The first 200 lines.
"As fronteiras que separam a Vida da Morte
são, no mínimo, sombrias e vagas.
Quem dirá onde termina uma e onde começa a outra?" E. A. Poe
OS OLHOS DE ALLAN POE
Bom dia, cavalheiros.
- É o Augustus Landor? - Sou.
E o senhor?
Cap. Hitchcock ao seu serviço. Segundo-comandante na Academia.
Vim informá-lo
que o superintendente Thayer solicita uma audiência imediata.
- E a natureza da audiência? - Deixarei isso para o coronel.
- Quando pode isto acontecer? - O mais rápido possível.
E se eu decidir não ir?
A decisão é sua, é um cidadão privado.
Está um belo dia para um passeio.
NOVA IORQUE
O governador sugere que foi uma lenda entre os polícias de Nova Iorque.
E quando recomendou os seus serviços, referiu os seus impressionantes feitos,
incluindo a detenção dos líderes dos Daybreak Boys,
a dissolução do temido gangue Shirt Tails
e a resolução de um homicídio horrível de uma jovem prostituta em Elysian Fields.
ACADEMIA MILITAR DOS ESTADOS UNIDOS
Os seus talentos incluem decifrar códigos, controlo de motins
e interrogatório sem violência física.
É filho de um ministro de Gloucester
que veio para Nova Iorque ainda adolescente.
E é viúvo, Sr. Landor.
Há três anos.
- Devo mandar vir café? - Cerveja servirá muito bem.
O senhor…
O senhor guarda estes bilhetes num cacifo algures aí atrás, não é?
O que mais dizem eles? Dizem que já não entro numa igreja
há muito tempo?
Menciona que a minha filha fugiu há algum tempo?
Estamos cientes do desaparecimento da sua filha.
E oferecemos o nosso apoio.
Com todo o respeito, espero não ter ofendido.
Não.
Não, desculpem. Devo pedir desculpa.
E peço. Por favor, continuem.
Sr. Landor, somos obrigados a proceder com extrema discrição.
Procuramos alguém.
Um cidadão privado de dinamismo e tato bem documentados
que possa realizar inquéritos em nome da Academia.
São de natureza altamente complexa e delicada
e dizem respeito a um dos nossos cadetes.
Um segundanista de Kentucky chamado Fry.
- Leroy Fry. - Não vale a pena estar com rodeios.
O Fry enforcou-se… ontem à noite.
Lamento ouvi-lo.
Este é um assunto terrível. Mas tem de compreender a nossa posição.
Fomos especificamente encarregados de cuidar destes jovens,
de os tornar cavalheiros e soldados e, para isso, motivamo-los.
Mas gostaríamos de pensar que sabemos quando parar de os motivar.
Um rapaz enforca-se.
- É um assunto para o criminalista. - Temo que não termine aí.
O corpo do cadete Fry foi violado ontem à noite na ala hospitalar.
Violado? Por quem?
Se soubéssemos isso, não teríamos necessidade de o chamar.
Decerto a Academia tem a sua quota de brincalhões.
Isto não foi uma partida, Sr. Landor.
O coração de Leroy Fry foi extraído do peito.
Dr. Marquis, como é que uma pessoa faz isto?
Com um bisturi. Ou com qualquer faca boa e afiada.
Mas chegar ao coração, essa é a parte complicada.
Aqueles golpes nos pulmões e no fígado
vieram de inclinar a lâmina para evitar o coração.
E como se preservaria o coração?
Nalgum tipo de recipiente.
Talvez embrulhado em musselina ou jornal.
Muito provavelmente rodeado de gelo.
Que pessoa podia fazer isto?
Uma forte.
Não uma mulher, então?
Nenhuma mulher como já tive o prazer de conhecer, não.
E a linhagem médica dele?
Precisaria de ter a sua formação e experiência?
Não necessariamente.
Precisaria de muita luz e de saber onde cortar,
mas não teria de ser um médico ou um cirurgião.
- Teria de ser… - Um louco!
E ainda anda por aí.
Apresentar armas!
Terá de me perdoar, Sr. Landor.
Encontrou-nos numa posição muito delicada.
Há certos senadores poderosos em Washington
que gostariam de nos ver falhar totalmente, de nos fechar.
Peço-lhe que ajude a salvar a honra da Academia Militar dos Estados Unidos.
E salvá-la tentarei.
Esteve de guarda ontem à noite, Sr. Huntoon.
Sim, senhor.
Início às 21h30. Rendido à meia-noite e voltei para a casa da guarda.
Onde fica isso?
Número quatro, senhor. Junto ao Fort Clinton.
Admito que não conheço muito bem o terreno,
mas parece que a parte onde estamos agora
não fica no caminho de Fort Clinton para o Quartel Norte.
- Não, senhor. - O que o afastou da rota?
Senhor, no meu caminho, ouvi algo.
Supus que era um animal.
Parecia estar a morrer ou preso numa armadilha, por isso, vim ajudar.
Gosto imenso de animais.
Eu estava a correr por aqui até roçar no cadete Fry, senhor.
- Como estava ele? - Nada bem, senhor.
Não se aguentava direito.
Quase parecia estar sentado numa cadeira.
Não estou a perceber.
Os pés dele tocavam no chão, senhor.
- Os pés dele tocavam no chão? - Sim, senhor.
Muito bem. O que fez a seguir?
Corri. Fui direto para o Quartel Norte.
Uma última pergunta e não o incomodarei mais.
Viu mais alguém por perto?
Não, senhor.
Sr. Huntoon.
O pescoço…
Foi o que me impressionou primeiro.
Vê?
Uma marca nada limpa. A corda agarrou-o
e andou para cima e para baixo no pescoço à procura de um ponto de apoio.
Como se…
Como se estivesse… a lutar.
Veja, se puder, os dedos dele.
Empolados de agarrar na corda
e tentar arrancá-la dele.
Posso saber o que se passa aqui?
Isto é bastante impróprio.
Perguntava-me se não se importaria de apalpar a nuca do Sr. Fry.
Examinou o Sr. Fry, não é assim?
Claro que o examinei, como me compete.
Já não passámos por isto?
Há uma espécie de contusão.
Região parietal.
Aproximadamente oito centímetros.
Deve-me ter escapado.
Alguém matou o Sr. Fry.
É isso que nos está a dizer, Sr. Landor?
Pode ter descoberto algo, capitão Hitchcock.
Podia escapar a qualquer um, doutor.
Sr. Landor.
Já que faz parte da equipa,
é importante estabelecermos algumas regras básicas.
Irá informar-me a mim diariamente e eu ao coronel.
E não deve falar disto a ninguém, dentro ou fora da Academia.
- É tudo? - Uma última condição.
Não haverá bebida durante toda esta investigação.
A sua reputação precede-o.
Desculpe.
- É o Augustus Landor? - Sou.
A menos que me engane, foi incumbido de resolver o mistério
que rodeia o Leroy Fry.
Assim é. O que posso fazer por si?
Compete-me e é a honra desta instituição
divulgar algumas das conclusões a que cheguei.
Conclusões?
Em relação ao falecido Sr. Fry.
Eu estaria muito interessado.
O homem que procura
é um poeta.
Soldado Cochrane.
Quando o corpo do Leroy Fry foi levado para o hospital,
o senhor foi destacado para o vigiar.
Fui, senhor.
- Aconteceu algo durante a vigilância? - Só por volta das 2h30.
- Foi quando fui rendido. - Quem o rendeu?
- Soldado, quem o rendeu? - Não lhe sei dizer, senhor.
Só que foi um oficial.
- Ele nunca se identificou? - Não, senhor.
Mas eu não esperaria isso de um oficial.
O que lhe disse esse oficial?
Ele disse: "Obrigado, soldado. É tudo. Vou rendê-lo."
- Um pedido estranho, não? - Sim, senhor. Muito.
- Viu a cara desse oficial? - Não, senhor.
Eu só tinha uma vela. Estava muito escuro.
Certo. Então, diga-me, como sabia que era um oficial?
A barra no ombro dele, senhor. Mas devo admitir que foi muito estranho.
- Como assim? - As barras.
Faltavam-lhe as barras no ombro esquerdo.
Aí está o homem em pessoa.
O Benny bem sabe quando alguém precisa de uma bebida.
A própria visão disso aquece-me o sangue.
- Benny! - Senhor.
- Às… regras. - Que se lixem!
Patsy.
Patsy!
O que te perturba?
Soubeste daquele pobre cadete?
- Eles dizem que demorou horas a morrer. - "Eles"?
Ele.
Não devia estar no recital?
Boa noite. Recital?
Não sentirão a minha falta.
Mal sabem que estou na Academia.
E, além disso, aprendi mais em salas como esta do que em qualquer sala de aula.
Não duvido.
Por favor, sente-se. Puxe uma…
- Cadeira? - Cadeira. Obrigado.
Cadete do 1.º ano Poe. E. A. Poe.
Edgar A. Poe.
Vejo que teve muita sede.
No comments yet. Be the first to leave one.