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UMA SÉRIE DOCUMENTAL NETFLIX
Nós, humanos, adoramos jogar.
Jogamos desde o início da nossa existência.
Os nossos recreios são como espelhos
que nos ajudam a examinar-nos a nós próprios
e ao mundo à nossa volta.
Jogar é a derradeira forma de aprendermos
sobre os nossos corpos e as nossas mentes.
E são os jogos mais perigosos
que nos levam aos nossos limites.
Jogos que são difíceis,
dolorosos e, muitas vezes, mortais
ajudam-nos a explorar aquilo de que somos realmente capazes.
Procurar a dor não é para os fracos.
Todos têm uma razão pessoal para jogar a estes jogos.
Bem-vindos aos recreios mais assustadores de todos,
onde os humanos transpõem a barreira da dor.
O deserto do Saara, sul de Marrocos.
A maratona mais dolorosa do mundo tem lugar aqui,
a Marathon des Sables,
francês para "maratona das areias".
É uma ultramaratona de 6 dias e 251 km,
equivalente a seis maratonas normais.
Tu consegues.
Continua.
Esta é Amy, e ela tem uma razão muito pessoal
para participar nesta corrida perigosa.
Disseram-me que eu nunca andaria.
Disseram-me que nunca correria.
Quando eu tinha 19 anos, um carro colidiu com a minha mota
e o acidente esmagou a minha perna esquerda abaixo do joelho.
Quarenta e cinco cirurgias depois, a perna foi amputada.
Poucos de nós têm uma segunda oportunidade,
mas eu tive.
O meu dom é a capacidade de resistir.
Nunca poderei ficar mais forte
se não continuar a desafiar-me.
E foi isso que me levou
à corrida mais dura do mundo.
Todos os anos, participam mais de mil corredores.
Mas da última vez, apenas 40 chegaram à meta.
Desde criança, sempre quis participar nos Jogos Olímpicos.
Eu sempre quis ser agente da polícia, sempre quis ser militar.
E no dia em que o carro me abalroou,
isso desapareceu tudo.
Mudou-me, porque olho para trás, para o que tomava por garantido.
E trouxe à tona a incandescência que residia no meu íntimo.
E essa incandescência era a dor e a capacidade de resistir.
Este ano, o calor é mais extremo do que nunca,
com temperaturas que atingem máximos de 56 °C.
Amy termina como uma das últimas hoje.
- Parabéns! - Muito bem! Para ti também.
- Muito bem! - Muito bem!
Mas nem todos os corredores conseguiram voltar ao acampamento.
Boa noite a todos. Infelizmente, são notícias muito tristes.
Alguém morreu hoje, às 17h00, de uma paragem cardíaca.
Muitas pessoas estavam a ajudá-lo.
Vários concorrentes pararam. E até médicos.
Mas, infelizmente, todos esses esforços de reanimação foram inúteis
e a morte foi pronunciada depois.
E estamos todos muito tristes com esta situação.
Lamento muito.
A trágica notícia espalha tristeza pelo acampamento.
Mas a corrida continua.
Cada corredor tem de ser autossuficiente,
levando apenas uma mochila pequena,
com mantimentos para uma semana no deserto.
Uma regra simples domina o evento.
Se os camelos te alcançarem, estás fora da corrida.
O fracasso assombra-me sempre.
No fundo da minha mente,
sempre com medo que os camelos me ultrapassem por eu ser a última.
Preparar…
Amy e os outros concorrentes
submeteram-se a esta experiência extenuante…voluntariamente.
Correr durante dias por dunas de areia intermináveis
e sobre a crusta pedregosa e abrasadora da Terra.
Isto pode ser um jogo,
mas o perigo é muito real.
Muitos querem provar a si próprios
que conseguem enfrentar os seus medos e escapar com vida.
Estás neste forno gigante
e não há forma de escapar ao calor,
que te empurra em direção ao chão
e consome toda a força que tens dentro de ti.
O cheiro da nossa pele a arder,
dos nossos pés a arder.
A pele fica vermelha,
não por causa do Sol, mas com o calor da areia.
Isso abafa a voz dentro da minha cabeça,
que diz que não sou forte o suficiente,
que eu…
… não sou bonita o suficiente,
que sou gorda, que sou seja o que for.
E quando estou aqui, no calor e na dor,
tento reescrever a minha história.
A minha maior concorrência…
… sou eu mesma.
Não paro de ter cãibras.
- Meu Deus! - Precisas de ajuda?
Merda.
Porra!
Temos de carregar no botão. Carrega no botão para nos ajudarem.
Empurra aí!
Alguém a ajude!
Ajudem-na!
Faz pressão e levanta.
Não!
Meu Deus! Empurra!
Meu Deus, não! Empurra…
Por favor!
Empurra!
Por favor!
Desculpa.
Meu Deus!
Por favor, ajudem-me!
Estão tão mal.
Por todo o lado.
Quando agarro a minha coxa, aqui…
- Empurra. - Espera.
- Espera. - Dobra ligeiramente o meu joelho.
- Caramba! - Certo.
Ninguém vai entender, e eu percebo isso.
A dor é o meu recreio.
Eu gritava como uma menina.
A dor de Amy é uma lembrança do obstáculo que ela superou.
Para ela, o deserto do Saara simboliza a batalha com a dor
que ela enfrenta todos os dias.
Durante milhares de anos,
os humanos têm procurado inimigos dignos de defrontar em jogo.
Os gladiadores romanos atraíam multidões enormes,
lutando entre si e com animais.
Enfrentar os adversários mais ferozes para ver quem escapa com vida
é algo que fazemos até hoje.
Estas vacas selvagens são adversários aterradores.
São musculadas, rápidas
e armadas com cornos capazes de levantar corpos humanos facilmente.
A menos que estejamos armados com uma lança,
não temos qualquer hipótese.
Mas isto não é tourada.
Aqui, em França, desafiadores como Mathieu
treinam para jogar a um mortífero jogo da galinha
com estes animais selvagens.
O objetivo: enfrentar a vaca que investe contra nós
e escapar ileso.
Mathieu gere uma exploração de gado com a esposa, Caroline.
O que lhe dá muitas oportunidades para avaliar os adversários.
Procuramos a adrenalina que não há em nenhum outro desporto.
Brincamos com as nossas vidas.
E é isso que o torna belo.
Se o movimento não for perfeito, arriscamos a própria vida.
Portanto, ou saio vitorioso ou saio pela enfermaria.
Está tudo bem, pequena.
Perfeito.
A course landaise é uma tradição de longa data
no sul da Europa.
Aqui, os homens machões trabalham juntos para distrair a vaca,
enquanto um deles se posiciona.
Uma vez lá, é hora de jogar.
Tudo o que têm de fazer é manterem-se vivos.
Mesmo com os chifres acolchoados,
as vacas são capazes de mutilar e matar
os seus adversários humanos.
Para elevar ainda mais a fasquia, os homens vestem figurinos impecáveis.
Quem deixar o campo tão bem-vestido como quando chegou,
pode alegar ser um dos melhores entre os melhores.
Esta noite, o jogo é ainda mais difícil.
Estas vacas jovens são especialmente fortes,
rápidas e imprevisíveis.
Escapar ileso seria um milagre.
As vacas desta noite são muito jovens.
Portanto, entram na arena sem corda.
Quando entro na arena,
vou para dar o meu melhor.
Sei que é vencer ou morrer.
Com estes animais, não podemos cometer erros.
Se eu for colhido por uma vaca que investe a 50 km por hora,
o impacto pode ser fatal.
Mathieu Noguès!
Vamos à procura do perigo.
É aí que percebemos a importância da vida.
E também para nos aproximarmos da morte.
Mathieu tem de enfrentar a investida do animal
enquanto tiver coragem para tal, antes de saltar para o lado,
mantendo a menor distância possível entre ele e a vaca.
Quanto mais se aproximar da morte, mais impressionante.
O medo é humano.
Se não sentimos medo, então não é bom.
Admito que, por vezes, quando tomo consciência do perigo,
o medo pode dominar-me.
Para Mathieu, foi uma noite dolorosa, mas o espetáculo tem de continuar.
O porquê de ele arriscar a vida assim
é um mistério para a maioria das pessoas.
Durante séculos, este tipo de coragem ajudou-nos a sobreviver.
Mas hoje em dia, é mais provável enfrentarmos a morte
ou dores dilacerantes
para provar a nossa intrepidez ou estatuto dominante.
Os públicos adoram um jogador disposto a sofrer para poder ganhar.
Mas não são só os homens que entram no mundo da dor,
em busca de fama e fortuna.
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