The first 200 lines.
ANTERIORMENTE EM
Olá.
Sou a Macy. São a Pippa e a Bree da porta em frente.
- Olá. - Sou a Lucy.
- Fico feliz por sermos colegas de quarto. - Também eu.
Pareces muito desconfortável com esse vestido.
- Quem és tu? - Stephen DeMarco.
O Stephen estava mesmo interessado em ti.
Queres sair?
Há uma festa. Posso ser a condutora designada aborrecida.
Acho que não vou sair esta noite.
O que se passa?
Não souberam o que se passou? A Macy sofreu um acidente ontem.
Podes ficar comigo? Eu não quero estar aqui sozinha.
Já estiveste com alguém desde que acabámos?
Não, nem quis.
CHAMADA DE WRIGLEY
Vá lá. O que foi?
Meu, podes vir aqui agora?
O Drew está-se a passar. Tem a ver com a miúda que morreu.
SETEMBRO, 2007
Conta-me o que aconteceu.
Acho que fiz merda a sério.
É na boa. É o Stephen.
Podes dizer o que quiseres.
Naquela noite, quando...
... a Macy morreu.
Eu estava numa festa e precisavam que alguém fosse comprar cerveja.
E eu era o único com identificação.
Ele usa a minha antiga.
Mas, quando eu estava a voltar, apareceu um carro do nada.
Eu desviei-me no último minuto e o outro carro também...
O carro bateu contra uma árvore.
E eu devia ter parado, mas...
... eu fui-me embora.
Devia ter chamado alguém.
Mas eu estava em pânico. Eu não sabia que era a Macy.
Não sabia que era ela.
Só descobri no dia seguinte, quando a encontraram.
Não soube o que fazer quando ele me contou
e sabes que não sou bom com estas merdas sérias.
Certo, está bem.
E não contaste a mais ninguém.
- Não. - Não?
Havia mais alguém na estrada,
alguém que te possa ter visto?
Não?
E disseste que te desviaste?
Tocaste no carro dela? De todo?
- Não? - Não.
Se ele não bateu nela, não foi atropelamento e fuga, certo?
Não funciona assim. Não podes deixar o local do acidente.
Eu devia ter pedido ajuda.
Podiam ter chamado uma ambulância.
Sim, mas estavas em choque.
- Estavas em choque, certo? - Não, eu estava...
Eu bebi um pouco na festa,
e com a identificação... Não quis chamar a polícia.
Certo.
Se calhar, é melhor eu dizer algo.
Não.
Não. Pensam todos que foi só um acidente.
E foi um acidente.
Eu sei. Mas ninguém sabe o que me contaste para além de nós.
Não vais trazer a Macy de volta.
Não é?
Arruinar a tua vida não vai desfazer isto.
És humano, entraste em pânico.
Isto tudo pode desaparecer.
Mas tens de o querer.
Tens de falar comigo e com o Wrigley primeiro.
Isto não pode sair daqui, Drew.
- Tem de ficar entre nós. - Sim.
Vai ficar tudo bem.
MENTE-ME
"SANGUE QUENTE"
Há muitas formas de navegar pelas portas do luto.
Este círculo está aqui para nos ensinar como os outros estão,
para dar contexto à nossa própria experiência.
Lucy, eras quem conhecia melhor a Macy. Queres ser a primeira?
Eu não a conhecia assim tão bem.
Diz aqui que a perda pode ser sentida mesmo quando não conheces bem alguém.
Eu acho que a morte é uma experiência pessoal.
Pode passar à próxima pessoa.
- Tenho quase a certeza de que... - Por favor, passe à próxima pessoa.
Lucy, podemos falar?
Eu tenho aula, por isso tenho de...
Só te queria dar um aviso.
O diretor vai levar os pais da Macy ao vosso quarto mais tarde
para tirarem as coisas dela.
Certo, obrigada. Quando, exatamente?
Para eu não estar lá.
Acho que o Sr. e a Sr.a Campbell gostariam de falar
com alguém que conhecia a Macy aqui.
Há de significar muito para eles.
Sim, claro.
OBRIGADA POR ONTEM. JANTAR PARECE-ME BEM.
:)
Falaste com o Wrigley estes dias?
Sim, porquê?
Não sei. Sinto que anda muito estranho.
Anda a fumar menos erva que o normal. Deve ser por causa do futebol.
No que estás a pensar?
Era suposto ir jantar com aquela caloira, a Lucy.
Jantar?
- Estás mesmo interessado nela. - Estou solteiríssimo.
Pois, até a Diana te aceitar de volta.
Como se não o andasses a implorar.
Eu não imploro. Eu persuado.
- Só tens garganta. - Não.
Tens, sim.
Nem imagino o que a Diana vai fazer
àquela miúda quando descobrir.
Vai ser brutal.
Não quero ver isso.
Por acaso, gostava muito de ver isso.
Vou ter aula com a Diana agora.
Ao menos tenta limpar a piça entre as miúdas.
Como se não tivesses um historial
antes de ficares preso na vagina da Allie.
- Não fales da vagina da Allie. - Está bem.
- Obrigado. - Desculpa.
A vagina imaculada da Allie.
És mesmo rude, sabias?
É linda. É só muito inexplorada.
É como a Antártida.
É deserta. É muito fria.
Com cada projeto que entregam, fazemos uma discussão
para falar dos trabalhos de todos e dar opiniões.
Aviso-vos que vai ser infernal. Se não estiverem prontos
para arder no inferno, não venham.
Para o 1.o trabalho, podemos escrever sobre
a aluna que morreu na semana passada?
Isto é uma aula de escrita de ficção. Isso não é ficção, por isso, não.
Muito bem. Vamos lá começar.
CHAMADA DE MÃE
Eu mando-te mensagem.
Estás bonita.
- Guardei-te um lugar. - Ai sim?
Bom dia a todos.
Alguém tem opiniões sobre a leitura
que queira partilhar?
Vamos colocar as coisas assim. Amanhã, governam um país.
Usam poder duro ou poder brando na vossa política externa?
Força.
Se olhar para o espetro de poder duro e brando,
o fator crítico aparenta ser o tempo.
Gerar poder duro é rápido porque os recursos são concretos.
Se eu olhar para a história, foi construída por exércitos.
Nada como uma arma apontada à cabeça para garantir um resultado.
É quase isso.
Continua.
Ela tem razão, poder brando demora mais a ser desenvolvido,
mas é muito mais eficaz.
Diplomacia coerciva é irrelevante se tudo é conseguido à força.
Poder brando é tudo, na verdade.
Posso prová-lo.
Como?
Doze alunos levantaram a mão, mas escolheu a rapariga mais gira da sala.
Certo.
Vamos abrir Chavez na página 145.
Olá.
Olá. Obrigada.
- Ora essa! - Obrigada por vires.
Acho que devíamos revistar o quarto.
- Do que estás a falar? - Antes que os pais da Macy cheguem.
Se morresses, gostavas que os teus pais vissem as tuas merdas incriminatórias?
Nunca pensei muito sobre isso.
A sério? Estou sempre a pensar nisso. Vá lá, antes que eles cheguem.
Fazemos isso por ela.
Raios, Macy!
Sim, porra!
Olha.
Porra! Pois.
- Já procurei aí. - Certo.
O que mais?
Não sei. Merda!
Lucy.
- Olá. - Os pais da Macy chegaram.
Certo.
Estejam à vontade.
- Adeus. Desculpa. - Digam se precisarem de ajuda.
Lamento imenso pela vossa perda.
Posso ajudar-vos a arrumar alguma coisa?
Obrigada. A gente trata disto.
A Macy era mesmo boa pessoa. Eu gostava muito dela.
Diana? Desculpa.
Fiz-te um grande elogio à frente de todos.
Não sei porque é que estás chateada. Vá lá.
Eu e tu estamos muito à frente do resto daquela turma.
E? Onde queres chegar?
Precisas de mim. Para tornar as coisas interessantes.
Quero que leves isto a sério.
Sabes o que diriam os meus amigos se soubessem que voltei a falar contigo?
Sim, desculpa. Eu estou a levar isto a sério.
Mas é difícil para mim estar ali.
Do que estás a falar?
Não consigo concentrar-me na aula contigo lá.
Estou-me a passar.
Fico a pensar em todas as coisas que quero fazer contigo.
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