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UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX
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Viruca.
- Que caralho fazes aqui? - Abre, temos de falar.
Que caralho fazes aqui?
- Viruca… - Porque usas a minha chave?
Esta é a minha casa.
Estou preocupado.
Não me atendes, não respondes às mensagens, Viruca.
Mauro, por favor. Não, está bem?
- Não me toques! - Viruca…
- Não me pressiones. - O que aconteceu?
Estou quase a desistir desta merda. Sai.
- Abre. - Sai daqui.
Viruca, por favor.
Deixa-me! Não temos nada para falar, idiota!
Viruca!
Vai-te embora!
Sai ou chamo a Guarda Civil! Vai!
Viruca.
Viruca.
Germán!
Cheguei.
Trouxe uma vela de canela que ela adora.
E olha para esta linda planta.
O que se passa?
Já acabou tudo.
A tua mãe faleceu há pouco.
O quê?
Malditas gaivotas.
Merda.
Pesadelos?
O costume.
O que fazeis?
A ver o que levaremos para Novariz.
Que edição da Nuvem Variável vais levar?
Tens três.
Podes ao menos fingir a vontade de ir?
Nem são nove ainda.
Bom dia.
Nanook!
Querida, queres falar do teu pesadelo?
Tens a certeza?
Quando deixarei de sonhar com ela?
Raquel, esta mudança vai fazer-nos bem. É uma oportunidade incrível.
Sim.
Toma. Levas estas para a casa da minha mãe?
Claro.
- Vou ter saudades. - Querida…
Não sejas dramática. São duas horas de viagem.
Duas horas. Está bem?
Os miúdos vão adorar-te.
Vais esquecer-me.
- Não, nunca. - Não?
- Vamos. - Está bem, vá lá.
- Vem visitar-nos. - Sim.
Boa viagem.
Não.
- Raios. - O que se passa?
Deixei os cartões na Corunha.
Que cartões?
Os que uso para praticar. Vê na caixa, por favor.
- Quela… - Senão, temos de voltar.
Não é a primeira vez. É sempre assim e depois fica tudo bem.
- Não. - Vou ver.
Não, Germán. Há muito que não lido com uma turma.
Foi uma pausa longa e tenho de o fazer bem.
Sabes como são os adolescentes. Detetam as tuas fraquezas e é o teu fim.
- Tão dramática. - Não, eles…
Eles sentem o medo.
Como cães pisteiros de drogas no aeroporto.
Encontraste-os?
- São azuis? - Sim. Não.
Não os leias, vais rir-te de mim.
Está bem.
Estás tão gira.
Desta vez, vou sentir-me uma verdadeira professora.
Achas que vou fazer amigos?
Das últimas vezes não tive tempo de conhecer ninguém.
Vais conseguir.
Achas que consigo?
Talvez não esteja pronta para voltar ao trabalho.
Querida...
LICEU DE NOVARIZ
Olá.
O que é isto, professora?
- Um teste. - De quê? Está em branco.
Espera. Iago.
- Anda cá. - Eu?
Sim, tu.
Escreve.
"Morrer É uma arte…
… como tudo o resto, faço-o excecionalmente bem."
- Qual é o problema dela? - Não sei, está cada vez mais estranha.
"Tão bem que parece um inferno.
Tão bem que parece real."
Está ilegível, Iago!
Por favor.
Não tem piada nenhuma.
Se não gostas do poema, escreve isso no teste.
Escreve.
"Suponho que deveria falar de vocação."
"Suponho" o quê?
Eu faço-o. Sai.
O teu namorado parece chateado.
- Ele não te contou? - O quê?
Não estamos juntos.
O quê? A sério?
Podes sentar-te, obrigada.
Turma, têm meia hora para responderem livremente.
Por favor, pensem antes de escrever.
Qual é a intenção da Sylvia Plath nestes versos?
É um pedido de ajuda?
- Devíamos pedir ajuda. - Há algum problema, Roi?
Não.
- Nada. - Ela está a anunciar a sua morte?
- Posso fazer uma pergunta? - Não.
Por favor.
Viruca.
O que é?
Porque és tão cruel?
Eu?
Isto é sobre o bilhete que te deixei. Mas não foi a sério.
Não sei do que falas.
Ao trabalho. Vais ficar sem tempo.
- Olá! - Olá.
- Precisas de ajuda? - Não.
Como foi a viagem?
Olá, filho.
Cansativa, mas boa.
Vê-se que não a fizeste duas vezes por mês.
Deixaste-a conduzir? Ainda bem que o teu pai não está aqui para ver.
Ele nunca me deixou tirar a carta.
Então, ainda bem que os tempos mudaram, certo?
Não tenho a certeza.
Ele dizia que já bastava trabalhar o dia todo no restaurante.
O quê?
Foda-se.
Concha, viste quem fez aquilo ao meu carro?
Tenho os pneus cortados.
E escreveram um adjetivo de lado.
Viste alguma coisa, Mijaíl?
Tento não olhar para ali. Traz más recordações.
Como estudante só me deu desgostos.
Também não me traz muita alegria agora.
Dá-me algo forte, por favor. Acho que não vou conduzir.
Bolo de chocolate ou licor de café?
Gin.
- Simples. - Que monstro.
Tu és um animal.
Aquele.
Concha. Obrigada.
Dinheiro não é suficiente para aturar aqueles miúdos.
Serão o meu fim, Concha.
Nem pensar, querida. És forte.
Certo, mas…
É demasiado. Um dia, vou embora de vez.
Sabes o que é melhor do que álcool?
Alguém que te ouça.
Não uma velha como eu. Um colega ou um amigo.
Não tens nenhum?
Que pena.
Um problema partilhado é um problema pela metade.
Vais encontrar alguém com quem falar, vais ver.
- Está na hora da sobremesa. - A sério?
- Não, Demetrio, estou cheia. - Não me farás essa desfeita.
Muito bem, só um pedacinho.
Assim está melhor.
Pronto.
- O que foi? - Obrigada.
Tem problemas de próstata? Foi à casa de banho três vezes.
Se ele não for ativo na cama, tenho estes comprimidos incríveis.
Não sejas parvo.
- Obrigada. - Toma.
E então? Estás entusiasmada?
Tiveste sorte em vir para aqui.
Sim.
É o mais bonito da Galiza.
Isso é um exagero, mãe.
Não é?
Conheces um melhor?
É difícil acreditar que seja uma escola pública.
Vamos celebrar com espumante o facto de estarmos todos juntos?
Não estamos todos.
Não há muito para celebrar.
Mãe, alguma vez terás de seguir em frente.
Enterrámos o teu pai há apenas três meses.
Não há pressa.
Nem tanta alegria.
Certo, Raquel?
Quanto tempo demoraste da tua mãe?
Bem…
… muito tempo.
- Bom, vou para a cama. - Estás cansada?
Quero descansar para a escola amanhã.
- Estava delicioso. - Obrigado.
Boa noite.
Espero-te lá em cima.
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