The first 200 lines.
Nos estudos de Herman Williams
sobre as alegrias do ferromodelismo como hobby,
ele escreveu: "Passei muitas horas
alegremente perdido em um mundo que eu mesmo criei.
Para quem ama o ferromodelismo,
existe um mundo secreto de ordem e simetria.
Acomodados nos cantos dos nossos porões e sótãos,
o amante do ferromodelismo comanda um mundo como criador onipotente.
Ali, numa escala 1:87,
os vizinhos são sempre gentis,
quem se ama sempre fica junto,
e os trens sempre levam as pessoas para os lugares distantes
a que sempre juraram que iriam."
Na vida, é claro…
nada é tão agradável e organizado assim.
Cantem!
Mais uma, Allie!
Não!
Estou muito bêbada pra cantar na frente de vocês.
Mas a gente te ama! Vai!
Quero manter esse amor.
Essa música foi pro meu noivo lindo e fofo, Nathan…
porque ele adora essa música.
Amor, quer vir aqui?
Não.
Vá logo!
Venha! É a nossa festa de noivado.
Ele é muito tímido!
Nathan!
Vai!
- Você gostou? - Foi incrível.
Oi, galera…
Só quero dizer que ela tocou essa música pra mim
no nosso primeiro encontro,
em um piano lindo e antigo que ela achou em um bar vazio.
- Mandou bem, garota! - É isso aí!
- O jogo da conquista. - É isso! Bem-vinda à família!
- Allison. - Oi?
Cada lembrança boa da minha vida tem a ver com você.
Algumas duram apenas segundos.
A forma como fecha um olho quando se concentra em saborear algo.
Eu faço isso mesmo. Bem assim…
- Não acredito que isso é real. - É real, amor.
- Graças a Deus. Te amo. - Te amo.
- Beleza. - Ei…
- Bebam, fumem, sejam felizes. - É isso.
E quem for transar com o Chip, coloque umas 11 camisinhas nele.
Mas eu sou virgem.
Ele está brincando.
Não, amor, fala sério. Nada de celular.
Quando nos casarmos, teremos regras pro celular na cama.
Cale a boca. Você fica no celular umas dez vezes mais que eu,
olhando caminhonetes enferrujadas.
Uma Bronco de 1967 com teto de couro é uma obra de arte, amor.
Não é uma caminhonete.
Eu vejo arte.
Como essa bunda.
Fiquei doidona com a balinha que me deu.
Que porra era aquilo?
- Ainda não sinto meus tornozelos. - Não precisa deles agora.
É, mas eu gostaria de senti-los mesmo assim.
Venha me dar um beijo.
- Amor? - Oi?
O médico esquisito da minha lista
está me paquerando no Instagram.
Você deve ter dado uma impressão errada pra ele.
O quê? Fala sério! Até parece!
Sempre fico esfregando o anel de noivado na cara de todo mundo.
Você diz: "Paquerar faz parte do trabalho."
Sempre alguém interpreta mal.
É uma paquera leve.
- Sei. - É sério!
É só um sushi e um sorriso
para que ele me dê a receita médica
e eu consiga um bônus alto…
para nós dois irmos morar na cidade.
Se não formos pro inferno antes.
Que papo é esse?
- Fala sério! - Desculpa.
Minha droga mais forte é o Humira,
e não vou pro Inferno por causa de uma psoríase grave ou moderada.
Isso seria muito injusto.
- É verdade. - Cale a boca.
Isso é só um degrau pro Inferno.
Eu sei.
Será que é tarde pra ser astronauta?
- O quê? - Nada.
Eu poderia ser uma dançarina.
- Sério? - Sim.
Sabe uns passos legais?
Vou me levantar. Fico melhor se estiver de pé.
- Beleza. - É bem melhor de pé.
- Está pronto? - Estou.
- Que gênero é esse? - Não sei, mas meu corpo…
Isso aí. É uma dança moderna, né?
Isso é profissional.
- Eu agradeceria se me levasse a sério. - Eu te levo a sério.
Depois, eu finalizo com algo assim…
mas não vou mais te mostrar, porque não ficou pronto.
E a profissional está cansada e quer ficar agarradinha.
Calma, porra!
Juro, esta estrada está em obras desde que eu nasci.
Quando Nova Jersey ficará pronta?
- Está quase. - Nunca.
- Aliás, como a Ryan está? - Sua futura sobrinha?
Meu Deus, ela é tão linda!
Segundo o treinador, ela joga ano que vem.
- É mesmo? - Ela fez 19 gols na temporada passada.
- Conte pra ela. - Meu Deus!
Devem estar orgulhosos. Não creio que nunca a vi.
Desculpe por ainda não ter ido.
Relaxe, é longe mesmo.
Vamos vir mais, agora com o papai idoso.
Só vi seu pai algumas vezes,
mas não podemos culpar a distância.
Perdi a noção. Desculpa.
Conte mais dos vestidos de noiva.
Por favor. Quase não dormi por isso.
- Cale a boca! - Bom perdedor.
Ele acha que, depois de ver vestidos,
vamos a vários bares, mas nós vamos ver uma peça.
- Vão mesmo? - Não.
Íamos comprar as entradas.
Vamos ver o que ninguém quer ver.
- Ótimo, que maravilha! - Não é?
Vejam, finalmente abriu.
Acho que vai ser difícil conseguir entradas para uma peça,
mas vou conferir.
Certo, aqui diz que…
Chegamos.
Você me trouxe muito cedo.
Sim, mas…
é melhor chegar meia hora antes do que um minuto atrasada.
Vovô, já jogou videogame?
Não.
Você tem uma mente brilhante
e fica desperdiçando com besteira.
Tá bom.
Nathan.
É o tio Nathan, atenda.
Por que ele me ligou?
Atenda.
Achei que não nos falávamos mais.
Nathan.
A Ryan está comigo no carro.
Vim deixá-la na escola.
Ligo daqui a pouco.
Sim, eu ouvi. Estou indo até aí.
Vou deixá-la na escola, certo?
Não foi tão ruim.
A mamãe quer que vocês se entendam.
Preciso ir, meu anjo.
Pareço uma idiota chegando cedo.
Sinto muito.
Eu…
venho te buscar mais tarde.
A mamãe não vem? Ela volta da cidade hoje, né?
Bem…
- Ela não vai poder. - Falo com ela.
- Está bem. - Tchau.
Diga que me ama.
Te amo, vovô.
Também te amo.
- Tchau. - Tchau.
Mãe, minha cabeça está doendo.
Não consigo descrever a dor que estou sentindo.
- Libera mais morfina? - Já apertei.
Estou apertando, mas nada acontece.
Droga! Está vazio mesmo. Precisa de mais.
- A enfermeira… - Por que está olhando assim?
Assim como?
- Foi feio? Estou tão mal assim? - Ele só está nervoso.
Ele passou a noite preocupado.
Uma retroescavadeira deu a volta bem no meio da rua.
- Eu sei. - Eu não sabia o que fazer.
Não precisa se preocupar agora.
- Não é, Nathan? - É.
Concentre-se em melhorar. Pense só nisso, tá bom?
- Não é, Nathan? - É.
Desculpem. A polícia veio coletar sangue.
Não. Não é uma boa hora.
- Ela está com dor. - Volte depois, ela acordou agora.
- A polícia? - Não posso esperar.
O sangue tem de ser coletado quanto antes.
Nós esperamos, mas com um acidente desses,
- o exame… - Do que ele está falando?
- Não tive culpa. - Ela não sabe.
Não foi culpa dela.
Em acidentes sérios e com vítimas fatais…
Ela não sabe.
- Fatais? - Ela não sabe.
- Seu babaca! - Porra!
- Ela não sabia. - De quê?
- Sinto muito. - O que foi?
Sinto muito.
Nathan?
Nathan, o que houve?
Eles morreram.
Os dois morreram.
- Quem? - Filha…
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