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TODA A GENTE GOSTA DE JEANNE
És uma mulher incrível, Jeanne.
És brilhante.
Fazes coisas brilhantes.
É um procedimento simples.
A corrente marinha permite à estrutura em cesto
apanhar os microplásticos.
A própria estrutura é feita de plástico reciclado
e lixo.
Colocámos uma câmara na estrutura,
que mostra em direto a quantidade de lixo apanhada.
Esperamos recolher 30 a 50 toneladas no primeiro mês.
Muito em breve.
És uma heroína!
Tens um trabalho útil! O que dizia a jornalista?
E se lhe disser que é a mulher do ano?
Mulher do ano?
Mulher do século!
O PLÁSTICO NÃO É FANTÁSTICO
Achas que é a roupa certa?
Talvez ir trocar?
É um exagero.
Os óculos de sol...
É para te levarem a sério? Tens pasta de dentes na t-shirt.
E que sapatos ruidosos!
Não se ouve mais nada!
Vês o autocarro?
Podias atirar-te debaixo.
Atira-te!
Força, Jeanne, atira-te!
Atira-te...
Porquê o impulso? Porque a tua vida é um fiasco?
Cala-te.
Agora vais chorar?
Já não te gabas tanto.
Pagas pela tua arrogância, Jeanne.
E se lhe disser que é a mulher do ano?
Sou brilhante.
- É demasiado. - Mentirosa!
O que aconteceu à mulher do ano?
Apetece-te fumar? Mau, provoca cancro.
Cancro da garganta! Dring!
Cancro do pulmão! Dring!
Cancro da garganta.
Cancro, enfisema...
Se morreres agora, o que dirá a lápide?
Um autêntico fiasco.
Laurent, pode explicar-nos o que aconteceu
hoje em Le Croisic?
É complexo.
As estruturas do Nausicaa estão presas por cabos de titânio.
Na inauguração, os cabos partiram-se.
Vemos aqui a fundadora do Nausicaa, Jeanne Mayer,
mergulhar para segurar as estruturas.
Belo mergulho, mas em vão.
As estruturas pesam toneladas.
Exato. E o peso da água puxa-as para o fundo.
Vemos imagens das câmaras presas às estruturas
que se estão a afundar.
Imagens impressionantes.
Isso, continuem a filmar!
PROJETO NAUSICAA AFUNDA-SE
Sonia HAMI Ordem dos advogados de Paris.
Vou ser franca.
Está à beira da insolvência pessoal.
A única opção é liquidar.
Nesses casos, é liquidar. Ao máximo.
Vai ter credores até às orelhas, com a sua máquina de plástico.
Máquina anti-plástico.
Mas não acabou. Há investidores interessados.
Não digo que acabou tudo.
Digo que tinha rendimentos...
e já não tem.
Os investidores retiraram-se.
- Leu a cláusula em letras pequenas? - Li.
Leu? Muito bem. A cláusula diz que é fiadora.
Todas as pessoas simpáticas que investiram na sua empresa
já não vão ser simpáticas.
O banco não a vai ajudar. Como digo,
o banco empresta guarda-chuvas quando está sol.
Está muito endividada.
Tenho clientes que passaram de 400 m²
para centros de acolhimento.
Não cheguei a isso.
Ainda consegue pagar a renda?
É complicado, mas o senhorio é compreensivo.
Muito bem. Pais?
O pai...
morreu há muito tempo. A mãe no ano passado.
Ah, lamento.
Muito bem... Deixou-vos bens?
Sim. Um apartamento em Lisboa.
Nada mau. Está em vosso nome?
Sim. Pô-lo em nosso nome antes de morrer.
Muito bem!
Ótimo!
- É uma via. - Sim, ótimo.
Depois fechou as contas, limpou o frigorífico,
levou o lixo à rua, tentou ligar-nos em vão...
e foi atirar-se de uma ponte.
É terrível.
Lamento.
Maupassant dizia que o suicídio é a coragem dos vencidos.
Eu aconselharia
a vender o apartamento.
Não sei quanto vale,
mas mesmo dividido parece-me razoável.
Para não dizer obrigatório.
Não se vende o apartamento.
Porquê?
Temos de pensar nisso.
- Não. - Sim.
Jeanne, tem de ser!
Deixo-vos ver isso em família.
Quanto aos seus honorários...
Não tens as possibilidades, querida.
Faço-lhe um favor porque conheço o seu irmão.
- Obrigado, Sonia. - De nada.
- Ligue-me à vontade, sim? - Sim.
- Adeus. - Coragem.
Exagera. Típico dos advogados.
Não estou "à beira da insolvência pessoal".
- Queres dinheiro emprestado? - Claro que não!
- Queres vir morar lá para casa? - Não é preciso.
Então, o que vais fazer?
Vou ver, há investidores dinamarqueses interessados.
- Queria criar uma nova... - Vais acabar na cadeia.
É grave ter dívidas, entendes?
Não vou para a cadeia. Não fiz nada de mal.
Fizeste.
Meu Deus, Jeanne!
Vais para a cadeia!
Vão-te fazer limpar a casa-de-banho com o cabelo, Caracóis de Ouro!
Não há escolha.
Vai para Lisboa, esvazia o apartamento, vende-o.
Posso tirar uns dias.
Posso ir sozinha.
Qual é a tua, Zozo.
Toma.
- Aposto que vais ligar ao Vítor. - Não.
Vais lhe ligar.
Sinto-me como um mafioso.
"Toma, é uma prenda, algo para ti.
- "É todo teu." - Eu reembolso-te, Simon.
Não. Também quero aparecer no jornal.
"Graças ao irmão arruinado, Jeanne Mayer volta à tona
"e salva os oceanos."
Podes pagar as passagens aéreas?
Pois claro. Toma.
6745.
A usar com moderação, por favor.
Sou um simples fisioterapeuta.
Vamos?
Obrigada, Simon.
- Ficas bem? - Sim.
Ligas-me?
Vá...
- Até logo. - Até logo.
O MÊS DE SETEMBRO MAIS QUENTE ALGUMA VEZ REGISTADO
O que vamos fazer?
Vamos todos morrer!
Quando fez sexo pela última vez?
Em sonhos ou a sério?
O Metro conta?
Quando um homem tocou no seu seio direito?
Lembra-te.
Quando se apercebeu, gritou.
"Oh não!" como se tivesse pisado uma merda de cão.
Não te lembras?
Depois chamou-te puta.
Ouviste-o em loop, na tua cabeça.
Puta.
PUTA.
Puta.
Vá, não sejas sonsa.
Vais ter de aprender a voar.
Tinha rendimentos e já não tem.
Está arruinada.
É pobre!
Que fronha.
Com a tua sorte, vai estar ao teu lado.
É o que acontece por fixares as pessoas!
Oh não!
Vai querer conversa.
Irritas-me, Jeanne!
Mayday!
Bip, bip!
- Posso? - Não!
Sim.
Vejamos que tática escolheu o indivíduo.
Desculpa, não me lembro do teu nome.
Talvez por não nos conhecermos.
Toma! Boa, Jeannezinha.
Jeanne?
Jeanne Mayer?
Sim.
- Incrível! - Conhecemo-nos?
Não te lembras?
Liceu Francês de Lisboa?
Zero.
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