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A DOCE VIDA
Argumento
Fotografia
Música
Realização
Leontine. O que é?
Olha, é Jesus. Onde vão?
Olha. Está a descer.
O que é aquela estátua? Onde a levam?
O quê?
Onde a levam?
Levam-na ao Papa.
Querem o número de telefone. Não!
Rapaz, chega aqui.
- O que comeram à mesa dezasseis? - O príncipe comeu caracóis.
- O que beberam? - Soave.
Peço desculpa, Sr. Júlio, mas se falam dos príncipes, beberam Valpolicella.
- Olá, Marcello. - Olá, Pierone.
- Júlio, deixa-me fazer uma fotografia. - Não é possível.
Porque lhe dás aquele dinheiro todo? Se quiseres informações estou aqui eu.
Cabecinha.
Director!
Director, não deixe passar aquele fotógrafo.
- Dê-me a película, por favor. - Não tem nada.
Existe o direito sobre a própria imagem. Se não o conhece, eu ensino-lhe.
Dá-me lume?
- Vem cá um momento, querido. - Falas comigo?
Sim, falo contigo. Preciso de te falar.
Boa noite, como está? Então...
- Sente-se. - Onde? Não há cadeira.
- Agacha-te. - Como?
- Malandreco. Malandreco. - Porquê?
Porque és um malandreco. Sabes o que te faço? Parto-te o focinho.
Tenho uma opinião pública a informar. É o meu trabalho. Alguma publicidade...
Chamas isso publicidade? Sabes que a meteste em sarilhos com o marido?
Meto-me eu na tua vida e quero saber dos teus cornos?
- Não és jornalista. - Chamam-lhe jornalismo o dele?
Cala-te.
- Cuidado com o que fazes. - Vais matar-me?
- Chegou? - Não, ainda não apareceu.
Assim que chegar diz-lhe que é um estúpido.
Dá-me um uísque.
Estão a espera de quê para fechar esta barraca? É tão mal frequentada.
Boa noite, Madalena. Como está? Sozinha?
- Quer dançar? - Não.
- Tomamos um vodka? - Tudo corre mal esta noite, vou embora.
- Acompanho-a. - Está bem.
Boa noite.
- Eis os seus amigos prontos a atacar. - Marcello, onde vais todo elegante?
- Senhora Maddalena... - Por favor, hoje deixem-me em paz.
Voltou. Aqui está, mais fotogénica do que uma estrela.
É todas as noites a mesma história. Nunca se fartam.
Paparazzo, chega!
- É uma personagem famosa. - Marcello, onde vão? Onde a levas?
Queria viver numa cidade nova e não encontrar mais ninguém.
Eu gosto muitíssimo de Roma.
É uma espécie de selva, amena, tranquila, onde é fácil esconder-se.
Eu também queria esconder-me mas não consigo.
- O que fazemos agora? - Damos uma volta, ficamos.
- Roma é aborrecida, queria uma ilha. - Compre-a.
Já pensei nisso, mas será que ia lá?
Sabe qual é o seu problema? É ter demasiado dinheiro.
Enquanto o teu é não ter que chegue.
No entanto, aqui estamos os dois.
Este não é um problema, são poucos a estarem insatisfeitos consigo próprios.
- O que tem lá? - Nada.
Não devia preocupar-se com todo o seu dinheiro,
aconteça o que acontecer, tem sempre as costas quentes.
- Acha? - Claro.
Nem consigo aguentar-me direita.
Precisava de uma carga vital que não possuo para ir de cabeça erguida.
Quando faço amor, aí sim, no amor há tensão.
- Só o amor me dá esta força. - Viva o amor, então.
Annamaria, vem aqui ver. Não é um carro, é um apartamento.
- És a Liliana? - Não sou a Liliana. Tu quem és?
- Boa noite. - Boa noite.
Com quem estás a falar?
Quem está aí?
A Liliana já não está aqui, foi para Milão.
- Querem ir passear connosco? - Eu?
Sim. Venha.
Uma senhora está a convidar-me a dar um passeio de carro, vou?
Vamos dar uma volta com esta rapariga.
O que tenciona fazer?
Nada, dar um passeio. Depois levamo-la para casa.
- Conhece-a? - Não.
Acho que não.
Vou comer com o Boi, espero-te lá. Aí vêm.
Desliga estes faróis, exibicionista.
Vê lá se tratam bem, devem ter mais dinheiro do que o próprio Onassis.
Vens connosco?
Se não me julgarem descarada e me levarem a casa, agradeço.
- Tu vens? - Não.
Moro um pouco longe.
- Entra. Consegues? - Sim, obrigada.
- Ficas bem aí? - Sim.
- Adeus, Nini. - Adeus, Annamaria.
- Onde moras? - Em Cassati Spiriti, imagine.
- De quem é este carro? É seu? - Sim.
- Foi você que o comprou? - Não, foi o pai.
E que pai! O meu só me dava tareia.
- Conhece o meu pai? - Sim, uma vez apresentou-nos.
- Os seus pais onde vivem? Não lembro. - Em Cesena.
- Têm praias? - Não.
- Como está a correr? - Como queres que corra?
Não correu bem hoje à noite?
Calhou-me um bronco. Deu-me mil liras e um maço de cigarros.
- Era jovem ou velho? - Não olhei para a cara dele.
- Você iria com uma mulher destas? - Não.
Porquê? Não é pior que muitas outras.
- Você não vai com mulheres destas? - Sim, de vez em quando.
Ouve lá, Gregory Peck, gostava de perceber. Vamos fazer o quê?
Não disseste que querias que te acompanhássemos a casa?
- Sim. - E levamos-te a casa.
- Porquê? O que estavas a pensar? - Nada, que devia pensar?
Com cuidado que estão todos a dormir. Desliga o rádio.
- De qualquer forma, vamos já embora. - Moras com quem? Está alguém?
- O que a senhora está a dizer? - Se está alguém em casa.
Quem devia estar? Tenho um primo mas foi para Velletri para uma consulta.
Oferece-nos um café?
Com muito gosto. Sei fazer um bom café.
Não pensem em encontrar um palácio.
Indico-vos o caminho.
O café.
Atenção que há uma escada. Porque a noite passada um senhor...
Que desastre! Ficou tudo inundado. Não se pode viver assim.
Danação!
Esperem um momento. Qual engenheiro, devia ser coveiro.
Podemos esperar até ao Natal! Estou a expiar todos os pecados de Satanás.
Podem sentar-se no quarto de dormir. Meu Deus!
Aqui também ficou inundado. Se quiserem entrar, eu preparo o café.
Eram necessários conhecimentos.
Há já 2 anos que apresentei o pedido para as casas na Rua Giuseppe Verdi.
- Ainda aqui estou. - Não te preocupes.
Entretanto, ligo o fogão.
Fechas a porta?
Queres fazer amor aqui?
Não?
O café fica aqui em cima.
Como?! Não negociaste antes? És maluca? Estás a fazer favores?
Não sabia de nada. Fizeram eles tudo. Querias que os mandasse embora?
- Esperamos que me dêem 2 mil liras. - 2 mil liras? Eu é que faço os preços!
- São marido e mulher? - Qual marido e mulher!
É para si e muito obrigada.
Tenho de ir de marcha-atrás ou há espaço para manobras ao fundo?
Não é necessário fazer manobras, ao fundo vire à direita.
- Posso dar-te um beijinho? Obrigada. - De nada.
- Voltem sempre que quiserem. - Adeus.
Não corram com o carro.
Meu Deus. Meu Deus.
Emma!
Emma!
Emma, o que se passa, responde-me! O que aconteceu?
O que fizeste, desgraçada! Maluca!
Não é nada, não é nada.
Fica tranquila, tranquila. Fica tranquila, levo-te eu.
Porque és tão maluca? Queres dar cabo de mim?
Um dia destes deixo-te morrer. Deixo-te morrer.
Emma, responde! Agora chega!
Emma, tesouro, meu amor!
Depressa!
Rubini! Foste tu que trouxeste a mulher que se envenenou?
Giannelli, não escrevas nada, por favor. Vou ter problemas com a polícia.
- O que aconteceu, conta. - Nada, nada.
- Quem é? Como se chama? - Não te posso dizer. Deixa-me em paz.
Senhor, pode entrar.
- Emma! - Não a canse, precisa de descansar.
Daqui a duas horas pode levá-la para casa.
Entretanto, o agente de serviço terá que redigir o verbal. É obrigatório.
Emma, porque o fizeste? Diz-me, porquê?
A polícia está à sua espera.
Volto já.
Aguarde, vem já.
- Irmã, posso usar o telefone? - Faça o favor.
- Venha, venha. - Só uma fotografia, apenas uma.
Quieto com as mãos.
Sylvia, Sylvia!
Por favor, tire os óculos.
Para trás.
Os óculos, Sylvia. Tire os óculos.
Para trás! Para trás!
Ri-te.
Rápidos, rápidos. Aí está!
Damos-lhe antes as flores ou a pizza?
A pizza! Cuidado que entorna.
Bom dia, senhora, sou o Scalise. Venham cá com esta pizza!
Para trás, para trás. Vão para trás.
Sylvia! Tira-te da frente.
Chegou o produtor cinematográfico Totó Scalise.
Contratou a estrela para uma grande co-produção cinematográfica
a ser rodada a cores?
É a sueca? É melhor não olhar para ela ou mato a minha mulher.
Viva a Suécia!
Pizza napolitana que está a oferecer à maravilhosa actriz sueca.
Mostra magníficos dentes e morde o típico e saboroso produto italiano
que com as suas cores vivas e cheiro resume a vontade de viver do país.
Mais uma dentada.
Olá, Marcello. Que bonitona.
O produtor acompanha a estrela à alfândega. Muitos admiradores esperam.
Após esta viagem toda, está fresca como uma rosa.
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