Bright Nights

Bright Nights (Helle Nächte)

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The first 193 lines.

NOITES BRILHANTES

Sim?

Olá, Kim.

- Já faz um tempo. - Sim.

Você esqueceu novamente, certo?

Como assim?

Não ligou para falar disso?

- Do que está falando? - Acorde! Meu aniversário foi semana passada.

Merda. Certo. Esqueci.

Então?

E aí?

Ele morreu.

Como? Do que está falando?

Papai.

Ele morreu de quê?

Ataque cardíaco.

É tão ele.

Tão ele? Ter um ataque cardíaco?

Ir embora dessa forma.

Combina com ele.

Ele deixou instruções para ser enterrado na Noruega

no lugar onde viveu.

Você vai?

Sim, ele é nosso pai.

Eu queria ver como ele vivia seus dias.

E alguém precisa cuidar das formalidades.

Kim? Ainda está aí?

Sim, estou.

Estava fazendo um drinque.

O que está bebendo?

Vodca...

Boa ideia.

Então, o que me diz? Me acompanha?

Eu acho bom que você faça isso...

mas não vou te acompanhar.

Não seja tão rancorosa. Do que serve agora?

Ele não nos deu chance de perdoar. Agora é tarde.

Pense nisso.

Você pode se arrepender.

Ele não será enterrado de novo.

Cuidado. O molho ficou apimentado.

Não, está bom.

É triste que não tenha visto seu pai novamente.

- Você poderia querer se despedir. - Sim.

Ao menos não morreu de doença, sofrendo.

É o que as pessoas dizem, mas quem sabe?

Todas essas coisas para resolver...

Dívidas, contas bancárias...

- Isso me ajudou na morte do meu pai. - Mesmo? Que ótimo.

Estava falando no meu caso.

E...?

Não se ofenda. Fica feia quando está ofendida.

Não estou ofendida...

- mas às vezes você é tão... - O quê?

Então?

Nada.

Desculpe.

Obrigada.

Michael, tenho algo a dizer.

Então fale.

- Sei que não é uma boa hora... - Deixe-me adivinhar.

Coisas ruins vêm em pares.

- Conheceu alguém. - Como? Não. Que absurdo.

Não é isso.

Então o que é?

Meu jornal me ofereceu uma vaga como correspondente em Washington.

Por um ano.

Washington. Por um ano.

Você aceitou?

Não, ainda não.

Mas gostaria.

Primeiro queria conversar com você.

Quando deve começar?

Em dois meses.

Você já se decidiu.

O que posso dizer?

Bem... gostaria que você aceitasse.

Devo aceitar que me deixe?

Isso é pedir muito.

Não vou te deixar. É só por um ano.

Um ano é muito tempo. Quem sabe o que pode acontecer?

Você precisa ter fé.

Papo furado.

Sei que não é o momento.

Mas...

Eu quis te dizer antes de aceitar, antes de partir.

Vai ficar em silêncio a viagem toda?

Como queira.

Ponha o cinto antes.

Como está indo no campo?

O que você quer?

Perguntei se está indo bem no campo.

Mais ou menos.

- Tem amigos? - Sim.

Que pergunta! Claro que tenho amigos.

- Ainda joga na equipe? - Não, faz tempo.

Novidade para mim.

Quando parou?

- O que é isso, um interrogatório? - Apenas diga.

Há um ano atrás.

Por que parou?

Não tinha mais vontade.

Uma pena, você era um bom jogador. Tinha talento.

Eu não era tão bom.

E daí?

Jogar em equipe é bom.

Tanto faz.

Então vovô morava sozinho aqui?

Sim.

Por quê?

Ele não pode responder agora.

Ele foi sempre assim. Gostava de ficar só.

Quando o viu pela última vez?

Há cinco anos.

Logo antes dele vir para cá.

Você ainda lembra dele?

Claro. Ele nos visitou uma vez.

Ele visitou vocês?

Já faz um tempo.

Ele construiu uma casa na árvore comigo.

Por que você nunca o visitou aqui?

Não éramos próximos.

Ele era difícil.

Olhe só nisso.

O que é?

Um manuscrito sobre construção de túneis.

Quase 200 páginas.

É um livro de verdade.

Ele terminou recentemente, poucos dias antes de morrer.

Aqui está a data.

Posso ver?

Sim, claro.

Não está escurecendo. São quase 11h.

Aqui é assim durante todo o verão.

E no inverno fica escuro por três meses.

Três meses de escuridão? Como ele aguentava?

Ao seu avô. E a você ter me acompanhado.

Não fiz por você. Mas para ver a casa do vovô.

Sim, claro.

Quando terminarmos isso...

O quê?

Eu tirei licença, você ainda está de férias.

Podíamos passar um tempo aqui na Noruega.

O que vamos fazer aqui?

Dar uma volta. Aproveitar a natureza.

Eu já vivo no campo, caso tenha esquecido.

Poderíamos apenas dirigir por aí.

Não sei. Primeiro preciso pedir à minha mãe.

Eu já fiz.

Ela disse tudo bem.

Não gosto que se intrometa nas minhas coisas.

Não me intrometi. Apenas pedi a ela.

Então, o que me diz?

Pode passar as nozes, por favor?

Que tipo de carro dirige em Berlim?

Eu não tenho nenhum.

Você não tem um carro?

Não, há três anos.

Por que não?

Não se precisa de carro em Berlim.

Que tédio.

Quando tirar minha carteira e dinheiro, com certeza vou ter um.

Mesmo? De que tipo?

Veremos.

Uma BMW, Mercedes. Um modelo legal.

Passe a água.

Algo mais? Não sou seu empregado.

Está gostoso.

Não está com frio?

Não estou.

Não subestime o clima. Ele dá voltas.

A teoria da cebola é a melhor, acredite.

Teoria da cebola?

Uma fina camada embaixo, blusa ou camiseta,

lã sobre ela...

depois uma jaqueta corta vento, e está pronto para tudo.

Eu iria parecer um aposentado.

Eu me pareço com um?

Claro.

Mas você é velho. Não conta.

Para onde estamos indo?

Primeiro aqui.

Devemos abastecer de novo. Podemos precisar.

Mas também podemos voltar para a cidade que ficamos ontem.

Não fica muito longe.

É idiota, voltar.

Então, arriscamos ou não?

Arriscamos, claro.

O que está fazendo?

Vendo onde fica o próximo posto.

Odeio essas coisas.

Porque não sabe usar.

Ao menos tire o som.

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