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Senhores passageiros, aqui é da cabine de comando
para informá-los que devido ao mal tempo em São Paulo
não poderemos pousar em Congonhas.
Estamos alternando nosso destino para Confins,
onde o tempo é claro, com a temperatura de 28°C.
Não, brother! Não, não tem condição. Eu não vou ficar aqui, irmão.
Eu comprei uma passagem pra São Paulo,
o que eu tô fazendo aqui em Belo Horizonte, brother?
É uma emergência, eu tenho que ir pra São Paulo.
- Como eu disse, senhor, só amanhã. - Não tem condições.
Todos os aeroportos em São Paulo estão fechados.
Nós já estamos providenciando um hotel pro senhor.
Que hotel, brother? Eu não posso ir pra um hotel, irmão.
Eu não quero ir pra um hotel. Você não tá entendendo, brother.
Infelizmente não há o que fazer, senhor.
- Qual que é? Aquele ônibus? - Sim, senhor.
- Valeu, obrigado. - De nada.
Dando sua vida aos mais necessitados...
Por que você tá fazendo isso, cara?
Boa.
- Boa noite. - Tudo bem?
Você me dá a senha da Wi-Fi?
Wi-Fi? Ah, não tenho aqui comigo agora, não tô aqui no momento,
mas tem um outro rapaz que ele trabalha aqui e ele entende.
- A senhora pode falar com ele amanhã. - Sei.
É que amanhã já não adianta pra mim, né? Porque eu já não estou mais aqui.
Se a senhora precisar mesmo usar um computador,
a senhora pode usar o que tem aqui do lado, na salinha da recepção.
- Lá tem rede? - Tem tudo lá. Funciona.
- Pode ficar à vontade. - Pode perguntar.
Desculpa. Dá licença. Será que o senhor podia me arrumar uma cerveja?
No meu frigobar não tem.
Não, essa hora o restaurante já fechou. O senhor desculpa.
Amigo, por favor, entende minha situação.
Acabei de saber que meu pai sofreu um acidente.
Tá na UTI, numa situação de risco.
Por favor, amigo. Quebra essa pra mim, uma cerveja.
Por favor.
Quer?
Quero não, obrigada.
É verdade aquele negócio do seu pai?
Ah, não, não. Tá tudo certo.
É chato beber sozinho.
Eu juro que eu não tenho sapinho.
E você?
Eu o quê?
Tem sapinho?
Meu nome é Bruno.
Amanda. Prazer.
O que foi?
Isso é horrível, eu sei. É a cantada mais velha do mundo.
Mas isso acontece comigo toda hora.
Você me conhece? A gente se conhece?
Cara, eu acho que não. Você é do Rio, né?
- Sou, e você? - Sou de São Paulo.
Acho que a gente não se conhece.
Estranho.
Muito louco nós dois aqui.
Fora de rota, no meio do nada.
Parece um momento suspenso. Nada acontece.
Ah, sei lá.
Mais um gole?
No meu frigobar tem.
Cerveja?
Algumas.
Amanda Paes, confere. Olha só, Amanda,
a van já tá esperando vocês pra levar pro aeroporto.
Ótimo. Tem um passageiro, o nome dele é Bruno.
Olha, tem dois Bruno, sabe o sobrenome?
- Não, não sei o sobrenome. - Tá.
É aquele ali? Ele é um Bruno.
- Não é ele, não. - Tá, o outro.
O outro não quis esperar. Quando amanheceu já foi pro aeroporto.
Já deve tá em São Paulo agora.
Ah, é?
Uhum.
Obrigada.
Air Bridge - Ponte Aérea -
Aqui, senhor.
- Senhor. - Oi.
Paciente?
Roberto Tavares.
Ele sofreu um acidente.
Obrigado.
Eu quero todo mundo na minha sala agora!
Agora é agora, Amanda.
Você também, bonitão.
OK, gente.
Vocês sabem que quando o chefe junta todo mundo numa sala
nunca é notícia boa.
Hoje nós estamos perdendo uma das melhores profissionais dessa agência.
Que nos acompanhou durante esses cinco anos,
mas foi um ciclo que se fechou.
Então, Amanda, você não é mais redatora da Magnética.
A partir de hoje,
você é diretora de criação da agência, ao lado do nosso querido Fernando.
Discurso! Discurso!
- Obrigada pela confiança, André. - Você mereceu.
Bom,
podem comemorar.
Ou morrer de inveja.
Ah, gente... Sei lá, eu não sei o que dizer, não.
Até parece que você não ensaiou esse discurso antes.
Tá, é...
Todo mundo
tá convidado pra uma festinha mais tarde lá em casa.
- Estagiários estão convidados também? - Claro!
Senão, quem é que vai pegar a cerveja pra gente?
- Parabéns. - Obrigada.
- Parabéns, Amanda. - Obrigada.
- Você merece. - Obrigada.
Amigo, quanto é a água?
Dois reais.
- Valeu. - Obrigado.
- Tchau, gente. - Tchau!
Oi!
- Oi. - Ué, o que você tá fazendo aqui?
- Tudo bom? - Tudo.
Eu estava passando aqui.
Tava passando?
Queria te ver, sei lá.
Tô meio de saída na verdade.
Vai ter uma festa lá em casa, uma comemoração agora.
- Mas se você quiser aparecer. - Amanda!
- Bora! - Tô indo.
É Praça da República, número 26.
Se puder, eu apareço.
Senhoras e senhores, Amanda Paes.
Cuidado com essa mulher.
- Terror da Magnética. - Uau.
Fica à vontade, tá?
Parabéns, Amanda.
Eu tô muito orgulhoso de você.
Tô bem feliz também, André.
Achava que você ia me ver eternamente como aquela garotinha
que bateu na tua porta pra pedir estágio, né?
Mas eu vejo ainda.
Só que eu resolvi te dar um chance de você me mostrar que eu tô errado.
Te prometo que você não vai se arrepender de ter me promovido.
Eu sei que não.
Talvez você que se arrependa de ter aceitado essa bucha.
Boa noite.
Três concorrências em um mês, hein, Amanda?
Tem noção do que isso significa? Três num mês.
- Nós arrebentamos. - Você arrebentou.
Eu não crio nada que preste há uns dois anos.
Agora, não conta isso pra ninguém, não, porque eu preciso desse emprego, tá?
Fernando,
não faz o humilde porque não combina com você, tá?
Você me conhece, né?
Pouquinho, né? Um pouquinho.
Só que intimidade é uma coisa que sempre pode ser aprimorada, né?
Ouve essa música, eu amo essa música.
Agora a mamãe vai na festa da tia Amanda, e depois eu não volto.
Dá meu beijo?
Olha, não escapa. Eu já volto.
Ela nunca tranca.
Ei.
- Maneiro, hein? - Ah, o Basquiat.
É, legal. O que você quer tomar? Vinho, pode ser?
- Tem cerveja? - Tem, tem cerveja. Já vou pegar.
- Não, pera aí, eu pego. - Não, relaxa. Eu pego pra você.
Ei, vem cá!
Esquizofrênico isso, né? Tem de tudo.
- Assim que é bom, né? - É. Aqui.
- Valeu. - Um brinde.
Alucinante esse seu "apê".
- É legal, né? - Não, alucinante! É incrível.
Mas o que eu mais gostei mesmo foram as revistinhas no banheiro.
Turma da Mônica, eu piro.
Você queria ser a Mônica ou a Magali?
Acho que eu queria ser a Tina.
Ah, não vale. Não existe isso.
É tipo eu dizer que eu queria ser o Quinzinho.
Não, eu queria ser a Tina mesmo. Ela estava na faculdade.
Eu sempre sonhei com o dia que eu ia entrar na faculdade.
Mas e aí? E você? Vem muito pra São Paulo?
Muito, muito. Já é a segunda vez.
Caramba! Você não cansa de ir e voltar?
Incrível isso, né? Os cariocas odeiam São Paulo.
- Não. Não. - Vocês odeiam São Paulo.
- E é uma cidade que tem o seu charme. - Eu não odeio São Paulo.
Eu não odeio São Paulo. Eu só acho que, na minha cabeça,
São Paulo é uma cidade meio cinzenta, meio solitária.
Você tá vendo solidão aqui?
É...
Acho que o problema é comigo mesmo.
E a outra vez que você veio, faz tempo?
Simba Safári.
- Não. - Meu pai me levou.
Olha só, não fala isso alto, porque não vai pegar bem pra você.
- Porque já mudou de nome esse lugar. - Ah, tá.
Mas eu nunca esqueci! Aquilo é alucinante, aqueles macacos, aqueles bichos na janela.
Sabe aquele...
Aquele papo que eu falei pro cara lá no hotel
do meu pai na UTI...
Ah, puta, é verdade aquilo?
Que merda!
Que baixo astral, você tá na sua festa. Desculpa,
- tem nada a ver falar disso. - Não, tem menor problema.
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