The first 200 lines.
Estou rodeado por câmaras em direto,
microfones de rádio mesmo à minha frente.
Estão todos ocupados.
CAÇA AO HOMEM
Boa noite, Seattle.
Uma caça ao homem internacional ao assassino de Green River.
Não só o mais procurado da América,
mas talvez o homicida mais perigoso
do mundo.
O estado de espírito no estúdio
e na área da linha de pistas era de entusiasmo.
Era possível que conseguíssemos contactar um assassino.
UMA SÉRIE NETFLIX
Dave, sei que tens algo que,
se o assassino de Green River estiver a ver, queres dizer.
Trabalho neste caso há mais de 6 anos
e sinto-me confiante
de que alguém, em breve, nos levará até ti.
"Não vamos desistir e, como te vamos apanhar,
é melhor entregares-te."
Este pesadelo não vai acabar.
Ainda te assombra a toda a hora.
"Se tens a ousadia e a coragem,
liga-me."
Está na hora de falarmos.
NÚMERO DE VÍTIMAS
Temos as câmaras prontas, estão todos prontos quando estiver.
Chamo-me Dave Reichert e sou o antigo detetive líder
da força especial de Green River no condado de King, em Washington.
Fui encorajado a ser agente da polícia pela minha esposa, Julie.
Os miúdos tinham orgulho nisso.
Podiam ir à escola e dizer: "O meu pai é polícia."
E todos diziam: "Ena!"
Fui recrutado em 1972.
Em 1979,
pediram-me para ir trabalhar na unidade de Homicídios e Roubos.
Estava entusiasmado com esta oportunidade
porque era um dos objetivos que tinha estabelecido para mim mesmo.
A 15 de agosto,
recebemos uma chamada.
Dois corpos foram encontrados em Green River.
CENA DO CRIME - NÃO PASSAR
Quando cheguei,
avancei até ao rio
através da relva alta na margem.
O corpo mais perto de mim estava na água, um metro abaixo,
e ela estava nua.
Enquanto estava a descer,
encontrei um terceiro corpo.
Conseguias sentir a tensão no ar e o choque
desse anúncio.
Antes de encontrarmos três corpos hoje,
tinham sido encontrados dois corpos,
no último mês,
a jusante.
Então, tínhamos cinco jovens,
todas estranguladas.
Havia a noção de que podia ser um assassino em série
e que tínhamos de nos organizar para uma grande investigação.
Quando cheguei a casa, já era muito tarde.
Os miúdos já estavam na cama.
Jantei com a Julie.
Nunca falava do meu trabalho em casa.
Se a Julie me perguntasse,
normalmente, eu dizia: "Correu bem."
Como polícias, éramos a linha
que separa todo o mal que acontece no mundo
e proteger as pessoas de sequer verem esse mal,
porque é feio.
O choque nesta vizinhança continua.
As últimas três vítimas foram encontradas ontem.
A polícia tem vasculhado as margens do rio à procura de pistas
sobre quem pode ter morto 5 mulheres no último mês.
Quando cheguei ao gabinete do xerife,
está tudo nas notícias.
O nosso paraíso moderno tem uma serpente.
Uma serpente em forma humana, o assassino de Green River.
O xerife anunciou que ia criar uma força de investigação de Green River.
Pediram-me para ser o detetive líder.
Já tinha tido casos difíceis,
mas nunca estive no caso dum assassino em série.
Então, tínhamos de juntar 25 detetives.
Um deles era a detetive Fae Brooks.
Só um segundo.
- Já volto. - Está bem.
Achava que o tinha desligado.
Tudo bem.
Desculpem.
Trabalhava no gabinete do xerife do condado de King
há cerca de quatro anos.
Na altura, não estava nos Homicídios, estava nos Crimes Sexuais.
Se houvesse um caso grande,
os detetives de Crimes Sexuais ajudavam os de Homicídios.
Sou sobrevivente de abuso sexual.
Quando me tornei detetive de Crimes Sexuais,
foi como se fosse terapia,
porque podia prender pessoas
que estavam a usar e a abusar de pessoas.
Isso levou-me a querer apanhar o assassino.
Durante as autópsias,
os médicos-legistas puderam confirmar
que tinham encontrado esperma em duas das vítimas
que pensaram poder ser do assassino.
Era a nossa primeira prova forense física a sério.
Mas o ADN não estava avançado o suficiente
para criar um perfil de ADN do assassino.
Então, estávamos focados em quem as mulheres eram,
talvez isso nos ajudasse a reduzir suspeitos
para identificarmos o responsável por isto.
Conseguimos identificar alguns corpos
com registos dentários, relatórios de desaparecidos
e impressões digitais.
Descobrimos que elas trabalhavam como prostitutas.
Uma delas chamava-se Marcia Chapman.
Disse logo: "Marcia Chapman? Conheci-a."
Podia sentir o meu coração a bater.
Eu tinha sido colocada a investigar um caso
em que ela reportara que tinha sido atacada.
Tinha 31 anos e era mãe de três.
E a Marcia trabalhava como prostituta,
usando o dinheiro para tomar conta dos filhos.
Sim, era muito triste. Muito triste.
A maior parte da prostituição ocorria
numa área a que chamávamos The Strip.
E essa era a área central da nossa investigação.
Fui nomeada para ir a The Strip
e contactar jovens, pedir-lhes informações de suspeitos,
tentar identificar o possível assassino.
The Strip, como é conhecida,
é uma autoestrada que vai de Seattle até Tacoma,
ao longo da autoestrada Pacífico Sul.
Era uma estrada para arranjar prostitutas.
A maioria das prostitutas eram jovens,
desde adolescentes aos seus 20 e poucos,
a tentar ganhar dinheiro para sobreviver.
Falava com várias raparigas enquanto elas estavam na rua.
Eu disse: "Bem, quero que tenhas cuidado.
Se souberes algo, por favor, diz-nos.
Há por aí um tipo a matar prostitutas."
E, normalmente, elas diziam: "Eu vou conseguir reconhecê-lo."
Não achavam que lhes aconteceria.
Algures entre nós, há um assassino de sangue frio.
O caso começou a crescer e teve um impacto cada vez maior
sobre toda a comunidade.
Criou uma atmosfera de medo.
Polícia do condado de King, força de Green River.
Tivemos muita gente a ligar
sobre pessoas que achavam suspeitas.
Recebo uma chamada.
Eu disse: "Sim, é o detetive Reichert, quem fala?"
E ele disse que se chamava Melvyn Foster.
Reportou que alguém que conhecia como Dan Smith
seria um bom suspeito neste caso.
Disse que o Dan Smith conhece as vítimas,
conhece todas as prostitutas na rua,
é conhecido por ser um tipo violento.
Trouxemos o Dan Smith para ser interrogado.
Não encontrámos nada
que nos levasse a acreditar que era o assassino.
Mas o FBI partilhou connosco
que o suspeito podia ligar-nos
e tentar meter-se na investigação
para nos levar por um caminho em que olhássemos para outro suspeito.
Então, decidimos olhar para o Melvyn Foster com mais atenção.
O Melvyn Foster era taxista.
Tinha 40 e poucos anos.
Vivia perto da capital estadual,
perto de Olympia, Washington,
que fica, pelo menos, a uma hora e meia a sul de Seattle.
Ele vinha a Seattle e conduzia o táxi na área de The Strip,
o que achámos um pouco estranho,
porque podes ser taxista em Olympia.
Descobrimos que tinha mandados para a sua detenção
por violações de trânsito.
Já tinha estado na prisão por furto de automóveis.
Levantou suspeitas.
Então, decidimos trazer o Melvyn Foster para ser interrogado.
Mostrámos-lhe fotos das vítimas que tínhamos identificado.
Ele disse: "Não, não a conheço. Não conheço a Marcia Chapman."
E por aí fora.
No fim do interrogatório, dissemos: "Já agora,
descobrimos que tem mandados para a sua captura…
… vamos prendê-lo."
Achámos que isso o iria stressar.
Talvez nos desse mais informações.
No dia seguinte, perguntámos-lhe pelas vítimas outra vez.
Agora, subitamente, ele conhece as vítimas.
Disse que as teve no seu táxi.
Foi uma grande mudança desde o dia anterior.
Pensei: "Sabes que mais? Este tipo pode ser o nosso suspeito."
Decidimos fazer-lhe um teste de polígrafo.
Perguntaram ao Melvyn Foster se sabia quem era o assassino.
E ele disse: "Não."
Também lhe perguntaram
se estava ligado aos homicídios de Green River,
e ele disse: "Não."
No fim das questões…
… o teste mostrou que não passara no polígrafo.
O teste de polígrafo nem sempre está certo.
Mas era outra peça do puzzle que nos fez acreditar
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