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JACARTA, INDONÉSIA 24 DE SETEMBRO, 2003
Peço desculpa pelo seu almoço.
Não é preciso.
Eu já estava a terminar.
Desculpe, senhor.
Cometi algum crime?
Não, claro que não.
Tem a pessoa certa?
Chama-se Ibu Ratna.
Professora de Micologia,
da Universidade da Indonésia.
Temos a pessoa certa.
Ibu Ratna, pode examinar o espécime preparado, por favor?
Poderá reparar...
Ela tirará as suas próprias conclusões.
São Ophiocordyceps.
Porque usou chlorazol para preparar a lâmina?
Porque é a preparação usada para amostras tiradas de um humano.
Os Cordyceps não sobrevivem em humanos.
Se não se sentir bem,
por favor, saia imediatamente.
No fundo da perna esquerda dela.
Isto é uma dentada humana?
Quando aconteceu isto?
Há aproximadamente 30 horas.
Onde?
Numa fábrica de farinha e grão do lado oeste da cidade.
Um substrato perfeito.
E depois?
Uma mulher normal, de repente, ficou violenta.
Atacou quatro colegas de trabalho, mordeu três deles.
Fecharam-na numa casa de banho, a polícia chegou...
...ela tentou atacá-los e eles dispararam contra ela.
O que aconteceu às pessoas que ela mordeu?
Foram levadas para observação.
Algumas horas mais tarde...
...tornou-se necessário de acordo com os procedimentos...
...executá-los.
Quem a mordeu?
Não sabemos.
Então, ainda andam por aí.
Há mais trabalhadores desaparecidos?
Catorze.
Ibu Ratna,
trouxemo-la aqui para nos ajudar a conter isto.
Precisamos de uma vacina
ou de um medicamento.
Eu passei a minha vida a estudar estas coisas.
Portanto, por favor, ouça atentamente.
Não há nenhum medicamento.
Não há nenhuma vacina.
Então, o que fazemos?
Bombardeie.
Comece a bombardear.
Bombardeie esta cidade...
...e todos nela.
Desculpe.
Alguém pode levar-me a casa?
Gostaria de estar com a minha família.
Bom dia.
Pareço-vos infetada?
Mostra-nos o teu braço.
Não está a piorar, pois não?
Se estamos na cidade, porque não estamos rodeados de Infetados?
- Não te preocupes com isso. - Vou preocupar-me.
O que fazia a Marlene com uma miúda infetada?
Não estou infetada.
Ela encontrou-me depois de ser mordida.
- E não te deu um tiro? - Como é óbvio, não.
Prendeu-me e pôs o pessoal dela a testar-me todos os dias
para ver se ficava doente.
Testar-te como?
Tenho de fazer xixi.
Testar-te... como?
Faziam-me contar até dez e esticar o braço
e mantê-lo direito.
Mas, o que os impressionou mesmo
foi o facto de não me transformar na porra de um monstro.
Agora já posso ir, por favor?
Está bem.
Procura um sítio ali atrás.
E toma.
Arranca umas folhas.
Não há nada mau aqui?
- Só tu. - Que piada.
Está partido.
Talvez uma pequena fratura.
Vai sarar depressa.
- Ela aguentou a noite toda. - Não importa.
Vai acontecer mais tarde ou mais cedo.
Entendes? Ainda estamos perto da barreira. Voltamos a pô-la na ZQ
e arranjamos outra forma de conseguir a bateria.
Esta é a nossa melhor oportunidade.
Se a levarmos de volta para a ZQ, alguém irá reparar no braço dela
e vão analisá-la.
- E depois matam-na. - Antes eles do que nós.
Tens de parar de falar da miúda
como se tivesse uma vida pela frente.
Tens fome?
Podemos partilhar a nossa comida.
Obrigada. A Marlene mandou comida para mim.
Isso é frango?
Sim.
A Marlene disse que foram os contrabandistas.
Não devem ter sido vocês.
- Ouve... - Porque...
Porque és tão importante para a Marlene?
E não me mintas.
Ou levamos-te de volta.
Se me levarem de volta, não arranjam a bateria.
Ouviste isso?
Então, também deves ter ouvido que ele te quer dar um tiro.
Vou falar contigo como se fosses adulta.
Está bem?
Eu e o Joel não somos boas pessoas.
Fazemos isto por nós.
Porque, aparentemente, vales qualquer coisa.
Mas não sabemos o que vales se não soubermos o que temos.
Portanto, responde à minha pergunta.
Ela disse para não dizer a ninguém
e agora vou dizer à primeira pessoa que...
Há um acampamento base dos Pirilampos algures para oeste.
Com médicos. Estão a tentar arranjar uma cura.
Eu já ouvi isto.
E o que quer que me tenha acontecido
- é a chave para... - Para descobrir a vacina.
É disto que se trata?
Já ouvimos isto milhões de vezes.
Vacinas, curas milagrosas. Nada funciona. Nunca.
Vai-te foder! Não pedi nada disto.
Eu também não.
Isto não vai acabar bem, Tess.
Temos de voltar.
Vamos terminar isto.
Não importa se ela é ou não o que os Pirilampos dizem.
Se acreditam que ela é,
então... conseguimos o que queremos.
Se ela se contorcer...
Não faças isso.
Pronto. Está bem.
Está bem?
Está bem.
Posso ter uma arma?
- Nem pensar. - Não.
Pronto, valha-me Deus! Está bem.
Terei de lhes atirar a porra de uma sanduíche.
Está livre.
Pois.
É diferente de dia, não é?
Devíamos continuar.
Parece uma Lua toda marada.
Foi aqui que bombardearam?
Sim.
Atingiram a maioria das grandes cidades assim.
Tinha de abrandar a propagação.
Funcionou aqui, mas não na maioria dos sítios.
O Capitólio é do outro lado.
É uma caminhada de dez minutos se formos a direito.
- Então... - O caminho longo ou o curto?
É o caminho longo ou o caminho "vamos morrer".
Eu voto pelo caminho longo.
Com base nessa informação limitada.
Primeiro, temos de ver do hotel.
Está bem.
Onde raio é que eles estão?
Saberás quando estiverem próximos.
Da última vez não soube.
Como foste mordida?
Conhecem o antigo centro comercial na ZQ?
Aquele que está fechado com tábuas e onde ninguém deve entrar, nunca?
É esse?
Não importa. Entrei lá à socapa.
Queria ver como era.
Não pensei que lá estivesse alguma coisa.
E depois, um atacou-me vindo do nada.
Pensava que me tinha safado, mas...
Então, só estavas tu? Sozinha?
Sim.
Que idade tens?
Catorze.
Tens tomates, maninha.
Obrigada.
Não vem ninguém atrás de ti, certo?
Como uma mãe, pai, namorado?
Sou órfã
e, não.
Todos disseram que a cidade era uma loucura.
Tipo, montes de Infetados por todo o lado.
Não é bem assim.
As pessoas gostam de contar histórias.
Então, não há Superinfetados que rebentam esporos de fungo em cima de nós?
Merda, espero que não!
Ou uns com a cabeça aberta que veem no escuro como morcegos?
O que foi aquilo?
Vamos continuar a andar.
Só podem estar a gozar.
Alguma vez ficaram num sítio destes?
Não era para a nossa carteira.
Como sabes sequer o que isto é?
Já ouviste falar em livros?
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