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ESPÍRITOS INQUIETOS
Está bem.
O Jackson veio brincar comigo.
Aos superheróis.
Eu fui o Black Power Ranger.
E ele o Batman.
Posso perguntar-te uma coisa?
A pergunta é importante. - Anda, matulão.
Quero o das moscas.
O pijama das moscas está lá em baixo.
Moscas. - Carros de bombeiros.
Pronto, está bem; eu volto já.
Dói, estares morta?
Posso dizer? - Queres morrer?
O teu esperma, apesar da cerveja, voltou a engravidar a minha irmã.
Cabra!
Tens tal medo que quando se apercebesse o puto já tinha nascido.
A melhor reaccão era dar-lhe os parabéns.
Participaste-lhe a ela antes?
É bruxa, mal me viu percebeu logo.
Diz qualquer coisa.
Cum raio...
Diz outra.
Se está de seis semanas ele vai nascer em Maio...
Junho. Porreiro, o Einstein era Gémeos.
Também é aquela escocesa de Garbage.
Mas se se atrasa é Caranguejo, o que...
Armas-te mais em Dionne Warwick e atiro-te da janela abaixo.
Vai lá acima ajudá-lo a vestir o pijama.
Mas que bestial! A sério.
Já era altura de termos outro, ia falar disso um dia destes.
Juro. Mas desta vez interrompes o trabalho.
Não, não te quero mais a trabalhar tanto,
voltas para casa em transe e não me serves para nada.
Não vai haver azar.
Digo ao Teddy que arranje outro.
Desculpa, tinha esquecido completamente,
não admira que estejas fulo. - Mas não estou.
Mesmo nada, já sou crescido,
não devia andar metido com uma banda de 3a. categoria.
Vou mudar-me; veste qualquer coisa gira.
Sou um gajo feliz.
Não hei-de ser sempre guarda-fios, podes crer.
Que queres dizer?
Que o que eu faço até um macaco era capaz.
Quando nós nos casámos,
fartei-me de dizer o que queria da vida e o que viria a ser
e quero que saibas que não te estava a dar música,
que falava a sério.
Não casei contigo por pensar que vinhas a ser famoso
Nunca quis ser famoso.
Só não esperei ser tão...
O quê? - Não sei.
Vulgar.
Espero que seja menina, estou farta de ter tanta bola em casa.
Tirando as tuas...
Haverá hipóteses de encontrar ali um solteiro razoalvelmente culto?
Pode andar a tomar Viagra? - Tome o que quiser.
Tom! Tommy, isso vai? - Não ias acreditar no meu dia...
Toma já este, vou buscar outro para mim.
Têm cuidado bem da casa?
Fizemos furos nos andares todos, mas não te importas?
Conheces a minha squaw Sheila? Bobby, Vanessa...
Bebe até ao fim, vá, o remédio faz-te bem.
Cresci em Bridgeport, não me sinto propriamente em país estrangeiro.
E não é, vives no melhor bairro da cidade de Chicago,
aqui todos cuidamos uns dos outros.
Vais concorrer a mayor?
Viram traficantes de crack a rondar pelo...
Que faz o Lenny nesta festa?
Disseste-lhe que ias dá-la? - A Vanessa obrigou-me.
mas convidá-lo a tua casa...
Se um dia acordares degolado, depois não te queixes!
Não atraída por.
Não bêbeda o suficiente.
Com medo de.
Não sabem que há quem seja operado debaixo de hipnose?
Ouvi mas não acredito; as pessoas dizem-se hipnotizadas
mas não estão mesmo, só fingem.
E não dando um único pio?
Nunca assististe a isso. - É tudo balelas.
Vocês é que recusam admitir a evidência;
no braço de um tipo que estava hipnotizado.
Que nojo... - Eu vi a fotografia da marca.
Não entendo como pode alguém que passou a vida a estudar
acreditar em superstições dessas.
Quais superstições, já sou praticamente hipnoterapeuta licenciada.
´Praticamente licenciada´ quer dizer que ainda não és?
Pode ser uma grande surpresa para ti,
mas teres vivido nos mesmos seis quarteirões toda a vida
não implica que o mundo não seja muito maior,
que não tenhas portas por abrir, coisas de que não faças ideia.
Está bem, Kreskin, prova; hipnotiza alguém.
Pois, a mim.
Porque não? - Para começar, és hostil.
Não sou nada. Alguém me acha hostil?
Obrigada, adorei a festa...
Vá lá, Lisa, hipnotiza-me.
Não, estás bêbedo. - Juro que não.
Não devemos mesmerizar alguém que tenha bebido.
Mesmerizar...
Vá, por favor, imploro-te, educa os bárbaros.
Não se sendo cooperante, não resulta.
Faço tudo o que mandares, juro. Mesmo assim, nada feito.
Que é que pode acontecer?
Alguém apague luzes.
Bom, descontrai-te, pousa o braço confortavelmente.
Deita-te para trás... Põe-te cómodo e descontraído.
Tem confiança em mim,
fecha os olhos... - Claro, Lisa.
Bom, para já, ouve apenas.
Ouve os sons que te rodeiam na sala.
Num cinema.
És o único espectador.
É uma daquelas salas antigas, enormes.
Olhas à tua volta e está completamente vazia.
Reparas que as paredes estão pintadas de preto.
As cadeiras são forradas a preto.
E em todo aquele negrume da sala, vês só uma coisa.
A tela branca.
E vês letras escritas na tela,
letras grandes e gordas, mas desfocadas.
E chegas-te à frente na tua cadeira, tentando lê-las.
Sentes-te muito confortável, é a tua cadeira preferida.
Aproximas-te cada vez mais, olhando as letras.
Estás todo descontraído, as pernas...
Sentes os bracos flácidos e pesados...
Já quase consegues ler as letras, agora.
Comecam a ficar focadas
e o que as letras dizem é ´´DORME´´.
Dorme...
Que raio foi isto?
Que é? - Sentes-te bem?
Fingiste, só pôde ser.
Foi a coisa mais esquisita que já vi na vida.
Parabéns, estás entre os 8% que têm essa sorte.
Ainda tens lágrimas nas faces. - Que é que ela me fez?
Que sede...
Quais 8% ?
Só cerca de 8% da população é altamente hipnotizável;
quase toda a gente é até certo ponto
mas não tão profundamente como ele foi.
Como está a tua mão?
Porquê? - Espetei-te um alfinete nela
e pedi-te que sangrasses só de um lado.
E foi o que fizeste.
Foste muito prestável, não te conhecia essa faceta.
Disseste que não doía.
O alfinete que se lixe, quero saber mais do Joey Luca.
O puto que te dava as tareias quando vocês tinham doze anos;
fartaste-te de chorar e gemer.
Teve um piadão! E foi muito comovente...
O Joey Luca? Credo, não pensava nele há...
Podemos ir embora? Sinto-me esquisito.
Claro, vamos.
Fecha os olhos.
Que é que foi?
Pára.
Raios partam isto.
Estou a ver coisas.
Não, espera, agora não consigo.
Pois estás a fingir lindamente.
Não, pára, é esquisito de mais.
Se chamas áquilo esquisito espera pela próxima.
Senti-me a ser atacado...
Obrigada. - Não, desculpa...
Eu volto já.
Mas que porra...?
Já estás acordado.
Estás bem?
Estou, acho...
Não tenhas medo disto.
Que foi, uma alucinação?
Montes deIas. É dificiI de explicar o que me vem á cabeça.
Nunca aconteceu, foi da hipnose, deve ter-te alterado o cérebro.
Jake, estás outra vez a ver a fita dos monstros?
Quem era a mulher? - Não sei.
Talvez alguma que tenha conhecido, mas se foi não a reconheci.
Comeste-a? - Deves estar a gozar?
Quis dizer, foi alguém com quem andaste?
Tens ciúmes duma alucinacão? Tu estás grávida.
Devias ligar á Lisa.
Por favor, se foi ela quem me fodeu o juízo.
Pois então tem de desfodê-lo.
Foda-se. Foda-se... - Não digas palavrões.
Espera, deixa-me ver a quantas ando,
ainda não meti qualquer cafeína no organismo.
Bom, perguntas-me se te dei uma...
quando chafurdaste com os meus miolos?
Nada. - Diz a verdade, Lisa.
Por favor, que insultuoso... Não era a minha primeira vez.
Óptimo, só me queria certificar.
E era tão inofensiva...
Não digas que resultou? - Que é que disseste?
Não te digo porque... - Lisa, eu juro-te.
Não disse sempre que devias ser mais aberto de ideias?
Pois foi o que eu disse,
quando acordares o teu cérebro estará completamente aberto,
como uma porta aberta pronta a receber tudo o que te rodeia.
E que é que isso fazia?
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