Words on Bathroom Walls

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Words on Bathroom Walls 2020 720p BluRay x264-PiGNUS
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720p
720
Published on: 2020-12-20
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The first 200 lines.

PALAVRAS NAS PAREDES

No princípio, pensaram que teria algum problema nos olhos.

-Um ou dois? -Um.

O que eu teria dado por um clássico glaucoma.

Pronto, já terminámos.

Porque pouco tempo depois...

...comecei a ouvir as vozes.

-Por aqui. -Adam.

Não vás por aqui.

-Ouve. -Vá lá. Tu consegues.

Adam.

De certeza que lhe disseram que cozinho.

Chame-lhe o que quiser. Uma distração, automedicação, o que for.

Mas era a única coisa que os conseguia calar.

Estás bem?

E não culpe a minha mãe por não ter percebido mais cedo.

Ela teve de lidar com muita coisa estes últimos dois anos.

Quando o meu pai decidiu

que a coisa toda de ser pai lhe abafava a criatividade,

tivemos de aceitar esse prato de bosta que nos serviram e torná-lo comestível.

Por isso, cozinhei.

E cozinhei.

E as refeições foram o meu contributo para a nossa história triste.

Querido, está delicioso.

Além disso, comecei a cozinhar bem.

É a quantidade certa de cominhos.

Depois o Paul veio para cá viver.

É interessante.

É tão bom, amor. Adoro.

O meu lar, tal como o conhecia, passou a ser uma coisa do passado.

Então, comecei a sair muito.

Entrar para a escola de culinária no próximo outono foi como ter um oásis

no meio da lixeira ardente em que o meu cérebro se estava a tornar.

Só tinha de me concentrar no objetivo e esperar a minha hora.

Seria assim tão difícil esconder a minha loucura ascendente

do ecossistema imperdoável que é um liceu?

Ouve só. Finalmente fomos convidados para uma das festas da Sarah.

Não podemos faltar, pá. Vens, certo?

Vou-te buscar logo à noite?

Quem é essa?

A Sarah? O amor da minha vida?

É assim, durante uns tempos, eram apenas vozes.

Sim, isso. A Sarah.

Os meus pais estão noutra separação experimental, o que quer que isso seja.

Mas se os fizer sentir culpados, dão-me o carro.

O que dizes, para a festa?

Estou a dizer-te, acho que esta noite...

Adam.

Adam, então.

Aqui.

-O quê? -Cuidado, isto é como lava.

-Desculpa. -O que fazes?

Aqui, Adam.

Todd.

Adam.

Temos de ir embora já.

Sem problema, chefe. Nós tratamos.

Faz alguma coisa, por favor!

Isso dói! Dói!

Então, puto. Puto!

Lingrinhas, queres que te protejamos, ou quê? Sai.

Adam, vai.

Calma, rapaz. Calma.

Acalma-te, rapaz. Calma... Tenta acalmar-te. Está tudo bem.

Acalma-te, rapaz. Calma.

-Largue-me! -Respira.

Acalma-te.

Relaxa. Relaxa. Respira, só.

Chamaram-lhe o meu primeiro episódio psicótico.

-Olá. -E foi quando descobrimos o que sou.

Esquizofrenia, uma perturbação mental crónica

na qual uma pessoa perde a noção da realidade,

sofrendo alucinações visuais e auditivas,

paranoia, delírios.

Daí a minha extravagância na aula de química.

Uma cornucópia de bosta, basicamente.

Nunca desaparece, nunca serei normal.

O fim.

Primeiro, expulsaram-me da escola.

Olha, ainda vais à festa da Sarah no próximo fim de semana?

A queimadura do Todd foi tão grave, teve de usar excertos de pele do rabo.

A tua camisa de forças, anormal?

Ele detesta-me agora.

-Então, rapazes, para as aulas. -Anormal.

Todos me detestam.

Depois o Paul escondeu as facas todas.

Vou só dizer isto.

Se calhar, devíamos pô-lo algures onde soubessem cuidar dele.

Profissionalmente.

Diz só quando for para abrir cabeças, puto.

Respira fundo, Adam. Eles têm boas intenções.

As mães da vizinhança parecem estar a treinar para a maratona.

Queres ver?

Depois de aparecerem, nunca mais foram embora.

Qual bando de colegas de quarto aos quais não posso escapar.

Aquela é a Rebecca.

Ela é uma espécie de cruzamento do Dalai Lama com Coachella.

Sempre zen .

Sinceramente, ela não me chateia muito.

Depois há o guarda-costas, que dispensa explicações.

É temperamental, mas leal.

Tens de estar sempre alerta.

E, por fim, há o Joaquin.

Ele é tipo o melhor amigo excitado de um filme dos anos 90,

sempre atrás de ti, a dizer os teus pensamentos sem filtros.

Eu sei.

É muita coisa.

É aí que você entra, agora que a minha mãe está na busca desesperada por uma cura.

Tal como todas as outras mães iludidas que já conhecemos pelo caminho,

sentadas na mesma sala de espera, a pôr toda a fé nos mesmos médicos,

silenciosamente a implorar pelo mesmo:

"Cure o meu filho."

Abilify. Risperdal.

Clozapina. Stelazine.

Diga um cocktail de medicamentos e eu já o experimentei.

Alguma mudança?

Não.

Mas, de alguma forma, a minha mãe não perdeu a esperança.

Pelo menos um de nós. Parece.

DIAGNOSTICADO COM ESQUIZOFRENIA?

Finalmente chegou um novo tratamento para a esquizofrenia... TOZAPREX

Portanto, aí tem.

A história desgraçada completa.

É pegar ou largar.

Ou talvez só largar.

Porque, sejamos sinceros, só estamos aqui

por causa da persistência inescapável da minha mãe.

E não estou a tentar largar uma bosta no trabalho da sua vida, nem nada,

mas eu faço parte de um clube de elite chamado resistentes a tratamento.

Significa que provavelmente não teremos o nosso momento "A culpa não é tua"

do filme O Bom Rebelde .

Por isso, que tal excluir-me deste ensaio experimental

e poupar-nos aos dois a desilusão?

Fixe?

Nome Legal Completo do Paciente: ADAM PETRAZELLI

APROVADO

Pronto, querido, é hora de ir.

Já te disse, não vou ser a cobaia de alguém.

Não sabemos o que vai acontecer se tomar isso.

Podes começar a ficar melhor.

Talvez até comeces a passar mais tempo fora da cama.

-É o que pode acontecer. -Mas e se me cair o cabelo todo?

E se ficar cego? E se estiver envenenado?

Querido, quem te ia querer envenenar?

-Está tudo pronto. -Está bem, já descemos.

Vá lá. Tenho um ótimo pressentimento para este.

Não nos lixes, mano.

-Posso tomar mais tarde? -Está bem.

Veste-te.

Temos de ir ao Brasil.

Esta parece agradável.

ESCOLA CATÓLICA SAINT AGATHA

Mas nem sequer sou católico.

Os católicos também são mais uma questão de presença.

É um prazer conhecê-lo finalmente, Mr. Petrazelli.

Igualmente.

Tira.

Que bom que puderam todos vir cá.

Sim, bem, o único que não pode rejeitar-nos é Jesus, certo?

Penso que o que ele quer dizer é que

agradecemos muito considerarem aceitar o Adam a meio do ano escolar.

O nosso Senhor acolhe todas as crianças, mesmo as que têm desafios.

Fazemos questão...

Vá lá, puto. Deixa-me tratar dela por ti.

-Vai ser só problemas. -Queremos dar-lhes as ferramentas...

Tu é que sabes.

-Há algum problema? -Não.

Ena.

Bela montra.

Sim, em St. Agatha's temos dos melhores e mais brilhantes.

Irmã Catherine M. Peterson

Não só do distrito, mas do condado.

E não termina aí.

A integridade moral e espiritual são de importância vital também.

Como sabe, a admissão do Adam numa cultura académica tão prestigiada

seria condicional.

As expectativas também se aplicam a ele, apesar da sua condição médica.

Isso não será problema.

-Certo? Adam? -Sim, certo.

Estou pronto para me destacar em todas as frentes.

Diz aqui

que o Adam entrou num ensaio médico para ajudar a tratar a sua condição.

Sim, começou agora mesmo.

E como se sente?

Cheio de fogo.

Bem...

...podemos aceitar o Adam.

Sob a condição de ele manter uma média de 18 valores

e pontuar acima de 90 por cento no exame final do ano.

Por último, teremos de ser informados do tratamento psiquiátrico mensalmente.

Isso não será problema.

Muito obrigada.

Serão discretos, certo?

Tivemos um problema de bullying na última escola que frequentou.

Talvez seja o melhor. Não é preciso alarmar ninguém.

Está bem, obrigado. Adam.

Adam?

Preciso de ir ao quarto de banho.

Só um segundo.

Então.

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