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Aonde vai?
Quero falar com o gerente.
-Você agendou? -Não.
Sinto muito, não posso deixá-la passar.
Sou Biljana Stojkovic.
A esposa de Nikola Stojkovic.
Tenho uma garrafa de gasolina na minha mão.
Se não pagarem o salário pendente do meu marido
e a indenização que devem a ele por dois anos de trabalho...
vou tacar fogo em mim mesma e nos meus filhos.
Meus filhos estão com fome.
Estamos com fome.
Não temos como viver.
É sério!
Vou tacar fogo em mim mesma e nos meus filhos.
Apague isso! Vamos!
Pronto!
PAI
Nikola! Deixe-me te dar uma carona!
Sua esposa foi levada ao hospital.
As crianças estão bem, não se feriram. Mas estão em estado de choque.
Você sabia o que ela estava planejando fazer?
Não.
De alguma forma a encorajou a fazer isso?
Não.
Viu algo estranho no comportamento dela ultimamente?
Assine aqui.
Obrigado.
Ela teve sorte, podia ter sido muito pior.
Após cuidarmos de seus ferimentos, vamos transferi-la à ala psiquiátrica.
-E as crianças? -As crianças não se feriram.
Foram levadas por um funcionário do Serviço Social.
-Posso ver minha esposa? -Não.
Para ser mais claro, ela teve um colapso nervoso.
Não reconhece ninguém, não se comunica.
Ela está sedada agora, dormindo.
Não conseguimos achá-lo, as crianças estão temporariamente num orfanato.
As crianças nos disseram que você trabalhava, mas não sabiam onde.
Então elas vão ficar lá alguns dias,
até se recuperarem deste trauma e até
estabelecermos
se você tem condições adequadas de ser o guardião dos seus filhos.
As pessoas nos disseram que a casa de vocês não foi emassada
e as condições são extremamente precárias. Você tem água corrente?
-No jardim. -Eletricidade?
Eles cortaram, há 2 meses.
Viu, isso é, bem...
Olha, eu quero te ajudar.
Mas tudo isso indica que as crianças vivem na pobreza,
numa casa que não é funcional.
Pegue um copo de água para ele, por favor.
Eis o que vamos fazer.
Na quarta, nossos funcionários irão visitar
e avaliar oficialmente as condições em que as crianças vivem
e então vamos decidir, na próxima etapa,
sobre o que é melhor e mais aceitável para as crianças.
É depois de amanhã, certo?
Quarta é depois de amanhã.
Então você tenta manter a casa um pouco em ordem.
Ligue a eletricidade, pegue a água corrente.
Conserte, limpe um pouco, principalmente o quarto das crianças.
E arrume o banheiro... Você tem geladeira?
Se não, consiga uma.
Geladeira é importante, principalmente no verão.
Se avaliarmos
que a casa é adequada para as crianças viverem,
elas serão devolvidas a você num certo período de tempo,
de acordo com a lei e o melhor interesse das crianças.
Notou se há algo que mostre
intenções suicidas na sua esposa?
-Não. -Mudanças de humor, depressão?
Bem...
Temos uma vida difícil, perdi meu emprego há dois anos.
Não recebi meus salários pendentes
ou a indenização que me prometeram.
Obrigado.
Por que não levou sua esposa para ver um médico
quando percebeu que ela estava deprimida?
Trabalhei o dia todo. Para alimentar minha família.
Posso ver meus filhos?
Eles passaram por um grande estresse.
Vai levar um tempo para se acalmarem.
Você não poderá vê-los enquanto isso.
Posso falar com eles pelo telefone?
Não. Estamos preocupados que qualquer contato possa perturbá-los ainda mais.
Saiba que estamos fazendo tudo isso pelo melhor interesse de seus filhos.
Vizinho!
Entre.
Posso pedir uma coisa?
Diga.
Queria me conectar à sua fonte de energia.
O Serviço Social virá por causa das crianças.
Após irem embora chamarei alguém para me conectar ao poste de luz.
Você pode se conectar ali.
Há um balcão separado, fiz isso na casa antiga, então...
Você paga só o que gasta.
Se não tem dinheiro, trabalhe para mim.
Pique um pouco de madeira, ajude em casa.
Certo. Obrigado.
Sem boiler?
Aquecemos a água no fogão.
Você precisa de um boiler.
Você nem tem aquecedor no banheiro.
Não fui informado sobre o boiler.
Esses são todos os brinquedos deles?
Sim.
Onde estão suas roupas?
Aqui.
Eles têm tudo o que precisam.
Crianças deveriam ter também um computador.
Estamos no século 21.
Não pintou este quarto?
Fiquei sem tinta.
Está tudo em ordem?
Fiz tudo que pediram.
Não podemos dizer ainda. Devemos escrever o relatório primeiro.
Vá ao centro amanhã às 13h.
Entre.
Então...
A casa está mais funcional agora, é verdade,
você tem água e eletricidade,
mas ainda não é garantia suficiente para nós
de que você é capaz de cuidar dos seus filhos.
Fiz tudo que vocês me pediram.
A única garantia seria você ter um emprego em tempo integral.
Ser diarista não nos garante que você está financeiramente apto
para fornecer condições mínimas para uma educação adequada.
No verão, tudo bem, muito trabalho no campo ou na construção.
Mas no inverno é diferente.
É impossível conseguir trabalho integral hoje em dia.
Certo. Sei que é difícil.
É difícil, mas...
há outra circunstância agravante.
Temos seus registros médicos e diz aqui
que sua esposa e você não levaram sua filha a tempo na vacinação.
Isso é uma contravenção grave.
Os pais adotivos dizem que seu filho, Milos, gagueja.
Você devia tê-lo levado a um fonoaudiólogo.
Ele não gaguejava antes.
Eu estava disposto a ajudá-lo e não ficar no seu pé.
Mas não podemos, temos que fazer tudo de acordo com a lei
e no melhor interesse de seus filhos.
Que interesse?
Nossa avaliação final é que você não é capaz de cuidar das crianças
e, financeiramente,
não pode fornecer condições elementares para que elas cresçam normalmente,
e também falhou em demonstrar o cuidado suficiente como pai.
Adicionando a isso o trauma
que as crianças sofreram com a mãe,
achamos e instruímos que é no melhor interesse das crianças
que elas permaneçam num orfanato por tempo indeterminado.
Nesse caso, o Serviço Social
está tomando medidas de urgência na proteção de menores
e age de acordo com os artigos 12, 332, 334, 335 e 339.
O procedimento foi realizado de acordo com o artigo 282
da Lei Geral de Procedimento Administrativo.
Ainda está aqui?
Precisa de algo?
Onde consigo um emprego, você me diz.
Eu não sei.
Não vou embora até me trazer meus filhos de volta.
Fiz tudo que me pediram.
Não posso te ajudar.
A comissão decidiu assim.
Você tem direito a um recurso,
envie-o dentro de 7 dias e é isso.
O horário de expediente acabou.
Volte amanhã e o ajudo a esboçar um.
Não, vou ficar aqui e fazer greve de fome
até ter meus filhos de volta. Tenho direito a isso.
Por que está tornando isso mais difícil para você?
Chefe...
Por que está fazendo esse circo?
Quero meus filhos de volta. Você prometeu.
-Nunca prometi nada. -Você disse que era temporário.
Olha, esse tipo de pressão não funciona aqui. Entende?
Não caímos nisso.
O melhor seria você sair agora e esqueceremos isso.
Vou chamar a polícia!
Direi que está sendo agressivo e obstruindo o Serviço Social.
Não estou obstruindo nada, só estou sentado aqui.
Entendo que esteja estressado.
Estou falando isso para o seu próprio bem.
Se a polícia vier e fizer um relatório,
as chances de conseguir seus filhos de volta serão mínimas.
E eu posso avaliá-lo também, e aí?
Posso declará-lo inaceitável, como sua esposa.
Passando fome, greve, sendo suicida.
Não force a barra.
Você não tem o direito de fazer isso.
Fazemos, por lei, pode apostar,
porque estamos no comando, e não você.
Se eu te ver aqui amanhã, terá problemas, estou dizendo.
Pegue minha bolsa, por favor.
Aqui, chefe.
-Tchau. -Tchau.
Aqui, coma algo.
Não.
Devo trancar agora. Você vai ficar?
Coma. Greve de fome não adianta.
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