L'Évadé : L'étrange affaire Carlos Ghosn
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UM DOCUMENTÁRIO NETFLIX
O ex-presidente da Renault-Nissan deixou o Japão e fugiu para o Líbano.
… ex-presidente da Nissan está em fuga.
… o ex-presidente da Nissan, Carlos Ghosn,
estava em prisão domiciliária…
Diz-se que terá fugido na caixa de um instrumento musical.
Preso por 130 dias.
Isolamento.
Preso por algemas
e com uma trela à volta da cintura.
Senti que já não era humano.
No Japão, quando alguém é preso,
a vida dessa pessoa acabou.
Foi ele, o Carlos Ghosn, que traiu a minha confiança.
Ele criou uma carapaça
porque se achava invencível.
Passou de salvador
a potencial criminoso.
Ele perdeu todo o poder.
Tornou-se o rei nu, completamente nu.
O que aconteceu? É a grande questão. E o que aconteceu foi dinheiro.
Não alinhei nisto.
Não entrei nisto para ser envolvido
numa conspiração internacional estranha,
sobretudo no Japão.
Havia todos os sinais de que não seria tratado com justiça.
Não é difícil chegar à conclusão
de que ou morria no Japão ou tinha de sair de lá.
Olá.
Olá.
Bem-vindo. Bom dia.
Só para explicar, sou atriz.
O meu guião baseia-se em entrevistas
com assistentes do Sr. Ghosn e conselheiros de RP
com quem ele trabalhou durante anos
e que, por vários motivos, não quiseram aparecer no documentário.
Vamos focar-nos nos factos.
A história começou em 1996, em Paris, quando o Sr. Ghosn foi contratado
para ajudar a salvar a Renault, fabricante de automóveis.
A Renault registou um prejuízo líquido de 5 248 mil milhões de francos.
Louis Schweitzer, o presidente, diz
que estes valores indicam prejuízo pela primeira vez em dez anos.
As perdas são sempre um problema.
Em 1996,
procurava um diretor na Renault.
E também procurava um sucessor.
Contactei o Carlos Ghosn
e ele foi visitar-me ao escritório.
Ele era inteligente e brilhante.
Ele era muito direto,
muito focado nas questões em causa
e não era o tipo de pessoa que falava sobre o clima.
Nada de conversa fiada, como se costuma dizer.
Decidi logo que o queria.
No sistema francês clássico, há muitos herdeiros.
Os sobrinhos, os netos,
ou os filhos de altos funcionários, ministros ou diretores executivos.
O Carlos Ghosn não era nada disso.
Ele vinha de um mundo muito diferente.
Na altura, o Carlos Ghosn era libanês.
Não era francês.
Eu disse-lhe: "Acho que é boa ideia
adquirir a cidadania francesa.
É importante que o CEO da Renault seja francês."
Ele não tinha pretensões
em enquadrar-se no ambiente francês,
especialmente no ambiente parisiense, digamos.
Acabou por pagar caro por isso.
Os outros chefes não gostavam dele porque não fazia parte do círculo social.
Encontravam-se na ópera, nos jogos de futebol ou em reuniões.
O Carlos Ghosn nunca fez isso.
Foi sempre um forasteiro.
O nosso nome em árabe é Ghossone,
mas é difícil de dizer em francês.
Teriam mesmo de dizer
G-H-O-S-S-O-N-E para dizer Ghossone,
por isso, é Ghosn.
Sim. Adoro esta foto.
É mesmo ele.
Com os monges.
Muito sério.
Meu Deus! Isto é…
Foi há muito tempo.
Ele era como um mágico para nós.
Ele é o irmão que se quer ter.
O desafio de trabalhar para o Sr. Ghosn
era que o que dizia habitualmente era:
"Envie-me algo e eu digo se está errado."
Sempre me descrevi como o tipo que limpa a jaula do tigre no zoo.
Eles têm de começar por demonstrar respeito total,
mas nenhum medo.
FRANÇA
Um fabricante de automóveis é como um relógio enorme com milhões de peças.
O Ghosn mexeu em todos as peças.
"Ajusto esta assim e aquela assado. Ajusto…"
Milhares de peças.
Ele analisou cada função na Renault
e dizia: "A partir do ano que vem, têm três compromissos.
Se não os cumprirem,
dou cabo de vocês."
FÁBRICA DA RENAULT - VILVOORDE, BÉLGICA
A Renault anunciou que vai fechar a fábrica
em Vilvoorde, na Bélgica, em julho.
Estão em risco mais de três mil empregos.
A Renault decidiu encerrar a produção
na sua fábrica belga.
A imprensa chamou-lhe "Le Cost Killer".
Como se fosse
só despedir pessoas, fechar fábricas e fazer cortes,
mas não é com cortes que se cresce.
O Cortador de Custos, ou "O Redutor de Despesas",
Carlos Ghosn reorganizou a produção…
Sim, três mil pessoas perderam o emprego,
mas, graças ao Sr. Ghosn, em poucos anos,
a Renault passou do prejuízo ao lucro.
Mais de 12,5 mil milhões de francos.
Inacreditável!
O CEO da Renault, Louis Schweitzer,
não é conhecido pelo seu bom humor.
Mas hoje, tem todos os motivos para sorrir.
A Renault, na altura, tinha sofrido uma grande reviravolta,
mas sentíamo-nos pequenos e dependentes da Europa.
A conclusão foi que devíamos estabelecer uma aliança
com outro fabricante de automóveis
e tinha de ser asiático.
Coreano ou japonês.
27 DE MARÇO DE 1999 TÓQUIO
A Renault e a Nissan estão a criar
o quarto maior grupo automóvel.
Um acordo de parceria global foi assinado em Tóquio.
Uma parceria na qual a Renault investirá 33 mil milhões de francos
para adquirir mais de um terço do capital.
Apostei o futuro da Renault
no sucesso da aliança Renault-Nissan.
Afirmei publicamente que não teria feito este negócio
se não tivesse alguém como o Ghosn para liderar a empresa.
Estávamos assustados.
Dissemos: "O quê? Japão?
Não temos nada em comum.
Nem a língua. Não temos… Nem sabemos dizer 'olá'.
Não sabemos nada."
Eu perguntei: "Vais mesmo para o Japão?"
E ele disse desde o início: "Se não correr bem, saio."
O Sr. Ghosn encontrou uma empresa no caos total.
Uma Nissan desgastada e incapaz de fazer carros novos
ou produzir modelos populares.
O Sr. Ghosn assumiu a responsabilidade
de reconstruir a Nissan.
A Nissan, aquando do investimento da Renault,
tinha uma dívida de 20 mil milhões de dólares
e estava quase insolvente.
FÁBRICA MURAYAMA
Eu estava cético, mas tinha a mente aberta,
mas ninguém na indústria automóvel
achava que isto seria um êxito.
Chamar-lhe uma aliança
implica igualdade,
mas isto não era uma aliança.
A Renault estava acima e a Nissan abaixo.
Não era uma fusão nem um casamento.
A Renault fez um investimento.
Eles controlavam a Nissan.
Foi uma grande surpresa
uma empresa como a Nissan
trazer e aceitar um CEO estrangeiro.
Surpreendente.
Como jornalista, também fiquei com a impressão
de que o Japão estava a ser tomado por outro país.
Senti que tínhamos perdido uma guerra e estávamos a ser ocupados.
- Como está? - Konnichiwa.
Percebi que ter de aceitar um estrangeiro como presidente
de uma empresa destas era como perder uma guerra,
como perder uma guerra económica.
Ele visitou pessoalmente as fábricas japonesas.
Queria parecer simpático, atencioso e generoso
para com os trabalhadores
a fim de mostrar
que não era o tipo de pessoa que fazia despedimentos precipitados.
Muitos desafios.
A cada dia e semana que passa, a empresa fica mais forte.
E o sucesso da empresa é alimentado pelos vossos esforços.
Pensei:
"Este tipo de meia-idade será assim tão revolucionário?"
Foi a minha primeira impressão.
Ele era baixo, careca
e usava uns óculos antiquados.
Não parecia ter qualquer ligação
ao país moderno que é a França.
No outono de 1999,
o plano era fazer a Nissan recuperar em três anos.
A concretização
do plano de recuperação da Nissan
depende de quanto…
… sobretudo tendo em conta a forte base para recuperação.
O Ghosn já era conhecido
pelo corte nas despesas quando trabalhou na Michelin e na Renault.
Os funcionários da Nissan
temiam mesmo perder o emprego.
Isto significa uma redução de 21 mil pessoas
ou 14 % do emprego total.
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