The first 200 lines.
NETFLIX APRESENTA
BASEADO NO LIVRO LA SCUOLA CATTOLICA DE EDOARDO ALBINATI
Tira-nos daqui!
Por favor!
Não te vás embora, por favor.
Assim eles vão voltar.
Por favor.
6 MESES ANTES
Não sei quando tudo começou.
Façam fila!
Mas a história é sobre todos.
Costas direitas!
A nossa educação, o nosso bairro, a nossa escola.
Depois, nada ficou igual.
Um, dois.
Um, dois.
Um, dois.
Quero ouvir-vos.
Um, dois!
Eu estava no penúltimo ano num liceu privado
que pagava mensalmente.
Não permitiam raparigas. Éramos só rapazes de um bairro da classe média-alta de Roma.
Meninos do papá.
O Salvatore, irmão do Angelo, era da minha turma.
Era um ano mais velho.
Quero ver a vossa força!
O Picchiatello também. Tinha esta alcunha por ser estranho.
Todos fantasiávamos com a mãe dele, que era atriz.
Gioacchino Rummo, talvez o único que acreditava
nos valores cristãos ensinados pelos padres.
Exceto o Irmão Curzio.
Se olharem bem, nem parece um padre.
Correr no lugar!
Um, dois!
Arbus, isso são espasmos, não é exercício físico.
Aonde vais? Vamos lá!
Um, dois!
Um, dois!
Estávamos em 1975. E a violência fazia parte do dia a dia.
O que se passou, Pik?
O Romoli.
Ele fez-se explodir à frente do diretor.
- É verdade! - Vê se cresces de uma vez por todas!
D'Avenia.
Deixa-me adivinhar. Tal como os outros, não viste nada?
Um dos vossos colegas foi atacado no pátio e ninguém viu nada.
Muito bem.
Sendo assim, podes ir.
O Romoli não se meteu com ninguém.
Quando a campainha tocou,
os do último ano aproximaram-se dele
e cercaram-no para ninguém ver nada.
Primeiro, deram-lhe alguns estalos.
Depois, um dele agarrou-lhe a camisa e puxou-o.
E os óculos dele caíram?
Não.
Eles partiram-nos de propósito.
Ótimo.
Diz-me quem foi.
- Não. Pergunte ao Jervi, ele é que… - Então?
Posso ouvir de ti primeiro.
Guido. O teu pai está com o diretor.
Eles são jovens, mas têm de perceber que há regras.
Os teus pais decidiram pôr-te nesta escola
porque querem que tenhas um porto seguro.
Algo para te proteger
do desvio moral que…
Desculpe, diretor.
Já começou a aceitar doações para a Páscoa ou…
- Ainda não. - Quando começar, diga-me.
Vamos embora. Não o incomodamos mais. Obrigado.
Gianni.
Manda o Jervi entrar.
O que te deu?
O que te disse?
E então?
Fizeste-me fazer figura de idiota.
Vem cá.
O que te disse?
Não te atrevas a repetir isto!
- Não voltes a repetir isto! - Já percebi. Desculpa.
Fizeste-me fazer figura de idiota.
Foi o que foi. A partir de amanhã, as coisas vão mudar.
A nossa vida estava cheia de regras.
Quando as quebrávamos, éramos castigados ou não acontecia nada.
Questionávamo-nos se essas regras tinham sido definidas ao acaso.
Aos seis anos, deixamos o escudo da família para ir para a escola.
Outro escudo.
Na escola, tínhamos de escolher.
Subjugar ou ser subjugados.
Dá cá! Não podes ficar com eles.
- Para! - Só sabes roubar-me.
Chega! Vou dizer à mãe.
Para!
- Não! - A Rachele roubou-me os sapatos.
Isso é mentira.
Não me importa. Entendam-se.
Elisabetta, podes desligar o forno, por favor?
- Eu já vou. - Sim.
Toby, vai com eles.
E então?
Então, não entendo.
Não lhes fizeram nada.
Não agiram.
Compraram-lhe uns óculos novos e pronto.
Resolvido.
O que achas que lhes deviam ter feito?
Humilhá-los? Suspendê-los?
O que fez a justiça humana ao Senhor?
Tratou-o com ódio, com sede de vingança.
O mal gera mal.
O comportamento dos amigos do Gioacchino deve ser compreendido e perdoado.
Ou entraremos numa espiral sem fim.
Desculpa, pai, mas não costumas dizer
que o perdão deve ser concedido após a confissão?
Sim, mas também vos digo para não se focarem na perfeição.
Não, obrigado.
- E para terem atenção aos preconceitos. - Acabou a discussão.
Venham, meninas.
Giaele, a comida está pronta.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Não me apetece.
Porquê?
Porque estou no período fértil.
E não é boa altura para ter outro bebé.
Porquê?
Porque eu é que teria de o carregar.
Já falámos sobre isto.
Por favor.
Olá, cabeludo!
- Apanhámo-lo à frente de todos. - Os óculos?
Já eram! Amanhã, vão ter fita-cola.
- Como foi com o teu pai? - Como sempre.
Foi duro comigo, mas, depois, deixou-me em paz.
Disse-me que não podia sair mais.
E tu, Giampie?
Não me disse nada.
- A sério? - Óbvio.
- O teu avô construiu a escola. - Exato.
E o meu pai dá-lhes dinheiro.
O diretor devia ficar caladinho. E pronto.
Já metem nojo.
Bem dito!
- Vamos beber um copo? - Sim.
Angelo.
- O Andrea vai sair da prisão. - O quê?
Acabaram de me dizer.
Será em breve.
- Vamos passar a noite aqui? - O que queres fazer?
Não sei.
Vamos pensar em alguma coisa.
Na verdade, acho que tenho uma ideia.
Guarda isso!
Angelo.
- O que foi? - Onde estiveste?
Onde achas? Com os meus amigos.
Porque me deixas sempre preocupada?
Preocupada porquê? Eu estou aqui.
Vamos para a cama.
Sei que estás acordado.
O Gianni disse-me o que se passou na escola.
O que te disse?
Que o interrogaram.
Sim.
O diretor manteve-nos na escola porque queria saber quem era.
- E tu disseste-lhe? - Não.
De certeza?
Muito bem.
Não traíste.
Nunca chibes ninguém.
- Entendido? - Sim.
Sim o quê?
Nunca vou chibar ninguém.
Tens mais pecados para confessar?
Digo muitas mentiras.
Isso é mau.
Mentir é um pecado grave.
Que tipo de mentiras?
De todos os tipos.
Para os outros me aceitarem.
Finjo gostar das mesmas coisas.
E pensar da mesma forma.
Preferia não mentir. É pior para mim.
LICEU SÃO LUÍS
Porque me sinto sozinho na mesma.
Parece que estou à vontade com todos.
E que me dou bem com todos.
Mas não me sinto à vontade com ninguém .
Nunca sou eu mesmo, padre.
Confessaste-lhe mesmo que não acreditas em Deus?
E se ele te denunciar?
Seja como for, vou sair daqui.
Não aprendo nada e não confio nos professores.
Eles deviam saber coisas, mas nem sequer sabem que não sabem.
Eles presumem.
A autoridade deles não se baseia em nada.
Então, em quem confias?
Em ti.
Escolheste a pessoa errada.
Ficou uma simples equação do segundo grau.
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