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TEMPO DE MISSÃO:
QUATRO DIAS, TRÊS HORAS, 46 MINUTOS
Warren, tenho a cópia impressa de todas as coordenadas.
Obrigado.
Muito bem, Endeavour, estamos aqui. Molly, estás ao vivo em todas as estações.
Estou na televisão? A sério?
Podiam ter-me dito. Teria feito um penteado bonito.
Gosto desse ar. Estás linda, querida. Meu Deus! É a minha miúda.
Porque é que toda a gente lhe dá atenção?
Porque ela é uma novidade, entendes? A primeira mulher astronauta.
Sim, mas o pai é o chefe dela.
Pronto. Come os cereais.
Molly, há milhões de pessoas no mundo ansiosas por saber o que pensas,
agora que estás a orbitar a Lua.
Faz-me sentir humilde.
Consigo ver o mundo inteiro a partir desta janela.
É difícil de acreditar que toda a gente que conheço,
todos os países e todas as civilizações,
estão contidas naquela pequena bola azul e branca.
Molly, recebemos milhares de cartas de mulheres que inspiraste.
Tenho aqui uma carta da Abigail Crouse, de oito anos, de Solvang, na Califórnia.
Gostava de ler-ta.
"Querida Molly. Desde que me lembro que adoro o espaço.
O meu irmão tem modelos das naves Apollo
e eu arranjava problemas sempre que brincava com elas.
Mas depois de seres escolhida para a Apollo 15,
o meu pai comprou um modelo só para mim.
Chamei Cobb ao módulo de comando
e Molly, como tu, ao módulo lunar.
Alguns miúdos na escola dizem que não há água na Lua
e que a tua missão é uma anedota.
Mas eu acredito em ti e sei que a vais encontrar.
Da tua amiga, Abigail."
Queres dizer alguma coisa à Abby? Aposto que ela está a ver.
Abigail, vou tentar não te desiludir.
E corta. Já não estamos no ar. Bom trabalho.
Nasceu uma estrela.
E não te esqueças de todos os que te ajudaram a chegar aqui.
Só se não puder.
Endeavour. Antes que a Molly comece à procura de um agente,
temos boas notícias para vocês.
O Rocky Ray e os geólogos
têm analisado a espetroscopia das vossas órbitas de reconhecimento
e acham que encontraram gelo.
Toneladas. Literalmente, toneladas.
Diz-nos onde está e levamos-vos algum.
Negativo, Endeavour.
A equipa de geologia vai usar esses dados para escolher locais para outras missões
porque o gelo está muito longe do vosso ponto de alunagem no Mar do Frio.
Onde está?
No polo sul. Na cratera Shackleton.
Vamos lá. Muda o plano. Faz-nos alunar em Shackleton.
É uma grande alteração, Ed.
Podes crer! É um desvio de 4000 quilómetros.
Não.
O Voo está a dizer que não.
É um risco demasiado grande e não estão equipados para a exploração.
Vão alunar no Mar do Frio, como planeado.
Vamos redirecionar a Apollo 16 para Shackleton.
Antes de partirmos, os cientistas disseram que a concentração de gelo no Mar do Frio
era à volta de 250 partes por milhão.
Qual é a leitura em Shackleton?
Depois da vossa sondagem, pode ser 500 vezes melhor.
Então, recomendo veementemente que repensem isto.
Não viemos até aqui só para fazer uns furos secos.
Houston, vamos cortar a voz por instantes.
Entendido, Endeavour.
Vamos lá, Mol.
O que aconteceu ao "mantém-te fiel ao plano, aconteça o que acontecer"?
A missão é encontrar gelo.
Sobrevoámos Shackleton
para obter os dados que os deixou todos animados.
- Concordas com isto? - Mudar o local de alunagem de repente?
É perigoso e idiota. Adoro.
Claro que sim, não és tu que vais lá abaixo.
- Queres trocar? - Então?
A CIA teme que os Soviéticos coloquem equipamento militar na Lua.
Porque é que alguém poria mísseis na Lua?
Só sei que o Presidente quer aquela base.
Precisamos de uma posição de vantagem contra os Soviéticos.
Shackleton parece o lugar ideal,
portanto, se a Apollo 15 consegue lá ir primeiro, devíamos fazê-lo.
A minha tripulação tem a última palavra.
Fala com eles.
Treinámos para o Mar do Frio.
Ninguém sabe o que há em Shackleton.
Não nos vale de nada despenharmo-nos numa abordagem imprevista e repentina.
Tem piada porque "imprevista e repentina"
é a definição da tua abordagem ao treino.
Isso foi antes.
Ouve, às vezes, temos de arriscar.
O que queres dizer com isso?
Sem riscos, não levamos água da Lua.
Se fosse só por mim, arriscava sem problemas.
Mas se correr mal, não dirão: "O Baldwin cometeu um erro."
Dirão: "As mulheres não se safam no espaço."
E o que dirão se formos para casa de mãos a abanar?
Aquilo que a comunicação social tem dito.
Que esta missão é só um golpe publicitário.
Exatamente.
Endeavour, daqui Houston.
Repensámos a alunagem em Shackleton.
A dinâmica de voo tem um plano de rota que vos levará lá,
mas não sabemos que tipo de terreno vão encontrar.
É um risco elevado, portanto... Vocês é que decidem.
Ainda querem fazer isto?
Tu é que sabes, Cobb. Não posso fazer isto se não alinhares.
Foda-se, vamos a isso.
É assim mesmo que se fala! Linda menina!
Houston, daqui fala a Endeavour. Vamos para Shackleton.
Lembras-te do que me disseste antes do lançamento?
Bem, agora vais mesmo fazer alguma coisa.
PARA O ABISMO
O módulo lunar Seahawk deixou a órbita no lado mais afastado da Lua
e prepara-se para iniciar a descida para a cratera Shackleton.
Isso deixa a astronauta Cobb um passo mais perto
de ser a primeira mulher norte-americana na Lua.
Com licença.
A missão histórica também espera responder à questão
sobre se há gelo na superfície lunar.
Os cientistas dizem que a zona de maior probabilidade é o interior das crateras
que raramente recebe raios de sol.
A descoberta de gelo e, como tal, de água, permitiria uma base lunar permanente...
Olá, Karen. Desculpa o atraso.
Não, chegaste antes de alunarem.
Pois. Ouve...
Sei que vocês gostam de beber, portanto, espero que gostem de mescal.
Nunca provei.
Nem sabes o que te espera.
Foi destilado em Oaxaca.
É do mesmo tipo que o cônsul bebe em Debaixo do Vulcão.
Isso é um filme?
Não. É um livro brilhante sobre um alcoólico.
No entanto, ele também tinha muitas qualidades boas.
Foi uma espécie de herói trágico de uma forma distorcida...
- Devias lê-lo. - Certo.
Porque não entras? Eles estão quase a alunar.
Seahawk, cinco segundos para a descida.
Entendido. Código 99. Prosseguir.
Tenta não estragar isto, está bem, Cobb?
Nunca houve tanta coisa em jogo.
O Seahawk está agora a oito minutos
de uma perigosa alunagem em terreno inexplorado.
Os críticos dizem que a mudança de planos de última hora da NASA
é a coisa mais insensata que a agência já fez...
Vem para aqui.
... e um risco injustificável para a vida
da primeira mulher norte-americana a viajar para a Lua.
Esperemos que estejam enganados.
Redução de velocidade.
Não há alertas. Parece bem.
Boa altitude. Fase de travagem completada.
Boa velocidade, descida nominal.
Oxidantes cerca de um porcento abaixo.
Certo.
Houston, daqui Seahawk. Vamos nivelá-la um pouco.
Entendido, Seahawk.
O PNGCS e o AGS correspondem.
Na Apollo 10, só cheguei até aqui.
Fica comigo. Desta vez, levo-te até ao fim.
Era essa a Cobb que eu procurava.
O RCS está bem. Sem alertas.
Verificação da posição. Faltam 15 milhas náuticas.
A pressão da propulsão da descida continua boa.
A chegar a Shackleton.
É mesmo escuro ali em baixo.
Ainda estão sobre a cratera, a cerca de quatro milhas náuticas da orla,
e as leituras de altitude são elevadas.
Combustível a 17 %.
Isso pode tornar-se um problema, Voo.
Vá lá, Ed.
O PNGCS e o AGS assemelham-se.
Combustível e oxidante dentro do um porcento. Parece bem.
Certo, chefe. Está na hora de arranjares um sítio bom para acamparmos.
Muito bem, Houston, escolhi um sítio bom e liso,
a cerca de 400 metros de Shackleton, para podemos alunar.
Vai ser difícil pousar ali.
É para isso que me pagam.
Estamos a 610 metros, 42.
Certo.
Este lugar é bom.
Estamos a 244 metros, 44, 45.
Seahawk, daqui Houston. Luz verde para a alunagem.
Muito bem, vamos a isto.
Quarenta e quatro, 122 metros. Vamos a seis metros por segundo.
Muito bem, código P66.
Faltam 15 metros e três minutos.
Os marcadores de velocidade parecem bem. Combustível a sete porcento.
Muito bem, temos aqui muita poeira.
Estamos a 4,6 metros e a um minuto. Combustível a seis porcento.
Estamos a 2,4 metros. A pousar.
- Contacto. - Desligar motores.
Houston, daqui Base Shackleton. O Seahawk pousou.
Ena.
Estamos mesmo aqui.
Nunca na minha vida me apeteceu mais um cigarro.
Fizeste um longo caminho, querida.
Vamos correr a sala. Ficam ou não, num minuto.
O que achas do teu pai?
- É o melhor. - É, não é?
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