The first 200 lines.
Lyra. Lyra, consegues ouvir-me?
- Roger. - Lyra.
- Roger. - Lyra.
Diz-me só onde estás e irei encontrar-te.
A Terra dos Mortos.
O que é?
Não é nada.
- E o que é que te acordou? - Dormi o suficiente.
- Foi outro pesadelo? - Não.
- Então, foi o quê? - Tenho apenas muito em que pensar.
O Roger precisa de nós.
Tenho de ir à Terra dos Mortos e resolver as coisas.
Quer dizer, temos de ir.
Aconteça o que acontecer, estaremos juntos.
Ajuda-me a entender o que aconteceu.
Havia forças inesperadas em volta da rapariga.
- "Forças inesperadas"? - Forças do mal.
Os nossos soldados viram o rapaz e a rapariga desaparecerem.
Deverá ser preciso mais do que força humana para a erradicar.
Aquela criança não pode viver.
Senhor, a sua prisioneira acordou.
Muito bem.
É curioso ver-te assim.
Olá, Asriel.
Vais achar isto um pouco mais confortável.
Não é assim tão confortável.
Não precisas de me amarrar, Asriel.
És minha prisioneira.
Estás a gostar disto, certo? Continuas a ser o mesmo homem.
Podias estar aqui ao meu lado, sabias?
Dei-te essa escolha no cimo daquela montanha. Recusaste.
O mesmo homem, não. Ainda mais mesquinho.
Acho que não mudei nada. Fiz aquilo que disse que ia fazer.
Mas tu? Voltaste para a ir buscar e falhaste.
Ela está aqui?
Ainda usas isto?
Não, não está.
- Ouve-me. Ela está em perigo. - Não. Não.
É nossa filha e o Magisterium quere-a morta.
Vais perceber que também nos querem mortos.
Sabes o que eles dizem que ela é?
- Uma treta. Uma treta religiosa. - A Eva, Asriel.
Como é que tu e eu podíamos ter feito outra Eva?
As bruxas também acreditam nisso.
A maldita devia ter ficado quieta e cumprido as ordens.
A confusão que causou é um exagero para os seus méritos.
Lembra-te com quem falas.
Conheço-te. Não queres mesmo dizer isso.
Não te atrevas a dizer-me aquilo que quero dizer.
Tens razão. Eu falhei.
E agora, és o único que a pode ajudar.
Tenho alguém com ela.
- Com a Lyra? - Sim. Uma das melhores.
Irá trazê-la para cá no momento certo.
Então, está segura? Prometes-me que está segura?
Palavra de honra.
Aquela miúda enfeitiçou-te, não enfeitiçou?
- Vigia-a. - Sim.
- O pior já passou? - Parece que sim.
O que ela te fez... é imperdoável.
- Pareces diferentes. - Tu também.
- Estás vidrado. - Eu sei.
Achava que nunca mais te ia ver.
Obrigada por vires.
Estás aí há quanto tempo?
Não estava escondida, vocês é que não me viram.
- Porque nos segues? - Sou da República do Lorde Asriel.
Estou aqui por ti, pela rapariga e pela faca.
Quem manda aqui somos nós, não tu.
Eu e a Lyra precisamos de falar a sós.
Como é que sei que não irão simplesmente para outro mundo?
- Não confias em nós? - O que é que achas?
Está bem.
Se não a tenho, não a posso usar.
Será boa ideia? E se ela rouba a faca?
- Está partida. - O quê? Como?
- Quando te tentei salvar. - Quando estavas com a minha mãe?
Fez-me pensar na minha mãe e, quando pensei, partiu-se.
Deixei a janela aberta para o teu mundo e estamos presos.
Isto poderá ajudar.
Parece sempre voltar para mim.
O que te aconteceu, Will?
Acordei e não estavas, ela estava ali e...
Não te devia ter deixado.
- Se não tivesse... - Não estou a dizer isso.
De repente, soube onde ele estava.
O teu pai? Encontraste-o?
Depois, morreu. Alvejado por um soldado. Não sei porquê.
Lamento imenso, Will.
Desde que morreu, não fiz nada daquilo que ele me pediu.
Tens mesmo de ir?
Desculpa. Não posso parar.
- Toma. Afasta-te da estrada. - O que é isto?
Uma bússola, uma lanterna, outras coisas úteis.
Foram muito amáveis. Terei cuidado.
Tenho uma ideia. Sei quem poderá reparar a faca.
O Iorek percebe de metais. Se alguém a pode reparar é ele.
Podemos ir pela janela, arranjá-la e...
E depois...
Sei que não queres fazer isto,
mas o meu pai disse-me que a faca é precisa numa guerra.
Mandou-me levar a faca a Asriel.
Não.
Talvez Asriel lamente o que fez. Ou foi um erro.
- Não foi. - Como sabes?
Porque o cadáver do Roger estava numa jaula.
Uma jaula que ele fez. Ele matou-o.
Disse-me que os destinos de muitos mundos dependem de mim.
Que tenho a faca que pode destruir a Autoridade e tenho essa obrigação.
Trabalhar com um assassino, é? Não.
- Temos algo mais importante a fazer. - O quê?
Quando estava a dormir, o Roger falou comigo.
Disse-me onde está e que precisava de ajuda e devíamos ir lá.
- Lá onde? - À Terra dos Mortos.
Não podes trazer ninguém de volta dos mortos.
Não sabes. Tens uma faca que atravessa mundos.
- Achas que é um mundo? - É! Já o vi!
Podes falar com o teu pai, dizer tudo o que querias.
- Não. Isto não é um conto de fadas. - Vais escolhê-lo?
Não vou escolher o teu pai, mas sim o meu, morreu antes de o conhecer.
A faca é minha, não tua.
Não queria que as coisas fossem assim.
Salvei-te. Fiz tudo para te salvar.
Disse-me para não o fazer, mas salvei-te.
Talvez o melhor seja nem reparar a faca.
O rapaz parece perturbado.
A Lyra está a pressioná-lo a fazer algo.
É mesmo filha de quem é.
- Não confias nela. - Também é minha.
Fala-me sobre a faca.
Quando se afastaram, exigi que a deixassem comigo.
Quando souberes em que mundo estás, enviaremos alguém para te ir buscar.
- Rédea curta com eles. - É verdade? Trouxeste-a para aqui?
Agente Salmakia, prossiga. Era melhor deixá-la ir?
Era melhor se a tivesses matado logo.
Ela é diabólica.
Já causou muito mal.
Mas é extremamente inteligente
e parece estar do nosso lado. Podemos usá-la.
Confias tanto nela que a prendeste.
Não confio de todo nela. Daí querer uma segunda opinião.
Quero discuti-lo com o Conselho, pode esconder algo.
As bruxas da minha irmã, mortas pela Coulter.
Não devem ter sido as únicas. Não há nada a discutir.
Ruta, lamento a tua perda.
Mas quero que seja ouvida.
Achas que podes aceitar isso pelo menos?
Para onde foste?
Para onde foste?
Não duvides de ti próprio.
Então, fá-lo-ei sem ti.
Lyra.
É assim tão difícil pedir-lhe desculpa?
- Ia pedir desculpa porquê? - Está aqui por ti. Encontrou-te.
Lutou por ti e a primeira coisa que fazes é discutir com ele.
Nem sempre tens razão, sabes?
Desculpa.
Algo que sei sobre ti é que não pedes desculpa facilmente.
Pronto. Então, não peço.
Também peço desculpa.
Não quero discutir contigo.
O Iorek está perto da janela no meu mundo.
Vi no aletiómetro.
Podemos arranjar a faca e depois decides o que fazer.
- Não vou mudar de ideias. - Não peço que mudes.
A última coisa que o meu pai me pediu foi levar a faca a Asriel.
Ainda bem que vieste ter comigo primeiro.
Tinha de vir.
- Não te posso levar onde queres ir. - Não tem mal.
Eu e o Pan encontraremos forma de chegar ao Roger.
Como irão regressar?
Só não confies nele.
Eu confiei.
Arrependi-me.
Já ouvi que chegue. Só tens dito mentiras!
A faca está partida!
Para de o atacar!
Dá-me uma razão para tal.
O Asriel precisa dele são e salvo. É ele que ele quer, não é?
O teu pai tinha razão sobre ti. És insofrível.
Diz-lhe que fugimos, que perdeste a faca.
E foi a minha mãe que a partiu, não o Will.
Quando precisar de nós, lá estaremos.
Estaremos?
Podem repará-la, não?
Não contigo aqui. Não confiamos em ti.
E se me recusar a ir-me embora?
Fecharei a única janela ainda aberta e ficamos todos aqui.
Não podemos ser controlados por ninguém. Especialmente pelo Asriel.
Então não me deixam outra opção.
O quer que seja que tenham a fazer, sejam rápidos.
A guerra precisa de todos nós.
Amanhã, iremos à procura do Iorek.
Aquilo é para mim?
Convocaste-me, meu senhor?
Senta-te, por favor.
Estou aqui porquê?
Quer que te ouçamos e que decidamos.
- Decidam o quê? - O que tu és.
Ah, é um julgamento.
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