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O Sol da meia-noite é um fenómeno astronómico
observado nas regiões polares. Por volta do solstício de verão,
a inclinação do eixo de rotação da Terra
alcança tais latitudes
que o Sol nunca desce abaixo do horizonte
e, por conseguinte, nunca se põe.
John.
Está feito.
Adeus, pai.
Ele diz que está feito.
Porque nos mentiria?
Agora, está feito.
Encontra o teu irmão.
Trá-lo para casa.
Aonde vais?
Porque não o fizeste?
Teria sido mais fácil.
Não consegui.
Tratei do assunto.
O pai quer que vás para casa.
Ele vai esquecer isto.
Estou farto.
Não é assim que funciona.
Para de te meter comigo, Michael.
Ou o quê?
Sai daqui.
Não me digas o que fazer.
Queres mesmo fazer isso, irmão?
Nunca foste meu irmão.
De que é que precisas mais?
Só de dinheiro e de documentos.
Está bem, vou ver se arranjo.
Está bem.
BASEADO NO LIVRO O SOL DA MEIA-NOITE DE JO NESBO
Onde estiveste?
É quase meia-noite.
Estive a tratar do barco.
Anda cá.
Estou muito cansada. Estou...
Não quero saber.
Meu Deus!
Meu Deus!
Para!
Desculpa.
Desculpa!
Tratas-me como um estranho na minha própria casa!
O que se passa contigo?
Cal! Meu Deus!
-Sai! -Olha o que me obrigaste a fazer!
-Sai! -São ambos patéticos!
Não te mexas.
Peguei fogo àquela maldita casa.
Precisas de pontos.
Eu fico bem.
Ele não pode ter ido longe.
Não tem dinheiro nem passaporte.
Devias ter trazido o teu irmão para casa.
Eu tentei, pai. Juro.
Tudo o que tu e o teu irmão têm nas vossas cabeças
fui eu que lá coloquei, por isso, não tentes enganar-me.
Ele mentiu-nos, porque o quererias de volta?
Os filhos cometem erros.
Os pais perdoam-lhes.
É assim que funciona.
Farias o mesmo por mim?
Acabei de o fazer.
Vai ver também os teus olhos.
Com licença.
Desculpa!
O que fazes aqui?
Isto é propriedade do meu avô.
Ele é muito rígido.
Sabes onde posso arranjar um quarto?
Um lugar onde possa ficar uns tempos.
És um agente da autoridade?
Sou só um tipo à procura de quarto.
Mãe.
Um estranho precisa de alojamento.
Não temos hotéis aqui.
Tem de ir para outro sítio.
Pode ser só uma cama.
Quanto tempo vai ficar?
Alguns dias.
Porquê?
Viagem de caça.
Viaja com pouca bagagem.
Sim, deixei o equipamento no comboio.
Vão mandar-mo.
Então, deve ser mais do que uns dias.
Se quiser caçar.
As pessoas também não gostam muito de fumar por aqui.
Desculpe.
Pode haver alguma coisa.
Há cabanas de caça nas montanhas.
Pode ficar uns dias. Mas vai ficar frio em breve.
É perfeito.
Suba a rua e há um...
Tudo bem, mãe. Eu acompanho o senhor.
Tu não vais, Caleb.
Continue a dar a volta e verá... vê-lo-á.
Está bem, obrigado.
Obrigado, Caleb.
-Por ali? -Por ali, sim!
Porque não pode ficar em nossa casa?
Sabes porquê.
Ele tem uma arma.
E então?
Pensei que...
Não precisamos de um homem armado.
Parece uma viagem incrivelmente longa só para ir caçar.
Não há muita caça onde moro.
Não me lembro se me disseste onde era.
Não disse.
Não falas muito.
Tu falas.
É uma pena,
não costumo encontrar pessoas com quem trocar opiniões por aqui.
Não que eu saiba muito sobre o mundo,
mas é por isso que seria interessante
ter um ponto de comparação de alguém de fora.
Eu consigo a partir daqui, obrigado.
Tenho de explicar umas coisas, primeiro.
Quase ninguém usa esta.
Especialmente nesta altura do ano.
Não é muito adequado para caçar.
Está tudo do teu agrado?
Sim, está tudo bem.
Não faz mal.
Gostava de dormir um pouco.
Como tencionas alimentar-te e hidratar-te?
Irei à aldeia.
Há duas lojas diferentes.
Podes tomar uma decisão errada.
Só uma está correta.
Se meteres um pé na outra, acabas no Inferno.
Está bem.
-Tens um carro por perto? -Não.
-Então, é melhor embrulhar isto. -Posso carregá-la bem.
Não és tu, são as pessoas que vivem aqui.
Não gostam de ver estranhos por aí com álcool.
Na verdade, não gostam nada de álcool.
Nem de estranhos.
São fanáticos.
Se te divertires, vais direto para o Lugar Mau.
O que me faz pensar o que fazes aqui.
Caço.
Vieste pela conquista?
Por onde chega o correio?
Há uma casa ao fundo do cais.
Estás à espera de alguma coisa?
Não.
-Até logo. -Até logo.
Sente-se.
Tem filhos?
Nunca magoaria uma criança.
Mas, se tiver filhos,
deve imaginar o que um pai faria para encontrar o seu.
Olhe para mim enquanto falo consigo, por favor.
Imagine que o seu próprio filho desaparecia,
outro homem sabe onde ele está, mas que não lhe diz.
Um homem que está a ajudá-lo para que não volte a ver o seu filho.
O que estaria disposto a fazer para descobrir o que esse homem sabe?
Imagine o que eu faria.
John, John, o carro do pai avariou.
Tenho de ir buscá-lo.
Posso ir?
Não demoro.
Pai.
Encontraram-no a poucos quilómetros de um cabo.
Lamento, Lea.
O Senhor tinha muitas razões para o chamar de volta.
E terá muito que explicar.
Devíamos rezar pela alma dele.
Senhor, dá-lhe misericórdia.
Depois, cuidaremos de ti e do Caleb.
Senhor, perdoai ao Aaron
os pecados que cometeu nesta Terra,
pois ele nem sempre via a dor que causava.
Odeio este sítio.
A morte.
Às vezes, o seu abraço é lento e natural.
Às vezes, até podemos vê-lo como uma libertação.
E, outras vezes...
Outras vezes,
chega de repente, sem aviso prévio.
Mas nunca é inesperado.
O frio e o gelo são os nossos guardiões inconstantes
e sabemos que o nosso tempo aqui
pode ser interrompido a qualquer momento.
O Senhor tem-nos na palma da mão
e nós curvamo-nos perante a Sua glória.
Temos de tranquilizar o Caleb e a Lea
de que, apesar de terem perdido um pai e um marido, não estão sozinhos.
E vamos proteger-vos enquanto estiverem connosco,
pois estais no ventre da natureza, criado por Nosso Senhor.
Olá.
Perder um gémeo
é uma dor insuportavelmente dolorosa.
É algo que nunca compreenderás.
Tal como eu nunca compreenderia a dor de perder um marido.
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