco,
o Nikolas e o pai regressaram à sua cabana na floresta.
Os tempos eram difíceis para pai e filho.
- Mal tinham o suficiente para sobreviver. - Espera. Desculpa interromper.
O que é?
A mamã dele?
Bem, ela morreu.
Dois anos antes.
Sim, receio que o urso tenha tido algo que ver com isso.
O urso comeu a mãe dele. Entendido.
Bem, a Finlândia era um lugar muito perigoso na altura.
Ainda é.
Mas, apesar das dificuldades,
o Nikolas manteve a esperança, especialmente na hora de dormir.
- Contas-me a história, papá? - Não outra vez.
Porque não?
A história não é minha.
Mas a mamã já não está cá.
Está bem, vou falar-te de Elfhelm.
Há muito tempo, num lugar como este,
vivia uma jovem chamada Lumi.
Um dia, enquanto recolhia bolotas na floresta,
a Lumi perdeu-se completamente.
Tentou encontrar a casa,
mas, quanto mais procurava, mais se afastava.
Sobre o rio e sob a lua,
pela montanha pontiaguda,
até lá abaixo, passando pelos…
Gigantes adormecidos.
Passando pelos gigantes adormecidos e, pelo céu, andou.
Para um lugar onde a neve era suave como as nuvens.
O que aconteceu?
A Lumi quase desmaiou
quando finalmente se deparou com uma aldeia secreta chamada Elfhelm
onde viviam os elfos, as pessoas mais felizes do mundo,
e o lugar mais mágico do mundo.
Lá, a Lumi ficou até a neve desaparecer
e finalmente conseguiu voltar para a sua casa no sul,
com os bolsos cheios de chocolates.
Acreditas na história, não?
O final é exagerado. O chocolate teria derretido.
Mas o resto?
A magia e os elfos?
Nunca os vi.
Mas tu acreditas neles.
A tua mãe acreditava. E, para ela, acreditar era como saber.
Que foi isto?
- Parecia um chio. - Acho que foi um rangido.
Sem dúvida um chio.
- Já agora, estás a exagerar. - Sai da frente.
Rato! Temos um rato.
Papá, deixa-o em paz!
Papá.
- Vai roubar-nos a comida. - Que comida?
Não!
Ali está ele! Apanhámo-lo.
Papá, por favor. Deixa-o viver.
Por favor.
Pensei muito nisto e decidi chamar-te…
Miika.
E vou ensinar-te a falar.
Rapaz.
Rato.
A minha mamã sempre me disse
que, se acreditas que podes fazer algo, estás a meio caminho.
Árvores.
Está bem, talvez não a meio, mas é um começo.
E, um dia, aconteceu algo que iluminou o longo inverno escuro.
Uma convocatória do próprio rei.
Havia apenas dois no convite,
mas o Nikolas não viu mal em trazer um acompanhante.
Vamos ver o rei, Miika.
Rei.
- Está demasiado empolgado para falar. - Não devia.
Porquê? Tu adoras o rei.
Claro que adoro o rei.
Ele é um grande homem, merece tudo o que tem.
Mas nós também merecemos. Todos merecem.
- Sobrevivemos com o que temos. - Temos pouquíssimo.
Temo-nos um ao outro.
E isso é maravilhoso.
Mas quero mais.
Sua Majestade, o rei!
Olá a todos. Obrigado por terem vindo.
Tudo bem? Quer um copo de água?
Posso tocar um sininho e alguém o traz.
Não?
De certeza? Muito bem.
Todos sabemos que os tempos são difíceis. Quer dizer, muito difíceis.
Não me lembro da última vez que sorri. E vocês?
Que razão há para sorrir?
Estamos todos infelizes.
Falta-nos algo e acho que sabemos o que é.
- Um sistema de saúde. - Isso seria muito bom.
É uma ideia, mas não…
Um salário mínimo!
Vale a pena discutir.
Um sistema de governação justo? Comida suficiente?
Está bem, talvez deva dizer-vos o que acho que nos falta.
Esperança. Todos precisamos de esperança.
Uma centelha de magia para nos manter de pé.
Reuni-vos aqui porque são os homens e mulheres mais duros da região.
O senhor não.
E quero pedir-vos que vão aos limites do nosso reino.
Vão além
e tragam algo, qualquer coisa, para nos dar esperança outra vez.
Um visionário.
Os olhos da nossa grande nação estarão nesta missão.
Não.
Quem o fizer será bem pago pelos seus esforços.
O caminho pode ser perigoso.
Alguns de vocês morrerão, provavelmente a maioria.
Mas, se conseguirem, a vossa recompensa será muito maior.
- Apanhei-te, Miika! - O quê?
Prendam-no!
Perdoe-o, senhor.
Imploro-lhe.
Lamento muito, Vossa Majestade. Ele vive nas nuvens.
Sortudo.
O que te deu ele?
Duas palavras simpáticas, vão aquecer-me durante o longo mês.
Não, quanto dinheiro?
Não sei.
Isto é meia coroa. Dá para alimentar um rato durante uma semana.
Garfo.
Pinha.
Colher.
Por favor, diz algo, Miika. Qualquer coisa.
Anders?
Sim,
sou eu.
Foi por pouco com o urso no outro dia. Obrigado.
Temos de falar. O rapaz pode ir para outra divisão?
- Não temos outra. - E quero ouvir.
Podemos falar lá fora. Empresto-te o meu gorro.
Eu sobreviverei.
O que achas que é, Miika?
Nikolas, a missão do rei, vou fazê-la.
Vais-te embora?
Não por muito tempo. Dois meses.
Dois meses?
Talvez três. Vou num pé e venho noutro.
- Vai valer a pena. - Para trazer uma nova esperança?
Para reclamar a recompensa.
Mas a recompensa não é trazer esperança e maravilhas?
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