The first 175 lines.
Alô.
Alô?
Otávio, é você?
Otávio, é você?
Fala comigo.
Onde é que você está?
Onde é que você foi, Otávio?
Alô?
Alô.
Otávio, é você, né?
Por que você não fala comigo, Otávio?
Você liga e não fala nada.
Por que você foi embora daquele jeito?
Foi alguma coisa que eu fiz?
É outra mulher, né?
Desculpa, tá? Eu não quero brigar mais.
Não quero brigar.
Só volta pra casa.
Por favor... volta pra cá.
Alô?
Não acredito. É você de novo?
Você não tem nada melhor pra fazer?
Por que você não fala comigo?
Fala comigo, Otávio.
Que número é esse que está me ligando?
Escuta... a pia do banheiro está com problema.
Está pingando desde ontem.
Tem que consertar e ainda não consegui.
À noite fica pingando na minha cabeça, um barulho...
Essa carne está um pouquinho apimentada?
Eu não estou comendo carne.
Mãe... hoje à tarde eu estava com uma dor estranha bem aqui.
Tava? Não tá mais?
Agora deu uma melhorada.
Então deviam ser gases.
Acho que é apendicite.
-Você está enjoada? -Não.
A barriga tá dura aqui nesse ponto?
-Não. -Então não é nada, Mari.
Você viu a Regina Gonçalves hoje?
Não.
Ué... Ficou de me convidar pra escrever um capítulo no livro dela.
Falei com ela na semana passada.
Acho que ela me falou alguma coisa a esse respeito.
Sente aqui, mãe, pra ter certeza. Agora não sei se tá duro ou não.
Ai, para com essa hipocondria, minha filha.
Se amanhã estiver doendo, a gente vê, tá?
Senta.
Você pagou a natação hoje?
Diogo, seu celular está tocando.
Deixa. Não adianta.
Entra.
Oi, mãe.
Oi.
Preciso do dinheiro da inscrição do vestibular.
A UFRJ é daqui a dois dias.
Eu te faço um cheque daqui a pouco, tá?
É que eu queria ir agora à tarde.
A inscrição no banco fecha às 4h.
Diogo... Meu filho, levanta do divã!
Entra.
Diogo, você pegou meu livro de matemática?
Não. Por que que eu ia pegar o seu livro de matemática?
Sei lá, ele sumiu.
Estou com uma dor estranha bem aqui. Acho que é apendicite.
Senta aqui.
-Dói quando eu aperto? -Mais ou menos. O mesmo que antes.
É, não tá duro. Deixa eu ver se está com febre.
Não, também não.
Mari, acho que não é apendicite.
Deixa eu ver a cicatriz?
Claro.
Você teve febre?
Doía muito.
Eu quase não conseguia andar reto.
Eu lembro.
Você não quer pegar o termômetro pra gente conferir?
-Quero. -Tá bom, vou esperar.
Arrumei a casa ontem. Tava uma bagunça, sabia?
Mas agora está arrumadinha. Você já pode vir.
Sabe o que achei quando estava arrumando a casa?
Umas fotos da gente em Ilha Grande. Lembra?
Tem o quê, uns dez anos isso?
Não, 15, né? Tem uns 15 anos.
A gente acampou naquela praia deserta, lembra?
Aí eu inventei de mergulhar pelada e você teve que ficar do lado de fora
vigiando pra ninguém aparecer.
Estou fazendo o frango que você gosta.
Sabe? Aquele com alecrim, batata, bastante alho.
Fui na feira hoje de manhã e achei esse frango lindo.
Aí deu vontade de fazer.
Eu quase fiz uma besteira, sabia?
Quando achei que você não fosse voltar mais.
Mas agora passou. Você está voltando, né?
Escuta... Eu resolvi que vou te perdoar.
Estou fazendo jantar pra gente.
Vem pra cá. 10h30. Você vem e aí a gente conversa.
Tá bom?
Estou te esperando.
O que você está fazendo?
Comendo.
No escuro?
Quem fez esse frango?
Fui eu.
Está bom, isso aí?
Se quiser, tem bastante.
Não esquece de lavar a louça, tá?
Boa noite.
Apago a luz?
Te esperei ontem a noite inteira.
Estou muito cansada.
Não sei mais o que pensar.
Só queria te dizer isso.
Esperei você ligar pra me despedir.
O que você quer, rapaz? Ei. Ei, garoto!
Ângela!
Quem é você, garoto?
Ângela!
A senhora vai precisar ficar em observação.
Mas deve ter alta hoje ainda.
A senhora tem alguém que a gente possa ligar pra vir te buscar?
Não podemos ligar pro senhor Diogo?
-Quem? -É Diogo Levinson da Cunha.
Não... foi ele que trouxe a senhora aqui?
Não sei. Eu não lembro.
Como é o nome mesmo?
É Diogo Levinson da Cunha.
A senhora não conhece?
Não.
Só o sobrenome.
Você está quieta hoje.
É...
Que que foi isso na sua mão?
Nada. Eu cortei na cozinha.
Você está bem, Ângela?
Estou.
Estou, sim.
-Até às 6h. -Tchau.
-Obrigada. -A porta está aberta, tá?
Tá bom. Tchau.
-Dona Ângela, quer ajuda aí? -Não precisa, não.
-Tudo bom, Sr. Geraldo? -Tudo.
O senhor sabe de alguém que está precisando de roupa?
Estou com essas roupas para dar.
Não. Quer dizer, assim de repente, né...
-Sempre tem alguém que quer. -Dá uma olhada, o senhor também.
Tem muita coisa boa. Aqui embaixo é tudo roupa.
Aqui em cima é livro, tem uns livros bacanas.
-Aí o senhor dá uma olhada. -Tá. Pode deixar.
-Mas tem muita coisa aí, dona Ângela. -É.
-Não vai fazer falta... -Não vai fazer falta nenhuma.
Pode ficar com tudo, tá? Até a mala. Essa mala aqui.
-Essa mala aqui de baixo é ótima. -A mala também?
É. Aí o que o senhor não quiser o senhor deixa aí pro Zé.
-Tá. -Vê se ele quer alguma coisa.
-Tá bom. -Tá bom?
-Obrigada. Boa noite, Sr. Geraldo. -Boa noite.
-Alô. -Eu vou contar pra sua mãe.
-Eu não sabia que você estava aqui. -Era o seu celular tocando?
É. Engano.
Se sua mãe te vir comendo esse sorvete no pote...
Já viu, né?
-Voltou a fumar? -Não.
Só em caso de emergência.
A mamãe sabe?
Não, né, Diogo.
Não sabe.
O que você está ouvindo?
Letuce.
-Conhece? -Não.
É mulher, né?
-Oi? -Esse olhar aí só pode ser mulher.
-É alguém com quem está saindo? -Não.
-Mas está a fim, né? -Não.
Não sei.
No comments yet. Be the first to leave one.