The first 200 lines.
Pode dizer o seu nome?
Martin Moreno.
Mas devem conhecer-me por…
Martin!
Ando em turné com o Gabriel Iglesias há mais de 20 anos.
Martin!
E ele anda a gritar o meu nome há mais de 20 anos.
Despacha-te, Martin!
É melhor do que muitos casamentos. É um sucesso.
Tem sido uma viagem incrível.
Passámos de garagens, clubes, salas de estar,
para teatros, salas de espetáculo por todo o mundo,
e, agora, um estádio.
Dizem que a comédia é subjetiva,
mas, quando se esgotam estádios,
acabou-se a subjetividade.
O que se pode esperar?
Um dos maiores espetáculos a que Los Angeles já assistiu.
E, façam o que fizerem, têm de ficar até ao fim.
Têm de ver como isto acaba.
E o que se pode dizer mais?
Sem mais delongas,
ao vivo no Dodger Stadium, Gabriel Iglesias!
UMA COMÉDIA NETFLIX
FLUFFY AO VIVO EM LOS ANGELES
Los Angeles!
UNIDOS PELO RISO
Fluffy!
Conseguimos.
Não fui eu, fomos nós.
Muito obrigado.
Muitíssimo obrigado…
Tipo: "Ele quer chorar." Sim, quero chorar.
E nem há 30 segundos aqui estou.
Obrigadíssimo.
Obrigado.
Alguns acabaram de descobrir que o Martin existe.
Viram-no, finalmente, não foi?
Aos mexicanos, faz lembrar o Machete.
Ou o Marco Antonio Solís.
Aos brancos, o Grande Lebowski.
Isto é incrível. O Martin não estava a mentir.
Começámos em garagens manhosas e em churrascos de quintal,
bailes de debutantes, casamentos…
E agora, estar aqui… Aqui, estamos em casa.
O meu ponto mais alto vai ser esta noite,
sem sombra de dúvida.
E é um prazer ter-vos aqui.
Isto é…
Depois da Covid, não sabia se ia acontecer.
Entendem?
A única coisa boa que posso dizer de 2020, pessoalmente,
foi o facto de, por algum motivo, ter perdido 32 kg.
Obrigado.
Sim, eu perdi 32 kg.
Perguntam-me: "Qual é o segredo?"
"Não é segredo, fecharam os restaurantes, o segredo é esse."
Não sabia cozinhar, o segredo é esse.
Andava lá em casa, com o grelhador, de volta das salsichas…
Estávamos em turné em Kalamazoo, no Michigan,
quando tivemos de voltar para casa.
E, quando chegámos a casa, ligámos as televisões.
E vimos as mentiras deles.
Não são teorias da conspiração, foi o que disseram.
"Serão só duas semanas."
É verdade, disseram duas semanas.
"Senhoras e senhores, pedimos-vos
que fiquem em casa com os mais chegados,
em família, duas semanas, até resolvermos isto.
O Dr. Anthony Fauci deu-nos novas informações.
Apenas duas semanas, é só o que precisamos."
Peço desculpa por usar este estereótipo de voz branca.
Mas foi a que eles usaram.
É a voz que se usa em momentos de crise.
Não podia ser outra.
Não podia ser:
"Não, homem, cala-te!
Duas semanas e está feito!
Vais para casa, com a mamã e o papá.
E se a Covid aparecer por lá,
dizes-lhe que não está lá ninguém.
Volta noutra altura.
Só duas semanas."
Não podia ser outra voz.
Não podia ser:
"Eu é que vos vou dizer o que vão fazer, raios.
Piram-se para casa e ficam alerta.
Ficam alerta e, se a Covid aparecer à porta,
despacham-na logo, de caras. É o que vão fazer.
Só duas semanas."
Não podia ser outra voz.
Não podia ser:
"Manos, 'tão a ver, vai ser assim.
Vão para casa, com a malta chegada, 'tá bem, manos?
E se…" Não se riem da voz de "preto"?
Não faz mal, a culpa é vossa, não é minha.
Tudo bem.
Duas semanas, foi a promessa.
E, de duas semanas, passou a dois meses,
passou a meio ano, passou a mais de um ano.
E, aos poucos, revelaram quem eram os mais vulneráveis
à Covid-19.
Parece que são os maiores de 45, não é?
Quem tem peso a mais.
Vamos lá.
Os diabéticos. Não pode… a sério?
Os mais vulneráveis, os latinos e os afro-americanos.
Adeus, ó vai-te embora.
Vim a perceber que tinha 85 por cento dos fatores de risco.
Mais de 45, com peso a mais, diabético, com colesterol alto, hipertenso.
A Covid parece o meu par perfeito no Tinder.
Finalmente, alguém desliza para a direita,
e o nome dela é Corona.
Pois.
A máscara ainda é polémica.
Uns são a favor, outros não.
Em alguns sítios é necessária,
noutros é opcional.
A maior queixa que já ouvi sobre as máscaras
é que as máscaras cheiram mal.
E estou aqui para vos dizer que não cheiram.
Vocês é que cheiram.
Esse cheiro é aquele que toda a gente já comentou, estes anos todos,
e agora estão a inalar o que nós sempre inalámos.
Pois é.
Honestamente, a minha máscara cheira muito bem.
A minha máscara cheira a Oreos e a bolo três leites.
Se cheirarem a minha máscara,
até vão babar, de tão boa que é.
Devia vendê-la no OnlyFans, para ganhar algum.
Já sei… "Que labrego!" Pois, é assim.
O que vou dizer a seguir
não tem nada que ver com política.
Por favor, não vão por aí.
A vacina.
Olhem para alguns de vocês.
"Já está, eu sabia.
Ele levou todos os reforços e mais alguns."
Eu não vos vou dizer o que devem fazer,
só quero partilhar uma história.
Eu vacinei-me, e não digo isto para obter aprovação.
Só estou a dizer isto
porque tinha 85 por cento dos fatores de risco.
Perante isto, tive de arriscar.
E queria trabalhar.
Eu vacinei-me, mas a coisa funcionava assim.
No início, quando nos queríamos vacinar,
não bastava aparecer na farmácia.
Era preciso marcação.
E tínhamos de ir de carro, não era só aparecer.
Eu bem tentei.
Tentei usar a minha carinha laroca.
Mas parece que isso só resulta no Red Lobster.
Posso aparecer no Red Lobster num sábado, às 8 horas.
"Tem reserva?"
"É o Fluffy, façam biscoitos!"
Mas para a vacina fiz marcação, como toda a gente.
Íamos dentro do carro.
Havia um altifalante.
"Posso ajudá-lo?"
Soava tão familiar.
"Sim, vou querer…
… uma vacina das grandes."
"- Pfizer ou Moderna?" "- Tenho cupão, a que for à borla."
"Dirija-se à janela." Vou até à janela seguinte.
E aparece um tipo todo coberto, todo cheio de…
Damos-lhe o braço e ele dá-nos a pica.
E mandam-nos estacionar,
entre dez a 15 minutos, para o caso de termos uma reação alérgica.
Eu estou no carro, com o rádio ligado, com o ar condicionado,
dou uma espreitadela e reparo que há gente a protestar.
E está muito bem.
Protestar é um direito e eu sou a favor.
O meu problema é quando os manifestantes saem do passeio
e se colam a ti.
O que aconteceu foi isto.
Eu espreito, vejo os manifestantes e cruzo o olhar com um deles.
Passava o dia naquilo, no carro.
"O que foi?"
A senhora para quem olho, de repente, vem direito a mim.
E eu: "Ora porra."
Chega ao pé do carro e começa a disparatar comigo.
E nunca nenhum estranho tinha disparatado comigo sem motivo.
Ela aproxima-se do carro e diz:
"Você é mesmo estúpido!
Como é que se pode ter vacinado?
Não faz ideia do que acabou de meter no seu corpo, idiota!"
Não sabia o que dizer.
Pensei: "Eu como chouriço, minha cabra."
Não imaginam o que essa vacina tem de ultrapassar
para ter algum tipo de efeito.
São anos e anos de chouriço, chicharrón, carnitas,
carne assada, cachorros, mortadela, Spam, guisado de tripas,
sopa de carne.
Ainda leva uma boa coça.
Sim, e além disso,
andávamos em conversações com a Netflix para fazermos um novo programa.
E durante a pandemia, sobretudo em 2020,
não houve a mínima hipótese de reunir algumas pessoas,
quanto mais um estádio.
No comments yet. Be the first to leave one.