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Anteriormente…
Olha quem é!
Ele está vivo!
Fala-lhe da tua linhagem nojenta e suja.
Sou filha do falecido Senhor Akechi Jinsai.
O senhor do meu pai era o governador do Japão antes do Taiko.
O meu pai matou-o por amor ao reino.
Afaste-se!
A brutalidade do seu marido não é culpa sua.
Não devíamos ser vistos juntos.
A partir de hoje, as palavras que partilharemos serão ditas por outrem.
Pai!
Pai. Veja…
Mãe!
Ainda bem que voltou em segurança, Senhora Ochiba.
Soube que o conselho foi manipulado.
O tempo da política chegou ao fim.
O conselho terá de responder perante mim.
CASTELO DE AZUCHI 22 ANOS ANTES
Esta é a Mariko.
Ela é a filha do Akechi Jinsai, o meu novo vassalo.
Fá-la sentir-se em casa.
Porque estão tão zangados um com o outro?
Akechi, espera…
Sê paciente.
Sei como te sentes…
Agora não é a hora.
Vai deitar-te, Mariko.
Estás apenas a sonhar.
Não percebo por que motivo ele está a fazer isto…
O teu casamento com o Buntaro será uma aliança
que agradará às duas famílias.
Isso é ridículo.
Sabes que o clã Toda é uma aliança inútil.
Mas o teu pai adora-te.
Então, porque me está a descartar?
Mariko.
Após tantos anos, ainda não te compreendo.
Temos todos os privilégios.
Optemos por ignorar o que não conseguimos controlar.
Mariko, a minha filha mais preciosa.
Magoa-me ver-te com tantas questões.
Sempre foste uma filha obediente,
mas agora peço-te que sirvas algo maior…
O teu dever é o que perdura.
Não há mais nada.
BASEADO NO ROMANCE DE
SHOGUN
CAPÍTULO SEIS: SENHORAS DO MUNDO DOS SALGUEIROS
Todos sofremos grandes perdas…
Poderão sentir-se incapazes de suportar o fardo.
Mas a morte é o fim de ter vivido.
É uma afirmação da própria vida.
Anjin.
Avança.
Durante o terramoto,
o anjin salvou-me a vida pela segunda vez.
Vou conceder-lhe
um feudo perto de Kanagawa, no valor de 600 koku.
Pela sua coragem,
ele decidiu conceder-lhe um feudo
que garantirá um salário anual de 600 koku.
Ele é agora o novo almirante de Kanto
e general responsável pelo nosso regimento de canhões.
Também o nomeou almirante
e general do regimento de canhões.
Todos aqueles que perderam a vida,
a sua morte não foi em vão.
Milhares de mortos.
Os relatos do norte são ainda piores.
Assim, nunca poderemos enfrentar o Ishido.
Então…
O anjin agora comanda o regimento de canhões?
É a decisão do Toranaga.
O exército era meu, mas agora já não o controlo.
Ainda assim…
Para um bárbaro…
Do que estás a falar?
As nossas forças estão arruinadas.
Um dia, seremos arrastados para esta guerra infrutífera,
e a tua preocupação é apenas um bárbaro?
Está na hora de escrever outro testamento.
Pai Nosso que estais nos Céus,
santificado seja o Vosso Nome.
Venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
E perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do Mal.
Pois o Vosso reino
é o poder e a glória, para todo o sempre.
- Ámen. - Ámen.
Senhor, pela forma como o constrangi,
estou verdadeiramente envergonhado.
Eu não.
Envergonhaste a tua família,
e a casa do meu hatamoto.
Já não lhe sou útil, meu senhor.
Fico fora de mim quando estou perto dela.
Então, separa-te dela.
Por favor, perdoe-me…
Agora não, após tantos anos.
Após a traição do pai dela,
pensei que ela estaria grata por lhe ter poupado a vida.
Mas ela sempre foi fria.
Pede-me a morte, uma e outra vez.
Todos estes anos, a frieza nunca desapareceu.
Mas…
Com ele, é diferente.
A Mariko faz apenas o que lhe peço.
O mesmo não posso dizer de ti.
Ordeno-te
que te isoles dela durante sete dias.
Anjin.
O anjin pediu para falar comigo.
Por favor, diga-lhe que lamento o que aconteceu ao exército.
Ele diz que lamenta pelo seu exército.
Contudo, tenho de perguntar
porque ontem me concedeu a dádiva do regimento de canhões.
As dádivas com que o abençoou…
Ele quer saber porquê.
Ele questiona a minha generosidade?
Ele pergunta se as recusa.
Não é uma questão de recusar.
Já lhe expliquei isto antes.
Não o posso servir da forma que ele deseja.
Por isso, desejo partir.
Ele não pode cumprir o serviço que lhe pede.
E diz que ainda deseja sair do Japão.
Que serviço prefere ele?
Ele pergunta que serviço gostaria antes de receber.
Se eu ficasse nos Japões,
voltaria a pedir formalmente a devolução do meu navio…
Ele pede a devolução do navio.
… para poder enfrentar os inimigos dele e os meus,
os portugueses.
Para ele poder enfrentar os portugueses.
Como almirante dele,
ainda há formas de perturbar os inimigos dele.
Por exemplo, podia atacar o Navio Negro português no mar,
afetando o comércio no porto controlado pelos rivais católicos no conselho.
Sei que se chamam Kiyama e Ohno.
Sufocando assim o fluxo da riqueza católica portuguesa e do seu poder
que acabará por ser desferida contra ele e o país dele.
Isto não interessa ao nosso senhor.
Desculpe, não vai traduzir?
O anjin deseja atacar o Navio Negro
para prejudicar o comércio nos portos controlados pelos regentes católicos.
Que causa teria eu para atacar uma nação amiga?
Ele diz que os portugueses são uma nação amiga
e nunca atacaria o navio deles.
Os portugueses não estão cá pelo bem do Japão nem do Toranaga- sama.
Estão cá para ganhar em nome do Deus deles.
Porque se agarra a isto?
Que discussão é esta?
Desculpe. Sei que uma intérprete deve interpretar apenas.
Visto que é minha intérprete e nada mais,
peço-lhe educadamente que lhe diga
que Portugal é apenas amigo dos lucros.
Ele crê que os portugueses estão aqui apenas para lucrar.
Não vou discutir mais isto.
É tudo por agora.
Tu ficas.
O que se passa entre ti e o anjin?
Nada.
Apenas palavras.
Não vou tolerar esta perturbação no meu clã.
Corremos perigo de sermos derrotados.
Compreendo.
Ninguém é mais importante que a causa.
O anjin não verá o seu pedido concedido.
Mas para o acalmar,
por favor, arranja-lhe uma noite num bordel.
Contrata a sua melhor cortesã.
Irei negociar pessoalmente.
E acompanha-o.
Como tradutora.
No caso de ele falar enquanto se deita.
O Ishido fez os regentes reféns.
Foram trancados no castelo, juntamente com as famílias.
Ele está a obrigá-los a votar contra o Toranaga.
Partimos agora.
Anda, por aqui.
Despacha-te, Shizu, sobe aqui.
Ela não vai conseguir.
Só te vamos atrasar.
Tens de ser tu a avisar o Toranaga.
Não.
Por favor, suplico-te.
- Despacha-te! - Lamento.
Recusado nos portões. Ainda é pior do que pensámos.
O que aconteceu, eminência?
O Castelo de Osaca foi trancado.
O Ishido afirma que há uma conspiração para matar o herdeiro.
E ele ordenou…
E ele ordenou que nenhum regente pode partir
sem elegerem o quinto membro e sentenciarem a morte do Toranaga.
Isto é obra dela.
Da Senhora Ochiba?
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