Human Playground

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Season 1

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Human Playground S01 WEBRip x264-ION10
A Commentary by LegendasPTPT
🟩 𝑶𝒇𝒇𝒊𝒄𝒊𝒂𝒍 𝑺𝒖𝒃𝒕𝒊𝒕𝒍𝒆𝒔 🟩

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Published on: 2022-10-01
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The first 200 lines.

UMA SÉRIE DOCUMENTAL NETFLIX

Nós, humanos, adoramos jogar.

Jogamos desde o início da nossa existência.

Os nossos recreios são como espelhos

que nos ajudam a examinar-nos a nós próprios

e ao mundo à nossa volta.

Jogar é a derradeira forma de aprendermos

sobre os nossos corpos e as nossas mentes.

E são os jogos mais perigosos

que nos levam aos nossos limites.

Jogos que são difíceis,

dolorosos e, muitas vezes, mortais

ajudam-nos a explorar aquilo de que somos realmente capazes.

Procurar a dor não é para os fracos.

Todos têm uma razão pessoal para jogar a estes jogos.

Bem-vindos aos recreios mais assustadores de todos,

onde os humanos transpõem a barreira da dor.

O deserto do Saara, sul de Marrocos.

A maratona mais dolorosa do mundo tem lugar aqui,

a Marathon des Sables,

francês para "maratona das areias".

É uma ultramaratona de 6 dias e 251 km,

equivalente a seis maratonas normais.

Tu consegues.

Continua.

Esta é Amy, e ela tem uma razão muito pessoal

para participar nesta corrida perigosa.

Disseram-me que eu nunca andaria.

Disseram-me que nunca correria.

Quando eu tinha 19 anos, um carro colidiu com a minha mota

e o acidente esmagou a minha perna esquerda abaixo do joelho.

Quarenta e cinco cirurgias depois, a perna foi amputada.

Poucos de nós têm uma segunda oportunidade,

mas eu tive.

O meu dom é a capacidade de resistir.

Nunca poderei ficar mais forte

se não continuar a desafiar-me.

E foi isso que me levou

à corrida mais dura do mundo.

Todos os anos, participam mais de mil corredores.

Mas da última vez, apenas 40 chegaram à meta.

Desde criança, sempre quis participar nos Jogos Olímpicos.

Eu sempre quis ser agente da polícia, sempre quis ser militar.

E no dia em que o carro me abalroou,

isso desapareceu tudo.

Mudou-me, porque olho para trás, para o que tomava por garantido.

E trouxe à tona a incandescência que residia no meu íntimo.

E essa incandescência era a dor e a capacidade de resistir.

Este ano, o calor é mais extremo do que nunca,

com temperaturas que atingem máximos de 56 °C.

Amy termina como uma das últimas hoje.

- Parabéns! - Muito bem! Para ti também.

- Muito bem! - Muito bem!

Mas nem todos os corredores conseguiram voltar ao acampamento.

Boa noite a todos. Infelizmente, são notícias muito tristes.

Alguém morreu hoje, às 17h00, de uma paragem cardíaca.

Muitas pessoas estavam a ajudá-lo.

Vários concorrentes pararam. E até médicos.

Mas, infelizmente, todos esses esforços de reanimação foram inúteis

e a morte foi pronunciada depois.

E estamos todos muito tristes com esta situação.

Lamento muito.

A trágica notícia espalha tristeza pelo acampamento.

Mas a corrida continua.

Cada corredor tem de ser autossuficiente,

levando apenas uma mochila pequena,

com mantimentos para uma semana no deserto.

Uma regra simples domina o evento.

Se os camelos te alcançarem, estás fora da corrida.

O fracasso assombra-me sempre.

No fundo da minha mente,

sempre com medo que os camelos me ultrapassem por eu ser a última.

Preparar…

Amy e os outros concorrentes

submeteram-se a esta experiência extenuante…voluntariamente.

Correr durante dias por dunas de areia intermináveis

e sobre a crusta pedregosa e abrasadora da Terra.

Isto pode ser um jogo,

mas o perigo é muito real.

Muitos querem provar a si próprios

que conseguem enfrentar os seus medos e escapar com vida.

Estás neste forno gigante

e não há forma de escapar ao calor,

que te empurra em direção ao chão

e consome toda a força que tens dentro de ti.

O cheiro da nossa pele a arder,

dos nossos pés a arder.

A pele fica vermelha,

não por causa do Sol, mas com o calor da areia.

Isso abafa a voz dentro da minha cabeça,

que diz que não sou forte o suficiente,

que eu…

… não sou bonita o suficiente,

que sou gorda, que sou seja o que for.

E quando estou aqui, no calor e na dor,

tento reescrever a minha história.

A minha maior concorrência…

… sou eu mesma.

Não paro de ter cãibras.

- Meu Deus! - Precisas de ajuda?

Merda.

Porra!

Temos de carregar no botão. Carrega no botão para nos ajudarem.

Empurra aí!

Alguém a ajude!

Ajudem-na!

Faz pressão e levanta.

Não!

Meu Deus! Empurra!

Meu Deus, não! Empurra…

Por favor!

Empurra!

Por favor!

Desculpa.

Meu Deus!

Por favor, ajudem-me!

Estão tão mal.

Por todo o lado.

Quando agarro a minha coxa, aqui…

- Empurra. - Espera.

- Espera. - Dobra ligeiramente o meu joelho.

- Caramba! - Certo.

Ninguém vai entender, e eu percebo isso.

A dor é o meu recreio.

Eu gritava como uma menina.

A dor de Amy é uma lembrança do obstáculo que ela superou.

Para ela, o deserto do Saara simboliza a batalha com a dor

que ela enfrenta todos os dias.

Durante milhares de anos,

os humanos têm procurado inimigos dignos de defrontar em jogo.

Os gladiadores romanos atraíam multidões enormes,

lutando entre si e com animais.

Enfrentar os adversários mais ferozes para ver quem escapa com vida

é algo que fazemos até hoje.

Estas vacas selvagens são adversários aterradores.

São musculadas, rápidas

e armadas com cornos capazes de levantar corpos humanos facilmente.

A menos que estejamos armados com uma lança,

não temos qualquer hipótese.

Mas isto não é tourada.

Aqui, em França, desafiadores como Mathieu

treinam para jogar a um mortífero jogo da galinha

com estes animais selvagens.

O objetivo: enfrentar a vaca que investe contra nós

e escapar ileso.

Mathieu gere uma exploração de gado com a esposa, Caroline.

O que lhe dá muitas oportunidades para avaliar os adversários.

Procuramos a adrenalina que não há em nenhum outro desporto.

Brincamos com as nossas vidas.

E é isso que o torna belo.

Se o movimento não for perfeito, arriscamos a própria vida.

Portanto, ou saio vitorioso ou saio pela enfermaria.

Está tudo bem, pequena.

Perfeito.

A course landaise é uma tradição de longa data

no sul da Europa.

Aqui, os homens machões trabalham juntos para distrair a vaca,

enquanto um deles se posiciona.

Uma vez lá, é hora de jogar.

Tudo o que têm de fazer é manterem-se vivos.

Mesmo com os chifres acolchoados,

as vacas são capazes de mutilar e matar

os seus adversários humanos.

Para elevar ainda mais a fasquia, os homens vestem figurinos impecáveis.

Quem deixar o campo tão bem-vestido como quando chegou,

pode alegar ser um dos melhores entre os melhores.

Esta noite, o jogo é ainda mais difícil.

Estas vacas jovens são especialmente fortes,

rápidas e imprevisíveis.

Escapar ileso seria um milagre.

As vacas desta noite são muito jovens.

Portanto, entram na arena sem corda.

Quando entro na arena,

vou para dar o meu melhor.

Sei que é vencer ou morrer.

Com estes animais, não podemos cometer erros.

Se eu for colhido por uma vaca que investe a 50 km por hora,

o impacto pode ser fatal.

Mathieu Noguès!

Vamos à procura do perigo.

É aí que percebemos a importância da vida.

E também para nos aproximarmos da morte.

Mathieu tem de enfrentar a investida do animal

enquanto tiver coragem para tal, antes de saltar para o lado,

mantendo a menor distância possível entre ele e a vaca.

Quanto mais se aproximar da morte, mais impressionante.

O medo é humano.

Se não sentimos medo, então não é bom.

Admito que, por vezes, quando tomo consciência do perigo,

o medo pode dominar-me.

Para Mathieu, foi uma noite dolorosa, mas o espetáculo tem de continuar.

O porquê de ele arriscar a vida assim

é um mistério para a maioria das pessoas.

Durante séculos, este tipo de coragem ajudou-nos a sobreviver.

Mas hoje em dia, é mais provável enfrentarmos a morte

ou dores dilacerantes

para provar a nossa intrepidez ou estatuto dominante.

Os públicos adoram um jogador disposto a sofrer para poder ganhar.

Mas não são só os homens que entram no mundo da dor,

em busca de fama e fortuna.

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