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O que você quer?
Cerveja.
- Só tenho Chango quente. - É dessa que eu gosto.
Muito bom.
A melhor cerveja que já tomei.
- Verdade. - Mais alguma coisa?
Estou contente de estar vivo.
Estava numa cidade perto. Conhece Saragosa?
Tem um bar lá. Não como este, servem cerveja.
Não tão boa como esta, mas quase.
Vi algo que não acreditarão.
Estava sentado sozinho.
E o bar...
estava cheio de marmanjos.
Não como aqui, eram caras escrotos.
Pareciam do mal, sabe como é?
Eu estava sozinho, gosto disso. Enquanto isso, as coisas rolavam.
Por baixo do pano, não muito óbvias...
mas não muito escondidas.
E aí, estava sentado lá...
quando entrou o maior mexicano que já vi!
Enorme! Entrou como se fosse dono do lugar.
Ninguém sabia o que fazer nem o que pensar.
Lá vinha ele, entrando, era escuro também.
Não a pele escura, diferente.
Era como se caminhasse na sombra.
A cada passo que dava em direção à luz...
achava que seu rosto seria revelado, mas não.
Era como se as luzes diminuíssem para ele.
Isso cheira à merda.
Aí, o cara sentou-se no bar.
- Pediu refrigerante, ficou quieto. - Pediu um refrigerante?
Não era a bebida que interessava.
Interessava mais o que ele carregava.
Parecia um estojo pesado.
Sentou a coisa a seu lado como se fosse a namorada.
Que coisa.
De repente, o filho da mãe falou.
Começou a cochichar algo sério, porque o cara do bar não gostou.
Principalmente quando mencionou...
disse algo como...
bruxa ou bucho.
Era isso mesmo: Bucho!
Ele aborrecia o cara do bar.
Sabe os imprestáveis de que falei?
Não gente de classe, como os daqui, gentalha mesmo.
Também ficaram bravos e começaram a tirar armas, facas...
e começaram a merda.
O estranho saltou do banco feito uma bala...
e pulou no meio do bar com o estojo.
Não sei o que ele fez. Mas, num instante, o estojo se abriu.
Tirou de lá um canhão enorme, como eu nunca tinha visto.
O CLIENTE NUNCA TEM RAZÃO
E foi só o começo.
E, com tudo isso, ficou parado. Não correu nem brigou?
Eu estava paralisado, só conseguia olhar...
o lugar todo sendo destruído. Espantoso!
Os canalhas iam aparecendo e tendo mortes bem merecidas.
Não me entendam mal, não era gente de classe como esses aqui.
De jeito nenhum! Eram a escória do mundo.
Tiveram o que mereciam.
Foi a noite do "Juízo Final."
Ele agarrou um dos caras, o único que ainda respirava.
E arrancou informações.
Percebi, pelo cochicho, que estava entregando tudo.
Abriu-se todinho, confessou o mundo, disse tudo ao estranho.
Tudo?
Tem uma caneca limpa? Esta está suja.
Vá se foder, cara. É a mais limpa que tenho.
Aí então...
de repente, sem aviso nenhum, o estranho girou o corpo...
...e me viu. - Viu a cara dele?
A cara? Não.
Os olhos.
Não fez nada com você?
Não. Sua atenção foi despertada por um cara no chão.
O estranho atirou nele...
foi até o barman, pagou e saiu.
O barman sobreviveu?
O barman nunca morre.
Mas...
quando se aproximou da porta...
Não, o barman levou a pior.
Tome, esta é por conta da casa...
...se lembrar da cara dele. - Obrigado.
Mas não, obrigado. Vou dar o fora, caras.
Porque eu acho...
que ele vem para cá.
Obrigado, caras. Cuidem-se!
"A BALADA DO PISTOLEIRO"
Vaca!
- Venha! - Por favor!
- Quem é? - Seu único amigo.
Não acha que é cuidadoso demais?
Um dia desses, deitará em cima disso e explodirá os miolos.
O que quer?
Ele está lá.
Falei dele, e tremeram.
- Bucho está lá? - Nem me ouviam...
mas, assim que falei nele, ficaram de orelha em pé.
Querem saber quem você é.
- Contei uma história bem dramática. - Dramática?
Muito dramática, é o maior mexicano que já vi.
- Maravilha. - Certo, exagerei...
mas acreditaram. Estão morrendo de medo.
Para onde vou?
Bar Tarasco, está bom para começar.
Não dê um banho de sangue como da última vez.
- Não foi culpa minha. - Claro que não.
- Eles começaram. - Não importa.
Lembre-se: Você quer o Bucho.
Ele tem muitos capangas. Mas, sem eles, está morto.
- Economize as balas. - Agora virou irmão mais velho.
Sinto-me responsável por você, sim.
Posso perguntar uma coisa? O que fará quando ele morrer?
Quando Bucho morrer...
acabou.
Ele é o último.
Fim da vingança, olho por olho, essa besteira. Ficará satisfeito?
- Acho que sim. - Espero que sim.
Não tenho mais saco para isso.
Nunca teve.
Nem você.
Anda, idiota!
Por que essa luz, cara?
Espere, Bucho, liguei para o bar Oro Verde, em Saragosa.
Ninguém atendeu.
Avise se souber de algo.
Ok! Até logo!
Fique de olho nas operações.
Verifique duas ou três vezes, mesmo os clientes antigos.
- Deixe comigo. - E o carro, já está pronto?
- Terei de esperar muito? - Não gostei, devolvi.
Devolveu? Poderia fazer o carro sozinho nesse tempo.
- O que é isso? - É o meu sobrinho.
Precisa de trabalho, quer que você veja como luta. Cuido dele.
Isso é demonstração? Lutar com Pipon?
Se não vencer Cristos, não me interessa. Cristos, vá lá.
Pipon, saia daí.
Cristo! Cristo! Cristo!...
Não parece especial até agora.
É assim que eu gosto. Vamos, seus maricas!
Nunca mais vai dançar.
Cristos já era. Vamos, acabou.
Ei, ei ei... me escute! Quero que faça o seguinte...
pegue mais homens e cerque o Tarasco e La Asteca.
Os colombianos acham que não damos conta do volume extra.
Estão nos vigiando.
Senhor!
- O quê? - E ele?
Engesse essa perna e seja bem-vindo à família.
Te ligo, menina!
- Sai, pestinha, vai! - Saia daqui!
- Quanto é em dólares? - Em dólares?
- 18 mil dólares. - 18 mil dólares?
Matamos, ou pagamos?
- Sobra mais para nós. - Tenho a prestação da casa.
Matamos.
Com licença, já trabalhei em bar.
Sei o que é atender ao público.
Gostaria de chamar sua atenção...
para o fato de que o atendimento aqui precisa melhorar.
- O que quer dizer? - O que quero dizer?
O garçom?
Onde está?
Não diga que ainda está no banheiro.
Não voltou para ver se queríamos mais alguma coisa, e queríamos.
E não trouxe a conta.
Queremos a conta para dar o fora daqui.
Tome, deve ser suficiente.
Não espere gorjeta.
Se não me tratar bem, não a convido para sair.
- Sua cerveja tem gosto de urina. - Eu sei!
- Urinamos nela. - E não é só isso.
Cerveja ruim, serviço ruim. Não sabem que não devem entrar?
Duas cervejas. E isto é para você.
- Só um minuto. - Muito obrigado.
Queria ver o violão.
- Você toca? - Sim, e você?
- Um pouquinho. - Toque alguma coisa.
Agora não.
Este é de meu pai, mas ele não toca mais.
Não há trabalho para músicos hoje em dia.
Agora ele assiste à TV.
- Que pena. - Não era muito bom mesmo.
Não tão bom como eu serei, ouça.
Solte os dedos um pouco.
Assim.
Entendeu?
Solte-os.
- Como faz isso? - Está bem.
Dê aqui.
Esqueça esta mão.
Se quer ficar mais rápido, este é o segredo.
Entendeu? Muito bom.
Pratique isto...
todos os dias.
O dia inteiro.
Da próxima vez, ensinarei a você uma música...
usando o que aprendeu.
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