The first 200 lines.
Senti saudade do trajeto até meu árduo trabalho.
Paris tem seus charmes, mas Boston é diferenciada.
Desculpa.
Nós ficamos tanto tempo fora, Paulski.
As correspondências que coletei comprovam isso.
Avis, não sabe o que encontramos
no meio dos folhetos do dojo de judô do Paul.
- Fala. Estou morrendo com o suspense. - Uma carta da CBS.
Você vai aparecer no Sullivan?
Eles querem conversar sobre um possível programa meu.
E o que você vai responder?
Nem vou pensar nisso agora. Passamos meses viajando.
- Parece o primeiro dia de aula. - Pois é! Nem dormi à noite.
Quero comer as sobras.
O bolo da Entenmann's foi o que comi de mais gourmet.
Aqueles bolos são bons.
Lucy, chegamos!
- Programa errado. - Bem-vinda!
É maravilhoso estar de volta!
Senti saudades de todo mundo.
Bem-vinda à sua casa.
Senti saudades suas.
Eu também, minha querida.
- Voltei inspirada. - Quero ouvir tudinho.
Olá, Alice.
- Julia, eu vou pôr isso aqui. - Sim. Les cadeaux.
Pessoal, antes de começarmos, eu trouxe umas lembrancinhas.
Achem o nome de vocês. Espero que gostem.
Senhores, os brinquedos são para os seus filhos.
Benny, quero te ver direito. Você perdeu peso?
- Só o que ganhei na temporada passada. - Vai recuperar logo.
Todos saúdem a Julia, nossa heroína desbravadora!
- Hunter, que bom ver você! - Digo o mesmo.
- Podemos bater um papinho? - É claro.
- Bom dia. - Bom dia.
Gostou do cartaz?
Gostei.
Mas não deveria estar lá de fora?
E está.
Vai ser uma segunda temporada excelente.
Sim, com toda a certeza.
Vendemos para mais doze estados enquanto esteve fora.
O programa vai passar simultaneamente no país inteiro.
Noites de domingo serão noites de Julia de uma costa à outra.
Que emoção!
Um público novo!
Tenho planos para a temporada, Hunter.
Receitas tão recentes que nem estão no livro.
Tudo bem. Mas as sobremesas são a cereja do bolo. Foi um trocadilho.
Chicago, Filadélfia, Houston, todos querem mais episódios de sobremesa.
Entendi. Tudo bem.
Então, no que está pensando?
Enquanto estava na França, pensei
que o Paul poderia dirigir alguns episódios.
Ele tem aquele olhar afiado de fotógrafo e é meu melhor colaborador.
Não precisa. É um lindo gesto,
mas você não é só...
Gesto? O Paul não é um gesto.
O programa é grande. Você é grande. Contratei uma grande diretora pra você.
O Albert está à beira das lágrimas.
E vou dizer uma coisa: não gosto de ver aquele homem chorar.
- Homem não chora. - Os sinais estão claros, Ralphy.
Vamos acabar seguindo os passos do padre do jazz.
- E não é até o Paraíso. - O que faremos?
O que o sindicato fez?
- O que os mineradores fizeram? - Morreram de antracose?
- Quero que você veja logo! - Estou orgulhosa.
Vejo quando tiver uma horinha.
Não quero que assista em parcelas.
Parcelas?
Dura quase três horas, parceira.
Mas parece bem menos.
Nossa, isso...
Então é melhor eu esperar pra ver o produto final.
Só é inédito na primeira vez, né?
E, Russ, volta a me chamar de "Al"? "Parceira" é bem pior.
Vamos pegar um trecho do rascunho da The Atlantic.
Aventuras inéditas na floresta tropical com uma antiga tribo indígena.
Perdão pelo atraso.
Começamos sem você.
A coleção póstuma da Sylvia Plath foi pra concorrência.
Incrível.
A incompetência de alguém é melhor do que o trabalho duro da Judith.
Vá pro inferno.
Já estou nele.
Pítia, tome as rédeas.
Veja se tem salvação.
Alfred, tivemos dificuldades com a questão do acervo.
Seria difícil ter outro desfecho.
Ninguém pediu sua opinião.
Se você tivesse me dado ouvidos em vez de rejeitar o projeto da Plath...
O que aconteceria?
Chega de desculpas.
Já nos cansamos delas.
Preciso disso amanhã cedo.
A Plath não foi culpa sua.
O Ted Hughes é um desgraçado controlador.
Ninguém liga pra isso.
Aquele livrinho não daria lucro.
Só estou frustrada.
Frustrada com você.
Comigo?
Você me deixou sozinha com aquele rascunho enorme do James Cain.
- Sem observações, sem contatos... - Isso está encaminhado.
Por um livro de receitas.
Me empenhei em três manuscritos na viagem.
Se empenhou em comer doce.
Tem razão de estar irritada, Blanche, mas não comigo.
Não sou seu saco de pancadas.
Se você acha que é um saco de pancadas, é porque nunca levou pancadas.
Não, o trabalho é assim mesmo.
O trabalho.
Acha que pode sumir e reaparecer quando quer?
Não é um emprego qualquer, Judith.
Não pode se escorar nas suas glórias passadas.
Senão acabará na rua.
A verdade é que você pode muito bem ser demitida.
Ou posso me demitir.
- Julia? - Sim?
- Quero que conheça a nova diretora. - Sim, claro.
Julia Child, Elaine Levitch.
Que prazer conhecer você, Julia!
Obrigada por substituir o Russ, um grande diretor.
E sabe o que mais é grande em homens grandes?
- As roupas! - Sim, claro.
Também é de Los Angeles, né?
Pasadena.
Podemos conversar depois da gravação, e você me dá detalhes sobre o programa.
É só um programa.
- Então vamos começar. - Sim.
Pessoal, antes de começarmos, quero dizer umas palavrinhas.
Estou muito feliz de estar trabalhando neste programa com essa mulher incrível.
É uma honra, de verdade.
Adoro fazer parte desta equipe, porque é isso que somos.
Com a contribuição de todos, chegamos à receita para o sucesso.
Literalmente, no caso.
Tá, vamos ao show!
- Frio na barriga? - Um furacão!
Julia, está tudo pronto.
Esta temporada nos levará a uma viagem pela França com ensopados deliciosos,
sobremesas apetitosas e até um pouco de nouvelle cuisine.
Corta.
Cortar por quê? O que houve?
- Está desfocada. - Isso importa?
Nunca tivemos problema com foco.
Benny, pode levantar um pouco a câmera? Sem inclinar.
Só sobe um pouco.
Boa!
Bem melhor.
Tá, vamos do início. Gravando.
E ação!
Olá, Kansas City! Aqui é a Julia Child.
Toc-toc.
Julia!
Oi. Bem-vinda de volta.
Nossa!
Isso que eu chamo de abraço.
Como foi na França?
Foi magnifique.
Mas é bom estar de volta no agito.
Minha cabeça está cheia de ideias.
Desculpe não ter ido ao set.
Eu quis deixar a Elaine à vontade.
Como foi?
Foi bom. A comunicação é meio diferente.
É, isso leva um tempo. Foi assim com a gente.
Sim, é claro.
Trouxe uma bobeirinha de Paris.
Não acredito! O quê?
Foie gras.
Lembra daquilo?
Claro. Minha vida dependia daquilo.
Uma lembrança gostosa, e não só da França.
Obrigado.
E como você está? Quais são as novidades?
Estou bem. Ocupado.
Trabalhando duro num novo programa de documentário.
Entrevistei um professor de Harvard
e não fiz papel de bobo.
Eu acho.
Tem sido gratificante. Quero explorar coisas novas, sabe?
- Que maravilha, Russ! - É.
Quero falar da nota da prova.
Estou ocupado.
Vou reprovar por faltas?
Stanley, precisa entender que faz mais de 45 anos que não tenho encontros.
No meu último encontro, o Modelo T era o carro do ano.
Não existia televisão, muito menos voos comerciais.
Foi antes do Oreo.
O que eu fiz não tem desculpa.
Foi cruel.
E uma covardia.
A verdade verdadeira é que fiquei com medo.
Sinto muito mesmo.
Antes do Oreo?
- Depois do sanduíche. - Até que tem uma conexão.
Até uma evolução.
- Da próxima vez, me fale. - Sim. Pareço criança.
Mas não tiro a salsinha do frango.
Minha colega Elaine Levitch o recomendou.
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