The first 200 lines.
É uma marca conhecida pela sua sofisticação,
desportividade
e espiões.
Hoje, esta marca inglesa de automóveis
é um dos últimos fabricantes independentes de automóveis.
Essa pressão impulsiona-me.
Não temos tempo suficiente. Não temos recursos suficientes.
Passamos alguma fome.
Para sobreviver, a Aston Martin pretende expandir-se.
E, para financiarem isso, precisam de uma nova máquina topo de gama.
Assim, regressam ao estirador
para desenhar um exterior mais potente.
Vão projetá-lo para superar os limites da aerodinâmica
e fabricar manualmente cada um dos exemplares personalizados.
Isto tem de ser uma vitória.
A demanda da marca pela vitória poderá depender de uma só máquina:
o DBS Superleggera.
Vai de zero aos 100 km/h em apenas 3,2 segundos.
Tem uma velocidade máxima de 340 km/h
e custa umas tremendas 225 mil libras.
O DBS Superleggera.
É o carro superestrela topo de gama da Aston Martin
e talvez o veículo mais importante que a marca já produziu.
É um símbolo da Grã-Bretanha.
É tão típico como os autocarros vermelhos e os táxis pretos.
A Aston Martin não cria projetos de vaidade.
A marca inglesa com cem anos
tem lutado constantemente para sobreviver.
É aquele tipo de história do desfavorecido britânico.
Esta à altura de Dunquerque.
Cara-a-cara,
enfrentando uma espécie de condenação inevitável.
Historicamente, a marca nunca produziu muitos veículos,
nem empregou muita gente.
Porém, sempre fez muito com os recursos que tinha à mão.
Quando estamos em minoria é quando somos muito bons.
Talvez isso faça parte da coisa.
Isso faz com que tudo aconteça e toda a gente se supera.
A batalha pela sobrevivência aprimorou uma competência única:
o fabrico de máquinas Gran Turismo ou GT.
Veículos que combinam atributos de alto desempenho
com conforto em viagens de longa distância.
Uma receita que costuma atrair clientela célebre e muito exigente.
Temos uma história incrivelmente rica. O Mick Jagger,
a Família Real...
As pessoas conhecem a Aston Martin.
Porém, o mais notável fã da Aston
poderá ser o espião mais famoso do mundo:
Bond, James Bond.
A relação começa com o filme "007 - Contra Goldfinger" em 1964,
no qual entra um DB5 todo artilhado. E continua até hoje.
A imagem do Sean Connery encostado a um DB5
fica na mente das pessoas.
O DB5 ajudou a Aston a tornar-se uma marca famosa.
E foi seguido por outros lendários GT como o DB6,
o V8 Vantage
e o DB7.
Nós dominámos o mercado dos GT de luxo.
Já terem dominado do mercado dos GT de luxo
não lhes garante que o dominem no futuro.
Atualmente, o secção GT é altamente competitivo,
uma vez que as famosas marcas de alto desempenho
como a Ferrari e a McLaren disputam o mercado da Aston
e, ao mesmo tempo,
as importantes marcas de carros de luxo, Bentley e Rolls Royce,
criaram carros mais velozes e arrojados.
Todos os nossos carros têm de ter êxito.
Para fazer face à concorrência, em outubro de 2014,
a empresa contrata Andy Palmer,
o veterano da indústria automóvel com 23 anos de experiência,
para ajudar a restaurar a glória e criar alicerces para o futuro.
Muita gente achou que estava maluco.
Eu sabia que a Aston tinha os seus problemas.
Porém, eu acreditei que podia equipar-me
para trabalhar como diretor
numa empresa com problemas para resolver.
A boa notícia é que o cargo de diretor
é o trabalho de sonho de Palmer.
A má notícia é que a marca
tem andado constantemente à beira da insolvência.
É difícil contar as vezes em que estivemos por um fio
e as crises financeiras.
Ao longo de dez décadas, a marca abre falência sete vezes,
passando consistentemente por uma diversidade de donos
que vão desde o engenheiro petroquímico Victor Gauntlett
ao magnata armador Sir Arthur Sutherland
e até ao rei dos tratores David Brown.
A mais recente transferência acontece em 2007,
quando a empresa Ford vende a marca para se salvar.
Eu não achava que estava louco.
Saboreei a oportunidade empresarial que existia.
A instabilidade da Aston não é nada de novo para a marca
ou para a indústria.
No virar do século XX,
existem milhares de empresas de automóveis a tentar sobreviver.
Se pensarmos na indústria automóvel, ela tem cerca de 130 anos.
Começou com milhares de nomes,
passou a centenas e depois para menos de cem.
Atualmente, muitos fabricantes minimizaram os riscos
juntando-se a outras marcas para formarem conglomerados globais.
A Bentley, inimiga de longa data dos GT, pertence ao grupo Volkswagen.
Ao passo que a Rolls Royce, outro rival histórico,
pertence à BMW.
Até os ícones britânicos Jaguar e Land Rover
pertencem a uma multinacional indiana.
A Aston, por outro lado, é uma das últimas marcas independentes.
A última de uma raça em extinção.
Ser-se independente
é uma daquelas pressões no sistema.
Não temos irmão mais velho para nos dar apoio.
Avançar requer um plano novo e ousado
para escapar aos erros do passado, quando indivíduos abastados
compraram repetidamente a empresa por vaidade,
mas raramente, se é que alguma vez, investiram no seu futuro.
Vimos o mesmo erro repetir-se continuamente,
ou seja, pessoas extremamente ricas que compravam a empresa,
investiam no novo carro, mas não lhe davam seguimento.
O segundo álbum é sempre o mais difícil.
Mas se não o gravarmos, somos conhecidos apenas por um êxito.
Para evitar outro sucesso momentâneo
seguido de um terrível falhanço, Palmer propõe uma solução radical
à qual chama Plano do Segundo Século.
Introduzir todos os anos um carro novo no mercado
durante sete anos consecutivos,
antes de voltarem a repetir todo o processo.
É uma abordagem muito simples.
São sete carros diferentes. Um carro por ano.
Cada um tem um tempo de vida de sete anos.
Fazer, repetir. Fazer, repetir.
Não é ciência aeroespacial, como se costuma dizer.
A peça vital desta estratégia é o DBS Superleggera,
a superestrela da marca e modelo topo de gama.
É o terceiro de sete máquinas
e é fundamental para gerar o dinheiro necessário
para a possível expansão da marca.
O DBS é incrivelmente importante
porque é o carro que está a gerar o dinheiro
que vai para a expansão do portfólio que nos permite redefinir a empresa.
Se o DBS Superleggera tiver êxito, a marca terá recursos
para se expandir num leque de máquinas,
incluindo SUVs, e talvez assegurar o seu futuro.
Porém, o falhanço poderá arruinar todo o empreendimento.
Não sei se leram "A Arte da Guerra",
mas eu passei muito tempo no Oriente
e "o inimigo do meu inimigo meu amigo é".
"A melhor forma de defesa é o ataque."
Para partir para a ofensiva
e levar a luta aos outros fabricantes de automóveis,
Palmer vira-se para o Diretor de Criação Marek Reichman
e incumbe-o de conjugar o aspeto de um Aston Martin
com as necessidades de engenharia de um supercarro moderno.
Resumindo, temos uma estrutura de engenharia
que nos dará um carro que será um competidor.
E como conseguimos isso? Quais são os princípios por trás do carro?
Depois, começamos a formular ideias.
O primeiro obstáculo é encontrar uma forma sensual e elegante para o DBS.
O processo começa com papel e caneta.
Com o design, controlamos aquilo a que chamaria
a "faceta emocional" do carro. A primeira interação.
Assim, esforçamo-nos para definir essa beleza.
A dificuldade de definir a beleza de um supercarro moderno
jaz na contradição.
Marek e a sua equipa têm de criar um exterior luxuoso.
Porém, o ar tem de poder circular pela máquina e em torno dela,
algo que requer entradas de ar e ailerons feios.
O poder da caneta, para um designer, é a capacidade de mostrar uma ideia.
Porque eu posso falar com alguém e tentar descrever algo.
Mas, se fizer um esboço,
só demoro segundos a mostrar o que quero dizer.
Conseguimos convencer alguém
de que este é o objeto que deve ser fabricado.
Uma pessoa vai investir milhões em quê?
No que eu estou a dizer? Em quê? Nisto.
E, mal mostramos o que queremos dizer, as pessoas dizem:
"Sim, vou investir nisso porque é óbvio que é lindo."
Os esboços fazem a transição do mundo antigo para o novo,
à medida que a equipa passa de duas dimensões para o espaço 3D
e os modeladores profissionais dão forma ao barro
para dar vida à nova máquina.
Porém, não se pode apenas desenhar e esculpir uma forma agradável.
Para ter êxito,
o desempenho da máquina tem de ser tão bom como o seu aspeto.
Desenvolver um carro superestrela como o DBS
é a coisa mais difícil de fazer na indústria automóvel.
Ele tem de ser o pináculo da engenharia contemporânea.
Isso implica dedicarmos-lhe a nossa vida.
Uma devoção que requer que a equipa de engenharia da marca
exceda os limites da aerodinâmica
no seu novo carro superestrela topo de gama.
Algo que requer um pouco de magia
e a aplicação com sucesso de um teorema do século XVIII.
Há mais de um século que a Aston Martin luta para sobreviver.
A sua última ressurreição e o seu Plano do Segundo Século
dependem da nova máquina topo de gama da marca:
o DBS Superleggera.
O DBS Superleggera é a peça vital
no plano de sete anos porque é o terceiro carro.
Tem de ser o carro que todos querem conduzir.
Nunca é demais sublinhar a necessidade de sucesso do DBS.
Se prosperar, a Aston poderá expandir os seus SUVs,
No comments yet. Be the first to leave one.